A Carta de Paulo aos
Romanos

 

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Introdução

Há vários quesitos a serem observados quanto à interpretação das cartas bíblicas. No decorrer deste estudo sobre a carta aos Romanos destacaremos vários quesitos necessários a uma interpretação segura.

Em primeiro lugar faz-se necessário ler o texto da carta desconsiderando as divisões em capítulos e versículos. O leitor deve ter em mente que as divisões foram feitas somente para auxiliar na localização de frases nos textos, e que elas não guardam vínculos com a estrutura de idéias que a carta desenvolve.

Caso o leitor interprete o capítulo um da carta aos Romanos sem considerar os capítulo dois e três poderá incorrer em vários erros.

Em segundo lugar é necessário contextualizar a carta com aspectos pertinentes a vida do remetente. A contextualização não deve se ater a eventos históricos, onde se destacam somente elementos pertinentes a sociedade de então. Devemos ter em mente que a contextualização histórica e sociocultural auxiliam em muito na compreensão da sociedade da época do apóstolo Paulo, porém, pouco auxilia na compreensão das nuances que firmam a idéia que o apóstolo procurou transmitir.

Devemos ler a carta como um texto uníssono, isto é, sem divisões, fazer uma interpretação deste texto e depreender aspectos importantes da mensagem que o escritor da carta é acostumado a desenvolver. Depois é preciso aplicá-la à idéia geral que a carta procura transmitir. Para compreendermos o capítulo um da carta aos Romanos seguimos o seguinte raciocínio:

a) O apóstolo Paulo geralmente enfatiza em suas cartas a liberdade do cristão decorrente do evangelho de Cristo I Co 8: 9; 10: 29; Gl 2: 4; Gl 5: 13;

b) Pela postura do apóstolo em enfatizar a liberdade em Cristo, algumas pessoas passaram a considerar e a divulgar que Paulo andava segundo a carne, ou seja, que ele incentivava a libertinagem  II Co 10: 2; Gl 5: 13;

c) A postura de algumas pessoas era a de que o apóstolo Paulo andava segundo a carne, e não consideravam que a mensagem do apóstolo Paulo e a do apóstolo Pedro são idênticas I Pe 2: 16;

d) O apóstolo prevendo que tais pessoas já haviam se introduzido em meio aos cristãos de Roma, visto que, até aquele momento ele fora impedido de visitá-los, Paulo dá início a carta com um discurso incisivo demonstrando o quanto é condenável a humanidade sem Deus "Do céu se manifesta a ira de Deus sobre a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça" Rm 1: 18;

e) O discurso que o apóstolo apresenta no capitulo um da carta aos Romanos, do versículo dezoito ao trinta e dois, tem o objetivo de cativar as pessoas que consideravam o apóstolo propagador de uma vivencia desregrada, enlaçando-os em seus próprios argumentos. Porém, como é próprio ao apóstolo, o capítulo dois demonstra que não há diferença entre os homens, sejam eles quem forem. Rm 2: 1.

Observe que a idéia da carta é única, e não se restringe as divisões em capítulos.

Durante a interpretação não podemos perder de vista que:

a) a salvação é pela graça e por meio da fé somente Ef 2: 8;
b) a condenação da humanidade se deu em Adão "Pois assim como por uma ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação..." Rm 5: 18, e;
c) a ira de Deus sobre a humanidade não é em decorrência da depravação ética e moral; a ira de Deus repousa sobre a humanidade porque estes são filhos da desobediência, filhos da ira e filhos de Adão Ef 2: 2- 3.

Qualquer interpretação que destoe das proposições acima deve ser desconsiderada. Caso alguém interprete um texto e conclua que a salvação é por obras, deve rever a sua análise, pois esta não foi a idéia que o escritor procurou transmitir.

