O apóstolo Paulo apresentou um dos
parâmetros essências à interpretação bíblica:
"As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas
com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas
espirituais com as espirituais" (I Coríntios 2: 13).
Como comparar as coisas espirituais
com as espirituais?
Este salmo servirá ao propósito de
demonstrar como interpretar a Escritura.
Jesus ao falar das Escrituras (V. T.)
disse que ela testemunhava acerca Dele "Examinais as
Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são
elas que de mim testificam" (João 5: 39) .
Falta descobrir se este salmo diz de
Cristo ou de Davi, e para isto, é preciso comparar as coisas
espirituais com as espirituais.
A cerca de Davi sabemos que nunca foi
preciso ele se manifestar a ninguém. Da mesma forma sabemos que Davi
também não podia vingar-se a si mesmo, pois a vingança e a ira
pertencem ao Senhor I Sm 25: 28.
Sabemos que Cristo ao manifestar-se
aos homens tornou conhecido o amor de Deus. Ele também manifestará o
juízo e a ira de Deus, pois ele sozinho pisará o largar da ira de
Deus Is 63: 3. Bem diz o salmo segundo:
"Beijai o
Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em
breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que
nele confiam" Sl 2: 12.
Isto posto, verifica-se que este
Salmo diz de Cristo, e não de Davi, pois somente Ele pode retribuir
a ira e a vingança do Senhor (v. 9).
Quando surgir a mesma indagação do
etíope, eunuco e mordomo-mor da rainha de Candace, tenha certeza que
a resposta correta é a de Felipe: "E,
respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o
profeta? De si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe, abrindo a sua
boca, e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus" At
8: 34- 35.
O salmista (rei) está alegre
diante de Deus. Ele confia que o Senhor é a sua força e salvação (v.
1).
Já o verso segundo apresenta um
impasse: Deus cumpriu o desejo do coração do rei, ou cumpriu o
desejo daquele que é a força e a salvação do rei? Vejamos:
Deus cumpriu o desejo do coração
de alguém. De igual modo não lhe negou as súplicas. As bênçãos O
cercaram, e foi posta uma coroa do melhor material conhecido à época:
ouro refinado
(v. 3).
Alguém fez um pedido para que lhe
fosse concedido vida, e Deus o agraciou com longevidade para sempre
e eternamente!?
Grande é a sua glória pela sua
vitória. Quem venceu o quê para ser agraciado com honra e majestade?
(v. 5).
A certeza do salmista é profética:
Este alguém foi abençoado para sempre! Ele se satisfez com a
semelhança do Altíssimo! Ele recebeu da plenitude perante a face
(presença) do Senhor Sl 17: 15.
O rei falava acerca de si mesmo ou
de outro?
O escritor do salmo (rei) continua
confiado no Senhor, pois está cônscio de que Deus ama o seu Ungido,
que nunca vacilará (v. 7).
Acaso a mão de Davi alcançou todos
os seus inimigos? Davi alcançou a todos os que o odiavam com a sua
destra? É próprio de Davi exercer a ira? Não! O rei não falava de si
mesmo, antes falava acerca do seu Senhor que está assentado a destra
do seu Senhor Sl 110: 1!
Somente Cristo, o Senhor pode
alcançar os que O odeiam e abatê-los com ira e indignação
"Se eu afiar a minha espada reluzente, e se a minha mão travar o
juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários, e
recompensarei aos que me odeiam" (Deuteronômio 32: 41).
Quando Cristo se manifestar no dia
da ira, Ele fará dos seus inimigos um forno de fogo. Ele cortará
neste dia o fruto dos ímpios para que não haja mais de sua semente
entre os filhos dos homens (v. 10). Este versículo diz do fim da
linhagem e da semente de Adão.
Os homens iníquos sempre intentam
contra o Senhor e o seu Ungido, mas nunca prevaleceram Sl 2: 2- 3.
Nem mesmo a morte na cruz do calvário pode deter o Ungido de Deus.
Chegará o dia em que os
inimigos de Cristo fugirão de sua presença (voltar as costas), Ele
os alcançará (v. 12).
Tudo o que o salmista Davi
descreveu é para que Deus seja engrandecido através da poderosa
salvação que Ele mesmo preparou proveniente da casa de Davi Lc 1:
69.
Ao rei só resta cantar e
regozijar! Cantar e louvar o poder do Senhor que, devorará os seus
inimigos, consumindo-os com fogo quando se manifestar em glória (v.
9)!
Claudio Crispim