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força se apoderam dele" (Mateus 11: 12) |
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Para compreender Mateus 11: 12 é preciso determinar o público alvo da mensagem de Cristo, ou seja, é preciso contextualizar o versículo. Após instruir os seus discípulos, aproximou-se de Jesus os discípulos de João Batista Mt 11: 1- 2. Eles foram enviados por João para saber se Cristo era aquele que estava por vir, ou se era preciso esperavar outro (v. 3). Os discípulo de João foram instruídos por Jesus e foram anunciar as obras de Cristo a João Batista, que estava preso (v. 4- 6). Em seguida Jesus passou a dizer a multidão, ou seja, ao povo de Israel acerca da missão de João Batista. Verifica-se, então, que a mensagem do verso 7 ao 19 foi direcionada ao povo de Israel, pessoas que precisavam crer em Cristo para serem salvas. Para crer em Cristo o povo não podia escandalizar-se dele. Porém, o povo olhava a aparência e se escandalizavam da sua pessoa "Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa" Mt 13: 55- 57. Jesus passou a demonstrar que João Batista foi enviado como precursor do reino dos céus, conforme o predito por Isaias Mt 11: 10. Jesus questiona o interesse do povo em ir ver João Batista. Por que a necessidade de ir ver um profeta, se não davam ouvido a sua mensagem? Mt 11: 7- 9. Jesus também demonstrou ao povo que, dentre os nascidos de mulher (homens e mulheres), não havia ninguém maior que João Batista. Porém, o menor dentre o reino dos céus era maior que João Batista. Jesus destaca o papel de João Batista no reino dos homens, e demonstra que ele era o maior dentre os homens por ter sido escolhido como mensageiro do Senhor "Mas, então, que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, mais do que profeta (...) não apareceu alguém maior do que João Batista" Mt 11: 9- 11. Lucas registrou: "E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele" (Lucas 7: 28). Dentre os homens (nascidos de mulher) João era o maior, porém, o 'menor' dentre os homens e profetas, no reino dos céus é maior do que João, e conseqüentemente, maior do de todos os profetas. Como pode ser isso? Quando Cristo demonstra que o menor no reino dos céus é maior do que João, Jesus estava falando de sua pessoa. Cristo é maior que João Batista no reino dos céus (mas, o menor é maior do que ele no reino de Deus), pois, Cristo se fez o menor dentre os homens, assumindo a condição de servo, para ser o maior no reino Mt 11: 11. Tudo o que Jesus disse ficou na dependência de seus ouvintes (povo) darem crédito "E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que havia de vir" Mt 11: 14.
"E, desde os dias de João o Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus..."(Mt 11: 12) Desde os dias que João Batista passou a anunciar o reino dos céus até aquele momento em que Jesus estava falando ao povo, estava ocorrendo violência ao reino dos céus. Agora, surgem as perguntas: sobre que tipo de violência Jesus fez menção? Que é o advento do reino dos céus? Que tipo de força utilizam? E, por que a violência passou a ocorrer após o início do ministério de João Batista? O Reino dos Céus Sabemos que nos dias de João Batista passou a ser proclamado o reino dos céus "Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus" Mt 3: 2. Como João era precursor de Jesus, verifica-se que o reino dos céus vincula-se a pessoa de Cristo. A mensagem de Jesus e dos seus discípulos era: "E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus" (Mateus 10: 7). Os fariseus ao interrogarem a Cristo acerca do reino dos céus obtiveram a seguinte resposta: "E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior" (Lucas 17: 20). Os homens queriam ver o reino de Deus, porém, não entendiam no que consistia o reino dos céus. Eles queriam dizer uns aos outros: Olha ali o reino dos céus, porém, não conseguiam identificar que o reino dos céus já estava entre os homens "Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós" (Lucas 17: 21). Quando Jesus disse que "o reino de Deus está entre vós", ele não disse que o reino havia se estabelecido no coração dos seus ouvintes (fariseus), antes demonstrou que o Cristo encarnado é o reino dos céus. 