Os judaizantes, os legalista, os moralistas e os formalistas sempre se empenharam em demonstrar o quanto a humanidade está perdida apontando as depravações dos pagãos. Paulo, por sua vez demonstra que a humanidade está perdida, não por questões comportamentais e morais, e sim, por todos estarem debaixo do pecado Rm 3: 9- 19.

O homem é pecador porque foi concebido nesta condição Sl 51: 4. O pecado está vinculado diretamente a natureza do homem, e não às suas ações. O homem é pecador por ter nascido da semente corruptível de Adão, vendido como escravo, e sob condenação "Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores..." Rm 5: 18.

Descobrir o que motivou o escritor da carta é o terceiro quesito que auxilia, em muito, a interpretação de uma carta.

Com esta análise prévia conseguimos evidenciar o objetivo primário do apóstolo quando descreve a depravação da humanidade: fazer calar a boca daqueles que diziam que Paulo apregoava ser necessário fazer o mal, para que venham bens "Façamos males, para que venham bens?" Rm 3: 8.

 

 

Capítulo I

Apresentação Pessoal e do Ministério

1 PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus,

O apóstolo Paulo dá inicio a sua carta aos cristãos em Roma com uma apresentação pessoal. Ele se considera servo de Cristo e utiliza um termo que deriva do verbo 'deo'  que significa ligar, algemar, aprisionar. Paulo entendia ser prisioneiro de Cristo, ligado ao serviço do seu Senhor.
Paulo demonstra que foi chamado para ser apóstolo. Observe que a posição de apóstolo não foi imposta a Paulo, antes ele foi chamado para o apostolado. Não há como alguém ser chamado para o apostolado sem se submeter ao senhorio de Cristo. Um descrente não teria como ser chamado para desempenhar a missão de apóstolo.
O evangelho é um chamado aos descrentes, que se crerem, estarão habilitados para a salvação. Porém, o chamado do evangelho não habilita o crente para o apostolado. O chamado para o apostolado é distinto do chamado do evangelho. Este chamado é para o serviço no evangelho, e aquele para tornar-se possessão do Senhor.
Paulo estava cônscio da sua missão: foi separado para anunciar as boas novas do evangelho de Deus.
 

2 O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, 3 Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, 4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,

O Velho Testamento é nomeado por Paulo de Sagradas Escrituras. Para ele o A. T. contém as promessas de Deus acerca do seu Filho, Jesus.
O evangelho é especificamente o que foi prometido por Deus por intermédio dos seus profetas.
Paulo concorda a uma só voz com o seu Mestre: As Santas Escrituras testemunham acerca de Cristo Jo 5: 39.
O evangelho não é fruto da cabeça do apóstolo. Ele demonstra que a ele foi revelado os mistérios das Santas Escrituras "
O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos" (Colossenses 1: 26).

O apóstolo Paulo disserta sobre o vínculo de Jesus com Deus e com o rei Davi. Paulo faz um pequeno adendo para explicar alguns aspectos acerca do Cristo prometido nas escrituras, a quem ele serviu por meio do evangelho.

Para entendermos quem é o Cristo de Deus prometido nas escrituras através dos profetas é preciso compreendermos que:

Arrumar esta frase abaixo distinção relação

a) Na eternidade não havia a RELAÇÃO Pai e Filho entre as pessoas da divindade, ou seja, na eternidade a relação, que hoje conhecemos nas pessoas da divindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, não existia. Quando o apóstolo João fez referência a Cristo na eternidade, ele o chama de Verbo Divino Jo 1: 1. A palavra grega traduzida por 'Verbo' (grego=Logos, e aramaico=Memra, palavra que foi utilizada na tradução do Velho Testamento como uma designação de Deus), significa pensamento ou conceito, e João a utiliza para designar a pessoa da divindade que fez todas as coisas e estava no princípio com Deus, e que se fez carne e habitou entre os homens "Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez" Jo 1: 2- 3. Desta maneira o apóstolo João demonstrou que, em essência, o Cristo antes de se fazer carne possuía os mesmos atributos da divindade em plenitude "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" Jo 1: 1;

