A Carta de Paulo aos
Romanos
  

 

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Introdução

A Teologia da Libertação

A abordagem teológica da 'Teologia da Libertação' é uma variante do pensamento da Igreja Católica Romana. Vejamos o que um dos seus teólogos diz: "A religião verdadeira, portanto, nasce dos pobres e dos fracos. São eles que podem, a partir da sua experiência, ensinar quem é Deus e o que ele quer. São eles que penetram a sua sabedoria e o seu projeto (Mt 11, 25- 26). Foi da experiência dos pobres que nasceu a religião de Javé, o Deus que liberta da exploração e da opressão e dá a liberdade e a vida" Storniolo, Ivo, Como ler o Livro de Jó, Série como ler a bíblia, ed. Edições Paulinas.

Por isso é espantoso a abordagem seguinte de um Pr. evangélico "Encontramos o Senhor nos necessitados, solitários, frustrados, oprimidos, enfermos e perturbados. Paulo nos ensina estas grandes verdades em Colossenses 3. 23, 24"  Pr. Valdinei Fernandes Gomes da Silva, comentarista da revista Jovens e Adultos, revista dominical para Professor, Epístola de Judas, ed. Betel - 3º Trimestre de 2007, ano 18, nº 64, Pág 07.

É no mínimo estranho que seguimentos do meio evangélico esteja entrando pelo mesmo caminho que até pouco tempo protestavam ser errôneo.

O que disse Paulo aos Colossenses? "E, tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor,  e não aos homens..." Cl 3: 23, ou seja, este versículo não apóia a argumentação de que encontramos o Senhor nos desprovidos de bens materiais desta vida.

Paulo estava instruindo os servos (escravos) que se converteram a Cristo a permanecerem desempenhando o seu serviço aos seus senhores, embora fossem livres em Cristo Cl 3: 22. A mensagem de Paulo demonstra aos seus ouvintes que, em Cristo não há diferenças sociais, ou seja, todos são filhos de Deus pela fé em Cristo "Desta forma não há judeu nem grego, não há servo nem livre, não há macho ou fêmea, pois todos vós sois um em Cristo" Gl 3: 28.

Porém, a mensagem do evangelho poderia ser mal interpretada, e Paulo alerta aos cristãos que eram escravos a submeterem-se aos seus senhores. Embora não haja distinção entre os homens na igreja de Deus, na sociedade existem diferenças. À época de Paulo havia uma distinção nítida entre servos e livres, gregos e judeus, e enquanto os cristãos estivessem convivendo em sociedade, estas diferenças deveriam e devem ser observadas.

Todos cristãos devem se portar de forma que não dêem escândalos nem a gregos, nem a judeus e nem a igreja de Deus I Co 10: 32. O evangelho não é causa de revoltas ou transformações sociais, embora tenha influenciado as relações sociais no transcorrer dos séculos. A abordagem de Paulo aos Colossenses deve ser vista sob a ótica do versículo seguinte: "Assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas a igreja (...) Cada um permaneça na situação em que estava quando foi chamado" I Co 7: 17- 24.

A citações de Mateus 25: 31- 46 também não dá sustentação à idéia de que encontramos o Senhor nos perturbados e frustrados.

O que Jesus ensinou em particular aos discípulos sobre o monte das Oliveiras tem a ver com o julgamento das nações, e não com os pobres deste mundo.

Observe que Jesus virá em glória com os seus santos anjos para se assentar sobre um trono de glória. Ele reunirá todas as nações diante dele, e fará uma seleção como o pastor faz entre bodes e ovelhas Mt 25: 31- 32.

Jesus, na sua vinda em glória assumirá a posição de Rei, pois esta será a palavra do Rei: "Vinde, benditos de meu Pai, possui por herança o reino que vos esta preparado desde a fundação do mundo" Mt 25: 34.

A base do julgamento das nações que serão reunidas diante do Rei será o tratamento que dispensaram aos Seus pequeninos irmãos Mt 25: 40. O julgamento daqueles que não entrarão no reino eterno se dará pela omissão "Em verdade vos digo que, todas as vezes que deixastes de fazer a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer" Mt 25: 45.

