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Tudo quanto pedirmos!

 

“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”
Jo 14: 14

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Este versículo apresenta um grande dilema: Tudo quanto o cristão pedir a Deus em nome de Jesus será atendido?

 

Uma irmã perguntou-me por que a sua oração não era atendida, já que a bíblia prometia que se ela pedisse alguma coisa conforme a vontade de Deus seria atendida.

 

Além da questão levantada, ela argumentou: Se é desejo de Deus que todos os homens sejam salvos, por que peço a Deus em nome de Jesus e Ele não salva o meu filho?

 

Diante deste entrave, convido você, leitor, a pensar comigo este verso de João 14: 14.

 

A pergunta é simples: Tudo que um cristão pedir a Deus em nome de Jesus será concedido? É isto que o versículo expõe?

 

Para entender este versículo, em primeiro lugar é preciso estudar e compreender o capítulo 14 do evangelho de João.

 

Estudemos:

 

 

Creiam em Mim

 

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” Jo 14. 1- 3.

 

 

Após anunciar que Pedro haveria de traí-lo, Jesus falou aos discípulos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim Jo 14: 1.

 

Conhecendo as agruras que estavam por vir, e conhecendo a estrutura de seus discípulos, Jesus solicitou aos seus discípulos que não ficassem conturbados com o que estava por vir, e que cressem nele da mesma maneira que criam em Deus.

 

Por que Jesus solicitou aos seus discípulos que cressem nele da mesma forma que criam em Deus? Porque Jesus conhecia os seus seguidores, e sabia que eles ainda não estavam firmes na fé.

 

Após o pedido Jesus faz uma promessa: '...vou preparar vos lugar...". Jesus estava para ser tirado da terra dos viventes, e a promessa dele foi interposta como alento aos seus discípulos, por causa das agruras e da ausência de Cristo quando no seio da terra.

 

A morte de Cristo era para preparar morada aos seus, porém, era preciso que os discípulos cressem piamente nele. Principalmente porque os eventos que haveriam de suceder exigiriam muito dos seus discípulos, e somente a confiança em Cristo livraria os discípulos de ficarem conturbados.

 

Os versos de 1 a 3 apresenta um pedido e uma promessa para que os discípulos confiassem em Cristo da mesma forma que nutriam confiança em Deus, para livrá-los de turbação diante das agruras que estavam para se revelar.

 

 

A Falta de Confiança

"Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras" Jo 14: 4- 11.
 

 

Quando Jesus disse que levaria os discípulos para junto dele, completou: “Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho” (v. 4).

 

Em primeiro lugar: Para onde Jesus estava indo? Ele estava indo para o Pai. Segundo: Todos os discípulos conheciam a Jesus, e, portanto, conheciam o caminho.

Diante da informação de Jesus, Tomé completou: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” (v. 5).

 

Diante da pergunta de Tomé, Jesus passou a demonstrar novamente que Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Que não há outro caminho de acesso para os homens a Deus.

 

Além de responder Tomé, Jesus afirmou que o Pai e Ele são um ao afirmar: “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto” Jo 14: 7.

 

Jesus não deixou dúvidas de que eles conheciam a Deus, uma vez que eles já conheciam a Cristo. A palavra 'conhecer' refere-se ao mesmo conhecer dos casais que passam a estar unidos um ao outro.

 

Admirado da doutrina exposta por Cristo, Felipe solicitou que fosse mostrado o Pai, o que seria 'suficiente' o bastante para todos crerem. Felipe demonstrou de forma CLARA a falta de confiança em Cristo.

 

Jesus respondeu: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (v. 8).

 

A pergunta de Cristo é pertinente: Como Filipe ainda podia dizer 'mostra-nos' o Pai, se Cristo estava a tanto tempo com Eles? Jesus não esteve o tempo necessário com eles para que confiassem em suas palavras?

 

Jesus é enfático: "Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? (...) Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim", ou seja, Jesus volta a mesma abordagem do verso 1: "...credes em Deus, crede também em mim..." Jo 14: 1.

