A Carta de Paulo aos
Romanos
  

 

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Introdução

 

"Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada"
Mateus 15: 13.

 

Qual é a planta que o Pai não plantou? Sobre o que Jesus estava falando? A planta que o Pai não plantou refere-se ao homem nascido de Adão! Mas, como chegar a esta conclusão?

Observe que os escribas e fariseus questionaram Jesus sobre os motivos que levava seus discípulos transgredirem as tradições dos anciões Mt 15: 1. Jesus demonstra que o que seus discípulos estavam deixando de fazer (lavar as mãos antes das refeições), não era nada comparado às transgressões deles ao seguirem as tradições dos anciões: invalidavam a lei de Deus (v. 3).

Deus deu a eles uma ordem clara: "Honra teu pai e a tua mãe, e quem maldisser a seu pai ou a sua mãe certamente será morto" (v. 4), porém, invalidavam a lei de Deus ao instituírem o Corbã Mc 7: 11.

Jesus expõe a hipocrisia dos seus interlocutores ao fazer referência ao que foi profetizado por Isaias: "Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim" Is 29: 13. Os escribas e fariseus adoravam a Deus em vão!

E após convocar a multidão, disse-lhes: "Ouvi, e entendei: o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isto sim é o que contamina o homem" Mt 15: 10- 11.

Enquanto os escribas e fariseus estavam preocupados com o lavar de mãos, Jesus demonstra que a verdadeira contaminação do homem procede do coração. Por que? Como?

A bíblia demonstra que a queda de Adão deixou o homem debaixo de condenação. A humanidade em Adão passou à condição de culpáveis e condenáveis diante de Deus. Todos os homens quando vem ao mundo são formados em iniqüidade, e em pecado são concebidos.A humanidade nasce de uma semente corruptível e em inimizade com Deus, por causa da natureza que possuem.

A bíblia classifica a natureza decaída do homem de filhos das trevas, mentira, filhos da ira, filhos da desobediência, filhos do diabo, etc.

Enquanto os homens se preocupam com comportamento, moral e caráter, o mal reside em sua própria natureza, procede do coração.

Os discípulos não entenderam a abordagem de Jesus, e ele lhes disse: "Toda planta que o Pai não plantou, será arrancada", ou seja, todos quantos não nasceram da semente incorruptível que é a palavra de Deus, estes não permanecerão.

A planta plantada pelo Pai germina de uma semente incorruptível, que é a palavra de Deus. Os homens que vêm ao mundo nascem de uma semente corruptível, pois nascem da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue Jo 1: 13. Aqueles que crêem são de novo gerados, da semente incorruptível, pela vontade e palavra de Deus Jo 1: 12; I Pe 1: 3 e 23.

Desde a entrega da lei ao povo de Israel, Moisés insistia: "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz" (Deuteronômio 10: 16), pois era lá que estava o que contamina o homem: a natureza condenada e herdada em Adão.

Os escribas e fariseus nunca circuncidaram os corações, e por isso, não eram plantas que o Pai plantou. Eram cegos, ou seja, permaneciam na escuridão apesar de estar presente a luz de Deus que ilumina os homens.

Honravam a Deus com os lábios, mas os corações não foram circuncidados. Continuavam de posse da natureza (morte) herdada de Adão. A adoração dos escribas e fariseus era em vão, e a doutrina deles resumia-se em preceitos de homens.

A doutrina dos escribas e fariseus não operava a circuncisão do coração, onde o homem se desfaz da velha natureza herdada em Adão. Continuavam de posse de um coração que procede todo tipo de mau.

Cristo é a semente de Deus dada aos homens que promove o novo nascimento. É dele que o homem precisa se alimentar para ter a vida que procede de Deus. Aquele que nasce segundo a vontade de Deus e por meio da palavra de Deus, que é Cristo, é a planta que o Pai plantou.

 

Capítulo IV

6 Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo:

O apóstolo demonstra que o salmista Davi também profetizou a bem-aventurança decorrente da fé. Deus justifica o homem sem as obras da lei, ou seja, Ele galardoa o homem segundo a graça.

7 Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. 8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.

Sobre a bem-aventurança, leia o comentário ao Salmo primeiro e o texto "A Bem-aventurança".

As maldades são perdoadas por Deus, ou seja, não serão levadas em conta. Já os pecados, precisam ser cobertos, enterrados. O homem que teve os pecados cobertos e as maldades perdoadas, não terá imputado o pecado, e sim a justiça divina.

Observe que Davi demonstra o favor de Deus aos homens, e não o serviço dos homens a Deus. Pelas obras da lei, ou serviço, jamais os homens serão justificados.

