A Carta de

Tiago

 

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O comentário ao capítulo Um da Carta do apóstolo Tiago contém os elementos necessários à interpretação do capítulo dois.

 

Declarações do apóstolo como: “Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma”, ou “assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”, tem suas bases no capítulo um.

 

Antes de continuarmos na explicação versículo a versículo, já é possível determinarmos o tema central da carta: a perseverança.

 

A prova da fé produz a perseverança Tg 1. 2. Ele destaca que o homem que suporta a provação é bem-aventurado (v. 12). A perseverança é condição essencial para se alcançar à bem-aventurança prometida por Deus aos que o amam (v. 25).

 

Nesta linha de raciocínio o apóstolo Paulo também destacou que a perseverança é produzida na tribulação Rm 5. 3. O escritor aos Hebreus também demonstrou que é necessária a perseverança depois que se crê em Cristo “Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” Hb 10. 36.

 

Perseverança: Obra completa da fé posta à prova Tg 1. 3- 4;

 

A vontade de Deus: “Que creiais naquele que ele enviou” Jo 6. 29.

 

Apesar de a carta estar endereçada ‘às doze tribos da dispersão’ Tg 1. 1, o se conteúdo não contempla somente os judeus que se tornaram cristãos.

   

  

O apóstolo Tiago demonstra que a fé do cristão ao ser provada desenvolve a perseverança. Esta idéia é confirmada pelo apóstolo Paulo: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência...” Rm 5. 3.

 

A prova da fé produz a perseverança, e a perseverança é a obra completa da fé, como se lê abaixo:

 

Novo Testamento - 2ª impressão - Data da edição: 1693, com introduções e resumos da edição de 1681 de Amsterdam, além de Notas de Rodapé dos revisores - Impresso na Batávia (Ilha de Java). SBB.

 

Tiago insta os leitores a entenderem que a prova da fé produz a perseverança. Após a provação restava a eles estarem de posse da perseverança, que é a obra completa (perfeita) da fé.

 

Este aspecto da fé é retratado por Paulo aos cristãos de Tessalonicenses ao citar a perseverança de Cristo: “Ora o Senhor encaminhe os vossos corações no amor de Deus, e na paciência de Cristo” II Ts 3. 5.

           

Tanto Paulo quanto Tiago concordam que a perseverança é a obra perfeita da fé “Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação...” Tg 1. 12; Rm 5. 3.

           

O homem será bem-aventurado no que realizar quando suporta a provação, visto que atenta para a lei perfeita, a da liberdade. Esta é a obra a se executar: a perseverança Tg 1. 25.

           

A fé que Tiago faz referência é a fé salvadora. Ele diz da fé que uma vez foi dada aos santos Jd 3. Esta fé quando provada ‘obra’ (produz) a perseverança.

           

Em resumo, o capítulo um demonstra a obra da fé quando provada: a perseverança.

 

A perseverança é algo próprio da fé. Da mesma forma que a fé não vem do cristão, mas de Deus, a perseverança é proveniente da fé e não do cristão. Mas, a perseverança é característica de quem possui a fé.

           

             

 

Capítulo I I (v. 1- 27)

 

Alerta Segundo a Lei Real

 

 

1 Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.

               

Novamente o apóstolo Tiago demonstra a fraternidade em Cristo: meus irmãos.

           

A fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória é coletiva. Pertence ao senhor da glória e foi dada aos cristãos Jd 3; Ef 2. 8; Tg 1. 3.

           

A fé foi dada aos santos, mas estes não deviam tê-la em acepção de pessoas.

           

Este versículo é um aconselhamento seguido de um exemplo.  

 

 

2  Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje,

 

Observe que a entra de pessoas nas reuniões dos cristãos era livre, diferente das reuniões dos judeus.

 

3  E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado,

               

O exemplo de acepção de pessoas recai nas diferenças socioeconômicas.

 

4  Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?

               

Em um primeiro momento o exemplo parece hipotético, porém a exortação torna-se incisiva. Fizeram distinção entre eles mesmos e se tornaram juizes movidos por maus pensamentos.

 

5  Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?

               

O agora é o momento para qual os cristãos foram preparados: “Ouvi, meus amados irmãos...” Tg 1. 19.

 

A linguagem é exclusivamente evangelistica: Deus escolheu os pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé.

 

Não há qualquer promessa ou previsão de mudança na condição financeira dos cristãos. Qualquer tipo de promessa de melhora na condição financeira dos cristãos após terem aceitado a Cristo não é bíblica.

 

Observe que a promessa confere direito aos cristãos, porém a herança está atrelada ao reino prometido, que não é deste mundo.

 

 

6  Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais?

               

Tiago é incisivo e expõe um problema no seio da igreja: “Mas vós desonrastes o pobre”. Aqueles que precisavam ouvir tal queixa do apóstolo estavam preparados – sejam prontos a ouvir.

 

Aqueles que sofreram a afronta também estavam preparados: sejam tardios em falar, e tardios em irar.

 

O tema da carta é perseverança, porém o capítulo um reuniu elementos que preparou o ânimo dos ouvintes, tanto dos ricos como os de condição humilde Tg 1. 9- 10.

     

 

 

Claudio Crispim

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