b) O dia que Cristo haveria de se fazer carne é descrito pelos profetas como sendo 'hoje' "Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei" (Salmos 2: 7). O Verbo de Deus ao ser introduzido no mundo passou a ser denominado de 'Filho', o único gerado de Deus, ou seja, quando Cristo foi gerado pelo Espírito Eterno no tempo predeterminado e denominado hoje, Deus o chamou de Filho por tê-lo gerado no mundo dos homens;

c) Este aspecto da filiação de Cristo foi revelado a Davi: quando o Espírito Eterno fez gerar uma criança no ventre de Maria, cumpriu-se o que foi predito pelo profeta Natã a Davi: "Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho" II Sm 7: 14. Como na eternidade não havia a relação Pai & Filho entre as pessoas da divindade, estas pessoas acordaram entre si (Deus eterno e o Verbo eterno), e estabeleceram que quando Cristo fosse introduzido no mundo, a relação Pai e Filho seria efetivada entre eles: "Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho". Ao ser introduzido Cristo no mundo, o primeiro homem gerado de Deus (primogênito), visto que Adão foi o primeiro homem criado, a relação Pai e Filho se estabeleceu. Prova disto é que, ao ser introduzido o primogênito no mundo foi dada a determinação aos seres celestiais: "Todos os anjos de Deus o adorem" Hb 1: 6;

d) Cristo despojou-se da sua glória e passou a condição de Filho na relação pré-estabelecida na eternidade e que foi prometida por Deus por intermédio de Natã. Antes de se fazer carne, o Verbo de Deus 'era' o resplendor da glória de Deus Hb 1: 3; Mesmo após despojar-se da sua glória, Cristo, quando introduzido no mundo, continuou a receber adoração, tanto dos anjos, quanto dos homens Jo 1: 14. Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo!

Através do livro dos Gênesis conhecemos que todos os homens, quando nascem, são filhos de Adão segundo a carne. Cristo, o Verbo de Deus, não nasceu na mesma condição dos homens, visto que ele não foi concebido em pecado da mesma forma que o foi o rei Davi Sl 51: 5. O Espírito de Deus misteriosamente fez Maria conceber, o que tornou Cristo livre do pecado de Adão "Descerá sobre ti o Espírito santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" Lc 1: 35.

Cristo nasceu com um corpo carnal, porém não foi gerado segundo a carne. Para ser gerado segundo a carne João demonstra em seu evangelho que é necessário nascer do sangue, da vontade da carne e da vontade do homem Jo 1: 13. Ou seja, jamais Cristo teve qualquer relação com a semente corruptível de Adão.

A única relação de Cristo com a carne ficou por conta de Maria, uma descendente da linhagem de Davi, o que deu direito a seu descendente se assentar sobre o trono de Davi. Por meio de Maria, Cristo passou a ter direito sobre o trono de Davi, mas o pecado de Adão não o alcançou, visto que, Cristo não nasceu da vontade do varão "Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no SENHOR" I Co 11: 11. Observe que os nossos pais no Éden somente reconheceram que estavam nus após Adão comer do fruto, ou seja, a vontade do varão fala da união "homem e mulher". Eva comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, e não 'viu' que estava nua. O estado pecaminoso se efetivou somente após Adão comer do que foi oferecido por Eva.

Quando Paulo diz que Jesus veio segundo a carne da descendência do rei Davi, demonstra que Cristo tornou-se homem como um de nós, e participou de todas as nossas 'fraquezas' , porém, com direitos plenos ao trono de Davi Hb 4: 15.

Outro aspecto da filiação divina se deu na ressurreição dentre os mortos. A ressurreição é uma declaração de Deus que Cristo é o seu Filho.