 

 

 

Crede-me, ao menos, pelas mesmas obras

 

 

O versículo dez retoma a idéia do versículo primeiro, e neste ponto já é possível delinear o motivo da necessidade de se analisar todo o capítulo para entendermos o verso 14.

 

Jesus havia alertado os discípulos para que cressem em Deus e cressem da mesma forma nele. Isto porque Jesus não queria que eles ficassem turbados com o que haveria de suceder.

 

Fica evidente que era preciso aos discípulos crerem em Cristo da mesma forma que criam em Deus quando Jesus falou que o Pai e Ele eram um. Filipe não se contentou e pediu: “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta”.

 

Será que as palavras de Jesus não continham os elementos  necessários para que eles cressem? A palavra de Jesus não lhes era o bastante?

 

Diante do que Filipe disse, Jesus argumentou: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” Jo 14: 9.

 

“Como dizes tu?” Jesus questiona: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim?” Jo 14: 10. Ele é direto e objetivo: Não crês tu que eu estou no Pai...”.

 

Para dizer o que Filipe e Tomé disseram, somente não crendo nas palavras ditas pelo Mestre.

 

 

O Pai e Cristo são um

 

Jesus não queria que os seus discípulos ficassem turbados, e torna a enfatizar a necessidade de crerem nele (v. 11).

 

Os discípulos podiam confiar em Cristo uma vez que Ele e o Pai são um. Ou seja, nada do que Cristo estava dizendo era de Si mesmo, antes, o Pai que estava em Cristo é quem faz as obras.

 

Diante da falta de confiança de seus seguidores Jesus demonstra que as palavras que foram ditas aos discípulos procediam do Pai. Da mesma forma que as obras realizadas por Cristo era provenientes do Pai, eles podiam confiar na palavra de Cristo, uma vez que Ele pronunciava as palavras do Pai.

 

Lembre-se que um judeu não podia dar testemunho de si mesmo, pois tal testemunho era tido como mentiroso. Por isso Jesus demonstra que as obras e as palavras ditas por Cristo eram provenientes do Pai(v. 10).

 

Ou seja, Jesus aponta para as obras realizadas pelo Pai como prova de que as suas palavras eram verdadeiras e dignas de total confiança.

 

Jesus novamente solicita: Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim...”. Isto porque se os discípulos ainda não tinham alcançado fé na pessoa de Cristo da mesma forma que criam em Deus, eles ao menos deviam crer em Cristo pelas mesmas obras que Ele e o Pai realizaram.

 

Se as obras que Cristo realizava eram as mesmas que o Pai realizava, era um sinal evidente que Ele estava no Pai e o Pai nele.

 

 

Somos um em Cristo 

 

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” Jo 14: 12.

 

 

Jesus passa a anunciar outra idéia complementar a primeira: Da mesma forma que o Pai estava em Cristo fazendo a sua obra, da mesma forma aqueles que cressem em Cristo haveriam de fazer as mesmas obras do Filho. E Jesus enfatiza: “...as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”.

 

Isto demonstra que:

 

a)Da mesma forma que o Pai e o Filho são um, aqueles que crêem são um em Cristo (v. 12);

b)Ir ao Pai garantiria aos discípulos fazer obras maiores que as realizadas por Cristo e descanso ao confiar na promessa do Mestre (v. 2).

 

Desde o versículo dez são demonstradas as garantias advindas do Pai e do Filho, e as palavras que Jesus disse são dignas de total confiança.

 

Após enfatizar que o Pai é quem faz as obras, Jesus pede que ao menos os discípulos cressem por Ele realizar as mesmas obras que o Pai.

 

É neste contexto que Jesus faz uma promessa aos discípulos e a todos quanto crêem em seu nome: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (v. 13).

 

O que Jesus prometeu? Jesus estava prometendo tudo àquilo que o crente pedisse?

 

Talvez o leitor ainda esteja se perguntando: “Por que a necessidade de ler o capítulo, se a questão está no versículo quatorze?”

 

Claudio Crispim

 

Continua...

 

 

 

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