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O apóstolo Tiago utiliza uma linguagem
própria aos evangelistas. Ele não se fixa nos pormenores e nas argumentações
teológicas.
A linguagem utilizada por Tiago é bem próxima a do
apóstolo João, e faz uma abordagem prática do evangelho.
A abordagem de
Tiago difere um pouco da abordagem de Paulo, porém, não há discrepância alguma entre os
escritos deles.
Analisaremos os escrito de Tiago, comparando-os com as
argumentações de Paulo, quando possível.
Capítulo
I (v. 1- 8)
A Obra Perfeita
da Fé
1 Tiago, servo
de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que andam dispersas, saúde.
O apóstolo Tiago dá
inicio a sua carta com as mesmas considerações de Paulo. Eles se consideravam
servo de Deus e do Senhor Jesus.
A
apresentação de Tiago é sucinta, isto porque ele não enfrentava os mesmos
problemas que o apóstolo Paulo, Paulo tinha o seu apostolado contestado por
grupos judaizantes.
Os
destinatários da carta são identificados como sendo as doze tribos da dispersão.
O apóstolo Pedro também nomeia os destinatários de sua carta de forma
semelhante.
Tal nomeação
não se refere ao povo de Israel, antes aos cristãos, sejam eles judeus ou
gentios que estavam ‘dispersos’ pelo mundo de então.
Quando Tiago
identifica os destinatários como sendo os cristãos, isto nos dá um parâmetro
quanto à interpretação: mesmo utilizando uma linguagem própria aos evangelistas,
ele escreve a pessoas que já eram crentes e que conheciam o evangelho.
2 Meus irmãos,
tende grande gozo quando cairdes em várias tentações;
O apóstolo conclama
os irmãos a alegria quando estivessem sendo provados. Neste versículo tentação é
prova, e não uma oferta para a pratica de uma conduta pecaminosa.
As argumentações
deste capítulo iniciam-se neste versículo e caminha para um clímax no capítulo
dois.
O apóstolo centra a
sua argumentação na tentação, e o tema segue por toda a carta.
3 Sabendo que
a prova da vossa fé opera a paciência.
A alegria é certa
quando aquele que é provado conhece precisamente que a fé provada gera a
paciência Rm 5. 3.
A tentação é uma
maneira de se por a fé em prova.
4 Tenha,
porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos,
sem faltar em coisa alguma.
O apóstolo Tiago
solicita aos cristãos que sejam pacientes, visto que a obra perfeita da fé é a
perseverança Hb 10. 36;
Tg 5. 7. Quando o cristão é provado, ele
possui elementos para examinar a si mesmo II Co
13. 5.
A paciência se
evidencia com a prova da fé.
5 E, se algum
de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o
não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.
A sabedoria que
Tiago faz alusão neste versículo está interligada a paciência do versículo
anterior. Se o cristão tem paciência, ele é perfeito e completo, visto que nada
lhe falta, aguardando a manifestação em glória de Cristo Jesus.
Se um cristão tem
falta de sabedoria, deve pedir a Deus que a dará liberalmente. Mas, qual a
sabedoria que os cristãos receberão de Deus? A resposta é dada pelo próprio
apóstolo: “Mas a sabedoria que do
alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de
misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” Tg 3. 17.
Ou seja, a sabedoria que será concedida possui vínculo com a paciência, a obra
perfeita da fé.
Observe que o
versículo anterior ressalta que devemos ser perfeitos sem ter falta de coisa
alguma, mas que se tivéssemos falta da sabedoria que é pura, pacifica e
moderada, era só pedir que será concedido liberalmente.
6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida
é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra
parte.
O cristão deve pedir
a sabedoria de Deus com fé, ou seja, sem dúvida alguma quanto àquele que concede
liberalmente.
O apóstolo faz a
primeira comparação em sua carta: aquele que duvida é semelhante à onda do mar,
que é levada pelo vento, e é lançada de uma a outra parte.
Aquele que duvida é
inconstante em todos os seus caminhos, e não só quanto ao que pede a Deus. A
comparação do apóstolo com a onda do mar está para o homem que é dobre de
coração, e não para o que se pede a Deus.
O apóstolo deixa de
enfatizar a provação e passa a concitar a fé dos ouvintes.
7 Não pense
tal homem que receberá do Senhor alguma coisa.
Por que aquele que
duvida não receberá de Deus coisa alguma? Deus estaria punindo o reticente? Não!
O homem sem fé não
receberá de Deus coisa alguma, pois dele temos a promessa, e para alcançarmos o
prometido devemos ser pacientes “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes
feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” Hb 10: 36.
8 O homem de
coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.
Como o apóstolo está
aconselhando os cristão à pratica do evangelho, ele aponta os vários aspectos
pertinentes a vida do homem. Pela fé alcançamos a salvação de Deus, mas isto não
confere ao salvo tranqüilidade em todas as áreas de sua vida. O homem pela fé
alcança salvação, mas tal salvação não confere riqueza, felicidade no casamento
ou a mudança instantânea de comportamento.