“... mas este, para nosso proveito,
para sermos
participantes da sua santidade”
Hebreus 12: 10.
A disciplina Santifica?
Alguns teólogos
afirmam que a santificação se dá mediante a
submissão à disciplina divina, e utilizam este
versículo para tal posicionamento doutrinário:
"Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo
melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina
para aproveitamento, a fim de sermos participantes
da sua santidade” Hb 12: 1, 11, e,
"Mas, quando somos julgados, somos disciplinados
pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”
I Co 11: 32.
“Tornamos-nos participantes da santidade de Deus
por intermédio da administração de castigo por nosso
Pai Celeste, e por meio de nossa submissão ao mesmo
castigo” BANCROFT,
EMERY H., Teologia Elementar, ed. EBR, 2001, 10ª
Impressão, Pág 265 (grifo nosso).
Muitos por entenderem que a santificação
divide-se em três fases, sendo uma delas PROGRESSIVA,
entendem que tal fase refere-se a vida terrena do cristão,
e afirmam
que a Santificação se dá por intermédio dos 'castigos'
aplicados por Deus, e utilizam os versículos citados acima.
Porém, ao analisar os versículos
dentro do contexto, temos a
seguinte surpresa: o castigo de Deus não é para
Santificação! A disciplina ou a correção de Deus não torna ninguém
santo!
O início do capítulo doze da carta aos Hebreus
é conclusão de uma
idéia que iniciou-se em capítulos anteriores
“Portanto, visto que...” Hb 12: 1. Nesta conclusão o
escritor propõe que os cristãos corram com
perseverança a carreira proposta, olhando firmemente para
Cristo.
Dentro da conclusão
o escritor apresenta um novo argumento solicitando aos cristãos
que considerassem o quanto os pecadores se opuseram
a Cristo: “Considerai aquele que suportou...” (v. 3).
Ele apresenta dois argumentos para convencer os
cristãos a perseverarem na fé (carreira proposta):
1) Ainda não tinham resistido até o
sangue (v. 4); e,
2) Não haviam chegado ao monte
Sinai, mas sim ao monte Sião (v. 18 a 22).
No primeiro argumento, que dispõe sobre a
necessidade de se
considerar o sofrimento de Jesus, temos a exortação:
“Ainda não resististes
até o sangue (...) e já vos esquecestes da exortação
que vos admoesta como a filhos” (v. 5). O escritor
apóia a sua argumentação em um verso do Livro de Provérbios que diz:
“Filho
meu, não desprezes a correção do Senhor, e não
desmaieis quando por ele fores repreendido, porque o
Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo o que
recebe por filho” Pv 3: 11.
Com base neste
versículo, o escritor da Carta aos Hebreus desenvolve o seguinte
raciocínio dividido nas premissas seguintes:
-
A correção é para disciplinar
Hb 12: 6;
-
O tratamento dispensado por Deus aos Cristãos
é como o de pai a filhos (v. 7);
-
Que filho há que não necessite de correção?
-
Se alguém não
sofre a disciplina, sendo que
todos os que são recebidos por filhos são disciplinados,
isto demonstra que o tal não é filho, não
passando de bastardo (v. 8);
-
Os nossos pais (segundo
à carne) nos corrigem
e os respeitamos, não nos sujeitaremos a Deus? (v.
9)
-
Os nossos pais nos corrigem como bem lhes
parece e por um período; mas Deus nos corrige “para
sermos participantes da sua santidade” (v. 10).
Através de uma leitura superficial, alguém
pode concluir que
o cristão é santificados mediante
as correções (disciplina), entretanto, não é esta a idéia do
escritor da carta!
O escritor simplesmente demonstrou qual é
o tratamento que Deus dispensa àqueles que são
recebidos por filhos: a disciplina
“Pois que filho há a quem
o pai não corrige?”. Porém, a disciplina não promove a
filiação divina.
A correção não concede a filiação, pois a filiação é por meio do
novo nascimento.
O cristão torna-se participante
da santidade de Deus por ser gerado da semente
incorruptível Ef 4: 24 , o que lhe dá a condição de
filho, e não pela correção. Após receber os que
crêem em Cristo
por filhos, Deus os corrige, e eles deve suportar a
disciplina.
Através da fé em Cristo, o cristãos
foram de novo gerados. Estes não tem outro destino a
não ser serem filhos por adoção (predestinados), ou seja, para quem esta em Cristo não
há outro destino: são filho de Deus.
Caso alguém não queira a posição
de filho, que não venha a Cristo, visto que, todos quantos aceitarem a
Cristo como Senhor, estes são recebidos por filhos
“Em amor nos
predestinou para sermos filhos de adoção...” Ef 1:
5.
Os cristãos a quem Paulo estava escrevendo haviam
se tornado inculpáveis “... filhos de Deus
inculpáveis...” Fl 2. 15, e, por isso mesmo,
participantes da santidade divina.
A idéia do escritor aos Hebreus era
demonstrar que os cristãos
tornaram-se participantes da santidade divina. Para
isso, ele se socorre da exortação que admoesta os homens recebidos por filhos Pv 3: 11.
Deus
recebeu os cristãos por filhos e os trata como filhos
“Deus vos
trata como a filhos” (v. 7), e a disciplina
que o cristão 'sofre' confirma que está de
posse de uma nova condição em Cristo: é filho, e por isso, será corrigido e disciplinado
pelo Pai.
A disciplina de Deus demonstra o cuidado que
Ele dispensa aos seus filhos,
que através de Cristo são legítimos, e não
bastardos. Enquanto os pais naturais corrigem os
seus filhos segundo um parecer próprio, Deus corrige os seus para que
permaneçam participantes da sua Santidade.
O cristão é santo
por ser participante da natureza divina II Pe 1: 4,
e não porque sofre a correção. E ninguém que ainda
não é filho será disciplinado por Deus, pois a
correção só é para os filhos.
Se os cristãos considerassem que Cristo suportou a
oposição dos pecadores contra si Hb 12: 3, não desfaleceriam. O que pesa
sobre os cristãos hoje, é a correção do Senhor, e não a oposição dos
pecadores, pois Ele já os recebeu por filhos.
A correção do
Senhor serve para demonstrar que os cristãos são
verdadeiramente seus filhos, e que precisam permanecer participantes de sua Santidade.
A correção do Senhor demonstra
simplesmente que o
cristão foi
recebido por filho, e que não é bastardo. Jamais a correção ou a disciplina
é o elemento que Santifica o homem.
Claudio Crispim