1 O SENHOR é a minha
luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da
minha vida; de quem me recearei?
2 Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se
chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e
caíram.
3 Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria;
ainda que a guerra se levantasse contra mim, nisto confiaria.
Não resta alternativa no cântico do
salmista: a quem temer, se o Senhor é luz e salvação? Há algo ou
alguém a temer?
O Senhor é o caminho que conduz à
salvação. Ele é a luz que proporciona um comportamento livre de
escândalo "Aquele que ama a seu irmão está na
luz, e nele não há escândalo" (I João 2: 10).
Perceba a relação que há entre
'caminho' e 'viver em Espírito', 'luz' e 'andar no Espírito'. Quem
vive no Espírito é porque entrou pela porta estreita, que é Cristo,
e passou a trilhar o caminho que conduz à salvação (Mateus 7: 13).
A recomendação de Paulo para os que
trilham o caminho que conduz à salvação é: andai também no Espírito
(Gálatas 5: 25), ou seja, agora que os cristãos eram filhos da luz,
deviam andar como filhos da luz."Porque noutro
tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos
da luz" (Efésios 5: 8).
Quem anda na luz pauta o seu
comportamento pela comunhão com os seus irmãos e semelhantes
"Mas, se andarmos na luz, como ele na luz
está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo,
seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (I João 1: 7).
Portanto, como temer, se Deus é o
caminho (salvação), e a luz (lâmpada para os pés) para os que nele
esperam.
Novamente o salmista reafirma a
idéia da questão abordada: Deus é poder, ou seja, a força da vida do
salmista (v. 1).
A investida dos inimigos é inócua,
uma vez que, todos os malvados inimigos tropeçaram e caíram quando
investiram contra o salmista. A investida dos inimigos e adversários
representam o pior que poderia acontecer a um rei, porém, diante do
poder do Senhor todos os receios do salmista desapareceram.
Novamente o salmista aponta para o
que seria o maior receio de um rei, e reafirma a sua confiança em
Deus (v. 3). Diante de exércitos o coração do salmista não temia.
Diante da guerra, ele confiava em Deus. Para os inimigos um quadro
cômico: tropeçam e caem.
Ainda que exércitos, guerras,
adversários e inimigos se levantem, nisto ele confiaria:
"O SENHOR é a minha
luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da
minha vida; de quem me recearei?" (v. 1).
4 Uma coisa pedi ao SENHOR, e a buscarei: que possa morar
na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a
formosura do SENHOR, e inquirir no seu templo.
Qualquer rei pagão pediria ao seu
deus livramento dos seus inimigos. O salmista, por confiar em Deus,
pede uma única coisa: '...que possa morar na
casa do Senhor...' (v. 4). A confiança em Deus faz com que o
comportamento dos pagãos seja diferente dos crentes.
Por que o salmista pediu ao Senhor
e buscou morar na casa do Senhor TODOS os dias da sua vida? Por que
o salmista não buscou ser livre dos inimigos? Porque ele desejava
contemplar a formosura de Deus, aprendendo no seu templo.
A formosura que o salmista desejava
contemplar e queria aprender é acerca dos atributos de Deus, como a
bondade, a misericórdia, o amor, a justiça, etc (v. 4).
5 Porque no dia da adversidade me esconderá no seu
pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; por-me-á
sobre uma rocha.
6 Também agora a minha cabeça será exaltada sobre os meus
inimigos que estão em redor de mim; por isso oferecerei
sacrifício de júbilo no seu tabernáculo; cantarei, sim, cantarei
louvores ao SENHOR.
Por que a preocupação do salmista
não é com os inimigos, e sim com o Senhor? Porque é o Senhor que na
adversidade haverá de esconder o salmista no seu abrigo (pavilhão).
No lugar oculto da própria casa de Deus (tabernáculo) o salmista
seria acolhido e escondido da adversidade. Estar escondido no abrigo
de Deus é estar sobre a rocha. É estar seguro (v. 5).
Também será no dia da adversidade
que Deus dará livramento ao salmista, uma vez que a sua 'cabeça'
será exaltada acima dos seus inimigos. Enquanto o salmista
permaneceria de pé no dia da adversidade, os seus inimigos
tropeçariam e cairiam.
Enquanto quem não tem um
conhecimento apurado de Deus procura oferecer novilhos, bois, etc.,
o salmista diante do livramento do Senhor propõe oferecer sacrifício
de júbilo (louvor) na presença de Deus (no tabernáculo).
O salmista propõe cantar ao Senhor
louvores, pois este é o sacrifício que Deus se agrada. Observe que o
escritor ao Hebreus reafirma esta idéia:
"Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor,
isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome" (Hebreus
13: 15).
O sacrifício de louvor ou de júbilo
é o professar o nome do Senhor. Quando o homem professa a Deus, o
salvador, Ele realiza a sua obra, criando o fruto dos lábios:
"Eu crio os frutos dos lábios: paz,
paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e
eu o sararei" (Isaías 57: 19).
