O versículo acima é utilizado como base de apoio a
idéia da santificação progressiva, ou a idéia de que
a santificação pode ser ‘melhorada’ pelo homem
mediante uma completa dedicação de sua vida. O
cristão é santificado através de auto-julgamento? É
possível renunciar ao pecado? O que é seguir a
santidade?
Entretanto, Tito 2: 11 a 12 demonstra o contrário. O
apóstolo Paulo em sua carta exorta sobre o que Tito
deveria falar aos cristãos sob sua responsabilidade
Tt 2: 1- 10. As determinações que deveriam ser
passadas por Tito tinham um objetivo: que em tudo os
cristãos fossem um “adorno” a doutrina de Deus (v.
10).
Dai decorre a seguinte verdade: Cristo trouxe
salvação a todos os homens e ensinou que se abandone
a impiedade e as paixões do mundo para um viver
(neste presente século) sóbrio, justo e piedoso.
Jesus deixou estas determinações a seus seguidores
enquanto aguardassem “... a
bem-aventurança e o aparecimento da glória do nosso
grande Deus e Salvador Cristo Jesus” Tt 2:
13. Um viver sóbrio, justo e piedoso não são
elementos de santificação como querem alguns. O
apóstolo é bem claro: um viver sóbrio, justo e
piedoso é ORNAMENTO
da doutrina de Deus! Ninguém é santificado por
dedicar-se a um viver piedoso! Há muitos que vivem
uma vida piedosa e justa, e, no entanto, está
destituído da glória de Deus.
O versículo quatorze é bem esclarecedor: o nosso
grande Deus e Salvador Cristo Jesus
“... a si mesmo se deu por nós
a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e
purificar para si um povo todo seu, zeloso de
boas obras” Tt 2: 14 (grifo nosso).
A Santificação decorre da entrega de Cristo, que
teve o objetivo de remir o pecador,
adquirindo para si um povo todo seu, ou seja,
santificado. O que determina a santidade do povo de
Deus é o ser propriedade d'Ele, e em momento algum
diz de elementos ligados ao ornamento da doutrina de
Deus.
Quando se fala de salvação, as teses doutrinárias
explicam-na da seguinte forma: o homem quando aceita
a Cristo como salvador sofre uma transformação nas
tendências gerais de sua natureza, que acaba por
reverter o seu caráter moral. É o que denominam de
regeneração. Afirmam que a humanidade possui um
duplo problema como conseqüência do pecado e da
queda: (1) o homem passou a ter uma natureza
corrupta expressa através de um caráter moral
depreciado pelo pecado. A regeneração por sua vez
reverte a maldição do pecado dando uma nova direção
as tendências gerais da natureza humana. (2) Este
homem após regenerado permanece ainda com o problema
da culpa. A culpa ou possibilidade de punição não é
extinta através da regeneração, o que só pode ser
resolvido através da justificação. Assim afirmam: na
justificação o homem é perdoado e recebe a
declaração de que cumpriu-se tudo que a lei exige no
homem.
A parte da regeneração e da justificação ocorre a
adoção, entretanto tudo se dá no mesmo momento,
quando o pecador se arrepende dos pecados e dá meia
volta em suas tendências pecaminosas. Afirmam que na
adoção o homem é restaurado a uma posição de favor
diante de Deus. Antes alienado, agora aceito, por
meio da adoção.
Este modelo doutrinário aponta que na conversão
ocorre regeneração, justificação, adoção e
santificação posicional ou objetiva, sendo processos
independentes que ocorrem ao mesmo tempo, tidos como
aspecto objetivo da salvação inicial. Observe o
seguinte quadro:
|
Aspectos objetivos da salvação |
Continuação e complementação da salvação |
|
 Regeneração
Justificação
Adoção
Santificação (posicional) |
Santificação (progressiva) |
|
Santificação (fase final e contemporânea a
vinda de Cristo) |
Esta
teoria sobre os elementos que compõe a salvação é
assim disposta para comportar uma explicação sobre
porque o crente ainda erra, mesmo depois de
regenerado, justificado e santificado
‘posicionalmente’.
Daí surgiu a idéia da santificação progressiva –
“um ato que é instantâneo,
mas que ao mesmo tempo traz em si a idéia de
desenvolvimento até a consumação”
Teologia Elementar - E. H. BANCROFT - Pág 262, 10ª
Impressão, Ed. EBR.