Resta a pergunta: encontramos o Senhor nos pobres deste mundo, ou através da revelação do evangelho?

O alerta de Paulo permanece:

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema"

(Gálatas 1: 8)

 

 

Capítulo IV

16 Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós,

Os argumentos apresentados por Paulo em defesa da justificação pela fé, desde o verso 1 ao verso 15 deste capítulo, é concluído a partir deste versículo: "Portanto, é pela fé..." (v. 16).

Na conclusão Paulo apresenta o propósito de a justificação ser somente alcançada pela fé, e não pelas obras da lei:

1º) A justificação é pela fé, para que seja segundo a graça, ou seja, se fosse possível aos homens executar as obras da lei, a justificação seria: A) uma dívida de Deus para com os homens Rm 4: 4, o que é inadmissível, e; B) impossível de ser alcançada, visto que a natureza da lei difere da natureza dos homens Rm 7: 14;

2º) A justificação é pela fé para que a promessa seja firme a toda posteridade de Abraão. Quando a Escritura (V. T.) diz que a promessa é para a posteridade, ela estava incluindo todos os que cressem. A promessa é para todos que tenham a mesma fé que teve o pai Abraão, que é pai daqueles que tem fé em Deus.

3º) A justificação é pela fé por causa da fidelidade de Deus que não faz acepção de pessoas. Todos quantos têem a mesma fé que teve o pai Abraão (judeus e gentios), são justificados. Como a bíblia dá testemunho de que Deus justificou Abraão pela fé, todos quantos tem fé em Deus por meio de Jesus, também são justificados.

A promessa de Deus é firme, pois centra-se em seu poder e fidelidade. Ela foi firme a Abraão, visto que Abraão nada fez, e Deus lhe concedeu a promessa. Abraão nem mesmo havia saído do meio de sua parentela, e a promessa já tinha sido estabelecida Gn 12: 2 - 3.

Primeiro veio a promessa de Deus, e logo após, Abraão saiu de sua parentela. Observe que não há como ter fé, sem antes ter uma promessa. Deus prometeu uma descendência a Abraão impossível de contar, como é o caso das estrelas no céu, e mesmo sendo a sua mulher estéril, ele creu. A fé só é possível após a promessa Gn 15: 6!

A justificação é pela fé, pois se fundamenta no poder de Deus, unicamente Deus é poderoso para justificar o homem Mc 2: 10. Muitos consideram que a justificação é mediante um ato judicial de Deus, porém, a bíblia nos demonstra que ela é uma ato de poder "Ora, para que saibais que o Filho do homem tem poder para perdoar pecados (disse ao paralítico): A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa" Mc 2: 10- 11.

17 (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.

Paulo demonstra que a colocação de que Abraão é 'pai de todos nós' é segundo o que foi predito na Escritura (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí).

Como Abraão é pai de muitas nações, e foi Deus que o constituiu por pai, a promessa feita a Abraão é firme a toda à sua descendência. A Promessa é firme, e foi em Deus que Abraão creu, ou seja, ele creu naquele que dá vida aos mortos; Deus chama a existência as coisas que não são como se já existissem, ou seja, quando se crê em Deus que prometeu, se crê em Deus, e não naquilo que foi prometido. Pois muitas das vezes, o que foi prometido ainda não existe, mas Deus é poderoso para trazer a existência o que prometeu. Isto é crer contra a esperança!

18 O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.

A fé de Abraão estava em Deus que prometeu (em esperança), que a sua crença não levou em conta o fato de ter que sacrificar o seu único filho, de onde seria proveniente a sua descendência (creu contra a esperança). A primeira esperança refere-se a confiança na promessa de Deus, e a segunda esperança diz de Isaque, a esperança de descendência.

Não há como negar a fé de Abraão, visto que ele se tornou pai de muitas nações. A fé de Abraão é evidente, pois Deus fez a ele conforme foi dito: Assim será a tua descendência!

