A Carta de

Tiago

 

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Capítulo II (v. 15- 17)

 

Fé e Obras

 

15 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, 16 E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?

 

Estes dois versículos são bases para um comparativo.

 

Perceba que os dois versículos não constituem uma exortação à prática destas ações, pois a questão de alimentar o faminto era algo já resolvido entre os cristãos, tão resolvido que o apóstolo utiliza como exemplo para mostrar a inutilidade da fé sem as obras.

 

É uma constante em nossos dias utilizar este comparativo como base para instar as pessoas a serem praticantes de boas ações. Para isso utilizam o jargão: ‘Está escrito’! Está escrito que de nada adianta visitar o irmão necessitado sem dar-lhe o necessário ao sustento.

 

Estes dois versículos são duas perguntas com respostas prontas. O apóstolo já sabia da resposta dos leitores.

 

‘Meus irmãos, qual é o proveito...?’ (v. 14)

‘Se (...) qual o proveito disso? (v. 15- 16).

 

A resposta do versículo quatorze é negativa, e a dos versículos quinze e dezesseis era de se esperar negativa.

 

É necessário dar alimento e roupa a quem tem necessidade? Sim! Mas, a idéia em discussão vem do versículo seguinte:          

 

17 Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

 

               

Novo Testamento - 2ª impressão - Data da edição: 1693, com introduções e resumos da edição de 1681 de Amsterdam, além de Notas de Rodapé dos revisores - Impresso na Batávia (Ilha de Java). SBB.

 

O versículo inicia-se através de uma comparação com o exemplo do versículo anterior. A leitura da idéia do versículo anterior é de que nada adianta falar ao necessitado que se satisfaça sem prover-lhe os meios para tanto. Assim também, ou seja, da mesma forma a fé.

 

Assim também a fé é sem efeito, ou seja, em si mesma está morta, pois não tem o que lhe é próprio: as obras. As obras são concernentes a fé, de sorte que se ela não tiver as obras, a morte também lhe será própria. 

 

Quais são as obras da fé?

 

A paciência é a obra perfeita da fé e nela estão contidas todas as outras obras. Observe:

 

“Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” Tg 1. 3- 4.

 

Os cristãos deveriam ter a paciência, a obra perfeita da fé!

 

O apóstolo não faz referência à prática de obras, mas a posse da obra perfeita da fé.

 

É certo que a perseverança termina a obra que teve início através da fé, e que nela estão inclusas todas as outras obras.

 

O texto é claro: a fé quando provada produz a paciência, a obra perfeita da fé.

 

A obra em discussão é a da fé, e não a obra do homem que pratica boas ou más ações.

 

Sobre as questões comportamentais da nova criatura (as boas obras), o apóstolo Paulo recomenda aos cristãos agirem em conformidade ao ‘fruto do Espírito’ “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” Gl 5. 22- 25.

 

O apóstolo Tiago ao falar das obras da fé retrata as mesmas questões do apóstolo Paulo quando fala do fruto do Espírito. As obras da fé e o fruto do Espírito são questões pertinentes ao homem interior, que devem influenciar o comportamento deste mesmo homem nas suas relações com o mundo “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros” Gl 5 25- 26.

 

Observe que o fruto é do Espírito da mesma forma que as obras são da fé. Se tal fé não possuiu as obras que dela decorrem, é morta em si mesmo. Aquele que possui a fé deve também estar de posse das obras que a fé produz “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” (v. 14).

 

As obras que o crente deve ter posse são as da fé, e difere das boas ações que os cristãos devem efetivamente praticar (diferente de ter).

 

É fácil visualizarmos que as obras da fé não dizem respeito às questões comportamentais (obras do homem) quando compreendemos que todos os homens, sejam salvos ou não, podem praticar boas ações.

 

De outra forma, é fácil verificarmos que as boas obras dizem respeito àqueles que vêm para Cristo por meio da fé, e que tais obras somente se realizam em Deus Jo3. 21; Is 26. 12; Ef 2. 10. Ou seja, não é possível àqueles que não aceitaram a Cristo como salvador terem boas obras ou o fruto do Espírito. Primeiro porque não são nascidos do Espírito; Segundo porque as boas obras são feitas em Deus.

 

Porém, há um outro aspecto a se considerar com relação àqueles que estão em Cristo: o homem regenerado realiza as boas obras por estarem em Deus por meio de Jesus, conforme lemos em Isaias “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” Is 26. 12; porém, este mesmo homem realiza boas e más ações, e estas serão provadas como pelo fogo quando do Tribunal de Cristo II Co 5. 10 “E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” I Co 3. 12- 15.

 

 

A Nova Criatura:

 

A Velha Criatura

 

 

           Caixa de texto: ·         É nascida da semente de Adão “Necessário vos é nascer de novo” Jo 3. 7, e precisa nascer novamente, da semente incorruptível, a palavra de Deus;
·         As suas obras são más “...os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” Jo 3. 19;
·         Fazer o mal está ligado à natureza, e não as ações do homem não regenerado “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Tampouco podeis vós fazer o bem, acostumados que estais a fazer o mal” Jr 13. 23;
·         A velha criatura pode fazer boas e más ações, porém não pode realizar o bem “Não há quem faça o bem, não há nem um só” Rm 3. 12;
·         Como a velha natureza está vendida ao pecado como escrava, por mais que se tenha vontade, não realizará o bem “...com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” Rm 7. 18; Por mais que se queira fazer o bem é uma impossibilidade que reside na natureza decaída, que é escrava do pecado;
·         Por mais que pratiquem boas ações, jamais a velha criatura verá o reino dos céus, pois sobre ela pesa uma condenação “...quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” Jo 3. 18;
·         Por mais que pratiquem boas ações, a velha criatura não possui a fé e as obras da fé. Ela não vive no Espírito e não pode andar em Espírito Gl 5. 25.
 

 

 

 

 

Claudio Crispim

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