A maldade faz referência ao fruto da árvore má, ou seja, aquilo que a árvore não plantada por Deus produz Mt 15: 13. Esta maldade é perdoada, ou seja, lançada no mar do esquecimento.

Quanto ao pecado, refere-se a natureza pecaminosa do homem herdada em Adão. Por ter sido formado em iniqüidade e concebido em pecado Sl 51: 5, todos os homens quando nascidos segundo à carne, são árvores não plantadas por Deus. Estas árvores devem ser arrancadas, a sua natureza pecaminosa precisa ser 'coberta' Rm 4: 7.

Somente após ter um encontro com a cruz de Cristo, e ser sepultado com Ele, é que o homem tem o seu pecado, ou seja, a sua herança em Adão 'coberta'.

9 Vem, pois, esta bem-aventurança sobre a circuncisão somente, ou também sobre a incircuncisão? Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão.

A bem-aventurança de ter os pecados encobertos e as maldades perdoadas somente é possível aos judeus? Os gentios não podem ser participantes desta bem-aventurança em Deus? Se os leitores declarassem que sim, estariam dizendo que Deus faz acepção de pessoas.

Se alguém dentre os cristãos romanos declarassem que a bem-aventurança é restrita aos judeus, Paulo contra argumenta: "Porque dizemos que a fé foi imputada como justiça a Abraão", ou seja, por que dizemos que Abrão foi justificado por meio da fé, se para os judaizantes a justificação decorre de laços consangüíneos?

Dizer o que as Escrituras expõe é uma coisa, vivenciar é outra. Os judaizantes citavam as escrituras, porém, não viviam as Escrituras por causa de suas tradições. Liam na Escritura que Abraão foi justificado pela fé, porém, sustentavam que eram justos por descenderem de Abraão.  

10 Como lhe foi, pois, imputada? Estando na circuncisão ou na incircuncisão? Não na circuncisão, mas na incircuncisão.

Qual a condição de Abraão quando lhe foi imputada a justiça que decorre da fé? Abraão era incircunciso, ou melhor, um gentio. Paulo faz a pergunta e responde em seguida: Abraão estava na incircuncisão!

11 E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que também a justiça lhes seja imputada;

Paulo demonstra que Abraão recebeu o sinal da circuncisão como um selo da justiça recebida por meio da fé. Ele recebeu este sinal quando incircunciso, demonstrando que ele se tornaria pai de todos aqueles que pela fé crêem em Deus.

Abraão é pai tanto dos gentios quanto dos judeus que tiverem a mesma fé que ele teve em Deus. Os judeus tinham Abraão por pai, e pensavam que a filiação divina decorria do fato de eles serem descendentes de Abraão. Paulo demonstra que a fé é o elo de ligação entre Deus e os seus filhos.

Deus não faz acepção de pessoas. Ele justificou a Abraão por meio da fé, e justifica todos quantos se achegarem a Ele por meio da fé.

12 E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão.

O que Abraão recebeu na incircuncisão por meio da fé o torna pai dos incircuncisos que crêem, e dos circuncisos que também crêem. Observe que Abraão não é pai daqueles que foram circuncidados, e sim, pai dos que seguirem as suas pisadas: a fé!

13 Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.

Quando Abraão recebeu a promessa de Deus, a lei não existia. A promessa de Deus exigiu dele um exercício de fé, e não obras decorrente de uma lei.

Outro aspecto que Paulo destaca é que a promessa de que Abraão haveria de ser herdeiro do mundo, não diz especificamente da pessoa de Abraão, e sim, de sua posteridade, que é Cristo.

14 Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. 15 Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão.

Paulo apresenta três argumentos em defesa da abordagem anterior:

1º - Se os judeus são os herdeiros segundo o que estipula a lei, segue-se que crer em Deus não é o que justifica, e que o que foi prometido a Abraão nunca existiu, pois a promessa foi feita quando ele ainda estava na incircuncisão. Ora, se Deus prometeu, e jurou sobre a sua palavra, resta a quem recebeu a proposta crer (descansar).

2º - A lei opera a ira, pois ela somente apresenta punição aos transgressores, sem qualquer promessa. Quem não praticar a lei é considerado transgressor e réu de juízo Mt 5: 21.

3º - Enquanto os judaizantes se escudavam na idéia de que seriam declarados justos por Deus por que tinham uma lei, Paulo demonstra que a função da lei é somente demonstrar que os homens são reprováveis.

Os versículos seguintes demonstram a conclusão de Paulo sobre as obras da lei e a graça.

 

Claudio Crispim

  

   

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Claudio Crispim

 

 

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