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O Melhor e mais Sábios dos
Homens
O Dr. Russell não concorda que Cristo
tenha sido o melhor e mais sábios dos homens, e para isso cita algumas passagens
bíblicas.
Quando Cristo disse:
"Ao que te ferir numa face,
oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica
recuses" (Lucas 6: 29), ele não estava impondo aos seus seguidores este
comportamento.
Observe que Jesus estava argumentando
com os filhos dos homens que ornavam os túmulos dos profetas Lc 6: 26. Estes
religiosos acreditavam que seriam salvos por seguirem as regras decorrentes da
lei, e Jesus demonstra que as suas ações não eram melhores do que as dos
pecadores por serem moralistas "E se amardes aos que vos
amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam" Lc
6: 32.
Se os pecadores praticavam as mesmas
ações dos que se diziam religiosos, eles também, segundo a regra que os
religiosos judeus seguiam, seriam salvos. Desta forma, Jesus demonstra que seria
necessário aos judaizantes seguirem preceitos mais rígidos, como o dar a face a
quem acintosamente os agredisse.
A fala de Cristo apresenta um gral de
raciocínio que as vezes escapa aos mais sábios dos homens. Tal vez este seja o
caso de Russell. Ele precisava compreender que, diante da mensagem de Cristo,
tanto os judeus, ferrenhos religiosos, quanto os homens que eram designados
pecadores, estavam perdidos por tentarem alcançar a salvação por intermédio de
sua boas ações.
A mensagem de Cristo nem de longe é
semelhante a de Lao-Tse ou de Buda. Dar a outra face a quem faz uma injuria real
não torna ninguém cristão, antes, somente pela fé é possível ser cristão.
De igual modo, Russell não entendeu a
reprimenda de Jesus aos conceitos errôneos dos judeus, quando disse: "Não
julgueis, para que não sejais julgados", ou "Dá a quem te pede, e não voltes as
costas ao que deseja que lhe emprestes".
Estas as ações eram as mesma que os
judeus praticavam, e que pensavam de todos os homens, que eram tidos pelos
judeus pecadores. Ao apresentar estas questões, Jesus estava demonstrando que
não havia diferença nenhuma entre os judeus e os gentios: todos estavam longes
de Deus.
Ao incorporar algumas citações bíblicas
ao seu discurso, comparando-as com o comportamento de países e políticos que se
dizem cristãos, e que na realidade não são (isto, dentro da colocação inicial de
Russell de que cristão não é qualquer pessoa), Russell não espera que alguém
acredite que os políticos, países e tribunais são, na verdade, seguidores de
Cristo conforme apregoa o evangelho "Eis ai uma máxima
excelente, mas, como digo, não é muito praticada. Todas estas, penso, são boas
máximas, embora seja um pouco difícil viver-se de acordo com elas"
Russell.
Quando Jesus disse para o Jovem rico que
vendesse o que possuía, e que doasse aos pobres, ele estava dando uma resposta a
altura da necessidade do jovem. Ele queria fazer algo para ter direito a vida
eterna.
O que concederia o direito à vida ao
jovem Rico, seria seguir a Cristo, porém, como ele estava focado em seus bens, a
riqueza era um empecilho. Porém, é certo que doar os bens não concede salvação,
e nem é esta a idéia que o evangelho apresenta.
O Dr. Russell, apesar de confessar que
toma 'a narrativa bíblica tal como ela se nos apresenta', ou seja, que ele não
analisou e nem procurou interpretá-la, procura de pronto desqualificar a pessoa
de Cristo.
Por que Jesus disse:
"Quando
pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo
que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do
homem"
(Mateus 10: 23)?
Para alguém que lança
dúvidas a integridade dos argumentos de outra pessoa, o mínimo que se espera é
um esforço de entende-la em seu contexto.
Se ele tivesse observado
que os discípulos não haveriam de ir aos gentios Mt 10: 5, e que o versículo 23
diz do tratamento que teriam em meio aos gentios (v. 18), veria que o texto é de
cunho profético, e que tal evento se daria especificamente naquele momento.
Não é porque se conhece
pessoas que se dizem cristãs, que elas são verdadeiramente cristãs. Há pessoas
que se dizem cristãs, e que nem mesmo compreendem a mensagem do evangelho.
Uma das das doutrinas do
evangelho é o inferno de fogo e enxofre. Para alguns, tal idéia é descabida e
cruenta.
Porém, a mensagem de
Cristo também difere da religiões, visto que, quem irá para o fogo eterno não
será os homens de moral reprovável. Antes, ele demonstra que, todos os nascidos
de mulher, que não crêem na mensagem do evangelho, haverão de seguir o caminho
que dará no inferno. Tanto os amorais, quanto os moralistas.
Pensou Russell que
Cristo foi indelicado quando disse: "Raça de víboras!", porém, ele desconhece
que tal fala é uma citação de certo trecho dos profetas, e que os seus ouvintes
bem entenderam a argumentação de Cristo Is 59: 5.
As pessoas que pensavam
que seriam salvas por causa de suas boas ações, estavam na verdade de posse de
trapos de imundície. Estavam a chocar ovos de basilisco, que traia morte a quem
comesse do ovo.
As queixas dos homens é produto dos seus
pecados, e não do alerta acerca do destino daqueles que estão afastados de Deus.
O que se percebe nas argumentações de
Russell, é que ele leu algumas declarações acerca de Cristo e que procurou
entende-las com base na concepção humana de justiça.
Claudio Crispim
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