O salmista Davi, na sua oração, demonstra duas coisas: 1ª) que ele
reconheceu os seus erros, e;
2ª) que ele recorreu a quem podia
livrá-lo.
Quando o salmista invoca a Deus como Senhor da sua vida, está
implícito que ele
é propriedade de Deus. Ou seja, o salmista ao anunciar que Deus é
seu Senhor afirmou ser propriedade de Deus.
Como
todos os que são tidos por filhos são repreendidos e castigados por
Deus, a repreensão e o castigo era mais do que certo para o salmista
Davi "Porque o
Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho"
Hb 12: 6.
Davi reconhecia a sua condição de servo, mas ao fazer o
pedido do versículo um (não me repreendas na tua ira, nem me
castigues no teu furor), ele esperava receber tratamento de filho.
Somente os filhos são castigados e repreendidos pelos pais. Se o
salmista foi recebido por filho, o tratamento já era esperado:
correção e açoite.
O salmista sabia que não há como escapar do castigo e da
repreensão de Deus, porém, ele esperava que Deus não o
repreendesse na ira e que o castigo não se desse no furor. A ira e o furor
de Deus são para aqueles que não lhe pertencem. A ira e o furor
não se destina aos filhos, mas a correção e a repreensão sim.
O
que é destinado aos filhos? A misericórdia!
Quando o salmista se
conscientizou de seus erros, a sua alma ficou 'enferma' e 'perturbada'.
Ele sabia que receberia de Deus correção e açoite, porém
esperava ser tratado com misericórdia. O salmista espera pela
misericórdia, pois ele mesmo não conseguiria reverter a sua
condição.
As escrituras nos revela que todos quantos esperam no
Senhor são bem-aventurados "Bem-aventurados todos os que nele
esperam" Is 30: 18. Quando o salmista se expressa dizendo: "mas, tu,
Senhor, até quando?", ele não está impaciente ou pressionando o
seu Criador, antes demonstra que
Davi esperará pacientemente a solução de Deus, pois somente
esperando em Deus se é bem-aventurado.
Deus é imutável e é da vontade dele usar de
misericórdia para com seus filhos; açoitar e repreender-los;
conceder aos que nele esperam a bem-aventuranças. Sendo assim, a
petição do salmista somente evidencia o que ele já esperava de Deus,
e não que Deus fosse mudar os seus intentos após a oração.
Deus
não muda por causa das nossas orações. Deus não agirá conforme o que
é contrário a sua própria natureza. Um exemplo desta verdade
verifica-se quando Cristo pediu em oração ao Pai que o livrasse
do cálice, porém a vontade do Pai prevaleceu.
A oração não demove Deus dos
seus propósitos. Qualquer e toda transformação somente ocorrerá no
homem.
Se pedirmos em oração
para que Deus tenha o culpado por inocente, jamais alcançaremos tal
pedido.
Este salmo demonstra que a oração do salmista torna evidente o que
ele precisamente esperava de Deus. Como o salmista conhecia o seu
Senhor, ele sabia o que pedir e o que esperar.
Quando o salmista
pede a Deus que se volte, ele evidencia a benignidade de Deus.
Através dos seus pedidos o salmista ressalta o que o aproxima de
Deus: a fé!
Desde o início do salmo ele reconhece ser fraco e que não tem
méritos para conquistar por suas ações o favor de Deus. Logo, a
confiança do salmista é
que Deus o livrará por sua eterna benignidade.
O salmista bem sabia que
a repreensão na ira e o castigado no furor leva o homem a morte.
Este não é um tratamento àqueles que alcançaram o favor de Deus. O favor
de Deus conduz a vida, porém a disciplina não pode passar daqueles
que são recebidos por filhos Hb 12: 8.
O favor de Deus ao salmista é louvor à
glória de Deus. Jamais o salmista teve em que se louvar, pois todos
quantos se gloriam, devem gloriar-se em Deus que promove a salvação
do homem.
Através do versículo cinco o salmista procura evidenciar
o que promove a glória de Deus. É a ação de Deus que promove a sua
própria glória, e não as
ações dos homens "Para louvor e glória da sua graça, pela qual
nos fez agradáveis a si no Amado..." (Efésios 1: 6).
Fazer o homem agradável para si é uma ação exclusiva de Deus, sem
qualquer participação do homem. Quando o homem confia em Deus
reconhece sua incapacidade, e é Deus quem faz todas as suas
obras para louvor de sua graça e glória Is 26: 12.
O salmista
pede a Deus misericórdia é aí que evidência que a benignidade de Deus em dar-lhe vida
é a maior expressão de louvor à glória de Deus. Com base nesta idéia
inicial o salmista questiona o fato de na sepultura não se ter
lembrança de Deus. Seria o caso de acreditar que os mostos não tem
consciência? Não! Não é esta a idéia transmitida pelo salmista.
