Confiança

 

 

Salmo XI

1 NO SENHOR confio; como dizeis à minha alma: Fugi para a vossa montanha como pássaro?
2 Pois eis que os ímpios armam o arco, põem as flechas na corda, para com elas atirarem, às escuras, aos retos de coração.
3 Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?
4 O SENHOR está no seu santo templo, o trono do SENHOR está nos céus; os seus olhos estão atentos, e as suas pálpebras provam os filhos dos homens.
5 O SENHOR prova o justo; porém ao ímpio e ao que ama a violência odeia a sua alma.
6 Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso; isto será a porção do seu copo.
7 Porque o SENHOR é justo, e ama a justiça; o seu rosto olha para os retos.

 

O salmista ficou indignado com a sugestão que lhe deram de empreender fuga. O salmista afirma confiar em Deus, e como aquelas pessoas tiveram a ousadia de recomendar que ele fugisse e se escondesse da mesma forma que fazem os pássaros?

As pessoas que deram a sugestão para que o salmista fugisse apresentaram a cidade de Jerusalém (vossa montanha), como a única alternativa de segurança. Estas pessoas pensavam estrategicamente e levaram em consideração a condição geográfica da cidade, por ser um altiplano e cercada de vales. Queriam desviar a confiança do salmista que estava em Deus para uma pretensa segurança baseada nas condições geográficas de uma montanha.

A posição geográfica do monte onde ficava a cidade de Jerusalém proporcionaria a qualquer rei da antiguidade uma larga vantagem em suas batalhas, principalmente nos quesitos defensivos e ofensivos. Tal posição oferecia a vantagem de se observar e conhecer a estratégia do inimigo de longe, sem mencionar que a montanha era um território conhecido do salmista.

A montanha do salmista proporcionava dois elementos essenciais quando em guerra: conhecimento do inimigo e conhecimento do terreno onde as batalhas seriam travadas.

As pessoas que deram a sugestão para fugir não consideravam a proteção divina, visto que eles não consideravam que o monte Sião, a montanha do salmista, pertence a Deus. Quando fazem referência ao monte Sião, o local onde se situa a cidade do grande Deus, simplesmente a consideraram como sendo uma simples montanha.

Estas pessoas observaram as condições do salmista e passaram a considerá-lo fragilizado ante as circunstâncias que o cercavam. Diante do perigo iminente, consideravam que a única alternativa para o salmista era fugir e esconder-se como um pássaro.

Pensar estrategicamente, mensurando e ponderando as possibilidades humanas, poderia levar o salmista a deixar de confiar em Deus I Sm 23: 10- 11, mas, o salmista sabia que se Deus não guardar a cidade, em vão a sentinela vigia!

O salmista estava atento e compreendeu que a sugestão de fugir procedeu de corações ímpios. Que estas pessoas não possuíam a mesma visão que ele. O salmista compreendeu que a sugestão para fugir era uma seta lançada pelo ímpio.

Os retos de coração são aqueles que confiam em Deus. Qualquer sugestão que intente levar o reto de coração a deixar de confiar em Deus, será como uma flecha que procede do arco de um coração ímpio. Se o justo acatar a sugestão de deixar de confiar inteiramente no Senhor, é o mesmo que ser atingido por uma flecha mortal! "Por que temeria eu nos dias maus, quando me cercar a iniqüidade dos que me armam ciladas..." Sl 49: 5.

Observe que o salmista aponta os retos de coração como sendo o alvo dos ímpios.

Não é a religiosidade, a legalidade, o comportamento ou a moral que concede ao homem ter um coração reto, antes, os de coração reto diante de Deus são aqueles que nele confiam. Para alcançar a retidão no coração o homem precisa confiar somente no Senhor, que circuncida o coração do homem, desfazendo a condição de pecado herdada em Adão.

Somente quando o homem confia em Deus um novo coração é criado e um novo espírito será concedido, conforme se lê: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto" Sl 51: 10. Um coração reto é alcançado somente por meio da confiança em Deus, e as flechas dos ímpios tem como alvo aqueles que alcançaram um coração reto.

