Este salmo contém uma descrição
pormenorizada do homem Justo, ou seja, do homem que teme ao Senhor
(Salmos 25: 12). Este Salmo precisa ser analisado em conjunto com o
Salmo primeiro.
1 JULGA-ME, SENHOR, pois tenho andado em minha
sinceridade; tenho confiado também no SENHOR; não vacilarei.
2 Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha os meus rins e o
meu coração.
3 Porque a tua benignidade está diante dos meus olhos; e tenho
andado na tua verdade.
O salmista apresenta um pedido ao
Senhor: Julga-me!
Lemos no Salmo 14 que não há sequer
um homem justo, como o salmista poderia cometer um desatino ao pedir
a Deus que fosse julgado segundo a sua sinceridade (integridade)?
(Salmo 14: 1- 3).
Ora, como Deus olhou do céu para os
filhos de Adão (homem) e não viu nenhum justo se quer, como poderia
o salmista pedir para ser julgado segundo a sua integridade?
O salmista não se enquadra nos
quesitos que o salmo apresenta, antes, ele escreveu acerca do seu
Descendente, que é Cristo.
Quem andou em sinceridade entre os
homens? Quem confiou no Senhor? Quem não titubeou? Quem esteve a
altura do julgamento do Senhor? Cristo é o único homem que jamais
pecou e nem na sua boca achou-se engano "O
qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" (I
Pedro 2: 22).
Somente o Filho de Deus detinha em si
mesmo a condição necessária para passar pelo crivo do julgamento
divino (v. 1). Somente Cristo pode pedir ao Senhor para ser
examinado e provado, pois, sendo humilde e manso de coração, em tudo
foi tentado, contudo, não pecou "Porque não
temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas
fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem
pecado" (Hebreus 4: 15).
Somente àquele que fala verazmente
segundo o seu coração é capaz de andar em sinceridade
"Aquele que anda em sinceridade, e pratica a
justiça, e do coração fala a verdade" (Salmo 15: 2).
O que está adiante dos olhos
representa o desejo. O desejo de Cristo é a bondade do Senhor, ou
seja, fazer a vontade do Pai "Por isso também
rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua
vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da
fé com poder" (II Tessalonicenses 1: 11).
O Justo é o homem que teme ao Senhor, aquele que ensina os
pecadores no caminho que devem escolher
"Qual é o homem que teme ao SENHOR? Ele o ensinará no caminho que deve
escolher" (Salmo 25: 12; v. 3).
4 Não me tenho assentado com homens vãos, nem converso
com os homens dissimulados.
5 Tenho odiado a congregação de malfeitores; nem me ajunto com
os ímpios.
6 Lavo as minhas mãos na inocência; e assim andarei, SENHOR, ao
redor do teu altar.
7 Para publicar com voz de louvor, e contar todas as tuas
maravilhas.
8 SENHOR, eu tenho amado a habitação da tua casa e o lugar onde
permanece a tua glória.
Cristo não se assentou com os homens
vãos, ou seja, ele não se associou com os homens hipócritas (Salmo
1: 1). Cristo aborreceu a congregação de malfeitores ao recusar
assentar-se com os ímpios.
Ora, Cristo assentou-se com os
pecadores para comer e foi censurado pelos escribas e fariseus por
este ato (Lucas 15: 1- 2). Como conciliar este salmo com o fato de
Jesus ter assentado e comido com pecadores? Esta era uma questão que
incomodava os religiosos à época de Jesus.
Embora lessem o Salmo primeiro, os
escribas e fariseus não compreendiam. Pois o mesmo salmo que diz 'Bem-aventurado
o homem que não anda (...) nem se assenta na roda dos
escarnecedores", também diz: "Porque o SENHOR
conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá"
(Salmos 1: 6).
