Porque sou Cristão

 


"Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de
doutrina a que fostes entregues" (Romanos 6: 17)

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Sou cristão porque obedeci de coração à forma de doutrina proveniente do evangelho de Cristo. Graças a Deus!

Esta é a minha resposta ao palestrante Bertrand Russell, ateu, que em 6 de março de 1927, na prefeitura de Battersea, da Secção do Sul de Londres da National Secular Society, expôs as suas razões no ensaio "Why I Am Not a Christian*" (Porque Não Sou Cristão).

Concordo com Russell quando ele disse: "Não considero cristã qualquer pessoa que tente viver decentemente de acordo com a sua razão" *, pois cristão em 'stricto sensus' é aquele que obedece de coração à forma de doutrina do evangelho de Cristo.

Isto posto, é correto afirmar que existem inúmeras pessoas que se intitulam cristãs, mas que não são. Há inúmeras religiões e religiosos que professam serem seguidores de Cristo, mas que não são cristãos. Isto porque não aceitaram e nem entendem a 'forma' de doutrina que decorre do evangelho.

O que define o conceito de cristão é a forma, ou seja, o modelo de doutrina estabelecido por Cristo. O apóstolo Paulo, um dos principais seguidores de Cristo, preocupava-se com a conservação do modelo das sãs palavras (idéias) proferidas por Cristo "Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus" (II Timóteo 1: 13).

Não basta alguém reconhecer que Cristo foi o melhor e mais sábio dos homens, ou um espírito iluminado, ou um dos profetas enviados, ou que Jesus era um anjos dos mais sublimes, etc.

Para ser cristão não basta seguir dogmas ou acreditar na existência de Deus, imortalidade, inferno, vida após a morte, etc.

O verdadeiro cristão é aquele que crê em Cristo conforme diz a Escritura "Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre" (João 7: 38). A Escritura que Jesus fez referência é definida como sendo o conjunto de livros do Antigo Testamento, onde temos o Pentateuco, os Livros Proféticos e os Livros Poéticos.

No que difere a doutrina do evangelho de Cristo de outras concepções religiosas existentes no mundo?

 

  • Difere quanto ao Julgamento da Humanidade;
  • Difere quanto à Justiça de Deus;
  • Difere quanto as considerações sobre a moral;
  • Difere quanto aos Caminhos;
  • Difere da concepção de Justiça dos homens;
  • Difere quanto as considerações sobre Deus;
  • Difere quanto as considerações sobre a Religião;
  • O Melhor e mais Sábios dos Homens;

 

Difere quanto ao Julgamento da Humanidade

Enquanto as religiões** acreditam que o julgamento da humanidade ocorrerá no futuro, quando os seus deuses trarão a juízo cada homem individualmente, Jesus demonstrou através de seus ensinamentos que a humanidade já foi julgada e está sob condenação.

O julgamento da humanidade se deu no passado e todos os homens já estão condenados em Adão.

Os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos demonstram que todos os homens foram e estão condenados. Da mesma forma, o Antigo Testamento demonstra que houve um julgamento, e que todos os homens estão condenados.

"Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus (...) E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3: 19).

O julgamento da humanidade foi simples: Deus justo e verdadeiro colocou o homem puro em um lugar perfeito. Concedeu ao homem plena liberdade com uma única ressalva. A ressalva era quanto à preservação da natureza do próprio homem. O homem precisava zelar da sua própria natureza que Deus lhe havia concedido obedecendo o seu Criador.

Isto porque, tudo que há na natureza de Deus (domínio, soberania, justiça, santidade, liberdade) foi dado por semelhança ao homem: livre arbítrio, domínio sobre a terra, soberania sobre a sua própria vontade, garantias quanto ao exercício do seu domínio e soberania, capacidade de procriar, etc.

Porém, da mesma forma que é da natureza de Deus o não realizar certas coisas, ao homem também foi vetado uma coisa.

Da mesma forma que Deus sendo todo-poderoso, justo, verdadeiro, mas não pode mentir, por semelhança, o homem podia comer de todas as árvores do jardim (liberdade), mas não podia comer de uma delas, sob pena de atentar contra a sua própria natureza.

O homem desobedeceu, deixando de confiar na orientação do se Criador, e perdeu a sua essência (natureza). Conforme o estipulado na liberdade da lei, o homem foi julgado, sentenciado, condenado e apenado com a morte "E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2: 17) .

Ou seja, o homem foi julgado e condenado à morte por não seguir a orientação de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (certamente morrerás). Foi concedido ao homem livre-arbítrio de escolher comer de todas as árvores quando Deus introduziu a ressalva de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Foi permitido comer de todas as árvores, e garantido o acesso a  todas elas. Neste ponto foi concedido ao homem o livre-arbítrio, ou a liberdade em escolher comer ou não, sem qualquer pressão externa. Havia liberdade, visto que foi concedido a informação necessária ara orientar a decisão do homem: bastava confiar no seu Criador.

