A Carta de

Tiago

 

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Capítulo III (v. 1- 5)

 

A Língua

 

1 Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.

 

Tiago dá um conselho a alguns irmãos: não sejam muitos de vós mestres. Por que ele dá esse conselho? Alguns queriam ser mestres, porém não tinham recebido tal capacitação Ef 4. 10- 11.

 

As pessoas que aspiravam a posição de mestre não atinavam que os mestres receberão juízo na condição de mestre e nem da necessidade de estar enquadrado em alguns quesitos que Tiago discorre neste capítulo.

 

O juízo que Tiago faz referência será estabelecido no Tribunal de Cristo Rm 14. 10; II Co 5. 10, visto que ele se inclui entre aqueles que receberão maior juízo (implicitamente Tiago se posiciona como mestre), e por ser certo que ele tinha certeza de sua salvação. O juízo do Grande Trono Branco não é destinado a igreja “Meus irmãos...” (v. 1).

 

Os versículos que se seguem apresentam os motivos pelas quais os irmãos não deveriam aspirar a posição de mestres com o único fito de se vã gloriar-se.

 

 

2 Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo.

 

O apóstolo chama a atenção para algo que não devemos ignorar: todos tropeçam em muitas coisas! Tiago não exclui nenhum dos irmãos. Todos nós tropeçamos em muitas coisas.

 

O tropeçar deste versículo difere da idéia que Paulo apresenta em Romanos “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” Rm 3. 12. Isto porque o que Paulo apresenta diz respeito a todos que ainda não tiveram um encontro com Cristo.

 

A carta aos Hebreus demonstra o desejo do escritor em não tropeçar em coisa alguma, e para isso solicita aos cristãos que orem em seu favor “Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente” Hb 13. 18. O portar-se honestamente em tudo deve ser o desejo de todo cristão, porém, ele deve ter consciência de que falhará em muitas coisas.

 

O tropeçar em muitas coisas não suspende o direito a salvação, uma vez que foi alcançado pela fé. A salvação decorre da filiação divina por meio da fé em Cristo aparte das questões comportamentais. A salvação não é conquistada através de bom ou mal comportamento e também não é mantida através de comportamento.

 

A salvação é pela fé e o fim objetivo da nossa fé se alcança na perseverança.

 

 

3 Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.

 

O apóstolo passa a exemplos figurativos. Os exemplos apontam o contraste entre o tamanho e força do cavalo e a pequenez dos freios que os controlam.

               

 

4 Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa.

 

Ele apresenta o contraste entre o tamanho das embarcações e o leme que as orienta.

 

 

5 Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.

 

Assim também...”, ou seja, alguns dos elementos (leme e freio) que foram apresentados nas ilustrações anteriores se comparam proporcionalmente a língua e o efeito devastador que ela pode causar. O apóstolo evidencia o quanto é importante ter a língua sob controle.

 

Tiago apresenta uma grande verdade: a língua é um pequeno membro que se gloria de grandes coisas! Ou seja, muitos dentro da igreja se gabavam de serem mestres, mesmo quando não tinham esse dom. Porém, é difícil que alguém venha a se gabar das funções que aparentemente são pequenas.

 

Um bom exemplo de controle sobre a língua é observável em Paulo: “Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto. Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pós guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem. E fui descido num cesto por uma janela da muralha; e assim escapei das suas mãos” II Co 11. 30- 33.

 

Paulo não se gabou de grandes coisas, antes, sentia-se lisonjeado por ter fugido do rei Aretas em um cesto.

 

Muitos em nossos dias se gabam de grandes feitos, grandes ajuntamentos, grandes mensagens. Porém, este é um feito próprio da língua quando sobre ela não se tem domínio.

 

Paulo bem que podia gabar-se do livramento que Deus concedeu a ele e a Silas, mas preferiu gloriar-se (como que em um ato de loucura) das suas fraquezas “E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos” At 16. 25- 26.

 

Apenas uma fagulha de fogo pode incendiar um bosque inteiro.

 

 

Claudio Crispim

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