Ora, se um é o caminho dos ímpios e
outro é o caminho dos justos, mesmo quando assentados em uma mesma
mesa, trilham caminhos diferentes perante o Senhor. Jesus se
assentou para comer com os publicanos e pecadores (Lucas 15: 1- 2),
porém, ele não se assentou com homens vãos, uma vez que, ao
assentar-se em uma mesma mesa com os pecadores, eles trilhavam um
caminho de perdição, enquanto Cristo ensinava no caminho que deviam
escolher (Salmo 25: 12).
Quem dentre os filhos de Adão poderia
dizer que lavou as mãos na inocência? Até mesmo os sacerdotes
andavam a volta do altar, porém, não podiam alegar inocência
(Hebreus 5: 2- 3).
Mas, Cristo andou ao redor do altar
como cordeiro sem mancha e nem mácula, para oferecer a si mesmo
imaculado a Deus (Hebreus 9: 14; v. 6).
O fato de Cristo, inocente, ser
ofertado a Deus em resgate de muitos, tornou notório o louvor as
maravilhas de Deus. Tudo o que Cristo realizou tornou notório o
louvor e glória da graça de Deus, concedida gratuitamente no Amado
(Efésios 1: 6).
Diferente de Moisés, que foi fiel em
toda a casa de Deus somente para testemunho das coisas que estavam
por vir (Hebreus 3: 5), Cristo amou a habitação do Pai, ou seja, os
homens que confiam em Deus, pois eles são casa, templo e morada do
espírito Eterno (Hebreus 3: 6).
Com relação ao templo Jesus disse que
ele seria arruinado "Jesus, porém, lhes disse:
Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra
sobre pedra que não seja derrubada" (Mateus 24 : 2), mas, com
relação aos que creram, ele disse:
a) As portas do inferno não
prevalecerão (Mateus 16: 18);
b) Estarei convosco todos os dias (Mateus 28: 20);
c) Onde estiveres reunidos, ai estarei (Mateus 18: 20).
9 Não apanhes a minha alma com os pecadores, nem a minha
vida com os homens sanguinolentos,
10 Em cujas mãos há malefício, e cuja mão direita está cheia de
subornos.
Os pedidos que o salmo registra é
conforme à vontade de Deus, uma vez que Deus não tem o culpado por
inocente e nem punirá o inocente em lugar do ímpio.
Se o salmo registrasse: 'Senhor,
apanhe a alma dos pecadores com as dos justos', seria um pedido
descabido, visto que, Deus não perverte a sua justiça e o que é
reto.
Se alguém pedir que Deus minta,
jamais será atendido, pois ele não é o homem para que minta. É
impossível que Deus minta, pois mentir é contrário a natureza
divina.
Quem são os pecadores, em cuja mão há
malefícios e não pode lavar a mão na inocência? São somente os
homens sanguinários, os beberrões, os maldizentes, os idólatras, etc?
Não! Os homens contado como pecadores
são todos os descendentes de Adão, visto que pecam (transgridem)
mesmo sem causa "Na verdade, não serão
confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que
transgridem sem causa" (Salmos 25: 3). Os que esperam em Deus
são contados com os filhos de Abraão, e os que transgridem sem
causa, estes são descendentes de Adão, filhos da ira e da
desobediência.
11 Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem
piedade de mim.
12 O meu pé está posto em caminho plano; nas congregações
louvarei ao SENHOR.
Diferente dos pecadores, aquele que 'anda
em integridade' e 'fala verazmente' segundo o seu
coração, que é manso e humilde, têm os pés em caminho plano.
Por andar segundo a sua sinceridade,
o Cristo alcançou a piedade de Deus segundo os seus méritos. É por
isso que Ele confia e pede o juízo divino (v. 1).
Observe que onde houver ajuntamento
solene (congregações), ai Ele louvaria a Deus. Por que? Porque o
novo homem criado em Cristo foi criado para louvor e glória da graça
de Deus (Efésios 1: 6), louvor e glória que vem por intermédio de
Cristo.
Claudio Crispim