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Servo e Filho |
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Salmo XVI 1 GUARDA-ME, ó Deus,
porque em ti confio.
Este salmo como muitos outros também é Messiânico "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (João 5: 39). Ou seja, as Escrituras, ou o que chamamos de Velho Testamento fazem referência a Cristo. Entendemos que as Escrituras fazem referência à pessoa de Cristo por ele mesmo ter anunciado este aspecto pertinente ao Antigo Testamento. Pedro declarou que o salmo dezesseis refere-se a Cristo: "Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança; Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo. Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção" At 2: 25- 31. Pedro chegou a conclusão de que este salmo faz referência a pessoa de Cristo ao considerar duas coisas:
Ao lermos os salmos devemos ter em mente estes dois aspectos evidenciados pelo apóstolo Pedro. Considera que os salmistas eram profetas e que os salmos são profecias, fará com que tenhamos uma leitura profícua e uma interpretação segura. O salmista Davi ao escrever este salmo tinha sobre si o Espírito de
Deus que o fez profetizar deixando registrado sentimentos e aspectos que não dizem
de sua própria pessoa. Ele conseguiu, pelo Espírito Eterno fazer
conhecido quais seriam os sentimentos de Cristo quando
estivesse entre os homens. Um escravo não tinha propriedade e a única possessão, por assim dizer, que um escravo detinha era o 'seu' Senhor. Da mesma forma quando Cristo assumiu a condição de servo submeteu-se completamente a vontade do Pai. Este salmo apresenta a realidade de um servo: Cristo como servo não teve possessão neste mundo, antes o Senhor Deus foi a sua única 'possessão'. Por isso a expressão "meu" Senhor, ou o complemento: "Não tenho outro bem além de ti" (v. 2) Lc 22: 42. Somente o que pertence ao Senhor proporciona prazer Aquele que assumiu a condição de Servo. Ser santo é ser separado para uso exclusivo de Deus. Os santos que estão sobre a face da terra foram separados como propriedade exclusiva de Deus, e tão somente eles são o deleite de Cristo (v. 3). Cristo como Servo alegra-se com a possessão do Pai: os santos. De igual forma que Cristo, os escravos, por não terem posses, se alegravam com o que os seus senhores possuíam e adquiriam. Os santos por pertencerem a Deus (propriedades), são a alegria do Servo do Senhor. O que diferencia aqueles que servem a outros deuses daqueles que seguem ao Senhor? Aqueles que seguem após o Senhor, são separados como propriedade e para serviço do Senhor e são nomeados santos! Já aqueles que correm após outros deuses, multiplicarão as suas dores, pois simplesmente entesouram ira para si Sl 17:14. As ações dos que servem ao Senhor não será conforme as ações daqueles que seguem após outros deuses, e Cristo jamais pronunciará os seus nomes. Cristo não guarda qualquer relação com aqueles que seguem após outros deuses (v. 4). O versículo cinco conclui o pensamento exposto do versículo um ao quatro: "O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; tu és o sustentáculo da minha sorte" (v. 5). Utilizando o paralelismo de idéias, o que é próprio à poesia hebraica, verificamos que o Servo do Senhor não possui bens, a não ser o 'seu' Senhor (v. 2), e que Ele se alegra com o fato do seu Senhor ter uma possessão em especial: os santos (v. 3). Entretanto, o versículo cinco demonstra que o Servo do Senhor tem direito a uma herança. É próprio dos servos terem direito a uma herança? Não! Não há como um servo adquirir herança para si, por mais que se empenhe em satisfazer a vontade do seu Senhor. Como é possível a Cristo ter direito a um possessão sendo servo? (v. 5 compare com v. 2). Paulo pode auxiliar na compreensão deste mister: "Digo que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do escravo, ainda que seja senhor de tudo. Ele está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo pai" Gl 4: 1- 2. Em um primeiro momento o salmo demonstra um servo que não possui bens, e em seguida apresenta um servo 'herdeiro'. Como explicar isto? O salmo apresenta Cristo na condição de Servo, porém, no tempo determinado pelo Pai ele haveria de tomar posse da herança, visto que ele é Senhor de tudo. Cristo, na condição de servo, tinha um tempo determinado antes de herdar todas as coisas, e estava aprendendo a obediência por tudo quanto estava passando entre os homens (tutor) "Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu" (Hebreus 5 : 8). Como Cristo confiou e refugiou-se em Deus na condição de Servo, Deus susteve a sorte de Cristo. Desta maneira a posição de Senhor se constituí a herança que Cristo herdou (v. 5). A condição de Senhor é a exata porção