Deus é Espírito de santificação. Pelo fato de Cristo ter sido gerado de Deus, ele permaneceu um ente santo "Por isso o ente santo que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" Lc 1: 35; Jo 1: 12- 13. O Cristo do qual o apóstolo Paulo tornou-se servo e fez referência aos cristãos em Roma, é aquele que ressurgiu dentre os mortos. A ressurreição, para Paulo, se constitui em evidência clara de que Cristo é o primogênito de Deus e Senhor de todos os cristãos II Co 5: 16.

5 Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, 6 Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

Por intermédio de Cristo, Paulo recebeu em primeiramente graça. Graça é o favor imerecido de Deus que dá ao homem salvação. O apostolado diz de certas pessoas que foram chamadas e ensinadas por Cristo pessoalmente. Estas pessoas foram ensinadas e comissionadas para continuar o ministério de Cristo, proclamando a verdade do evangelho com autoridade.

A mensagem do evangelho é recebida por fé, e por isso o apóstolo utiliza a palavra fé em lugar da palavra 'evangelho'. A mensagem do evangelho é anunciada a todos, e quem recebe a mensagem, a recebe por fé. Obedecemos a mensagem do evangelho, o que se constitui obediência da fé.

A mensagem do evangelho alcança a todas as gentes chamando-as para serem propriedades exclusiva de Cristo. O evangelho convoca dentre os povos, todos os homens para serem servos de Cristo, incluindo judeus e gregos. O evangelho de Cristo não exclui os Romanos, que eram a grande potência econômica e bélica daquela época "Entre as quais sois vós também chamados...".

A mensagem do evangelho é um convite. Os chamados dentre os homens serão nomeados santos se, e tão somente se, aceitarem a mensagem do evangelho por meio da fé em Cristo.

Obs.: Quando Cristo disse que: "Muitos são chamados e poucos os escolhidos" Mt 20: 16, devemos entender que nem todos os homens ouvirão a mensagem do evangelho. Nem todos serão chamados através da mensagem do evangelho, uma vez que, a mensagem do evangelho não alcançou e nem alçará todos os homens. O evangelho não foi e nem será anunciado a todos os homens, porém muitos ouviram e ouvirão o evangelho (estes são os chamados), porém, poucos são os que hão de aceitar o chamado do evangelho (estes que aceitarem o evangelho passam a condição de escolhidos).

 

Os Destinatários da Carta

7 A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Paulo saúda todos os cristãos que estavam em Roma com graça e paz. Graça diz do favor imerecido de Deus que foi concedido aos homens.
Paz diz da reconciliação de Deus com os homens. É a paz que excede a todo entendimento.

Paulo demonstra que os cristãos são sujeitos do amor de Deus e estão em condição diferente daqueles que não aceitaram a mensagem do evangelho. Quem não crê em Cristo ainda é filho da ira, uma vez que pesa sobre eles a condenação de Adão Jo 3: 18.
A condição de 'Amados de Deus' é pertinente a todos quantos crerem na mensagem do evangelho.

Todos os amados de Deus também são designados santos por Ele. Sabemos que Deus chama a existência as coisas que não são como se elas já fossem, ou seja, esta declaração de Paulo remete ao poder criativo de Deus Rm 4: 17. Quando Deus nomeia alguém de santo não tem em vista questões posicionais, ou seja, Deus jamais nomeia alguém santo, se esta pessoa não for efetivamente santa. Deus não nomeia alguém que não é santo como se fosse santo.
Todos os cristãos são santos independentemente de questões morais e comportamentais. Eles são santos por terem aceitado o chamado de Deus através do evangelho. É o chamado de Deus que concede a condição de santo sem qualquer relação com esforços humanos; todos quantos aceitarem o chamado de Deus estão separados como propriedade e uso exclusivo de Deus Ef 1: 1.
Ser santo é condição pertinente ao cristão por estar em Cristo. O cristãos são novas criaturas, criados segundo Deus em verdadeira justiça e santidade. Esta nova criatura é designada santa perante Deus, pois aquele que está 'em Cristo' nova criatura é Ef 4: 24.