Para o homem exercer a sua liberdade foi garantido o livre acesso a todas as árvores, e após comer, a sua vontade não foi invalidada, visto que o tempo mantém a vontade do homem soberana neste mundo.

Paulo retrata muito bem o julgamento da humanidade, e na sua exposição perceba as diferenças da doutrina cristã com as doutrinas das religiões do mundo "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida" (Romanos 5: 18).

Efetivamente a bíblia demonstra que a humanidade está julgada e condenada, porém, as religiões apostam em um julgamento final.

Este é um dos primeiros aspectos sobre porque sou cristão, visto que, a doutrina cristã difere nitidamente de todas as outras religiões neste e em todos os outros quesitos.

 

Difere quanto à Justiça de Deus

Os religiosos e a humanidade acreditam que a justiça de Deus 'tarda mas não falha', porém, o evangelho de Cristo demonstra que desde o primeiro homem Deus estabeleceu a sua justiça.

Ao observarem as maldades e a crueldade dos homens questionam: onde está Deus que não vê estas injustiças?

Porém, desconhecem que todos os homens estão debaixo de condenação, que o juízo de Deus não foi estabelecido com base nas ações dos homens, e que Deus não interfere nas ações daqueles aquém foi dado o domínio.

À época de Jesus, Pilatos havia misturado o sangue de alguns galileus em seus próprios sacrifícios. As pessoas acreditavam que alguns dos galileus haviam padecido daquela forma porque eram mais pecadores que todos os outros homens.

Jesus demonstrou que não era assim. Que todos os homens, caso não se arrependam (mudem os seus conceitos), de igual modo haveriam de perecer.

Houve uma catástrofe, e uma torre da cidade de Siloé caiu, matando dezoito pessoas. As pessoas acreditavam que os homens que morreram eram mais culpados diante de Deus do que todos os habitantes de Jerusalém. Jesus novamente demonstrou que, caso todos os homens não mudem os seus conceitos, de igual modo perecerão.

As religiões procuram mudar a conduta de seus seguidores como forma de alcançarem o favor de Deus, mas não importa o que façam, de igual modo estão debaixo de condenação.

As recentes catástrofes naturais que atingiram a Indonésia são atribuídas aos pecados de um povo mergulhado no paganismo. Da mesma forma, atribuem as catástrofes que atingiram os E.U.A. a opressão da política econômica daquele pais sobre os demais países menos favorecidos economicamente. Acreditam que Deus faz justiça através das catástrofes, ou dos eventos da natureza.

Porém, Jesus demonstra que todos os homens estão condenados diante de Deus, e caso não se arrependam, de igual modo perecerão.  Estarão perdidos para sempre.

Deus não leva em conta a culpa, o dolo ou a conduta dos homens, visto que, todos os homens nasceram sob condenação.

A questão levantada por Russell sobre o argumento da prova teológica da existência de Deus, onde ele destaca: "Vós todos conheceis tal argumento: tudo no mundo é feito justamente de modo a que possamos nele viver, e se ele fosse, algum dia, um pouco diferente, não conseguiríamos viver nele" *. Estranho, pois não encontro na bíblia tal argumento.

Paulo argumentou que: "Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração" At 17: 27- 28.

Paulo não estava demonstrando a existência de Deus, antes, ele afirmou que Deus não está longe dos homens, pois todos vivem nele, movem-se nele e existem em Deus.

Achar que a Ku-Klux-Klan, o Nazismo, ou o Fascismo depõe contra a justiça de Deus, ou que, as maldades de sistemas políticos, partidários e de organizações são provas de que Deus não existe é fruto de uma falsa argumentação.

A bíblia demonstra que, como os homens não se importaram em conhecer a Deus, eles foram entregues a um sentimento pervertido Rm 1: 28. Porém, não são as ações reprováveis dos homens que os mantém sob condenação.

Diante de Deus, tanto Hitler quanto os maiores lideres religiosos da humanidade estão em igual condição: caso não se arrependam (mudem os seus conceitos acerca da salvação em Deus), de igual modo perecerão Lc 13: 1- 5.

Eles perecem (estão condenados) por serem nascidos de Adão! Eles foram julgados em Adão e estão debaixo de condenação, não importando o que faça.

Sobre esta verdade Jesus demonstrou que, através do nascimento natural proveniente do pai Adão todos os homens ao nascerem entram pela porta larga, que dá acesso ao caminho largo que conduz a perdição.

Para ser salvo é necessário ao homem arrepender-se, ou seja, abandonando os seus conceitos de como agradar a Deus, crer em Cristo para nascer de novo de Cristo, o último Adão, para alcançar o direto a vida eterna Mt 7: 13- 14.

continua...

Claudio Crispim

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*Clique no link para ver o ensaio original de Russell.

** Religião - Não há uma definição precisa sobre a palavra 'religião', porém, como prática é uma 'atividade' inerente a todas as culturas ao longo dos tempos. Através da 'religião' as pessoas procuram honrar ou influenciar os seus deuses com preces, sacrifícios ou comportamento.

 

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