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Pág. 8

A Santificação

“... mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade
Hebreus 12: 10.
 

A disciplina Santifica?

Alguns teólogos afirmam que a santificação se dá mediante a submissão à disciplina divina, e utilizam este versículo para tal posicionamento doutrinário: "Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade” Hb 12: 1, 11, e, "Mas, quando somos julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” I Co 11: 32.

“Tornamos-nos participantes da santidade de Deus por intermédio da administração de castigo por nosso Pai Celeste, e por meio de nossa submissão ao mesmo castigo” BANCROFT, EMERY H., Teologia Elementar, ed. EBR, 2001, 10ª Impressão, Pág 265 (grifo nosso).

Muitos por entenderem que a santificação divide-se em três fases, sendo uma delas PROGRESSIVA, entendem que tal fase refere-se a vida terrena do cristão, e afirmam que a Santificação se dá por intermédio dos 'castigos' aplicados por Deus, e utilizam os versículos citados acima.

Porém, ao analisar os versículos dentro do contexto, temos a seguinte surpresa: o castigo de Deus não é para Santificação! A disciplina ou a correção de Deus não torna ninguém santo!

O início do capítulo doze da carta aos Hebreus é conclusão de uma idéia que iniciou-se em capítulos anteriores Portanto, visto que...” Hb 12: 1. Nesta conclusão o escritor propõe que os cristãos corram com perseverança a carreira proposta, olhando firmemente para Cristo.

Dentro da conclusão o escritor apresenta um novo argumento solicitando aos cristãos que considerassem o quanto os pecadores se opuseram a Cristo: “Considerai aquele que suportou...” (v. 3). Ele apresenta dois argumentos para convencer os cristãos a perseverarem na fé (carreira proposta):

1) Ainda não tinham resistido até o sangue (v. 4); e,
2) Não haviam chegado ao monte Sinai, mas sim ao monte Sião (v. 18 a 22).

No primeiro argumento, que dispõe sobre a necessidade de se considerar o sofrimento de Jesus, temos a exortação: “Ainda não resististes até o sangue (...) e já vos esquecestes da exortação que vos admoesta como a filhos” (v. 5). O escritor apóia a sua argumentação em um verso do Livro de Provérbios que diz: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaieis quando por ele fores repreendido, porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo o que recebe por filho” Pv 3: 11.

Com base neste versículo, o escritor da Carta aos Hebreus desenvolve o seguinte raciocínio dividido nas premissas seguintes:

  • A correção é para disciplinar Hb 12: 6;

  • O tratamento dispensado por Deus aos Cristãos é como o de pai a filhos (v. 7);

  • Que filho há que não necessite de correção?

  • Se alguém não sofre a disciplina, sendo que todos os que são recebidos por filhos são disciplinados, isto demonstra que o tal não é filho, não passando de bastardo (v. 8);

  • Os nossos pais (segundo à carne) nos corrigem e os respeitamos, não nos sujeitaremos a Deus? (v. 9)

  • Os nossos pais nos corrigem como bem lhes parece e por um período; mas Deus nos corrige “para sermos participantes da sua santidade” (v. 10).

Através de uma leitura superficial, alguém pode concluir que o cristão é santificados mediante as correções (disciplina), entretanto, não é esta a idéia do escritor da carta!

O escritor simplesmente demonstrou qual é o tratamento que Deus dispensa àqueles que são recebidos por filhos: a disciplina “Pois que filho há a quem o pai não corrige?”. Porém, a disciplina não promove a filiação divina.

A correção não concede a filiação, pois a filiação é por meio do novo nascimento.

O cristão torna-se participante da santidade de Deus por ser gerado da semente incorruptível Ef 4: 24 , o que lhe dá a condição de filho, e não pela correção. Após receber os que crêem em Cristo por filhos, Deus os corrige, e eles deve suportar a disciplina.

Através da fé em Cristo, o cristãos foram de novo gerados. Estes não tem outro destino a não ser serem filhos por adoção (predestinados), ou seja, para quem esta em Cristo não há outro destino: são filho de Deus.

Caso alguém não queira a posição de filho, que não venha a Cristo, visto que, todos quantos aceitarem a Cristo como Senhor, estes são recebidos por filhos  “Em amor nos predestinou para sermos filhos de adoção...” Ef 1: 5.

Os cristãos a quem Paulo estava escrevendo haviam se tornado inculpáveis “... filhos de Deus inculpáveis...” Fl 2. 15, e, por isso mesmo, participantes da santidade divina.

A idéia do escritor aos Hebreus era demonstrar que os cristãos tornaram-se participantes da santidade divina. Para isso, ele se socorre da exortação que admoesta os homens recebidos por filhos Pv 3: 11.

Deus recebeu os cristãos por filhos e os trata como filhos “Deus vos trata como a filhos” (v. 7), e a disciplina que o cristão 'sofre' confirma que está de posse de uma nova condição em Cristo: é filho, e por isso, será corrigido e disciplinado pelo Pai.

A disciplina de Deus demonstra o cuidado que Ele dispensa aos seus filhos, que através de Cristo são legítimos, e não bastardos. Enquanto os pais naturais corrigem os seus filhos segundo um parecer próprio, Deus corrige os seus para que permaneçam participantes da sua Santidade.

O cristão é santo por ser participante da natureza divina II Pe 1: 4, e não porque sofre a correção. E ninguém que ainda não é filho será disciplinado por Deus, pois a correção só é para os filhos.

Se os cristãos considerassem que Cristo suportou a oposição dos pecadores contra si Hb 12: 3, não desfaleceriam. O que pesa sobre os cristãos hoje, é a correção do Senhor, e não a oposição dos pecadores, pois Ele já os recebeu por filhos.

A correção do Senhor serve para demonstrar que os cristãos são verdadeiramente seus filhos, e que precisam permanecer participantes de sua Santidade.

A correção do Senhor demonstra simplesmente que o cristão foi recebido por filho, e que não é bastardo. Jamais a correção ou a disciplina é o elemento que Santifica o homem.

Claudio Crispim

 

 

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