A Carta de Paulo aos
Romanos

 

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Introdução

Paulo expõe aos cristãos de Roma que os atributos de Deus, bem como o seu eterno poder e sua divindade são facilmente perceptíveis por tudo quanto está criado por Deus.

Ao analisarmos esta declaração de Paulo, devemos ter em mente que ele estava escrevendo a cristãos e que é próprio a eles ver os atributos de Deus na criação.

Paulo destaca que Deus 'manifesta' a sua ira sobre a impiedade e a injustiça, é que a ira é algo que somente os injustos podem conhecer. Porém, os ímpios à época de Paulo tinham ciência, ou melhor, sabiam que a ira de Deus se 'manifestava' neles? Os descrentes desconheciam esta verdade! Por que? Porque o texto é uma explanação do apóstolo que demonstra aos cristãos uma realidade pertinente aos injustos. Os injustos são sujeitos da ira de Deus (neles se manifesta a ira), porém, este não é um conhecimento pertinente aos incrédulos. Eles não sabem, ou melhor, não têm ciência de que são sujeitos da ira.

Lembre-se que há o conhecer de 'ciência', ou 'estar informado a respeito de', e o conhecer cristão, que é 'Deus em nós e nós nele'. O conhecer do cristão refere-se a união com Cristo.

Quando Paulo fala que as evidências presentes na criação depõe contra os homens que detêm a verdade em injustiça, ele fala de um conhecimento (ciência) que não é de total domínio dos incrédulos. Os incrédulos não conseguem perceber que a natureza depõe contra eles quando revela a existência de Deus.

O papel da natureza é duplo: a) revela a existência de Deus e desperta a curiosidade de conhecê-lo melhor, e; b) depõe contra aqueles que souberam da existência de Deus e não se importaram de ter conhecimento de Deus (v. 28).

O conhecimento proveniente da natureza não condena o homem. A condenação é proveniente da queda em Adão, e o conhecimento da existência de Deus através da natureza somente depõe contra os homens, deixando-os sem qualquer desculpa pelo proceder inconveniente que adotaram neste mundo.

Os incrédulos, ao observarem a natureza, souberam da existência de Deus, ou seja, 'pelas coisas que foram criadas'. Já o entendimento dos cristãos é mais amplo diante das mesmas coisas criadas; os cristãos conseguem ver claramente e entender 'os atributos invisíveis de Deus, a criação do mundo, o eterno poder de Deus e a divindade'. Ver e entender claramente é algo pertinente aos cristãos, já os incrédulos tem contato com as coisas criadas, e por isso são inescusáveis quando agem em impiamente.

Ao olhar a natureza é possível 'entender' e 'ver' os atributos de Deus e o seu eterno poder? Observe que os atributos de Deus são invisíveis! É possível entender e ver a criação do mundo? É possível entender e ver que o poder de Deus é eterno? Não! Este conhecimento é restrito aos cristãos, que são informados destas verdades através das Escrituras.

Agora, o que os cristãos claramente viam e entendiam (a manifestação da ira, os atributos invisíveis de Deus, o eterno poder), os incrédulos também adquiriram 'conhecimento' de Deus por meio das coisas criadas. O conhecimento deles não equivale ao conhecimento dos cristãos: através da natureza somente é possível perceber a existência de Deus, o que não os livra da condenação em Adão! O conhecimento que os incrédulos adquiriram da natureza não os conduz a Deus, antes, os seus raciocínios tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram e não buscaram a Deus.

Os homens que detêm a verdade em injustiça já estão debaixo de condenação herdada de Adão, e se mantém inescusáveis quanto as suas ações, visto que souberam da existência de Deus por meio das coisas que foram criadas, mas não deram a devida importância a tal conhecimento e não buscando a Deus. Antes, as suas ações se diversificaram segundo os seus corações e pensamentos, e somente entesouram ira para si Rm 2: 5.

A ira de Deus a se manifestar é quanto as ações dos homens, visto que o juízo já foi estabelecido quanto à queda de Adão. A queda trouxe o juízo de Deus, mas as ações dos homens trará a ira e a indignação de Deus.

Por que eles se mantém culpáveis diante de Deus? Porque a natureza evidencia que Deus existe, dando aos homens a primeira condição para que creiam em Deus, conforme foi demonstrado aos cristãos Hebreus: "...é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe..." Hb 11: 6.  A criação apresenta a primeira condição necessária para que o homem se aproxime de Deus: dá a conhecer a existência de Deus.

A criação nunca substituiu o evangelho e não tem condição de 'revelar' a plenitude de Deus aos homens. Somente Jesus, o unigênito de Deus, revelou e revela Deus aos homens Jo 1: 18, dando as condições necessárias para que se creia que 'Deus existe', e é 'galardoador dos que o buscam' Hb 11:6.

Saber que Deus existe não livra ninguém da condenação eterna; saber que Deus existe não livra ninguém da condenação do pecado (vide o caso de Caim, que mesmo sabendo da existência de Deus, matou o seu irmão).

A natureza 'revela' que Deus existe, porém ela é limitada. A natureza não faz o homem se aproximar de Deus! Somente aqueles que aceitam a verdade do evangelho é que tem acesso a Deus, visto que Jesus é o caminho a verdade e a vida "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14: 6). O conhecimento evidenciado pela natureza jamais conduzirá homem algum a Deus.