19 E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara.

Haviam alguns elementos na vida de Abraão que poderia levá-lo a fraquejar na fé.

Abraão não se fixou em seu corpo, já amortecido, e tampouco no amortecimento do ventre de sua mulher. Abraão e sua mulher constituíam de per si impedimentos por demais à esperança do patriarca, o que poderia influenciar a sua fé.

20 E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus,

A incredulidade surge depois que o homem tomou conhecimento da promessa e a rejeita. Não há como ser incrédulo antes de ser cientificado da promessa.

Abraão não duvidou, antes foi fortificado na fé! O que quer dizer ser fortificado na fé? Não olhar para as impossibilidades humanas, e sim, para o poder de Deus "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder" (Efésios 6: 10).

Um exemplo claro do que é ser fortificado na fé é descrito nos versos seguintes: "Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; E qual a sobre excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus" Ef 1: 18- 20.

Após os cristãos serem inteirados sobre a esperança da vocação, quais as riquezas da herança de Deus nos santos e a grandeza do poder que operou sobre os cristãos, tudo por ter crido em Cristo. Se restar alguma dúvida, o cristão deve olhar para o Cristo ressurreto, pois o mesmo poder que foi manifesto em Cristo para ressurreição, opera agora sobre o cristão para a salvação.

Quando o cristão crê em Deus, Deus opera o prometido. O resultado daquilo que Deus realiza se constituí em glória ao seu poder e glória "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo" Ef 1: 11- 12. Aquele que espera em Cristo, permite que Deus faça todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade em sua vida e passa a se constituir em louvor de sua glória.

21 E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.

Estar certíssimo de que Deus é poderoso para realizar é o estar fortalecido na fé.

22 Assim isso lhe foi também imputado como justiça.

A fé que Abraão exerceu em Deus tinha em vista o prometido: ser pai de muitas nações. Porém, diante da certeza de Abraão (fortificado na fé), a fé que era para ser pai das nações também serviu-lhe para justificação, ou seja, lhe foi também imputado como justiça.

Se a fé de Abraão alcançou a condição de pai de muitas nações, esta mesma fé é base para a salvação. Caso Deus houvesse somente prometido salvação, a fé de Abraão em alcançar ser pai de muitas nações era suficiente para Deus salvá-lo.

Observe que, quando o homem crê em Jesus, Ele concede o que a fé alcançou e o perdão dos pecados Mt 8: 1- 9. 

23 Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta,

O versículo que consta do livro de Gênesis: "Creu Abrão no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça" Gn 15: 6, não está registrado simplesmente para relatar o que aconteceu com Abrão, visto que, o fato de ele ter crido em Deus é algo pessoal. Antes, foi registrado que a justificação de Abrão foi pela fé, por causa de todos que crêem em Deus que ressuscitou a Cristo. 

24 Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor;

Os cristão crêem em Deus que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, e são justificados pela fé tal qual foi o pai Abraão. O que a Escritura diz acerca de Abraão, foi registrado para que os cristãos se informassem deste importante evento com os patriarcas, e que agora, em Cristo, o descendente, tornaram-se participantes.

25 O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.

Por causa do pecado da humanidade Jesus foi entregue, para que todos os que crêem n'Ele se conformem com Ele na morte. A sentença que diz: "A alma que pecar, esta mesmo morrerá", ou "O culpado não será tido por inocente" é cumprida quando os que crêem tomam cada uma a sua cruz, e seguem após Cristo.

Estes são mortos e sepultados a semelhança de Cristo Rm 6: 3 e 8.

Porém, Jesus ressurgiu para a justificação daqueles que crêem. Como o cristão morre com Cristo, ele também ressurge com Cristo dentre os mortos, para glória de Deus Pai. Este novo homem criado em Cristo é declarado justo pelo poder de Deus Cl 3: 1. Esta é a base da justificação: o poder de Deus manifesto em Cristo e naqueles que crêem Ef 1: 19- 20.

  

   

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Claudio Crispim

 

 

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