É possível servir a lei de Deus e a lei do pecado?
 

 

 

 

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que Eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do Pecado

Rm 7: 25 (ARC)

 

 

Esta pergunta cria um entrave: como conciliar Romanos 7: 25 com Rm 6: 6? Compare:

 

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais o pecado Rm 6: 6.

 

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que Eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do PecadoRm 7: 25.

 

 

 

Que conhecimento! Que alegria saber (conhecer) que o velho homem foi crucificado com Cristo! "Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado..." Rm 6: 6.

 

Mas, por que o velho homem foi crucificado? Qual o objetivo de tal crucificação? Para 'não servirmos mais ao pecado'!

 

Em Cristo Jesus o corpo do pecado foi desfeito (deixou de existir) com o objetivo de o cristão não servir mais ao pecado.

 

No mesmo contexto Paulo assevera: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor” Rm 6: 12.

 

A palavra ‘considerar’ que aqui foi empregada não é um faz de conta. Da mesma forma que é certa a morte de Cristo, também é certa a morte dos que crêem em Cristo.

 

Observe que com Cristo o cristão é sepultado e ressurge, visto que, o velho homem foi crucificado e morreu à semelhança da morte de Cristo, para ser semelhante a Ele na ressurreição (vs. 4- 6).

 

Não há como o crente servir o pecado uma vez que o corpo do pecado foi desfeito (escravidão), e ele não tem mais domínio sobre aquele por quem Cristo morreu.

 

“Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” Rm 6: 14.

 

Diante destes versículos resta a pergunta: Paulo apregoou que o cristão é livre do pecado em Rm 6: 14, e que é possível servir a lei do pecado em Rm 7: 25? Não!

 

Não há como servir a Deus e ao pecado, visto que, o apóstolo diz:


 

“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita a lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” Rm 8: 7.

 

“Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a MamomLc 16: 13.
 

 

Se não é possível servir a Deus segundo a carne (ela está em inimizade com Deus), isto demonstra que, para servi-Lo é preciso crucificá-la e sepultá-la com Cristo.  Porém, o que Paulo realmente diz em Rm 7: 25?

 

Voltemos ao versículo: Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor...” (v. 25).

 

Devemos observar que o contexto do versículo é de agradecimento. Como o apóstolo está agradecendo, é porque já alcançou as dádivas de Deus. Paulo demonstra que o Senhor de sua vida é Cristo Jesus, e não o pecado, o que nos remete a segunda parte do versículo:
 

 

“...assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus (v. 25).


 

Temos que observar neste versículo três aspectos: ‘eu mesmo’, ‘servir com entendimento’ e ‘servir a lei de Deus’:

 

Eu mesmo – Quando Paulo diz algo sobre a sua pessoa, ele enfatiza o fato com o peculiar “EU MESMO”: “Porque, em que tendes vós sido inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoai-me este agravo” II Co 12: 13; “Mas confio no Senhor que também eu mesmo em breve irei ter convosco” Fl 2: 24. Paulo não está falando figuradamente (em alguns textos Paulo utiliza o ‘eu’ figuradamente Ex: Rm 7), mas neste versículo ele diz do que estava vivenciando;

Entendimento – O apóstolo Paulo servia a Deus com entendimento, já o os Judeus possuíam zelo de Deus, porém, eles não serviam a Deus com entendimento. Por que não serviam com entendimento? Pois queriam servir a Deus por meio da lei de Moisés, e não por meio do evangelho Rm 10: 2. Ou seja, mesmo estando na carne (não haviam nascido de novo), queriam servir a Deus cumprindo os quesitos da lei;

A lei de Deus – Paulo demonstra que só através do entendimento é possível servir a lei de Deus, já que é impossível os homens cumprirem a lei. Pergunto: qual lei de Deus que Paulo servia? A de Moisés? Não! Ele estava apontando para a lei de Deus em Cristo “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” Gl 6: 2.

 

Resta-nos a última parte do versículo:

 

“...mas com a carne à lei do PecadoRm 7: 25.

 

Temos outros três elementos a serem analisados: ‘mas’, ‘a carne’ e ‘lei do pecado’.