Agradecimentos e os Motivos

8 Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

Uma das características própria às cartas de Paulo é o momento de agradecimento a Deus logo após as saudações. As suas cartas seguem um padrão semelhante: Apresentação pessoal, saudação e agradecimento. Ex: I Co 1: 1- 4; II Co 1: 1- 3; etc.
O apóstolo agradece a Deus por intermédio de Cristo pela existência dos cristãos que estavam em Roma.

Paulo havia recebido noticias de que em Roma algumas pessoas também haviam recebido a mensagem do evangelho. Paulo estava contentíssimo, visto que o mundo conhecido de então estavam recebendo noticias de que também havia cristãos em Roma.
A notícia de que romanos também estavam seguindo ao evangelho de Cristo contribuiu em muito para a difusão da mensagem do evangelho.
Paulo sabia o quanto a notícia de que até os romanos estavam se rendendo ao evangelho poderia fazer propagar ainda mais a mensagem do evangelho "...porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé" (v. 8), e este tornou-se um dos motivos pelo qual o apóstolo rendeu graças a Deus.

9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, 10 Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco.

O apóstolo evoca a Deus como testemunha de quantas vezes fez menção dos cristãos romanos quando em oração.
Paulo insere um aposto explicando que serve a Deus em seu espírito através do evangelho de Cristo "para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra" Rm 7. 6. O serviço do apóstolo não era através da lei de Moisés, e sim, por meio de um espírito novo, conforme o que profetizou o salmista: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto" Sl 51: 10. O evangelho de Cristo concede aos cristãos a condição indispensável para servir a Deus: novidade de espírito Ez 11: 19. O que fora prometido por Deus por intermédio do profeta Ezequiel, o apóstolo Paulo recebeu através do evangelho de Cristo.

Diferente de outras cartas em que o apóstolo roga a Deus que conceda conhecimento aos cristãos, nesta carta Paulo ora pedindo que Deus conceda, segundo a sua vontade, uma oportunidade para visitar os cristãos em Roma. Diferente do que se apregoa no 'evangelho da prosperidade', o apóstolo não exige, antes pede que, segundo a sua vontade, Deus lhe conceda boa ocasião de ir ter com os cristãos.

11 Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados; 12 Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha.

Paulo ora constantemente e louva a Deus pela existência dos cristãos em Roma, motivado pelo desejo de vê-los pessoalmente. Paulo desejava confortá-los anunciando as dádivas recebidas de Deus. O encontro serviria para conforto mútuo, onde Paulo teria contato com os cristãos e observaria a obediência deles no evangelho, e o cristãos teriam a oportunidade de observarem pessoalmente o zelo de Paulo no evangelho.

13 Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.

Do exposto, Paulo reitera que se propôs a ir a Roma por várias vezes, porém, foi impedido. Ele não apresenta os impedimentos que surgiram, e não devemos conjeturar a respeito. O desejo de Paulo era ter algum fruto entre os Romanos da mesma forma que ele obtivera entre os demais gentios.
Paulo não queria que os romanos tivessem uma idéia errônea a seu respeito, uma vez que poderiam alegar que ele estava com vergonha de encontrar os seus concidadãos em Roma, por ser a sua presença fraca em relação as suas cartas II Co 10: 10.

14 Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.

Paulo sentia-se devedor a todos os homens, não se importando com nacionalidades, origens ou etnias. A dívida que Paulo contraiu por causa do amor de Cristo se estendia aos bárbaros e gregos; ele queria alcançar tanto a sábios quanto a ignorantes. A disposição de Paulo não era somente para com os estrangeiros.

15 E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.

Se dependesse tão somente do apóstolo, ele estava pronto a ir a Roma para anunciar as boas novas de Cristo.

Continua...

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Claudio Crispim

 

 

 

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