"E vos
revistais do novo homem, que segundo Deus é
criado em
verdadeira justiça e
santidade"
Efésios 4: 24
Como obter a Santificação?
O
Dr. Russell Shedd, em seu livro Lei, Graça e
Santificação deixou a seguinte nota:
"Deus quer filhos à Sua
imagem, que imitem a Sua santidade"
Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed,
1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 55, o que nos leva
à pergunta: a santidade dos filhos de Deus provem da
capacidade deles em 'imitar' a santidade do Pai?
A
bíblia é muito clara ao demonstrar que a
regeneração, a justificação e a santificação são
provenientes de Deus por meio da fé em Cristo.
-
Através da fé em Cristo o homem é Santificado: "Para lhes abrires os olhos, e das trevas os
converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a
fim de que recebam a remissão de pecados, e herança
entre os que são santificados pela fé em mim"
(Atos 26: 18).
-
De
igual forma, o homem é Justificado pela fé em
Cristo: "Sabendo que o homem não é justificado pelas
obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos
também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas
obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma
carne será justificada" (Gálatas 2: 16).
-
A
Regeneração é por meio da fé: "Necessário
vos e nascer de novo (...) para que todo
aquele que nele crê tenha a vida eterna" Jo
3: 7 e 15.
Através dos
versículos acima, verifica-se que a fé
é o elemento comum e essencial à regeneração, à santificação
e à justificação.
Por meio do evangelho, Deus oferece Salvação
graciosa a todos os homens que encontram-se
perdidos, sendo que a Salvação é adquirida pela fé em Cristo:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé;
e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:
8).
O
chamado de Salvação é para todos os homens, sem
distinção alguma. Porém, somente quando o homem crê
em Cristo, ou seja, descansa na promessa proposta,
entra em ação o poder de Deus, que é concedido
àqueles que crêem para Salvação Jo 1: 12.
A
oferta de salvação é proposta ao homem na condição
de pecador, porém, o homem não pode ser salvo
enquanto pecador. É neste ponto que Deus realiza uma
obra maravilhosa, segundo a sua vontade e poder: a
Regeneração. O homem que recebe a proposta de
salvação e crê, tem que morrer, e verdadeiramente
morre com Cristo, sendo sepultado com Ele. Isto
porque Deus não salva a planta que não foi plantada
por Ele, antes ela é arrancada Mt 15: 13.
A
semente incorruptível que foi plantada no coração do
homem, somente germina quando este morre e é
sepultado com Cristo "Na verdade, na verdade vos
digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não
morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto
(João 12: 24). Neste sentido, Cristo não veio trazer
conciliação com a velha natureza presente no homem,
mas sim, trazer espada Mt 10: 34.
Na
Regeneração Deus cria um novo homem. Este é gerado
de Deus "Segundo a sua vontade, Ele nos gerou de
novo..." Tg 1: 18. Ef 2: 10. O homem passa a ser a
planta plantada pelo Pai. Esta nova criatura, e
somente esta, recebe a Salvação de Deus. A oferta de
Salvação foi feita ao homem na condição de pecador,
mas a Salvação se efetiva naqueles que são de novo
criados, segundo Deus Jo 1: 12- 13.
Na
Regeneração o homem ressurge com Cristo uma nova
criatura, e somente este homem pode receber o prêmio
da salvação, por não permanecer no pecado. Pois para
isso Cristo ressurgiu "E, se Cristo não foi
ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis
nos vossos pecados" I Co 15: 17.
Da
Regeneração decorre a Justificação e a Santificação.
A Justificação refere-se a declaração de Deus à nova
criatura, visto que ela foi criada segundo a
natureza divina: justa. Deus declara justo o
justo que ressurgiu com Cristo dentre os mortos.
Isto, porque não haveria como o velho homem que
recebeu a proposta de salvação ser declarado justo.
Na justificação entende-se também que o homem está
livre da condição anterior, quando vivia no pecado.
Já, a Santificação refere-se à nova natureza
recebida na Regeneração. Quando o homem é sepultado
com Cristo, ele se reveste das condições pertinentes
a Cristo Gl 3: 27. Deus não tem o culpado por
inocente, mas por sermos vivificados com Cristo,
alcançamos o perdão de todos os delitos Cl 2: 13.
O
cristão não vive mais à 'sombra das coisas
futuras', a Santificação é uma realidade na sua
vida, pois a realidade é Cristo Cl 2: 17. Não
depende de esforço da parte do homem, visto que, ao
ser de novo gerado, temos nos tornados participante
de Cristo Hb 3: 14.