 

mas – é uma conjunção adversativa que introduz uma idéia contrária a idéia anterior; Caso o apóstolo Paulo estivesse argumentando que, com o entendimento ele servia a lei de Deus e que também estava servindo a lei do pecado, a conjunção não seria ‘mas’, e sim ‘e’;

a carne – ‘a carne’ geralmente é uma maneira do apóstolo falar da velha natureza herdada de Adão. Neste versículo em análise o apóstolo está falando da condição do velho homem que é descrita como escravo do pecado;

Lei do pecado - Qual é a lei do pecado? A lei do pecado consistem em dar fruto para morte gerando toda sorte de concupiscência Rm 7: 8. Tudo que o homem no pecado pertence por direito ao seu senhor. Por isso não há quem faça o bem, pois todos pecaram e destituídos estavam da glória de Deus.

 

É certo que Paulo não escreveu neste versículo que Ele produzia frutos para a morte. O que Paulo quis dizer?

 

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que Eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do Pecado” Rm 7: 25.

 

"mas" é uma conjunção adversativa que indica contrariedade na argumentação. O apóstolo não disse: 'mas também com a carne à lei do Pecado'. Se Paulo estivesse servindo a lei de Deus e a lei do pecado, haveria um conectivo 'e' indicando que havia uma complementação entre a primeira e a segunda oração. Exemplificando: "Assim, eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus e (também) com a carne à lei do pecado"

 

Paulo utilizou um recurso chamado 'figura de linguagem' para não repetir parte da frase. Ele utiliza a conjunção adversativa 'mas' que remete a uma condição, ou seja: mas [se] com a carne [sirvo] a lei do pecado.

 

Paulo não mais servia a lei do pecado, visto que, ele já havia crucificado a carne com as suas concupiscências, sepultado-a e ressurgiu um novo homem. Da mesma maneira ele demonstra que a circuncisão de Cristo é o despojar do corpo da carne (velha natureza), e não só o prepúcio, como se dá na circuncisão de Moisés Cl 2: 11.

 

Observe que, por uma necessidade de estilo na escrita, Paulo suprimiu na segunda parte do versículo o verbo 'servir'. Em decorrência de ele ter suprimido o verbo, também ocorre a supressão da partícula 'se': ‘mas [se] com a carne [sirvo] à lei do pecado’.

 

Este mesmo recurso na escrita podemos perceber no evangelho de João:

 

"Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus" Jo 1: 13.

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que Eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do PecadoRm 7: 25.

 

Vontade: esta palavra é suprimida na segunda parte do versículo Jo 1: 13, da mesma forma que a palavra 'sirvo' foi suprimida em Rm 7: 25. Para entendermos a argumentação faz-se necessário subentender que estas duas palavras estão presentes no texto;

de Deus: o nascer da vontade de Deus nada tem a ver com o nascer do sangue, do varão ou da carne Jo 1: 13.  Da mesma forma, servir a lei do pecado por meio da carne também não tem relação com o servir a lei de Deus com o entendimento;

mas: em ambos os versículos a conjunção 'mas' remete a uma idéia de oposição a idéia da frase anterior.  Se em Adão nascemos da vontade da carne, do sangue e da vontade do varão, em Cristo Jesus nascemos da vontade de Deus.

 

Há sim conflitos no homem regenerado, mas este conflito é meramente humano. Tal conflito não diz de um luta interior entre o novo homem e o pecado, visto que, Cristo já venceu o pecado e a carne. Também vencemos porque estamos em Cristo!

 

Após  a conversão o homem continua com conflitos e medos decorrentes da vivencia do dia a dia, mas com relação ao mundo vindouro, o Cristão está em Paz, visto que, tem paz com Deus e consigo mesmo: está descansado em Cristo. No mundo o Cristão é passível de aflições.

 

 

Isto demonstra que não há contradição entre o que Paulo disse em Rm 7: 25 e Rm 6: 12.

 

 

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que Eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do PecadoRm 7. 25.

 

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais o pecadoRm 6. 6.

 

Parafraseando o apóstolo Paulo, foi dito: “Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo (Paulo) com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas (se servir a Deus) com a carne (estarei servindo) à lei do pecado”.

 

Ou seja, Paulo estaria na mesma condição de seus compatriotas caso continuasse servindo a Deus segundo a carne. Ele não estaria servindo a Deus com o entendimento Rm 10: 2.

 

Diante desta exposição pergunto: É certo considerar que há uma luta entre a carne e o Espírito? Gl 5: 17. O crente regenerado possui duas naturezas?

 

 

Aos irmãos em Cristo,

 

 

 

Claudio Crispim

 

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