A Ceia

 

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |

 

 

Pág. 7

 

Conclusão 

 

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 27- 29).

 

Os versículos 27 e 29 apontam um problema no seio da igreja, e o 28 é a solução do problema.

O apóstolo solicita aos irmãos que fizessem um auto-exame, e que após este exame, participassem do pão e do cálice (v. 28). O apóstolo não proíbe o comer do pão e do cálice, pois só o auto-exame já era suficiente para que o participante viesse a se conscientizar das questões pertinentes ao corpo do Senhor, que a Igreja.

Paulo estava questionado o comportamento individualista de alguns e não aquele que pode ou não participar da mesa do Senhor. Em momento algum Paulo diz de quem pode ou não participar da Ceia de Cristo.

Paulo solicita aos cristão refletirem, e após, que participassem do ato comemorativo que anuncia a morte do Senhor.

Qualquer pessoa que participa da ceia fora do objetivo principal, que é anunciar a morte do Senhor, acaba por condenar a si mesmo, pois não sabe discernir o corpo do Senhor, a igreja.

Assim que, aquele que participa da Ceia na intenção de santificar-se, ou que participa na intenção de alcançar o perdão dos pecados, esta enfatuado na sua carnal compreensão, e participa indignamente.

A Ceia é um anuncio da morte de Cristo, e a santificação se dá por meio da oferta do corpo de Cristo "De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” Hb 10: 29.

Por não compreenderem no que consiste a igreja, surgiram inúmeras dissensões, entre elas temos: Partidarismo entre os freqüentadores da igreja I Co 1. 11 e 12; Litígios entre os irmãos I Co 6. 1- 8; Comiam a ceia em separado I Co 11. 21; etc.

O apóstolo ao comentar as divisões e dissensões que estavam ocorrendo em Corinto quando os cristão comiam a ceia como algo em particular, ele ainda tem em mente uma idéia exposta em capítulos anteriores: 

 

Base para as Afirmações Anteriores

 “Falo como a entendidos: julgai vós mesmos o que digo. Não é o cálice de bênção, que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão I Co 10. 15- 17.

O texto do capítulo 11 deve ser lido segundo o que foi exposto neste dois versículos. Para entender plenamente o capítulo 11 deve ter em mente as observações seguintes:

  • Paulo escreveu a quem foi instruído anteriormente, ou seja, os cristãos de Corinto deviam entender plenamente o significado do corpo de Cristo, que é a igreja “Falo como a entendidos”; Uma vez que Paulo já havia ensinado e louvado os cristãos por terem guardado os preceitos da maneira que foram entregue, eles já entendiam das questões espirituais I Co 11: 2;

  • Paulo escreve a quem já era capaz de discernir as verdades bíblicas através de um auto-exame “Julgai vós mesmos”. Quem havia aprendido de Paulo, sabia o quanto ele enfatizava à liberdade em Cristo I Co 10. 23. Daí a necessidade do auto-exame I Co 11: 13;

  • Não é o cálice que traz a bênção para o crente, antes é o crente que abençoa o cálice. Por quê? Porque o cálice se resume em uma representação do que é real.  Nós, que estamos em Cristo, é que temos comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo, e por isso, abençoamos o cálice da bênção. Cristo abençoou o pão e partiu entre os discípulos Mt 26: 26;

  • Através do que é representativo (pão e cálice), todos tornam-se participantes de Cristo (exteriorização de uma realidade espiritual), desta forma é o cristão quem abençoa o cálice e o pão. 

A atitude impensada de alguns (não sabiam discernir o que é o corpo do Senhor), que participavam da mesa do Senhor imbuídos de sentimentos egoístas (demonstravam que não estavam anunciando a morte do Senhor), acabava por fazer surgir entre os cristãos muitos fracos e doentes. Pior ainda, muitos já estavam dormindo.

Fraco - aqui não faz referência a alguém que pecou, antes àqueles que não entendem plenamente as verdades do evangelho e que podem ser induzidos a adotarem comportamentos errôneos I Co 8. 9- 10; II Pe 2: 18.

Doente - faz referência àquele que está prestes a perecer espiritualmente, deixando de crer.

Dormem - faz referência àqueles que perderam a esperança da salvação I Ts 5. 6- 8.

O apóstolo de uma forma amorosa e esplendida orienta os irmãos a que fizessem um auto-exame de suas condutas diárias, pois então, não seria mais necessário ter que repreendê-los. Mas, se fosse necessário o apóstolo repreendê-los, que considerassem que a disciplina do Senhor livra o homem da condenação com o mundo.

A orientação para acabarem com as distorções sobre a ceia é clara: esperem uns pelos outros quando se reunirem para comer; e, se alguém tiver fome, coma em casa.  

Todas as vezes que realizassem o ato de comer e beber do cálice, estariam a anunciar a morte de Jesus, até o dia de sua volta. Diante disto o apóstolo conclui: se alguém participar do pão e do sangue de modo indigno, será culpado do corpo e do sangue, o que leva o participante a ter que examinar a si mesmo para não participar indignamente.

 

 

Concluí-se:

Não há como alguém que crê em Cristo, conforme diz as escrituras, e que entende plenamente o que é o corpo de Cristo, tomar a ceia indignamente.

Só aqueles que dizem amar a Deus, e que não amam os seus irmãos, a ponto de fazer distinção, divisões e serem egoístas quanto ao partir do pão, é que participam indignamente à mesa do Senhor I Jo 3: 10.

Porém, não há uma proibição quanto ao participar do pão e do cálice, visto que, quem participa deve examinar-se a si mesmo.

Aquele que não tem comunhão com o corpo de Cristo, que é a igreja, mas que participa do pão e do cálice, este participa indignamente. Este continua sendo réu de juízo, culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Ademais, percebe-se que quando Cristo disse: "Isto é o meu corpo que é entregue (repartido) por vós", nós nos tornamos um só pão e um só corpo, pois todos são participantes do mesmo pão.

Da mesma forma que Cristo é o pão, nós somos um só pão com Ele. Da mesma forma que Cristo é Luz, somos filhos da Luz. Da mesma forma que Cristo é o Filho de Deus, nós somos filhos de Deus.

 

"Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão"I Co 10: 17.

 

Aquele que não discerne que todos são um só pão e um só corpo em Cristo e que acabam por fazer divisões na igreja, é o que participa do pão e do cálice indignamente. É culpados da carne e do sangue de Cristo.

Quem não é participante do pão (corpo), é culpado da carne e do sangue.

 

 

 

Claudio Crispim

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |

Copyright© 2006. All rights reserved.

www.ibiblia.net