A
Salvação em Cristo é adquirida por meio da fé, sendo
que, aqueles que crêem recebem poder para serem
feitos (criados) filhos de Deus Jo 1: 12. A filiação
divina é adquirida por meio da fé na mensagem do
evangelho (a semente incorruptível). Por meio da
semente incorruptível o homem recebe poder para ser
feito, criado, ou gerado de novo "Segundo a sua
vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade..."
Tg 1: 18.
O
Novo Nascimento é condição indispensável à salvação,
conforme Jesus disse a Nicodemos: "Necessário vos é
nascer de novo" Jo 3: 7. Somente pela fé é possível
alcançar a Regeneração, pois apenas os gerados
de novo podem herdar a salvação
Jo 3: 16. O pecador não poder ser salvo, somente o
homem redimido e remido é salvo.
Não podemos esquecer que o
velho homem originou-se da queda de Adão, e que a
condição de culpável, condenável,
inimigo de Deus e destituído da glória de Deus
passou a todos os homens. Por natureza o homem
nascido segundo a semente corruptível de Adão é filho da
desobediência e da ira. Todos os homens que vêem ao
mundo estão em igual condição diante de Deus Rm 5:
18. A argumentação de Paulo de que todos pecaram e foram destituídos da
glória de Deus se fundamenta na natureza decaída que
a semente de Adão produz Rm 3: 23.
Após crer em Cristo, o homem recebe de Deus poder
para ser feito (criado), filho de Deus. Este homem
criado ou gerado segundo a vontade e poder de Deus é declarado justo. É o que
denominamos justificação. A justificação
divina não guarda semelhança com a
justiça emanada dos tribunais humanos. Somente o novo homem
gerado segundo a palavra da verdade pode ser
declarado justo por Deus, visto que este novo homem
é participante da natureza divina, por ter sido de
novo criada em verdadeira justiça.
O
homem que estava morto em delitos e pecados, após
ouvir o convite e crer no evangelho (que é poder de Deus para que o
homem seja criado segundo Deus), ressurge com Cristo dentre os
mortos, nova criatura. Esta nova criatura é declarada justa por
Deus. Para que fossemos declarados justos, Jesus ressuscitou, e,
ao ressurgimos juntamente com Ele, somos declarados
justo em decorrência da nova vida Rm 4: 25.
Da
mesma maneira que a Justificação, a Santificação vem
por meio da filiação divina. O homem nascido segundo
a vontade de Deus é participante da natureza divina
II Pe 1: 4. Segundo o poder de Deus, o homem que crê,
é criado novamente em verdadeira justiça e
santidade.
Observe que a
vontade eterna de Deus é que Cristo seja primogênito dentre
os mortos e primogênito de toda a criação, para que
em tudo tenha a preeminência Cl 1: 15 e 18. Em
Cristo, o homem é uma nova criatura II Co 5: 17, sendo
gerado de novo e tido por Deus como filhos por adoção Rm 8: 15. Por meio de
Cristo é conduzido à glória de Deus muitos filhos Hb 2: 10,
onde a condição de preeminência de Cristo diante de
toda criação se torna efetiva.
Quando os homens que crêem são recebidos por filhos
de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros com Ele de
todas as coisas, é conferido a Jesus a condição de
primogênito de toda criação e dos mortos. Pois só é
possível alguém reclamar o direito de primogenitura
quando se tem irmãos. O unigênito que nos fez
conhecer o Pai, agora, após conduzir muitos filhos a
Deus, torna-se o primogênito de toda criação.
Desta forma, Deus quis e gerou pelo Espírito Eterno
filhos para si. Filhos à sua imagem e semelhança,
que receberam d'Ele a plenitude Cl 2: 10. Estes não
precisam imitar o Pai em sua santidade, antes são
gerados de novo e detém a natureza do Pai: santos.
Não há como imitar a santidade de Deus, visto que
ela decorre da própria natureza divina.
Sobre este aspecto Jesus alertou: "Toda planta que
meu Pai celestial não plantou, será arrancada" Mt
15: 13. Quais são as plantas que o Pai não Plantou?
Aqueles nascidos da semente corruptível de Adão! Já
os nascidos de semente incorruptível, que é a
Palavra de Deus, este são 'plantas' plantadas pelo
Pai Jo 3: 9; I Pe 1: 23.
