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A Carta de Paulo aos |
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| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | Introdução Há um exercício muito útil na descoberta dos eventos que motivaram o escritor da carta. Durante a leitura é preciso se posicionar como sendo o próprio escritor da carta, questionando as alegações de Paulo da seguinte maneira:
Estas perguntas são essências a compreensão, em certos momentos das cartas, onde não há uma exposição doutrinária, como é o caso de Romanos um, versículo oito a quinze. Outro bom exercício é se posicionar como sendo um dos cristãos romanos que receberam a carta de Paulo. Durante a leitura devemos ter em mente quais eram as expectativas dos leitores, levando em consideração as condições dos cristãos como cidadãos romanos.
Em terceiro lugar devemos reler as outras cartas do apóstolo fazendo comparações entre elas. Conhecer alguns subsídios históricos e geográficos ajudará na leitura, ainda que estes subsídios não são essenciais a compreensão do texto. É bom conhecer que a carta aos Romanos foi escrita em Corinto durante a terceira viagem missionária de Paulo; é bom saber que o escrevente da carta era Tárcio Rm 16: 22, e que Paulo estava hospedado na casa de Gaio, um abastado irmão Rm 16: 23. Porém, o leitor deve estar cônscio de que subsídios históricos e geográficos não auxiliarão na compreensão da doutrina de Cristo, e nem na compreensão de certas nuances do texto. Ora, se sabemos que Paulo escreveu aos Romanos quando estava em Corinto, devemos ler e relacionar os problemas que ele mais abordou nas cartas aos Corinto e perceber certas nuances destes problemas nas abordagens e explanações que faz aos cristãos em Roma. Somente as cartas de Paulo contém subsídios que fará o leitor entender as exposições que ele faz em uma carta em específico. Exemplos: a) Qual a base utilizada para afirmarmos na página anterior que a santificação não é posicional? Em primeira aos Coríntios lemos que Paulo escreveu "... aos santificados em Cristo, chamados para serem santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo..." I Co 1: 2; Paulo também demonstra que aos cristãos foi dado graça, que em tudo foram enriquecidos em Cristo, que nenhum dom falta, e que Deus é fiel e cuidará para que os cristãos permanecessem irrepreensíveis até aquele dia I Co 1: 4- 9; "O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará" I Ts 5: 23- 24 (grifo nosso). Note que é Deus quem nos santifica. Não cabe ao homem tal incumbência, pois esta é uma glória que pertence a Deus. Não é o homem que se separa como propriedade do Senhor, e sim Deus, que o separa para si. Como considerar que aquele que crê em Cristo não é de fato santo, se Jesus é sabedoria, justiça, santificação e redenção Rm 1: 31? Já deixamos de ser imundos, visto que já fomos lavados, santificados, justificados em nome de Cristo I Co 6: 11. Paulo é claro na sua exposição: "E tais fostes alguns de vós" I Co 6: 11. A imundície é algo do passado. Se alguém não entende a extensão da doutrina da santificação, não deve teorizar a respeito do que não entende. Compare: I Co 1: 8; Fl 1: 10; I Pe 5: 10; I Ts 5: 23- 24. b) O evangelho é poder de Deus só para os Romanos? Para quem é salvo o evangelho é poder de Deus e sabedoria de Deus I Co 1: 18 e 24. É por intermédio do evangelho de Deus que o cristão passa a pertencer a Deus; em Cristo Jesus o homem passa a pertencer a Deus I Co 1: 30. Ou seja, todos os que crêem em Cristo pertencem exclusivamente a Deus I Co 6: 19; c) Neste diapasão o apóstolo afirma a liberdade em Cristo: "...todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele" I Co 8: 6.
