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Tudo quanto pedirmos!

 

“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”
Jo 14: 14

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Um Exemplo de má Interpretação

 

 

O que Jesus realmente prometeu? Ele prometeu conceder tudo aquilo que o crente pedisse?

 

Talvez você ainda esteja se perguntando: “Por que a necessidade de ler todo o capítulo, se a questão a ser esclarecida está no versículo quatorze?”

 

Ora, fez-se necessário a leitura e o estudo do capítulo porque no versículo 14 Jesus estava simplesmente enfatizando a necessidade dos discípulos crerem em sua palavra da mesma forma que criam em Deus. Tal confiança poderia livrá-los de uma turbação que estava bem próxima.

 

Antes da resposta, observe:

 

  • Quando João escreveu o seu evangelho, ele tinha em mente especificamente a necessidade de todos os homens: a necessidade de crer em Cristo. Focado nesta necessidade é que João escreveu o seu evangelho, e acabou selecionando e abordando os eventos que demonstram esta necessidade: “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” Jo 20: 31;

  • O capítulo quatorze do evangelho de João além de selecionar um evento específico que demonstrar a necessidade do homem crer em Cristo, também encontramos o próprio Mestre argumentando sobre a necessidade dos seus discípulos crerem em sua pessoa;

  • O capítulo 14 demonstra a maneira como Jesus enfatizou a necessidade dos discípulos crerem em sua palavra Jo 14. 1- 14. Jesus concita os seus seguidores a crerem por causa da eminente perseguição, sem importarem-se com a aparente ausência de Cristo Jo 14. 1; O Pai eterno está em Cristo e Cristo nele Jo 14. 11; Cristo concede a prerrogativa de seus seguidores fazer as mesmas obras que Ele, e até mesmo maiores;

  • O contexto de João 14 e o evangelho segundo João se firma na perspectiva de que é preciso crer no Filho de Deus da mesma maneira que se crê em Deus.

 

 

Ao observarmos todos estes aspectos, analisemos: Tudo aquilo que os discípulos pedissem, Jesus haveria de realizar? Não! Não é isso que Jesus disse.

 

Antes de explicarmos o que Jesus realmente disse, leia os versículos seguintes:

 

“Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?” Jo 21. 21- 23.

 

Após perguntar pela terceira vez a Pedro se ele realmente amava a Cristo, Jesus apresenta qual devia ser a missão de Pedro: Apascenta as minhas ovelhas.

 

Após Jesus dizer a Pedro com que tipo de morte ele havia de render glória ao Pai, disse: Segue-me.

 

Pedro ao observar João, pergunta a Jesus: "Senhor, e deste que será?" Jo 21: 21. A resposta de Cristo criou um boato entre os primeiros cristãos de que João haveria de viver até a segunda volta de Cristo.

 

Ainda bem que João procurou desmistificar o que estavam divulgando acerca do que Jesus dissera!

 

Observe as frases acerca do mesmo evento:

 

Jesus: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha , que te importa. Segue-me tu" (v. 22);

João explicando: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa a ti?" (v. 23).

 

Qual a diferença entre o que Jesus disse e a explicação de João? Observe que a primeira frase é idêntica a segunda. A única coisa que sabemos é que a primeira frase deu a entender aos seguidores de Cristo que João não haveria de morrer, e a segunda, que Jesus não quis dizer o que estavam acreditando ser.

 

Graças a Deus que João deu o significado exato da frase. Mas, qual a diferença entre a primeira e a segunda frase, se elas são idênticas? A diferença é visível quando damos ênfase em certo elemento da frase. Observe:

 

Se levarmos em consideração o fato de Jesus dizer “Se eu quero que ele fique até que eu venha, estaremos acreditando que João não haveria de morrer até que Cristo voltasse.

 

Porém, se levarmos em conta a possibilidade “Se” e a reprimenda “...que te importa a ti?”, fica claro que Jesus disse: “...que te importa a ti?” o que será deste!

 

Não era da conta de Pedro saber o que haveria de ser de João “Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas”.

 

Jesus estava conversando com Pedro, e ele desviou a conversa para inquirir a respeito de João. Jesus o repreendeu, pois aquele não era o momento adequado para se falar de outra pessoa. Jesus queria tratar diretamente com Pedro e ele resolver mudar repentinamente a conversa, apontando para João.

 

Alguns passaram a divulgar que João não haveria de morrer porque anteriormente Jesus havia falado acerca da morte de Pedro, o que leva a conclusão de que o que foi dito acerca de João era verdadeiro, e não uma possibilidade “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me” Jo 21. 18- 19.

 

Jesus havia falado acerca da morte de Pedro, e descartou a necessidade de falar acerca da morte de João ao destacar "Se eu quero que (...) que te importa a ti?"

 

O mesmo problema de interpretação que houve em meio aos discípulos acerca do que Jesus falou de João, ocorre também no versículo que trata sobre o que Cristo há de conceder aos que pedirem.

 

 

“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” Jo 14. 13- 14.

 

Se enfatizarmos ‘tudo quanto pedirdes’, concluiremos que Jesus haveria de conceder tudo e qualquer coisa que o pedissem, porém é sabido que não é assim.

 

Os seguidores da teologia da prosperidade gostam de enfatizar este tipo de interpretação. Eles enfatizam aspectos que não são apresentados no versículo para oferecer falsas esperanças ao povo.

 

Distorcem a palavra de Deus da mesma forma que fez a serpente ao falar com Eva. A serpente procurou evidenciar uma proibição desmedida da parte de Deus, e esta enganada, deixou de considerar que em Deus há toda liberdade, pois de todas as árvores do jardim ela podia comer livremente. Todas as árvores eram liberadas para se comer, e apenas uma tinha ordem a respeito para que dela não comessem por causa das conseqüências.

 

Porém, a liberdade era plena, e Deus deixou livre acesso à árvore do conhecimento do bem e do mal.

 

Qual é a verdadeira interpretação do versículo 14? O que deve ser evidenciado na leitura do capítulo 14?

 

 

Claudio Crispim

 

Continua...

 

 

 

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