Entender que é possível alguém ser salvo através da 'revelação' da natureza é temerário, pois:

1ª) Os judeus tinham conhecimento impar de Deus através do que revelava o Antigo Testamento, e mesmo assim, muitos se desviaram após outros deuses;
2ª) Esta idéia não coaduna com o exposto por Paulo: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" Rm 9: 22; muitos questionam a justiça de Deus, visto que nem todos os homens ouviram a mensagem do evangelho. Porém, estes esquecem que os vasos da ira foram preparados para a perdição. "Que diremos? Há injustiça da parte de Deus?" Rm 9: 14;
3ª) Alegar que Deus julgará o homem com relação as suas obras através do conhecimento recebido não é bíblico, visto que só o fato de ir a julgamento já demonstra a culpabilidade do homem Rm 2: 12.

A ação dos homens, mesmo tendo conhecimento ('ciência') da existência de Deus, foi o de criarem deuses para si. 

 

Continuação...

20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

Os homens que detêm a verdade pela injustiça permanecem no estado de culpabilidade diante de Deus, mesmo quando é perfeitamente possível entender e ver por meio das coisas criadas, que existe um Deus. A culpabilidade da humanidade se deu em Adão, onde os homens passaram a ser filhos da desobediência e da ira.

Os homens que detém a verdade em injustiça permanecem na perdição (culpáveis). A incredulidade dos homens que detém a verdade em injustiça não depõe somente contra o evangelho de Cristo, que é a verdade. A incredulidade se opõe até em coisas por demais evidentes, como as que foram criadas por Deus.

O leitor deve perceber que a argumentação de Paulo é direcionada a cristãos. Dentro desta idéia, Paulo demonstra que observar a natureza e entender que Deus existe não absolve o homem de sua culpa. Constatar que Deus existe através das coisas criadas por Deus serve somente para que os homens que detém a verdade em injustiça fiquem inescusáveis.

O homem tornou-se culpável em Adão, e quando ele entende que Deus existe através da coisas criadas, torna-se indesculpável. Os elementos que a natureza apresenta, apresenta tão somente para que o homem permaneça inescusável diante de Deus.

21 Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23 E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

Os homens poderiam inquirir a respeito de Deus quando em contato com as coisas criadas, porém, permaneceram inescusáveis, pois souberam da existência de Deus por meio de suas obras e não lhe renderam graças e nem a glória devida.
Este versículo deve ser analisado com a idéia que a carta aos Hebreus apresenta: "
Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11 : 6).

Ora, se é necessário crer que Deus existe para poder se aproximar dele, a natureza é uma grande aliada, pois o que ela apresenta declara que há um Deus. Apesar dos homens terem conhecimento da existência de Deus, acabaram criando discursos fúteis e seguiram o curso de um coração impenitente herdado em Adão. O ato de renderem adoração as imagens de escultura demonstra o quanto o homem se distanciou do Criador.

A natureza apresenta uma verdade, porém, ela não consegue aproximar o homem de Deus. Somente a verdade do evangelho pode reconciliar o homem com Deus.

A sabedoria do homem, as suas questões filosóficas os faz inculcar que são sábios, porém, a sabedoria dos homens é loucura perante Deus. As investigações dos homens se demonstram ineficazes, e só distancia o homem de Deus. Eles tornaram-se loucos por concluírem que não precisam de Deus, visto que criam deuses para si.

24 Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; 25 Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.

A ira de Deus começa a revelar-se nos homens que detém a verdade em injustiça pelo fato de estarem entregues as concupiscências de seus corações.

26 Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27 E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.

O apóstolo Paulo descreve o comportamento dos homens que rejeitaram a Deus e seguem as concupiscências de seus corações. As dissoluções, rebeldias e infâmias é resultado da entrega as concupiscências do coração e abandono às paixões infames.

28 E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; 29 Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30 Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; 31 Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;

O maior problema da humanidade reside em não se importar em ter conhecimento de Deus. Enquanto o homem não considera em seu coração que Deus existe e que é galardoador daqueles que o buscam, ficam entregues a um sentimento perverso. A disposição mental daqueles que desprezam o conhecimento de Deus é totalmente reprovável.

32 Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

Mesmo não se importando em ter conhecimento de Deus os homens não podem negar o testemunho da consciência. Mesmo sabendo que são passíveis de morte quem pratica as ações descritas acima, quem não se importa em ter conhecimento de Deus não somente as fazem, como também consentem com quem as pratica.

 

Os homens cheios de malignidade conhecem a justiça de Deus através de uma lei interna e da consciência Rm 2: 15. Eles sabem que as suas ações são reprováveis diante de Deus, porém permanecem na prática desenfreada da maldade.

Este trecho da carta aos Romanos (v. 18- 32) tem o objetivo de demonstrar que jamais Paulo apregoou que é necessário fazer o mal, para que o bem venha Rm 3: 8. Este trecho depõe contra a malignidade da humanidade, demonstrando que quem pratica tais coisa são reprováveis perante Deus.

O capítulo seguinte apresenta homens que se escudam em acusar o semelhante, mas a condição deles é a mesma que os mais infames dos homens; eles também são reprováveis diante de Deus.

 

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Claudio Crispim

 

 
 

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