O evangelho é o tema das cartas de Paulo, e ao escrever aos Romanos não seria diferente, visto que ele sempre propôs aos irmãos conhecerem a Cristo I Co 2: 2. Estas pequenas comparações entre as cartas levará o leitor a perceber que, quando Paulo identificava um problema que havia se instalado em uma igreja, ele acabava por se antecipar e escrevia a outras igrejas antes que estes problemas acabasse por influenciar tais igrejas. Como Paulo sempre enfatizou a liberdade em Cristo demonstrando o fim da lei em Cristo, muitos judaizantes questionavam a autoridade e as mensagens de Paulo. Estes diziam que Paulo era carnal II Co 10: 2- 3. Paulo por sua vez demonstra que não adianta ter zelo de Deus sem entendimento Rm 10: 2, visto que, Cristo é o fim da lei para justiça de todos quantos crerem Rm 8: 4. Por algumas pessoas dizerem que Paulo era carnal na igreja de Corinto, ele se antecipa e escreveu demonstrando aos cristãos em Roma que ele não andava segundo a carne. Outro aspecto pertinente a uma carta está na construção de idéias. Uma carta não utiliza definições ou conceitos como é próprio dos livros. Diferente dos livros, onde o público alvo é indefinido, as cartas bíblicas tem um público alvo específico. As cartas eram direcionadas aos cristãos especificadamente. Uma carta é construída através de desenvolvimento de idéias. de argumentações com bases nessas idéias e sentimentos comuns ao remetente e ao destinatário. Geralmente se escreve uma carta a alguém que mantém algum vínculo pessoal com o escritor, aspecto este que não existe entre um autor e os leitores de livros. Em uma carta já existe uma linguagem que é comum ao escritor e aos destinatários. Já em um livro é necessário a construção de uma linguagem, principalmente por meio de conceitos e definições, e quase sempre amparado por signos lingüísticos contemporâneos ao escritor e leitores. Em uma carta o prefácio e a saudação devem ser analisados em aspectos absolutos. Entendemos que Paulo era 'servo de Cristo' e chamado para o 'apostolado' de modo absoluto, e isto implica que devemos considerar que Paulo escreveu a 'santos' e 'amados de Deus' em absoluto Rm 1: 1- 7. É um contra senso tomar as palavras do apóstolo Paulo em sentido absoluto quando ele declara ser servo de Cristo e apóstolo, e no mesmo contexto entender que os cristãos são santos em sentido relativo. Paulo em suas cartas escreve as igrejas de Deus, pessoas que foram chamadas para serem propriedades de Deus por meio de Cristo Rm 1: 6. Não há como considerar estas declarações de Paulo em sentido relativo. Os motivos da escrita de uma carta são inúmeros, e para determiná-los é preciso estudar os vários escritos do remetente e a sua relação com os destinatários. Já em um livro, temos a introdução ou o prefácio, onde os motivos e objetivos do escritos já vem explicitados. Considerando estes aspectos, estaremos aptos a estudar e compreender melhor as cartas bíblicas.
Continuação... 16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Paulo demonstra prontidão quanto a ir a Roma sem ter qualquer obstes
quanto ao evangelho. Alguém poderia dar a entender que Paulo ainda não teria ido a
Roma por ter vergonha de evangelizar entre os seus concidadãos. Paulo é
enfático: "Não me envergonho do evangelho...". O evangelho é a boas novas de Deus aos homens. Como boas novas do reino ele é anunciada na forma de convite, e a todos quantos ouvirem. Quem ainda não creu no nome de Cristo está na condição de chamados "... nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus" I Co 1: 23- 24. Após aceitar o convite do evangelho, o homem passa a condição de 'eleito', ou 'vocacionado'. Quem crê passa a condição de 'eleito': "Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados" I Co 1: 26. Aqueles que crêem no evangelho, ou seja, que crêem no nome de Jesus, estes recebem poder para salvação. Estes são feitos (criados) novamente na condição de filhos de Deus. Não há qualquer impedimento para a salvação daqueles que crêem. Deus transforma tanto gregos como judeus em seus filhos através do poder que o evangelho de Cristo contém. Observe que esta abordagem Paulo faz em quase todas as suas cartas: a universalidade do evangelho. 17 Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé. No evangelho de Cristo a JUSTIÇA de Deus torna-se conhecida dos homens. A descoberta da justiça de Deus, ou o conhecimento da justiça de Deus não é um conhecimento vinculado à considerações filosóficas. Antes a justiça de Deus torna-se conhecida por se manifestar na vida daqueles que tem fé em Cristo. Paulo fala de um conhecimento experimental, e não da compreensão que satisfaça as indagações humanas. Como entender que a justiça de Deus é de fé em fé? O parâmetro para entendermos a declaração de Paulo encontra-se no trecho que ele cita das escrituras: "Mas o justo viverá da fé" Hc 2: 4. O livro de Habacuque contém os elementos necessários a compreensão do texto de Paulo.
Esta idéia do texto de Habacuque é retransmitida aos cristãos em Roma. Em conformidade com que Deus disse a Habacuque: "O justo vivera da fé", Paulo demonstra que o evangelho é poder que concede vida aos homens, por intermédio do evangelho, que é Cristo, Deus cria filhos para Si Jo 1: 12, revelando as bases da sua justiça "nele se descobre a justiça de Deus":
A justiça de Deus é de fé em fé, ou seja, todos quantos crêem devem permanecer confiantes como Habacuque. A obra perfeita que a fé realiza é nomeada de perseverança. Quem crê em Deus, nele persevera.
A idéia que Paulo expõe nestes dois versículos será concluída depois de uma extensa argumentação. Perceba que Paulo concluirá esta exposição inicial acerca do evangelho lá no capítulo três, versículo vinte e um: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé (...) Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença" Rm 1: 16- 17 e Rm 3: 21- 22. O leitor da carta aos Romanos precisa estar atento as argumentações e a idéia principal que está sendo desenvolvida. Qual a idéia básica desenvolvida por Paulo? O evangelho é poder de Deus para salvação de todos quantos crerem! Esta idéia será mantida por toda carta. Paulo a apresenta no capítulo primeiro, versos 16 e 17, e continua no capítulo três, versos 21 e 22. Porém, entre as exposições da idéia principal, há as argumentações que são as bases que dão sustentação a idéia principal. O estudo que se segue é sobre uma das argumentações de Paulo que dá suporte a idéia da salvação por meio do evangelho de Cristo e que desmente a concepção de que Paulo era libertino (sensual, lascivo ou devasso).
