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O Uso do Véu

 
 

 

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O Que Muitos Conheciam

           

4- Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.

5- Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.

6- Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.

 

Após expor o que era necessário os cristãos saberem para uma correta abordagem do tema (v. 3), Paulo demonstra que também conhecia as alegações dos que queriam impor a utilização do véu às mulheres da igreja de Corinto (vs. 4- 10).

 

Ou seja, a exposição de Paulo dos versos 4 ao 10 demonstra que o apóstolo conhecia muito bem as alegações dos que queriam impor a utilização do véu. Tal abordagem demonstra que o apóstolo tinha conhecimento de causa para tratar do assunto.

 

Quando se lê o verso 4 e 5 como sendo uma ordenança de Paulo aos cristãos, chega-se ao entendimento de que as mulheres devem utilizar-se do véu durante a liturgia. Porém, se observarmos a estrutura de texto, verifica-se que não se trata de uma ordenança de Paulo, e sim, de um conhecimento comum a alguns dos cristãos, e que o apóstolo passa a tratar à luz do exposto no versículo 3.

 

Ou seja, Paulo queria que eles soubessem que Cristo é o cabeça de todo homem, uma vez que ele sabia que o conhecimento deles era que 'todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça'.

 

Este era o conhecimento deles: ‘Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça’ (v. 4), e Paulo ao citar o que conheciam, demonstra ter o conhecimento necessário para debater o assunto.

 

O mesmo ensinamento que aponta que é desonra para o homem profetizar e orar com a cabeça coberta, é o que determina que a mulher deve cobrir-se com o véu quando ora ou profetiza.

 

O que é desonra para o homem é honra para as mulheres, e vice-versa (vs. 4 e 5).

 

Com base neste conhecimento que alguns da igreja de Corinto possuía, eles chegariam a seguinte conclusão: Se a mulher não se cobre com o véu quando ora ou profetiza, desonra a sua própria cabeça, e seria como se a sua cabeça estivesse raspada. Portanto, se a mulher não se cobre com o véu, deveria tosquiar o seu cabelo. Mas, se era vergonha para ela raspar a cabeça, que se cobri-se com o véu, para evitar a desonra da sua própria cabeça.

 

Observe que na lei, se a mulher torna-se desonrada, ela estava desonrando também o seu marido, que exercia autoridade sobre ela.

 

Do ensinamento que estava se propagando na igreja de Corinto decorre que, se a mulher não se cobrisse com o véu, estava a desonrar-se.

 

Ficar sem o véu era o mesmo que estar contrariando a natureza: considerava-se que a mulher estava desprovida dos cabelos (careca). Após apresentar o conhecimento de alguns da igreja de Corinto (vs. 4 e 5), Paulo apresenta as regras pertinentes a este ensinamento, ou seja: “Se a mulher não se cobre com o véu...” (v. 6).

 

Estas eram as implicações daquele ensinamento: o homem não devia cobrir-se com o véu, para não trazer desonra sobre si. Por outro lado, a mulher devia cobrir-se com o véu ao orar e profetizar. Caso a mulher não quisesse utilizar o véu, precisava estar plenamente esclarecida que a sua atitude de não usar o véu implicaria no mesmo que estar com a cabeça raspada.

 

Como era vergonha para as mulheres ficar com a cabeça raspada, que colocassem o véu. Para os observadores da lei, se uma mulher não utilizasse o véu, era o mesmo que ela estivesse com a cabeça raspada.

 

Os versículo 4 e 5 são premissas que levam a uma conclusão:  "Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também".

 

Estes três versículos não são os ensinamentos que Paulo à igreja, e o que estava sendo transmitindo os cristãos não estava sendo concitados a praticar. Antes, esta era uma forma de abordar um tema, demonstrando que quem ensinava tinha conhecimento de causa.

 

Paulo procurou demonstrar como expositor do evangelho que conhecia plenamente o tema a ser tratado. Desta maneira ele expôs as ordenanças que impunham a utilização do véu na igreja (v. 4 e 6) e a conclusão que decorre desta ordenança (v. 6).

 

Mas, qual era o fundamento de tais ordenanças? Qual foi a base utilizada para apresentarem tais regras ao povo? A resposta vem dos versículos 7 a 9:

 

7- O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.

8- Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.

9- Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.

 

Se há regras que se aplicam às mulheres, também há regras que se aplicam aos homens. Porém, estas regras precisam ser motivadas. Qual o motivo do homem não utilizar o véu, e o motivo da mulher ter que utilizá-lo?

 

Paulo apresenta os argumentos onde se fundamentava a ordenança do homem não utilizar o véu: o homem não podia utilizar o véu porque ele é a imagem e glória de Deus. Por outro lado, a mulher deveria utilizar o véu por ser a glória do homem.

 

Observe as razões deste ensinamento:

 

1º) A mulher é a glória do homem;

2º) O homem não veio da mulher, e;

3º) A mulher foi criada por causa do homem, e não o homem por causa da mulher.

Observe a argumentação que deu origem a utilização do véu: a mulher foi criada por causa do homem, e não o homem por causa da mulher. Da mesma maneira que o homem não veio da mulher, mais a mulher do homem. Para eles, somente o homem foi criado a imagem e semelhança de Deus, e a mulher não. Entendiam que o homem é a imagem e a glória de Deus, e a mulher a glória do homem.

 

10- Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.

 

Diante das razões expostas desde o versículo quatro, Paulo apresenta a conclusão dos que queriam impor a utilização do véu na igreja: a mulher deveria usar o véu, como sinal de autoridade, por causa dos anjos (v. 10).