da herança que Cristo haveria de herdar ao assentar-se à destra de Deus (v. 11); a exata medida que coube a Cristo (porção) por ter confiado e refugiado em Deus quando na condição de Servo é a posição (herança) de Senhor. O próprio Senhor DEUS é garantia de que o seu Cristo receberia a condição de Senhor "Tu és o sustentáculo da minha sorte" (v. 5). O Servo do Senhor refugiou-se em confiar naquele que haveria de conceder 'aquela glória' que ele tinha antes que houvesse mundo "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse" (João 17: 5). Quando o salmo diz que 'o Senhor é a porção da minha herança', não diz de um prêmio, e sim que a posição de Senhor é a própria medida (porção) da herança de Cristo "... na tua destra delícias perpétuas" (v. 11). Aquele que confiou no seu Senhor na condição de Servo, agora, como Filho, recebe a sua herança conforme o estipulado por um decreto eterno: "Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão" Sl 2: 8; (v. 6). Cristo é o único que na condição de Servo foi capaz de produzir louvores a Deus (v. 7) "Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer" Sl 17: 4. O 'louvarei' estipulado no versículo sete não diz de cânticos entoados, mas sim da obra que foi dada a Cristo realizar e consumar entre os homens. Todos os homens que nascem de Deus se constituem em louvor a glória e graça de Deus Ef 1: 12, pois a nova criação em Cristo é uma obra exclusiva de Deus. Esta obra se constitui em perfeito louvor a Deus. Esta é a verdadeira adoração exigida por Deus: "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram O adorem em espírito e em verdade" Jo 4: 24. Se o homem não nascer de novo (o novo nascimento é uma obra exclusiva de Deus), jamais poderá louvar a Deus na beleza da sua santidade, pois somente a obra realizada pelo Criador pode louvar-lhe. Há uma pequena variação no vocábulo empregada nos salmos e a linguagem utilizada por Pedro: "Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim.
Porque ele está à minha mão direita, não serei abalado" Sl 16: 8. O que há de diferente entre a abordagem de Pedro no N. T. e o das Escrituras (V. T.) é o vocábulo, porém a idéia permanece intacta. Este é o maior benefício da poesia hebraica: mesmo quando há variação de vocábulos, a idéia permanece. A variação entre a citação de Pedro e o que está registrado nos salmos não depõe contra a bíblia. Antes demonstra que a inerrância bíblica é quanto às idéias que são expostas, e não quanto às traduções que a cada dia se avolumam. A idéia bíblica não depende única e exclusivamente de uma tradução 'ipsis literis'. As diferenças de vocábulos entre o Antigo Testamento e as citações que os autores do Novo testamento fizeram pode ter ocorrido por utilizarem traduções diferentes, ou por simplesmente terem registrado o que haviam decorado nas sinagogas. Apesar da discrepâncias entre algumas traduções, o que lemos na bíblia são idéias concisas e precisas devidamente preservadas. Cristo é aquele que colocou o Senhor diante de si, e todos os seus caminhos eram conhecidos pelo Senhor. Desta maneira Cristo sempre via o Pai diante dele. Ao colocar o Senhor diante de si, Cristo sabia que Deus estava à sua mão direita, e que nunca seria abalado. "Portanto está alegre o meu coração, e se regozija a
minha língua; também a minha carne repousará segura" Sl 16: 9; A presença de Deus diante de Cristo era a garantia de que Ele não seria abalado; era motivo de alegria em seu coração; era motivo de confiança até nas questões além da morte, uma vez que a confiança de Cristo o fez entender que o seu corpo haveria de ser preservado. Muitos psicólogos não entendem como Cristo manteve o raciocínio e a serenidade mesmo quando na iminência da morte. A resposta é clara: a confiança em Deus leva a alegria e regozijo! "Porque não deixarás a minha alma no inferno, nem
permitirás que teu Santo veja corrupção" Sl 16: 10; Cristo sabia que por confiar em Deus a sua alma não permaneceria na morte. Que a corrupção que degrada a humanidade não atingiria nem mesmo o seu corpo Mt 26: 61. Apesar de ter assumido a condição de Servo, Cristo sabia da sua real condição diante de Deus: o Santo de Deus. "Tu me fará ver a vereda da vida; na tua presença me
encherás de alegria, com delícias perpétuas a tua direita" Sl 16: 11; A confiança em Deus faz com que os servos de Deus conheçam e trilhem a vereda da vida. É uma ação de Deus para com os seus fazer conhecido os seus caminhos. Conhecer ou ver diz da comunhão com a vida que há em Deus. Na tua presença faz entendermos que Cristo deixou este mundo para habitar o tabernáculo do Senhor Sl 15: 1. Cristo habitará pela eternidade à mão direita de Deus. Claudio Crispim
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