Adão e Cristo são os dois personagens de maior
importância para a interpretação bíblica.
Grande parte das parábolas de
Jesus e das figuras do Novo Testamento são referências específicas aos
eventos no Éden e da cruz. Muitas figuras e parábolas ilustram as conseqüências destes eventos
para a humanidade.
Um exemplo é a parábola dos
'dois caminhos', que, implicitamente, faz referência as conseqüências
decorrentes dos eventos que sucederam no Éden e na cruz.
Observe: Adão foi
feito (criado) alma vivente e participante da vida que há em Deus, porém, após desobedecer a determinação divina
passou a condição de morto para Deus. A 'nova' condição de Adão após a
queda passou a ser de sujeição ao pecado pela natureza adquirida.
A sujeição ao pecado deixou Adão em inimizade com Deus, e
por causa da condenação deixou de ser participante da vida que há em Deus, passando a viver para o mundo e suas concupiscências (morto para Deus e vivo para
o mundo).
Todos os nascidos de Adão (nascidos da carne, vontade do
varão e do sangue) passaram a condição de filhos da ira e da desobediência.
Desta forma todos os homens passaram a estar destituídos da glória de Deus, pois todos pecaram.
Esta condição pertinente à toda humanidade é ilustrada
através da parábola das duas portas e dos dois caminhos, ou seja, todos os
homens ao nascerem, por serem descendentes de Adão, entram pela porta
larga, e seguem pelo caminho espaçoso que conduz à perdição Mt 7: 13.
Em Adão todos os homens morreram e destituídos estão da
glória de Deus. Em Adão, a 'porta larga', todos os homens seguem o caminho
de perdição. Todos os homens morreram em Adão e passaram a viver para o
pecado, para o maligno e para o mundo.
Porém, através do último Adão, que por Deus constitui-se
espírito vivificante, todos os que crêem entram pela porta estreita, ou
seja, nascem de novo. São criados por Deus em verdadeira justiça e
santidade, segundo o poder concedido através do evangelho, sendo feitos
(criados) filhos de Deus Jo 1: 12.
Estes passam a trilhar o caminho estreito que conduz à vida.
O caminho é estreito e poucos entram por ele, ou seja, quando se fala em quantidade,
muitos vem
ao mundo segundo Adão, e poucos são os que crêem para a salvação, segundo o
último Adão, que é Cristo.
Em números absolutos, em Adão todos morreram, e em Cristo, o último Adão,
todos
quantos crerem também morrem. Em Adão toda a humanidade morreu e passou a
viver para o mundo, em Cristo, o último Adão, todos os que crêem, morrem
para o pecado, para o maligno e para o mundo, e são de novo criados, e
passam a viver para Deus. Amém.
Outro exemplo, é a
figura dos
vasos, conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: "Ou não tem o oleiro poder sobre
o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" Rm 9: 21. Como entender esta figura apresentada por Paulo?
Sabemos que Deus é o oleiro, e é Ele que detém o poder sobre
o barro, que é o homem. Todos os homens decorrem de uma mesma massa, ou
seja, todos são alma viventes conforme Adão.
Todos os homens que vêem ao mundo são criados pelo poder de
Deus, porém, por serem descendentes de Adão, todos são feitos vasos para
desonra. Todos os descendentes de Adão são vasos para ira, preparados para
perdição. Através deles Deus demonstra a sua ira, e dá a conhecer o seu
poder, suportando-os com muita paciência.
Deus chama pacientemente os vasos preparados para a ira a
fim de torná-los vasos para honra, ou
seja, o evangelho é o chamado de Deus a todos os homens nascidos segundo
Adão. Todos os cristãos foram chamados por Deus, e neles é demonstrado o
poder de Deus e as riquezas de sua graça. Todos os que são chamados e crêem
são os vasos de misericórdia, e, portanto, vasos para a honra.
Observe que, tanto os nascidos em Adão e os nascidos em
Cristo constituem-se vasos e são formados da mesma massa como nos
afirma I Co 15:46 "Mas não é primeiro o espiritual, senão o
natural; depois o espiritual". Todos os homens precisam ser feitos almas
viventes (homem natural), para depois serem criados espirituais (homem
espiritual).
Quando criados, os homens naturais passam à condição de
escravos do pecado, por causa do pecado de Adão. Percebe-se então que, o
grande
diferencial é que, os nascidos segundo Adão são vasos para a desonra, e os
nascidos em Cristo são
vasos para honra.
Quando o leitor não compreende a verdade sobre os eventos da
cruz e do Éden, acaba por interpretar a bíblia erroneamente. Ao deparar-se com
parábolas e ilustrações como as apresentadas acima, terá um entendimento
segundo uma concepção humana, e permanecerá enfatuado, segundo uma carnal
compreensão.
Muitos interpretam que a porta é larga porque as pessoas do
mundo estão
entregues aos prazeres, são sensuais, céticas e criminosas. Entendem que a porta é larga
por não apresentar 'dificuldades' ou condições para entrada. Entendem que o
caminho estreito esta diretamente relacionado com dificuldades, proibições, restrições de ordem
moral, comportamental e religiosa.
Entendem que, para trilhar o caminho
estreito, ou que, para entrar pela porta estreita basta seguir preceitos
religiosos, cumprir leis nacionais, ou seguir filosofias de vida.
Diante deste entrave surgem muitas religiões, igrejas e
denominações. Se avolumam os discursos sobre disciplina, sofrimento,
penitências, orações, rezas, moralidade, santidade, serviço, pró-atividade.
As qualidades procedentes do ego humano são louvadas insistentemente, como:
coragem, determinação, empenho, disciplina, resignação, etc.
O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas
utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem
medidos. e força outros a seguirem o que preceituam como necessário à
salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram
lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.
Esquecem de observar o que Jesus disse a Nicodemos: "Em
verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o
reino dos céus" Jo 3: 3. Não observam que o 'melhor' da religião, da lei, da
moral, do comportamento não faz o homem agradável a Deus, e por tanto, a
recomendação de Jesus a um dos mestres do judaísmo.
O mundo ainda continua apegado a elementos fracos e pobres,
que não pode livrar o homem da condição de sujeição ao pecado Gl 4: 9- 10.
O apóstolo Paulo demonstra estar consciente das conseqüências
decorrente da desobediência de Adão e da obediência de Cristo ao escrever
aos cristãos de Corinto I Co 15: 45- 50.
Ao escrever a Timóteo, Paulo alerta sobre este pretenso
'evangelho': "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns
apostatarão da fé (...) que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de
alimentos" I Tm 4: 1- 3.