Observe que o salmista distingue morte e sepultura: "Na morte não há
lembrança de Deus", e faz uma pergunta: "Na sepultura, quem poderá
louvar-te?".
Todos quantos esquecem de Deus nesta vida estão mortos perante
Ele, como depreendemos do que o apóstolo Paulo disse aos cristãos
aos Efésios: "Ele vos vivificou, estando vós mortos..." Ef 2:
1. O homem que se esquece de Deus está alijado da vida que há n'Ele,
e é por isso os que não se lembram de socorrer-se de Deus
estão mortos. Ou seja, os que não crêem são os que se esquecem de
Deus enquanto mortos.
Quando o salmista diz que na sepultura não há lembrança de
Deus, é porque somente aqueles que se esquecem de Deus não
terá a alma livre do poder da morte "Os ímpios serão lançados no
inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus" (Salmos 9 : 17). O
salmista através da sua oração demonstra que não se esqueceu de pedir socorro
a quem podia livrar a sua alma. Aqueles que se esquecem de Deus
estão morto, da mesma forma, os mortos não tem lembrança
de Deus.
Quem desce ao sepulcro divorciado da vida que há em Deus
jamais poderá louvá-lo. Os que não se lembram de Deus, os mortos,
quando no sepulcro, não louvam a Deus. Como? Porque estarão em
silêncio e inconscientes? Não é esta a idéia do salmista.
A obra
que Deus realiza no homem louva a sua glória e graça, e tal obra
somente é realizada naqueles que se aproximam de Deus crendo que ele
existe e é galardoador. Aqueles que descem à sepultura estarão em
silêncio, pois não são louvores a graça e glória de Deus. O salmista associa a
idéia de silêncio que envolve o sepulcro com a ausência de louvor à
glória de Deus naqueles que não são obra dele (de novo criados).
Aqueles que se esquecem de Deus aqui neste mundo de maneira
alguma louva à glória e a graça de Deus quando descer à sepultura.
O salmista demonstra sinal
de cansaço pelo seu constante gemido, mas aponta os seus inimigos
como sendo a causa do seu infortúnio e constante choro. O salmo
demonstra que os inimigos de Davi não pertenciam as nações vizinhas.
Os inimigos de Davi não eram os filisteus. Estes eram inimigos de
Israel.
Neste salmo e em muitos outros os inimigos do salmista são todos
aqueles que se deleitam em apontar-lhe os seus erros.
Diante das pessoas que outrora julgavam as suas atitudes e os seus erros,
agora o salmista diz: "Apartai-vos de mim todos os que praticais a
iniqüidade".
Por que os inimigos de Davi estavam na prática da
iniqüidade? Porque eles se ocupavam em acusar o salmista
a partir de seus erros e ações sem levar em conta que Davi confiava
em Deus.
Aqueles que
julgavam Davi por seus erros não sabiam que Deus já havia
demonstrado o seu favor, perdoado-o. O Senhor já tinha ouvido as súplicas do salmista por
misericórdia.
Quando os inimigos do salmista percebessem que Deus
havia acolhido o seu servo com benevolência, e não com ira, ficariam
perturbados. Todos os seus acusadores voltariam envergonhados por
terem lançado acusações a quem Deus recebeu por seu.
Devemos ter o
cuidado de não acusar os servos de Deus de pecado, visto que o servo é
exclusivo do Senhor. Se dissermos que um servo de Deus está caído, é o mesmo
que dizer que Deus não é poderoso o bastante para o sustentar em pé. Além de
estar acusando o servo do Senhor de algo inverídico, a iniqüidade
jaz a porta, visto que tal declaração não está em conformidade com a
divindade: "A mão de Deus não está encolhida para que
não possa salvar" Is 59: 1.
Se é Deus quem
justifica o homem, quem somos nós para julgar os seus servos? Há
um único juiz, que é justo e justificador; e, que a ninguém despreza quando
suplica por auxilio "Volta-te,
SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade".
O Senhor é Deus bondoso e
salva a todos que nele confiam. É a benignidade de Deus que concedeu
forças ao salmista para clamar por salvação. Davi somente evidência
o que todos os homens podem esperar de Deus: se somos filhos
receberemos correção e repreensão, expressão do amor de Deus para os
que são seus.
Se o homem esquece daquele
que pode livrá-lo da condenação, estes receberão ira e furor. Estes
não serão recebidos por filhos. Estas características em Deus são
imutáveis.
O salmista bem sabia
que o Senhor é galardoador
daqueles que o buscam Hb 11: 6, e orou a quem podia livrar a sua alma
da morte e obteve resposta.
"Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele
está em pé ou cai.
Mas estará firme, porque
poderoso é Deus para o firmar"
(Romanos 14 : 4)
Claudio Crispim