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O Filho |
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Salmo II
Este é um dos salmos mais citados no Novo Testamento e em todas as citações ele é aplicado a pessoa de Cristo. Mas, para interpretá-lo corretamente é preciso verificar todas as citações e os contextos na qual foi aplicado:
Este salmo é composto por cinco grupos de idéias. Estas idéias estão intimamente vinculadas, mas para fins de análise, serão analisadas em separado. O salmo apresenta a terra como palco de uma rebelião de reis contra o Ungido de Deus. Estes reis estão sob domínio de Cristo, o Rei dos reis. Se olharmos para o passado histórico da humanidade não encontraremos Jesus de Nazaré na condição de rei. Também não há paralelo na história de que o Ungido de Deus descrito neste salmo seja Davi ou Salomão, visto que o reinado destes dois grandes reis de Israel não alcançaram a dimensão aqui descrita. Os discípulos entenderam que este salmo aplica-se a pessoa de Cristo, e assim deve ser interpretado. Este salmo também chama a atenção pela narrativa: o salmista escreve na condição do próprio ungido de Deus. Não podemos esquecer que a missão primordial dos salmistas era a de profetizar "E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério" (I Crônicas 25: 1). Este salmo apresentar um quadro futurista que ainda não se cumpriu. A forma de registro deste salmo auxilia na memorização, mas a qualidade de cântico não suplanta a profética. .
O salmista questiona a atitude dos reis em tentar combater contra o Criador. Se a insurreição fosse contra um reino humano, não haveria o que questionar, mas o que pretendiam levar a efeito, lutar contra o ungido de Deus é loucura. A descrição do salmista desta insurreição demonstra que será estabelecido um reino futuro cujo rei será o próprio Filho de Deus. Vários profetas deixaram registrado que haverá um dia em que todos os povos haverão de se curvar a Cristo quando na condição de rei Mq 4: 1- 3. Este salmo não apresenta nenhuma figura para descrever o futuro reino do Messias, diferente de outras profecias que utilizam várias figuras. Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará. Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião.
A despeito da atitude dos revoltosos, Deus reafirma que ungiu o seu rei sobre o santo monte, Sião. 'Monte' significa nação. Enquanto os outros povos são descritos como sendo 'outeiros' (grandes nações), Israel é descrito como sendo um monte. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. O reinado de Jesus foi estabelecido por decreto de Deus. Neste ponto verifica-se que o salmista escreve na posição do Ungido de Deus. É como se o próprio Cristo estivesse retransmitindo o que Deus lhe disse: "O Senhor me disse: Tu és meu Filho...". O ungido do Senhor demonstra que o decreto de Deus diz dele: "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei". Por ser Filho do Senhor, por ter sido gerado de Deus, o Ungido demonstra que os fins da terra foram dados por possessão. Qual a possessão (herança) do Filho de Deus? Deus deu por herança a seu Filho os povos e toda a extensão da terra. Deus concede uma herdade ao seu Filho e controle por completo. Todo e qualquer domínio que houver sobre a face da terra será desfeito e passado ao Filho de Deus "Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre" Dn 2: 44. A vara de ferro fala da força do reino estabelecido, e o vaso demonstra a fragilidade dos reinos conquistados. Um característica profunda do salmo segundo, além de ser messiânico e futurista, é demonstrar uma narrativa do ponto de vista do ungido, e não do salmista. O salmo 110 apresenta a narrativa do ponto de vista do salmista. Estas observações são necessárias a uma boa interpretação. Observe que o Senhor disse o seu decreto ao seu ungido diretamente: "Tu és o meu Filho", diferente da declaração de Deus quando registrada pelo salmista: "Disse o Senhor ao meu Senhor" Sl 110: 1. O salmista é servo dos dois Senhores apresentado: Pai e Filho.
Agora, pois, ó reis, sede
prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra.
Servi ao SENHOR com temor, e
alegrai-vos com tremor.
Beijai o Filho, para que se
não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua
ira;
Diante do comportamento dos reis da terra, o ungido de Deus aconselha os revoltosos. Os reis sabem que o domínio foi entregue por Deus a seu Filho, e por que insistem em rebelar-se. A prudência é o melhor caminho aos reis da terra. Deixarem ser instruídos pelo Rei dos reis e servi-lo e alegria constante. Se os reis da terra se submeterem ao ungido do Senhor, estariam servindo a Deus com temor! O servir com tremor é alegria. Deveriam reverenciar o Filho de Deus, que foi ungido como rei sobre toda a terra. Qualquer atitude contrária é provocar a ira de Deus. Uma coisa é certa: a ira de Deus se acenderá, mas aqueles que se deixarem instruir não pereceram. Já aqueles que escolherem o caminho da rebelião beberão do cálice da ira de Deus. Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam. A bem-aventurança decorre da confiança que o homem tem no seu Criador. Todos os reis da terra que se deixarem instruir, estes serão bem-aventurados. Este ultimo versículo demonstra uma realidade em todas as épocas: hoje e sempre a salvação advém de Deus, preparada para aqueles que nele confiam. Não são as ações do homem que agradam a Deus. O homem só agrada a Deus quando reconhece as suas limitações e confia em Deus que é poderoso para salvar. Está é a alegria prometida: a alegria da salvação.
Claudio Crispim
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