Salmo XXV

O Temor ao Senhor

 

 

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1 A TI, SENHOR, levanto a minha alma.
2 Deus meu, em ti confio, não me deixes confundido, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim.
3 Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa.
4 Faze-me saber os teus caminhos, SENHOR; ensina-me as tuas veredas.
5 Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.
 

O salmista eleva (levanta) a sua alma, ou seja, as suas emoções, visto que a alma diz das emoções humanas. É o mesmo que lançar sobre Deus todas as ansiedades, certo do cuidado de Deus (I Pedro 5: 7). Levantar (elevar) a alma é o mesmo que expor os anseios em oração.

O salmista é enfático ao clamar a quem pode livrá-lo: 'Senhor' e 'Deus meu'!

O pedido surge da fidelidade de Deus que promove a confiança que o salmista nutre em Deus. Ele pede duas coisas: a) não ser envergonhado, e; b) os inimigos não exultem sobre o salmista (v. 2).

Por que o salmista faz estes dois pedidos? A resposta está no verso 3! Porque na verdade os que esperam em Deus não são confundidos. Como o salmista confiava em Deus, logo, seria atendido, e os seus inimigos não haveriam de prevalecer.

Ora, se é verdadeiro que, os que confiam em Deus não serão confundidos (v. 3), logo, a oração do salmista foi feita segundo a vontade de Deus, e, portanto, seria prontamente atendida.

Os que 'esperam' em Deus (confiam) são os que obedecem a verdade. Já os transgressores são os desobedientes à verdade, e serão confundidos. Este verso apresenta uma das características primária da poesia hebraica: o paralelismo de idéias. No caso específico, paralelismo antitético, aquele que é formado pela oposição, ou contraste entre duas idéias (v. 3).

Quem espera em Deus, ou quem não quer transgredir sem causa precisa saber os caminhos do Senhor. Precisa aprender com aquele que é manso e humilde de coração "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11: 29).

Jesus citou Isaias ao demonstrar aos judeus que era o Cristo, o Filho de Deus "Está escrito nos profetas: serão todos ensinados por Deus" (João 6: 45; Isaias 54: 13). Ora, todos que ouviram e aprenderam de Deus creram em Cristo, e passaram a esperá-Lo (v. 4- 5).

Somente Deus pode fazer conhecido (revelar) seus caminhos, pois eles são inescrutáveis "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" (Romanos 11: 33).

Quem está informado dos caminhos do Senhor passa a confiar. É guiado segundo a verdade que há em Deus (tua verdade). Quem não quer ser confundido aprende diretamente com Aquele que é salvação. Quem espera confia, e verá a luz da vida (João 6: 47; Isaias 54: 13; Salmo 25: 1- 5).


6 Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas benignidades, porque são desde a eternidade.
7 Não te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, por tua bondade, SENHOR.
8 Bom e reto é o SENHOR; por isso ensinará o caminho aos pecadores.
9 Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho.
10 Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para aqueles que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.
11 Por amor do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniqüidade, pois é grande.

 

Ao pedir a Deus que lembre-se da misericórdia e da benignidade, o salmista demonstra que a misericórdia e a benignidade são atributos de Deus. Ora, se Deus habita na eternidade, e a misericórdia e a benignidade são desde a eternidade, isto demonstra que em todos os tempos Deus sempre relacionou-se com sua criaturas em benignidade e misericórdia "Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos" (Isaías 57: 15).

O salmista pede a Deus que não lembre dos pecados da sua mocidade, do mesmo modo que pede a Deus que lembre-se da misericórdia e da benignidade. É sabido que Deus é conhecedor de todas as coisas, e que Deus jamais esquece das coisas.

Quando o salmista utiliza a palavra 'lembrança' ao falar da misericórdia e da benignidade de Deus, ele procura demonstrar uma necessidade do homem que só Deus pode suprir.

Quais foram os pecados da mocidade do salmista Davi? Ora, os pecados de Davi não são de ordem comportamental, embora ele e todos os homens cometem muitos erros. Os pecados da mocidade decorrem do nascimento do salmista, visto que, em iniqüidade ele foi formado, e em pecado foi concebido (Salmo 51: 5).

O pecado da mocidade, ou as transgressões do salmista eram provenientes do pecado de Adão. Todos os homens, por serem nascidos de Adão, entraram por um caminho que conduz a perdição.

