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A Santificação

“Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para que vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente...”
Tt 2: 11- 12

 

Observe este comentário: 

“Somos santificados através do autojulgamento, da renuncia pessoal ao pecado e do seguir após a santidade. D. D. – A santificação é efetuada ao passo que o crente desenvolve sua salvação, cônscio da operação de Deus em seu íntimo” Teologia Elementar - E. H. BANCROFT- Pág 265, 10ª Impressão.

O versículo acima é utilizado como base de apoio a idéia da santificação progressiva, ou a idéia de que a santificação pode ser ‘melhorada’ pelo homem mediante uma completa dedicação de sua vida.  O cristão é santificado através de auto-julgamento? É possível renunciar ao pecado? O que é seguir a santidade?

Entretanto, Tito 2: 11 a 12 demonstra o contrário. O apóstolo Paulo em sua carta exorta sobre o que Tito deveria falar aos cristãos sob sua responsabilidade Tt 2: 1- 10. As determinações que deveriam ser passadas por Tito tinham um objetivo: que em tudo os cristãos fossem um “adorno” a doutrina de Deus (v. 10). 

Dai decorre a seguinte verdade: Cristo trouxe salvação a todos os homens e ensinou que se abandone a impiedade e as paixões do mundo para um viver (neste presente século) sóbrio, justo e piedoso.

Jesus deixou estas determinações a seus seguidores enquanto aguardassem “... a bem-aventurança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” Tt 2: 13. Um viver sóbrio, justo e piedoso não são elementos de santificação como querem alguns. O apóstolo é bem claro: um viver sóbrio, justo e piedoso é ORNAMENTO da doutrina de Deus! Ninguém é santificado por dedicar-se a um viver piedoso! Há muitos que vivem uma vida piedosa e justa, e, no entanto, está destituído da glória de Deus.

O versículo quatorze é bem esclarecedor: o nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus “... a si mesmo se deu por nós a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras” Tt 2: 14 (grifo nosso).

A Santificação decorre da entrega de Cristo, que teve o objetivo de remir o pecador, adquirindo para si um povo todo seu, ou seja, santificado. O que determina a santidade do povo de Deus é o ser propriedade d'Ele, e em momento algum diz de elementos ligados ao ornamento da doutrina de Deus.

Quando se fala de salvação, as teses doutrinárias explicam-na da seguinte forma: o homem quando aceita a Cristo como salvador sofre uma transformação nas tendências gerais de sua natureza, que acaba por reverter o seu caráter moral. É o que denominam de regeneração. Afirmam que a humanidade possui um duplo problema como conseqüência do pecado e da queda: (1) o homem passou a ter uma natureza corrupta expressa através de um caráter moral depreciado pelo pecado. A regeneração por sua vez reverte a maldição do pecado dando uma nova direção as tendências gerais da natureza humana. (2) Este homem após regenerado permanece ainda com o problema da culpa. A culpa ou possibilidade de punição não é extinta através da regeneração, o que só pode ser resolvido através da justificação. Assim afirmam: na justificação o homem é perdoado e recebe a declaração de que cumpriu-se tudo que a lei exige no homem.

A parte da regeneração e da justificação ocorre a adoção, entretanto tudo se dá no mesmo momento, quando o pecador se arrepende dos pecados e dá meia volta em suas tendências pecaminosas. Afirmam que na adoção o homem é restaurado a uma posição de favor diante de Deus. Antes alienado, agora aceito, por meio da adoção.

Este modelo doutrinário aponta que na conversão ocorre regeneração, justificação, adoção e santificação posicional ou objetiva, sendo processos independentes que ocorrem ao mesmo tempo, tidos como aspecto objetivo da salvação inicial. Observe o seguinte quadro:

 

Aspectos objetivos da salvação

Continuação e complementação da salvação

Regeneração

Justificação

Adoção

Santificação (posicional)

Santificação (progressiva)

Santificação (fase final e contemporânea a vinda de Cristo)

 

Esta teoria sobre os elementos que compõe a salvação é assim disposta para comportar uma explicação sobre porque o crente ainda erra, mesmo depois de regenerado, justificado e santificado ‘posicionalmente’.

Daí surgiu a idéia da santificação progressiva – “um ato que é instantâneo, mas que ao mesmo tempo traz em si a idéia de desenvolvimento até a consumação” Teologia Elementar - E. H. BANCROFT - Pág 262, 10ª Impressão, Ed. EBR.             

 

 

 

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