 

Do versículo quatro ao versículo dez, o apóstolo Paulo só estava descrevendo algo que já era do conhecimento dos irmãos em Corinto. Excetuando o versículo 3, todos os outros versículos até o 10 tratam de ensinamentos que decorrem da lei e preceitos dos judeus.

 

A explicação máxima dos que queriam impor o uso do véu era: "Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça um sinal de autoridade, por causa dos anjos" (v. 10).

 

 

A Nova Condição em Cristo

 

11- Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no SENHOR.

12- Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.

 

A partir do versículo 11, o apóstolo Paulo apresenta o seus 'preceitos' (v. 2), que contrapõe ao que foi exposto anteriormente.

 

Paulo aponta uma nova condição: “Todavia,...” (v. 11).

 

Enquanto os que queriam impor o uso do véu argumentavam que a mulher proveio do homem, ou que, a mulher foi criada por causa do homem, Paulo demonstra que o homem não é sem a mulher, e nem a mulher sem o homem em Cristo.

 

Ou seja, em Cristo (no Senhor) 'nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem'. Em seguida Paulo apresenta o motivo: "Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus" (v. 12).

 

Paulo demonstra que a argumentação dos que queriam impor o uso do véu era inconsistente frente a verdade do evangelho.

 

À parte de Cristo as diferenças entre homem e mulher eram evidenciadas. 'Todavia', em Cristo é totalmente diferente: não há distinção entre homens e mulheres, pois tudo vem de Deus.

 

As distinções que a lei evidenciavam, tais como: sexo, raça e religião, no Senhor elas não se aplicam.

 

O argumento de Paulo contraria a idéia anterior (v. 4 a 10). Em Cristo, tanto homem quanto mulher, são um. Pertencem ao mesmo corpo, que é a igreja. Os cristãos deveriam observar que, da mesma forma que a mulher proveio do homem, o homem também provém da mulher.

 

Para que não restassem dúvidas quanto à procedência do homem e da mulher e das diferenças que poderiam advir de um entendimento equivocado, Paulo reitera que “tudo vem de Deus” (v. 12), tanto homem, quanto a mulher.

 

Diante do argumento utilizado, Paulo espera um julgamento da partes dos leitores: “Julgai entre vós mesmos...” (v. 13), como já era de se esperar do apóstolo "Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo" I Co 10: 15.

 

O argumento de quem utilizava a lei era: o homem não proveio da mulher (v. 8). O argumento de Paulo é:  "Pois como a mulher proveio do homem, assim também o homem nasce da mulher, mas tudo provém de Deus" (v. 12).

Para fazer os cristãos pensarem segundo as novas premissas do evangelho, Paulo questiona: "É próprio que a mulher ore a Deus com a cabeça descoberta?" (v. 13).

 

Segundo as ordenanças decorrente da lei era obrigatório as mulheres o uso do véu, porém, à luz do evangelho, Paulo espera um julgamento dos seus leitores.

 

Caso ainda restasse dúvidas sobre a questão, Paulo apresenta outro elemento a se considerar quando da resposta à pergunta anterior: “Ou não vos ensina a própria natureza que é desonroso para o homem ter cabelo crescido?” (v. 14).

 

O mesmo ensinamento sobre o homem é que dava sustentabilidade a ordenança a respeito da mulher: o homem não deveria ter cabelo crescido, da mesma forma que a mulher não deveria orar com a cabeça descoberta.

 

Diante do que foi exposto Paulo conclui: “Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, pois o cabelo foi dado em lugar do véu” (v. 15).

  

Não havia mais a necessidade do uso do véu pela mulheres nas igrejas diante dos vários motivos que Paulo apresenta em suas exposições doutrinárias:

 

  • O cabelo da mulher foi dado em lugar do véu;

  • Em Cristo Jesus não há diferença entre o homem e a mulher;

  • Tudo provém de Deus;

  • Em Cristo não há macho ou fêmea Gl 3: 28;

  • No evangelho não há distinção entre pessoas.

 

Mesmo após instruir os cristãos que o uso do véu não era imposto as mulheres, Paulo se antecipa aos dissidentes que queriam impor o uso de tal indumentária:

                     

"Mas, se alguém quiser ser contencioso..."

Paulo esperava um 'julgamento' consciente da parte dos cristãos (v. 13), mas, diante da possibilidade de alguém não aceitar os seus argumentos, ele apresenta a sua decisão: "...NOS NÃO TEMOS TAL COSTUME, NEM AS IGREJAS DE DEUS".

 

Conclusão

 

Diante da palavra ‘Todavia’ no versículo onze é que conseguimos entender o argumento de Paulo contra o uso do véu. Entendemos que do versículo quatro ao dez Paulo faz referencia aos costumes utilizados por alguns membros da igreja de Corinto, mas que não condizia com os usos e costumes das igrejas primitivas.

 

A questão do uso do véu imposto às mulheres cristãs não precisaria ser abordada por Paulo se os cristãos de Corinto entendessem que a igreja de Deus é sujeita a Cristo, sendo Ele o cabeça da igreja e o salvador do corpo, que é composto tanto por homens e mulheres.

 

Todos os cristãos são membros do corpo de Cristo Ef 5: 30, e através d'Ele todos são um. Este 'mistério' alguns de Corinto ainda não entendiam (Cristo e a Igreja) (v. 32), o que influenciou até mesmo o cerimonial da ceia.

 

Se todos são participantes do corpo de Cristo, não há diferença entre homem e mulher, e portanto, não é necessário a utilização de qualquer acessório que faça distinção entre os membros do corpo de Cristo.

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Claudio o Crispim

 

 
 

 

 

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