Embora todos os homens (exceto Cristo) tenham entrado pela porta larga que conduz a perdição em Adão, aquele que invocar ao Senhor, será salvo. Passará a trilhar o caminho conhecido pelo Senhor.

Ora, a bondade e a misericórdia de Deus é a causa de oferta salvadora a todos os homens que perecerem (v. 7).

Apesar da misericórdia e benignidade de Deus, tais atributos não são aparte da retidão divina. Deus é bom e reto, ou seja, a sua bondade não fere a sua justiça.

Como Deus é bom e ao culpado não tem por inocente (retidão), ele ensina aos pecadores o caminho em que devem andar (v. 8). Como seria possível o Senhor ensinar aos pecadores o caminho? A resposta foi apresentada por Jesus aos judeus: "Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim" (João 6: 45).

Quem ensinou aos homens o caminho? Quem ensinou o seu caminho aos mansos? Quem guia os mansos em justiça? A resposta está em Cristo, pois Ele mesmo disse:"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11: 29).

Quem aprende de Cristo é ensinado por Deus, pois Cristo é o Deus Unigênito que, ao ser introduzido no mundo, revelou o Pai (João 1: 18).

É por isso que Jesus disse: "Bem-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terra"(Mateus 5: 5). A condição de manso só é possível alcançar aprendendo de Cristo, o manso e humilde de coração, diferente da mansidão dos homens, que é segundo a aparência "Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho" (v. 9).

Quem guarda a aliança ou os testemunhos de Deus trilharão veredas verdadeiras segundo a misericórdia de Deus. Ora, o pedido do salmista é segundo a vontade de Deus, e Deus há de realizar segundo o seu amor.

Tudo que Deus implementa na vida do homem é segundo o amor de Deus "Por amor do teu nome..." (v. 11), o que não é diferente na vida do salmista. Embora o salmista peça ao Senhor, ele sabe que Deus há de realizar por causa do seu amor e misericórdia. O salmista pede perdão da sua iniqüidade segundo a vontade de Deus, pois a vontade de Deus é que nenhum homem se perca.

O salmista não está confiado em sua oração, antes, confia no amor e na misericórdia de Deus e expressa tudo em oração.

Jesus nos ensinou muito acerca da oração quando disse: "Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste" (João 11: 42).

Quem eleva a alma a Deus em oração precisa compreender que a oração não é o motivo pelo qual o homem é atendido. Antes, Deus atende por ser misericordioso e gracioso. A fidelidade de Deus é que leva o homem a expressar os seus anseios em oração, mas pelo amor do seu nome é que Deus perdoa que se refugia em confiar em Deus (v. 11).


12 Qual é o homem que teme ao SENHOR? Ele o ensinará no caminho que deve escolher.
13 A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra.
14 O segredo do SENHOR é com aqueles que o temem; e ele lhes mostrará a sua aliança.
 


O salmista faz uma pergunta muito importante: Quem é o homem que teme ao Senhor? Ora, se não há um homem, nenhum sequer que faça o bem (Salmo 14: 2- 3), se todos desviaram e tornaram-se inúteis, quem é o homem que teme ao Senhor?

Dos filhos de Adão não há quem seja temente ao Senhor, porém, o Filho Unigênito, o último Adão, Ele é o homem que teme ao Senhor. Cristo foi o homem temente ao Senhor, e Ele ensinou aos homens o caminho que devem escolher.

Quando Jesus disse: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela" (Mateus 7: 13), ele estava indicando aos homens qual o caminho que todos os homens nascidos em Adão (a porta larga) devem escolher.

Somente Aquele que é nascido de Deus é temente ao Senhor. Os nascidos em Adão são filhos da desobediência e da ira, não são tementes ao Senhor, pois transgridem mesmo sem causa (v. 3).

Cristo, o homem que temeu ao Senhor, ensinou aos pecadores o caminho que deviam escolher. Cristo, o homem que temeu ao Senhor, a sua alma, ou melhor, o seu desejo estava atrelado no bem "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6: 38). Enquanto os descendentes de Adão não tem o temor do Senhor diante de seus olhos (Romanos 3: 18), a semente do último Adão herdará a terra.

Os descendentes do último Adão, que é Cristo, herdarão a terra porque aprenderam com Aquele que é humilde e manso de coração. A semente do homem que temeu ao Senhor traz a existência os mansos, a geração dos bem-aventurados, homens que herdarão a terra (v. 13).