'Dentro em vós' também pode significar 'no meio de vós'. Ora, quando Jesus disse que 'desde os dias de João Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus', ele estava demonstrando que faziam violência a sua pessoa. Isto porque a mensagem de João era acerca da pessoa de Cristo, e Cristo também falava do seu ministério entre os homens. Cristo identificou-se como sendo o reino de Deus entre os homens, alvo de 'violência' desde os dias de João Batista até aquele momento que Jesus estava falando ao povo de Israel. Por que Jesus identifica-se como sendo o reino dos céus? Porque Cristo é o filho de Davi, e será rei sobre o reino literal, físico e visível sobre Israel e o mundo. Uma vez que os judeus aguardavam o reino de Deus, Cristo sendo o rei, apresenta-se aos seus 'suditos', e o seus não o receberam simplesmente pela sua aparência exterior. A igreja é templo e morada do Espírito de Deus proveniente da mensagem do evangelho, que é: "Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;" (Mateus 16: 24). Desta forma o crente torna-se participante de Cristo (em Cristo = nova criatura), promessa superior e condição superior a de súdito do reino. A igreja herda com Cristo todas as coisas Rm 8: 17, e reinará em glória com Ele II Tm 2: 12. A mensagem do reino dos céus foi apresentada inicialmente aos judeus, ou seja, os discípulos de Jesus não deviam ir em direção aos gentios "Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidades de samaritanos" Mt 10: 5. Embora os judeus esperassem um reino visível e físico, havia um aspecto da missão do Messias que desconheciam. Este aspecto que desconheciam sobre o Messias é demonstrado em Miquéias: "Porque o filho despreza o pai a filha se levanta contra a mãe, a nora contra a sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa" Mq 7: 6. Em sua primeira vinda, o Messias não traria paz aos reinos deste mundo e nem haveria de governá-los, antes traria espada, ou seja, julgamento e morte (quem não toma a sua cruz e vem a pós mim, não é digno de mim). Para o homem não ser condenado com o mundo é preciso ser julgado com Cristo, tomando a sua própria cruz e morrer com Ele. Jesus jamais declararia paz ao mundo pecaminoso que teve origem em Adão. Jesus trouxe espada, ou seja, todos que negam a si mesmo deixando a sua origem em Adão e morrem por amor a Cristo através da fé no evangelho, serão de novo criados em verdadeira justiça e santidade através do último Adão, que é Cristo.
A violência "E, desde os dias de João o Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus..."(Mt 11: 12) Sabemos que não é possível aos homens tomarem o reino dos céus a força, e que não foi esta a idéia que Cristo transmitiu ao povo de Israel. É correta a a tradução que diz: "Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele" Mt 11: 12? Nunca foi possível aos homens 'tomar' o reino dos céus à força, e por que isto seria diferente nos dias de João Batista? O esforço humano é contado na conquista do reino dos céus? Esta não é a idéia bíblica. Jamais será possível ao homem tomar posse do reino dos céus através da força. Seria aquela geração à época de Cristo diferente das demais? Vemos que não: "Mas, a quem hei de comparar esta geração?" Mt 11: 16. A geração à época de Cristo era indiferente a mensagem de Cristo, pois as suas obras era segundo a sabedoria carnal Mt 11: 16- 19; Lc 11: 50. Estes versos demonstram efetivamente que pelas obras ninguém pode entrar ou tomar por assalto o reino dos céus. Muito menos a geração dos dias de João Batista poderia tomar o reino dos céus a força. O que se percebe da fala de Cristo ao dizer que faziam violência ao reino dos céus é uma reprimenda, uma censura a atitude do povo de Israel que rejeitavam a justiça de Deus. O que eles queriam apresentar na conquista do reino dos céus eram verdadeiramente obras de