A
santidade daqueles que crêem não pode ser uma mera
imitação. Ela deve ser autentica, ou seja, em
verdade. A santificação não fica a cargo do homem, e
sim, de Deus.
É
Deus que tem o poder de dar nova vida ao homem. Vida
que procede d'Ele e que faz o homem ser
participantes da sua natureza. Deus é luz, e aqueles
que crêem em seu Filho tornam-se filhos da luz
"Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais
filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e,
retirando-se, escondeu-se deles" (João 12: 36) I Ts
5: 5.
Da
mesma forma que a justificação é de vida, a
santificação também o é Rm 5: 18.
O
Dr. Shedd ao falar da santificação e justificação,
argumentou que: "Enquanto a
justificação (grego dikaiosune) foi uma declaração
de absolvição, da parte de Deus, que nos deu o
status de santos, sem nenhuma condenação (Rm 8. 1)
não entendemos a santificação da mesma maneira.
Paulo chama a igreja de Corinto, aquela
singularmente mundana e carnal, como composta dos
que são 'santificados em Cristo Jesus' (I Co 1. 2).
Obviamente os que recebem o Espírito de Deus,
incorporados em Cristo, são posicionalmente santos.
Por isso um dos títulos mais comuns atribuídos à
Igreja no Novo Testamento é 'santos'. Neste sentido
os dois vocábulos, 'justo' e 'santos', são
sinônimos" Shedd, Russell P., Lei, Graça
e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova,
Pág. 56.
A
Justificação não é uma declaração de absolvição. O
termo justificação significa declarar justo, ou
seja, justificação é uma declaração de justo a quem
verdadeiramente é justo. Deus não absolve o culpado,
pois o culpado não pode ser tido por inocente Na 1:
3.
Na
justificação o homem não adquire 'status' de justo,
antes adquire a justiça que é proveniente de Deus.
Qual é a justiça proveniente de Deus? Uma nova vida
"...justificação de vida" Rm 5: 18, onde tudo se fez novo. Até o
tempo é novo: tempo de paz, gozo e alegria no
Espírito Santo de Deus. Deus declara justo a nova
criatura que é criada através do seu poder
regenerador. A velha criatura recebe o que preconiza
a lei quando o homem é crucificado com Cristo: a
alma que pecar, essa morrerá!
A
Santificação e a Justificação não é posicional e por
isso, não são sinônimas. A Justificação refere-se à
declaração que o Cristão recebe de Deus, e a
Santificação à nova natureza do Cristão.
Estes equívocos na abordagem do Dr. Shedd ocorrem
por ele entender que a pecaminosidade da humanidade
reside na vontade própria, sendo que a bíblia
demonstra que a pecaminosidade decorre da natureza
herdada em Adão.
Ser santo não implica em ser distinto. A santidade
de Deus não é pertinente àquilo que é difere, e sim,
à
Sua natureza. Como a santidade procede da natureza
de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada,
antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o
homem passa a ser participante da natureza divina I
Pe 1: 3.
Sobre este aspecto o apóstolo Pedro escreveu: "Visto
como o seu divino poder nos deu tudo o que diz
respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele
que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas
quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas
promessas, para que por elas fiqueis participantes
da natureza divina, havendo escapado da corrupção,
que pela concupiscência há no mundo" I Pd 1: 3- 4.
Deus chamou os que crêem pela sua glória e virtude,
ou seja, os cristãos foram chamados para louvor de
sua glória e em amor, a virtude de Deus Ef 1: 4- 6.
Para ser participante da natureza divina, os
cristãos foram abençoados com a
predestinação,
ou seja, aqueles que crêem em Cristo não possuem
outro destino, se não, serem filhos de Deus.
Só
é possível escapar da corrupção que há no mundo
(natureza pecaminosa herdada em Adão), quando se
torna participante da natureza divina (filiação).
Tudo isto é dado aos cristãos através do poder de
Deus, que concede vida, o que contrasta com a
condição antes de se ter a Cristo: morte. Esta nova
vida deve ser desfrutada em piedade, ou seja, o
cristão deve andar segundo as boas obras que Deus
preparou Ef 2: 10.
Como Deus
desejou ter filhos para que o seu Filho obtivesse a
preeminência em tudo, os cristãos são
feitura Sua, criados em Cristo e à Sua imagem, em verdadeira
Justiça e Santidade Ef 2: 10 e 4: 24.
Claudio Crispim