O verso 12 está intimamente ligado ao verso 6 do capítulo 24:

"A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra" (v. 13);
"Tal é a geração daqueles que O buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó" (Salmo 24: 6).

A 'geração' que busca ao Senhor equivale à 'semente' que herdará a terra. Do mesmo modo que a 'geração' (nascido de Deus) dos que buscam a Deus são limpos de mãos e puros de coração (salmos 24: 4), os nascidos de Deus através da semente incorruptível dará a condição necessário para herdar de Deus a 'terra'. Eles são mansos e humildes de coração assim como Jesus é "Tal é a geração daqueles que o buscam..." (Salmos 24: 6).

A intimidade, ou o segredo, ou o mistério de Deus pertence aos que temem ao Senhor. Temer a Deus é diferente de medo. Temer é obedecê-lo, conforme a palavra de Deus "Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR" (Salmos 34: 11).

O temor do Senhor decorre do seu ensino, que produz o conhecimento e conseqüentemente a obediência. Ora, o evangelho é o conteúdo do ensino de Deus, que por sua vez produz o conhecimento de Deus, ou seja, através do evangelho o homem recebe poder de Deus para que seja feito filho de Deus, tornando-se um com o Pai e o Filho.

Ora, aqueles que obedecem a Deus são os que ouviram o seu ensino e tornaram-se unidos a Deus. Conhecer a Deus é estar intimamente ligado, unido a Deus.

Cristo, o segredo (mistério) do Senhor revelado aos homens, foi quem evidenciou a aliança de Deus com os homens. Foi Ele que mostrou a aliança de Deus, ensinando no caminho que devem escolher (v. 14).

Deus ensina o caminho aos pecadores (v. 8), ou o caminho que precisam escolher (v. 12), fazendo com que conheçam (saibam) a aliança estabelecida por Deus aos homens (v. 14).

A idéia expressa na tradução "Ele o ensinará no caminho..." é superior a tradução "Este lhe ensinará o caminho que deve escolher" (v. 12). Ora, Cristo é o Caminho que os homens precisam (devem) escolher para que sejam salvos - este é o primeiro ponto. Cristo é o Unigênito Filho de Deus, e por ser o último Adão, nascido de Deus, ele ensinou estando no caminho (no caminho) que os homens devem escolher. Jesus foi gerado de Deus no ventre de Maria, e os homens, por serem descendentes de Adão, precisam nascer de novo na condição de filhos de Deus (v. 12).
 

15 Os meus olhos estão continuamente no SENHOR, pois ele tirará os meus pés da rede.
16 Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito.
17 As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos.
18 Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus pecados.
19 Olha para os meus inimigos, pois se vão multiplicando e me odeiam com ódio cruel.
20 Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto confio em ti.
21 Guardem-me a sinceridade e a retidão, porquanto espero em ti.
22 Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angústias.


Frente a fidelidade e a misericórdia divina o salmista segue expressando a sua confiança.

Ele olha continuadamente para o Senhor porque Deus mesmo diz: "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro" (Isaías 45: 22). Ser salvo é o mesmo que ter os pés tirado da rede (v. 15).

Para o salmista um olhar de Deus é piedade. Ele expressa a sua aflição e dor à vista dos seus pecados. O desejo do coração e aperto do salmista é o perdão dos seus pecados.

Ele pede a Deus que considere os seus inimigos, uma vez que multiplicavam-se sobre maneira e o odiavam cruelmente.

Mas, por que o salmista era cruelmente odiado? O que levava as pessoas terem Davi como inimigo? Não podemos nos esquecer que as pessoas que pertenciam a linhagem de Cristo era perseguida ferozmente, diferentemente de outras pessoas.

Em vários salmos o salmista aponta para pessoas que o odiavam sem causa, e o motivo deste ódio só é explicado por ele ser descendente do Messias que estava por vir (Salmo 35: 7- 19).

Quando o salmista clama ao Senhor para guardar a sua alma, ele clama com convicção que será atendido, uma vez que ele se refugiava em Deus. Porque ele confiava em Deus? Porque Deus é sincero e reto! Ou seja, a sinceridade e a retidão, atributos de Deus, são a causa do salmista esperar em Deus (v. 21).

No último verso o salmista ora a Deus pela redenção de Israel.


 

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