violência "As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos" (Isaías 59: 6). Por deixarem de dar crédito à palavra de Deus, estavam fazendo violência ao reino dos céus "Assim diz o SENHOR: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar" (Jeremias 22: 3). Onde há falta de justiça, sobra a violência "Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro" (Oséias 4: 2). Onde não aceitam o conhecimento de Deus que estabelece a sua justiça, sobra obras de violência Os 4: 6. Ou seja, desde que começou ser anunciado o reino dos céus (desde João Batista até agora), faz-se violência ao reino dos céus, pois rejeitavam a mensagem de João e de Cristo "A voz do SENHOR clama à cidade e o que é sábio verá o teu nome. Ouvi a vara, e quem a ordenou. Ainda há na casa do ímpio tesouros da impiedade, e medida escassa, que é detestável? Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca" Mq 6: 9- 12. A voz de Cristo ecoou em Jerusalém, e os seus súditos por se acharem ricos e abastados não o atenderam. Os ricos de "violência" não reconheceram as sua misérias quando o rei clamou: "Bem-aventurado os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus" Mt 5: 3. Eles se escandalizaram de Cristo e da sua mensagem Mt 11: 6 e 13: 57. A rejeição à justiça de Deus é violência ao reino dos céus. Onde não se estabelece a justiça há violência! Lc 11: 50.
Que Força? "...e pela força se apoderam dele" (Mt 11: 12). Será que os 'enérgicos' lançam mão do reino dos céus? É possível apoderar-se dele através da força? Sabemos que pela fé em Cristo é possível ao homem tornar-se participante do reino de Deus na condição de súdito. Porém, é impossível alguém apoderar-se dele, visto que o reino é do Senhor e do seu Cristo Ap 11: 15. A palavra 'apoderam' está mais para uma afronta ao reino do que para uma conquista. Como é impossível 'apoderar-se do reino', a frase "...e pela força se apoderam dele" assume um valor irônico, pois apresenta um sentido oposto ao original. É comum em nossa literatura utilizar um termo com o sentido oposto ao original, e Jesus fez uso desse recurso com a idéia que se depreende da frase. Ele faz uma frase de valor irônico diante da impossibilidade dos homens 'apoderarem-se' do reino dos céus à força.
Agora, faz-se necessário utilizar todo o conhecimento que adquirimos anteriormente.
Qual a força do homem na tentativa de alcançar o reino dos céus? Os Zelotes queriam estabelecer o reino de Deus através da força bélica, pois não compreendiam no que consiste o reino e quem irá estabelecê-lo. Os escribas e fariseus confiavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Eles confiavam na carne (origem em Abraão) como sendo a força ou o braço que lhes concedia o direito de serem participantes do reino de Deus. O povo de Israel entendia que a força dele era proveniente da lei entregue por Moisés. Entendia que, pela lei alcançava força suficiente para conquistar o reino dos céus.
"Não vos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos, e à obra das nossas mãos não diremos mais: Tu és o nosso Deus; porque por ti o órfão alcançará misericórdia" Oséias 14: 3. A mensagem de Jesus ao povo de Israel quando disse: "Desde os dias de João Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus, e pela força apoderam-se dele" Mt 11: 12 é a mesma do profeta Isaias, que no capítulo 30, em resumo, diz: "Por isso, assim diz o Santo de Israel: porquanto rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e perversidade, e sobre isso vos estribais, Por isso esta maldade vos será como a brecha de um alto muro que, formando uma barriga, está prestes a cair e cuja quebra virá subitamente" Is 30: 11 - 12. Quem confia na opressão e na perversidade faz violência ao reino dos céus. Quem se estriba na violência, faz dela a sua força! Mas, a obra do homem (muro) proveniente da sua força está prestes a ruir subitamente. Is 30: 15. A confiança em Cristo é a força que o homem precisa, mas eles não quiseram.
Claudio Crispim
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