A mensagem do evangelho é anuncio
de paz entre Deus e os homens. Todas as chagas do pecado (sara)
daqueles que 'olharem' ou 'invocarem' a Deus serão saradas. No
evangelho está contido o poder de Deus que cria o fruto dos lábios.
Quando o homem professa a Cristo
como salvador conforme o evangelho da graça, a paz entre Deus e os
homem é firmada. Ele sara o homem de todas as chagas do pecado, ou
seja,a parede de separação é removida. Com base naquilo que Deus
realiza, o homem passa a professar a maravilhosa graça de Deus, que
é o fruto dos lábios.
É porque Deus realiza a sua
maravilhosa obra que há motivo de louvor, e não o contrário. Não é
porque o homem louva que Deus realizará a sua obra. Antes, é porque
Deus realizou a sua obra "Eu crio..."
(Isaias 57: 19), que o homem tem motivo para louvar: '...paz para os
que está longe...', o fruto dos lábios que professam a Cristo.
Quem professa a Cristo anuncia a
paz de Deus aos homens que estão longe, e ao mesmo tempo rede
sacrifícios de louvor a Deus pela sua obra realizada (v. 6).
7 Ouve, SENHOR, a minha voz quando clamo; tem também
piedade de mim, e responde-me.
8 Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a
ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei.
9 Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com
ira; tu foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó
Deus da minha salvação.
10 Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR
me recolherá.
O salmista espera ser ouvido por
Deus, e que a resposta divina seja segundo à piedade.
A busca do salmista é segundo a
palavra de Deus, e não segundo a sua própria concepção. Foi o Senhor
quem disse: "Buscai o meu rosto" por intermédio de Davi
"Buscai ao SENHOR e a sua força; buscai a sua
face continuamente" (I Crônicas 16: 11), e o homem deve
buscar a presença de Deus, e não as coisas deste mundo (v. 8).
O salmista pede para Deus não
esconder a sua face, pois ele sabia que os que não buscam a Deus são
filhos da perversidade e da mentira. Porém, Deus olhará para aqueles
que O buscam, pois são geração do Senhor (Salmos 24: 6)
"E disse: Esconderei o meu rosto deles, verei
qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não
há lealdade" (Deuteronômio 32: 20).
Somente conhecem a Deus (vêem o seu
rosto) aqueles que são nascidos dele (geração), pois uma é a geração
dos ímpios, os descendentes de Adão, e outra a geração dos que
buscam a Deus, os filhos do último Adão (Cristo).
Ante a impossibilidade do salmista
Deus é a ajuda. A presença do Senhor é o motivo de vitória, pois Ele
é salvação (v. 9). Os pais representam acolhimento e proteção,
porém, quando a esperança de proteção e acolhimento deste mundo
falharem, Deus há de acolher o salmista.
11 Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e guia-me pela
vereda direita, por causa dos meus inimigos.
12 Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois se
levantaram falsas testemunhas contra mim, e os que respiram
crueldade.
O homem por si só não consegue
descobrir qual é o caminho de Deus, antes precisa ser ensinado por
Deus. É por isso que Deus se fez carne e habitou entre os homens,
para ensinar os pecadores qual é o caminho que devem escolher (Salmo
25: 12).
É o Senhor que ensina e guia o
homem pela vereda direita. Ora, os homens nascidos segundo a
descendência de Adão, ao nascerem entraram por uma porta larga que
dá acesso a um caminho largo que conduz
à perdição, porém, para ter acesso ao caminho do Senhor é preciso
nascer de novo, nascer da água (palavra) e do Espírito.
Àquele que aprende do Senhor, que é
humilde e manso de coração, é de novo gerado segundo Deus, em
verdadeira justiça e santidade. Ao entrar por Cristo, a porta
estreita, terá acesso ao caminho apertado que conduz à vida (Mateus
7: 13- 14).
O salmista espera em Deus que não
seja entregue aos seus adversários, que se utilizam de falsas
testemunhas para sustentarem as suas inverdades (v. 11).
13 Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a
bondade do SENHOR na terra dos viventes.
14 Espera no SENHOR, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração;
espera, pois, no SENHOR.
O salmista reafirma a sua posição
inicial de confiança em Deus. Não restava dúvida ao salmista: se
acaso ele não depositasse confiança em Deus, certo era que pereceria
"O SENHOR é a minha
luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da
minha vida; de quem me recearei?" (v. 1).
A confiança do homem advêm da
fidelidade e bondade do Senhor. A salvação de Deus é para hoje, ou
seja, para aqueles que habitam a terra dos viventes.
Com base na fidelidade de Deus e em
tudo que o salmista experimentou, ele recomenda:
"Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá
o teu coração; espera, pois, no Senhor" (v. 14). Esperar e
confiar compete ao homem com base na fidelidade e bondade do Senhor,
porém, é Ele que fortalece segundo a força do seu poder.
Claudio Crispim