O que poderá fazer o justo uma vez que os fundamentos já estão na eminência de se transtornarem? O versículo três não apresenta um evento que já ocorreu, e sim, algo que já se desencadeou e que terá o se clímax no futuro "Na verdade que os fundamentos se transtornam..." (v. 3). O que poderá fazer o justo diante de um processo que já se desencadeou: já os fundamentos se transtornam? Confiar!

A confiança do justo mostra a direção para onde olhar: O senhor está no seu santo templo!

Os versículos quatro a seis apresenta uma crescente para um clímax com base no que foi apresentado no versículo três.

Os fundamentos serão transtornados no dia em que Deus der a beber aos ímpios do cálice da sua ira, porém, como o juízo de Deus é certo sobre os ímpios, o salmista faz referência ao dia da ira apresentando os fundamentos como já se transtornando.

O salmista demonstra confiar plenamente em Deus e não teme a provação. O anseio do salmista não era ser livre das dificuldades do momento, visto que Deus prova o justo. Ele permanecia confiante, não temendo a provação, pois na eternidade ele receberia o verdadeiro prêmio, contrastado com a porção dos ímpios.

  • Deus está em seu santo templo, ou seja, é em Deus que o homem deve se refugiar;
  • É Deus quem prova os justos - a provação de Deus é para aqueles que são recebidos por filhos e não se compara com a glória futura;
  • No mundo o homem não estará livre de aflições, e por isso não deve temê-las;
  • Se a esperança do homem for só para as coisas deste mundo será o mais miserável dos homens;
  • Esta deve ser a confiança do cristão: que o rosto do Senhor estará voltado em sua direção, enquanto que o cálice dos ímpios será um vento escaldante.

O salmista refugiou-se em Deus que está em seu santo templo observando atentamente os filhos dos homens (v. 4), e o salmista compreende que a sua prova é momentânea e proveniente de DEUS (v. 5). Enquanto o cálice dos ímpios será um vento escaldante (v. 6), aqueles que em Deus confiam terão o rosto do Senhor voltado em suas direções.

A confiança do salmista em Deus vai além dos problemas do dia-a-dia: a salvação de Deus o livrará da ira futura, quando os homem passarem para a eternidade, uma vez que aos ímpios será dado a devida porção Sl 49: 13.

Qualquer tentativa que o homem faça de prover meios para se salvar não agradará a Deus, pois Deus aborrece a violência*, ou seja, aquela pessoa que apresenta as suas ações para se justificar perante Deus "As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos" Is 59: 6.

Todos quantos não confiam em Deus terá sobre as suas cabeças uma chuva de  fogo e enxofre. Terão como bebida um vento escaldante, conforme descrito no livro do Apocalipse, quando os fundamentos serão transtornados Ap 14: 10 "E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira. E toda a ilha fugiu; e os montes não se acharam" Ap 16: 18- 20..

A confiança do salmista decorre da fidelidade divina. Deus é fiel e não pode negar-se a si mesmo, e a sua fidelidade é garantida para aqueles que nele confiam, uma vez que o seu trono está acima de todos: nos céus!

A onipotência, a onipresença e onisciência de Deus são demonstradas pelo salmista através da certeza de que os olhos do Senhor estão atentos. Deus sonda os filhos dos homens e a todos conhece.

Deus tem compromisso com os justos, e por isso os prova. Certo disto, o salmista diz: No Senhor confio! Mas, com relação aos ímpios está reservado a destruição! Deus dará a beber do cálice da sua ira.

A ação de Deus de tratar os ímpios conforme o que merecem é justo. Os ímpios hão de beber do cálice da ira de Deus porque Ele é justo e estes receberão o que entesouraram para si.

Aqueles que confiam em Deus e não atendem ao apelo dos ímpios verão a face do seu Deus.

Aleluia! O salmista confiava em Deus ante as provações sem atentar para as setas que os ímpios lançavam, uma vez que tinha em vista não beber do cálice da ira que está reservado para o tempo em que os fundamentos da terra serão transtornados!

 

Claudio Crispim

* no salmo décimo esta questão é abordada com maior propriedade.

 

 

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