A Depravação da Humanidade
Paulo reitera aos cristãos que a ira de Deus se manifesta contra a impiedade e injustiça, porém os descrentes não sabem desta realidade descrita no versículo dezoito. Os cristãos conhecem e entendem que a ira de Deus é a retribuição pelas injustiças e impiedades praticadas pelos homens; também compreendem que o juízo de Deus se deu em Adão, porém, no dia da ira também será dado a conhecer o juízo de Deus que se deu em Adão, e que os homens desconhecem Rm 2: 5. Aprendemos em Habacuque que o maior problema do homem está na falta de fé em Deus, e não nas impiedades e injustiça praticadas pelos homens; esta verdade é repetida por Paulo ao demonstrar que o maior problema do homem persiste quando ele detém a verdade pela injustiça. Com base nestas informações iniciais a estrutura de idéia destes dois versículos fica assim: "Do céu se manifesta a ira de de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça, visto que o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lhes manifestou" (v. 16 e 17). Da mesma forma que os cristãos entendiam que o evangelho é poder de Deus para salvação, eles também entendiam que a ira de Deus se manifesta desde os céus sobre as impiedade dos homens que não crêem em Deus (homens que detêm a verdade em injustiça). A oração 'visto que o que de Deus se pode conhecer' na gramática portuguesa é uma Oração Subordinada Adverbial Causal, caracterizada pela conjunção 'visto que', pois funciona como uma adjunto adverbial de causa. A idéia que foi exposta na primeira oração é complementada pela oração seguinte que expõe o que deu causa à idéia. Ou seja, a ira de Deus se manifesta sobre os homens que detém a verdade em injustiça porque esta é a única coisa que eles podem conhecer de Deus. Devemos ter em mente que todas as colocações de Paulo foram feitas a cristãos, e portanto, dentro da compreensão que era pertinente a todos eles. 18 Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. O que aprendemos com a citação de Habacuque também se aplica deste versículo até o versículo trinta e dois: a depravação da humanidade é uma evidência da falta de fé em Deus, e não o pior problema da humanidade. A depravação que Paulo descreve em linhas gerais não é o pior mal da humanidade, antes indica algo de maior gravidade e que aprisiona a humanidade: o pecado da incredulidade! Da mesma forma que Habacuque se ocupava em questionar a justiça de Deus por causa de questões sociais, éticas e morais, hoje muitos questionam a justiça de Deus por causa dos problemas da sociedade. Por que tantas injustiças? Por que tanta violência? Será que Deus não está vendo? Hc 1: 3- 4. Da mesma forma que a justiça de Deus se manifesta por meio da verdade do evangelho e os homens não conseguem ver, a ira de Deus se manifesta sobre a impiedade e injustiça dos homens, e eles também não conseguem ver. Os homens que detém a verdade
em injustiça são a peça chave na leitura deste capítulo. A fé é o
elemento pelo qual o homem alcança a justiça de Deus, e a incredulidade
é o elemento que detém a ação da verdade, permanecendo a injustiça. O
evangelho de Cristo revela a justiça de Deus aos homens, e estes, quando
não crêem em Cristo, detêm a verdade em injustiça. 19 Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Somente aqueles que crêem na mensagem do evangelho descobrem a justiça de Deus, pois é isto que o evangelho manifesta a todos quantos crêem. Já aos incrédulos é dado conhecer a ira de Deus, pois mesmo eles não sabendo, a ira de Deus se manifesta neles. Deus manifestou a sua ira sobre os homens que detém a verdade de Deus em injustiça. Visto que os homens vivem em impiedade e em injustiças, a eles compete a ira de Deus. Neles se manifesta a ira de Deus porque é a única coisa de Deus que eles 'podem' conhecer. Os justo não conhecerão a ira, antes terão gozo e paz no espírito Santo, pois não é pertinente a eles conhecer a ira. Aqueles que não crêem terão contato única e exclusivamente com a ira de Deus, pois é isto que eles tem entesourado para si. A ira de Deus se há manifestado entre eles, visto que Deus deixou todos eles entregues as concupiscências de seus corações impenitentes (v. 24). Compete a eles a ira de Deus por serem filhos da ira e vasos da ira, preparados para a perdição Rm 9: 21- 23. Não podemos perder de vista que a culpabilidade dos homens é em decorrência da condenação em Adão, e não por questões morais e comportamentais (impiedade e injustiças). Permanece a condenação e serão alvos da ira de Deus por não crerem na verdade, conforme o exposto por Cristo: "Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no unigênito Filho de Deus" Jo 3: 18.
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Claudio Crispim
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