Capítulo 3, verso
9 à 19
9 Tu fendeste a terra com
rios.
10 Os montes te viram, e
tremeram; a inundação das águas passou; o abismo deu a
sua voz, levantou ao alto as suas mãos.
11 O sol e a lua pararam nas suas moradas; andaram à luz
das tuas flechas, ao resplendor do relâmpago da tua
lança.
12 Com indignação marchaste pela terra, com ira
trilhaste os gentios.
13 Tu saíste para salvação do teu povo, para salvação do
teu ungido; tu feriste a cabeça da casa do ímpio,
descobrindo o alicerce até ao pescoço. (Selá.)
14 Tu traspassaste com as suas próprias lanças a cabeça
das suas vilas; eles me acometeram tempestuosos para me
espalharem; alegravam-se, como se estivessem para
devorar o pobre em segredo.
15 Tu com os teus cavalos marchaste pelo mar, pela massa
de grandes águas.
16 Ouvindo-o eu, o meu ventre se comoveu, à sua voz
tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus
ossos, e estremeci dentro de mim; no dia da angústia
descansarei, quando subir contra o povo que invadirá com
suas tropas.
17 Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja
fruto na vide; ainda que decepcione o produto da
oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que
as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais
não haja gado;
18 Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus
da minha salvação.
19 O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés
como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas
alturas. (Para o cantor-mor sobre os meus instrumentos
de corda).
Salmodiando ao Senhor
O povo de Israel (rios) causa
uma divisão sobre a terra: temos a nação bem-aventurada e os outros
povos (v. 9). Por Deus ter escolhido a Israel dentre todas as
nações, criou-se uma divisão sobre a terra.
As nações (montes) vêem a glória
do Senhor e ficam apavorados. Diante do Senhor de toda a terra a
inundação (invasão) das nações (muitas águas) passam (v. 10).
O abismo restitui o que deteve, e
levanta as mãos ao alto em sinal de rendição (v. 10).
Os filhos de um homem em sua
virilidade são comparados as flechas na mão de um homem poderoso
"Como flechas
na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade"
(Salmos 127: 4). Habacuque descreve o Senhor como Aquele que
possui um aljava cheia de flechas (Habacuque 3: 9), ou seja, Ele
possui muitos filhos dentre os homens (v. 11).
Diante da glória dos filhos de
Deus, o sol e a lua deixará de cumprir a sua função diária e se
recolherá em sua morada (aposento). Diante do resplendor daquele que
é o Sublime entre os sublimes, o sol e a lua haverá de recolher-se,
pois o Cordeiro de Deus iluminará a cidade santa
"Nunca mais te servirá o sol para luz do dia
nem com o seu resplendor a lua te iluminará; mas o SENHOR será a tua
luz perpétua, e o teu Deus a tua glória" (Isaías 60: 19).
Observe a superioridade da lança
comparado as flechas. O brilho das flechas e o resplendor da lança
será suficiente para iluminar a cidade santa, pois assim como Ele é,
os cristãos serão semelhantes a Ele "E a
cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam,
porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua
lâmpada" (Apocalipse 21: 23).
Cristo foi feito mais sublime que
os seus, e os cristãos, como casa espiritual e habitação do
Altíssimo, serão mais sublimes que os céus, pois assim como Ele é,
serão semelhantes a Ele "Amados, agora somos
filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas
sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele;
porque assim como é o veremos" (I João 3: 2).
Com indignação Cristo marchará
sobre a terra e trilhará as nações. Quando Habacuque escreveu esta
oração profética, ele conseguiu visualizar o Senhor Jesus marchando
sobre a largura da terra. Habacuque não visualiza somente a
Babilônia, antes as nações que se submeterão ao reino de Cristo no
milênio (Salmo 110: 5- 7).
A saída de Deus no dia da batalha
será em defesa do seu povo, os descendentes de Abraão segundo a
carne. Diferente e a ação de Deus para com o seu povo segundo a fé
que teve o crente Abraão, a igreja, os filhos de Deus segundo a fé
em Cristo, pois estarão nas bodas do Cordeiro (João 1: 12- 13). Há
os descendentes de Abraão segundo a carne e os filhos de Abraão
segundo a fé, nomeados também de filhos de Deus.
Ao salvar o seu povo (Israel),
Deus preserva o trono do seu Ungido (v. 3). O 'chefe' da terra da
impiedade será ferido e despido completamente. Quem é (será) o chefe da
terra? O iníquo que haverá de se levantar contra o povo escolhido,
segundo a eficácia de Satanás "E então será
revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca,
e aniquilará pelo esplendor da sua vinda" (II Tessalonicenses
2: 8).
Cristo sairá para livrar o povo de
Israel quando eles forem atacados pelas nações. Eles atacarão o povo
de Israel como se estivessem para devorar o pobre as
ocultas. Eles atinarão que Israel estará indefeso, porém, eles serão
traspassados por suas próprias armas, quando avançarem com o ímpeto
semelhante a das tempestades sobre Israel (Habacuque 3: 14).
Ora, novamente Habacuque utiliza a
figura do mar e das águas para falar das nações (v. 15). Do mesmo
modo, João na ilha de Patmos utilizou a figura das águas e do mar
para fazer referência as nações da terra:
"Então o anjo me disse: As águas que viste, onde se assenta a
prostituta, são povos, multidões, nações e línguas"
(Apocalipse 17: 15).
Ao ouvir a voz do Senhor que
marcha entre os povos da terra, o profeta Habacuque sente temor e
tremor, visto que a sua carne não suporta a voz do Altíssimo. Por
não poder suster-se em pé, Habacuque considera que a podridão
acometeu os seus ossos (v. 16).
Apesar de toda glória revelada, o
profeta aguarda a invasão dos caldeus, que prefigura o dia da
angustia, o tempo da grande tribulação (v. 16b; Mateus 24: 21).
Diante desta revelação
maravilhosa, o profeta que estava orando ao Senhor irrompe em
adoração. Ainda que as maiores adversidades acometesse a existência
de Habacuque,
todavia o profeta estaria alegre no Senhor. O exultar do profeta é a
salvação de Deus, apesar dos contra-tempos desta vida.
Habacuque apresenta um quadro de
transtorno das coisas naturais: não florescer a figueira; a vide não
produzir frutos; a oliveira não produza; os campos não produzam
mantimentos; as ovelhas exterminadas; os currais não tenham gado.
Ora, os homens confiam piamente na natureza, pois ela não os
decepciona. Alegram-se quando vêem o que a natureza produz, porém
não esperam no Deus da nossa salvação.
Ao final da sua oração Habacuque
bendiz ao Senhor. Por confiar em Deus, Ele tornou-se a força do
profeta. Os pés do profeta será ágil e forte como os pés das corças.
As corças andam por lugares inatingíveis a outros animais do campo,
e o profeta, segundo a força do Senhor, trilhará caminhos altos.
Este trecho final da oração de
Habacuque é semelhante a fala de Paulo: "Não
digo isto por necessidade, pois já aprendi a contentar-me em toda e
qualquer situação (...) Posso todas as coisas naquele que me
fortalece" (Filipenses 4: 11- 13). O poder de Deus se
aperfeiçoa na fraqueza dos homens!
Claudio Crispim
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