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A Carta de Paulo aos |
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Introdução Antes de prosseguirmos, segue mais uma lição de interpretação bíblica. Utilizaremos nesta lição uma linguagem própria à lógica. Conforme escreveu o apóstolo João, sabemos que: 'Deus é luz', e que: 'não há nele trevas alguma' I Jo 1: 5. Considerando os elementos da lógica, a primeira oração é uma proposição simples declarativa: Deus é luz. Há valores lógico às proposições: verdadeiro e falso. Conforme a idéia bíblica, temos que a proposição 'Deus é luz' tem o valor lógico verdadeiro. Dentro da lógica há três princípios:
A proposição 'Deus é luz' é verdadeira, e por conseqüência não é falsa. Jamais esta proposição assumirá dois valores simultaneamente. Dada uma proposição qualquer, se inserirmos o conectivo 'não', poderemos formar a sua negação. Ex: 'Deus não é luz' - proposição simples declarativa com valor lógico falso. A segunda oração 'não há em Deus trevas alguma', apesar de ter o conectivo 'não' tem o valor lógico verdadeiro, visto que reafirma a idéia da proposição 'Deus é luz'. As cartas bíblicas foram escritas essencialmente na linguagem lógica, sendo que definições e conceitos quase não são utilizados.
Definir: determinar a
extensão ou os limites de; explicar o significado de; fixar,
estabelecer; etc; Já estudamos o seguinte versículo: "Do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade pela injustiça" Rm 1: 18. Considerando que este versículo é uma proposição simples declarativa e verdadeira quanto ao valor lógico, é plenamente possível construímos uma nova proposição se substituirmos alguns elementos. Da mesma forma que 'do céu se manifesta a ira de Deus', é certo que de lá também se manifesta a bondade de Deus. Como a bondade de Deus é certa, restam as perguntas: sobre quem a bondade se manifesta? Durante o estudo do segundo capítulo da carta aos Romanos aplicaremos os elementos que apresentamos acima.
Capítulo II 1 PORTANTO, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. O capítulo dois tem início com uma conjunção (portanto), o que indica uma relação de conclusão ao que foi dito anteriormente. O que foi dito anteriormente (no capitulo 1)? Foi dito que:
O homem que Paulo evoca neste versículo "ó homem", refere-se ao mesmo homem que detém a verdade em injustiça do capitulo anterior Rm 1: 18. Porque refere-se ao mesmo homem do capítulo anterior? Ao lermos o versículo "Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais cousas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem" Rm 1: 32, percebe-se que as conjunções 'ora' e 'portanto' são empregadas indicando uma relação de conclusão em relação ao que foi dito anteriormente. Neste caso em específico, a conjunção 'ora' ou 'portanto' introduz uma conclusão. O versículo trinta e dois, do capítulo um, demonstra que, embora os homens que detêm a verdade em injustiça, conhecendo a justiça de Deus (de que são dignos de morte quem pratica as ações enumeradas anteriormente), praticam as ações reprováveis e consentem com quem as praticam. Com base nestas informações, qualquer que seja o homem, mesmo que ele se sinta em posição privilegiada por julgar outros homens, ele permanece inescusável diante de Deus. Seja quem for o homem, se ele detém a verdade em injustiça, ele está na mesma condição de quem ele julga, e pratica o que ele mesmo condena. Neste versículo o apóstolo Paulo desfaz toda e qualquer diferença entre os homens. Este versículo e o último do capítulo anterior são inseparáveis quando se faz uma interpretação. 2 E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem. Paulo reitera que os cristãos estão cônscios de que o juízo de Deus é segundo a verdade. Observe que ele enfatiza: "Bem sabemos...". A verdade da qual o apostolo faz referência é a verdade do evangelho. Através desta afirmativa, o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos não julgam aqueles que estão fora da verdade, porém, é de conhecimento que o juízo de Deus é certo sobre quem pratica as ações descritas no capítulo primeiro, versos 29 a 31. O conhecimento que o cristão dispõe é segundo a verdade do evangelho, enquanto que o 'conhecimento' dos homens que detêm a verdade em injustiça é proveniente da lei escrita em seus corações, ou da consciência Rm 2: 15. 3 E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Paulo volta a questionar o 'homem' que detém a verdade em injustiça, e aponta o seu comportamento questionável: basta julgar aqueles que fazem as coisa descritas anteriormente para se ver livre do juízo de Deus? Observe que o juízo segundo a verdade já está estabelecido e as atitudes dos homens visam escapar a tal juízo. O escritor ao Hebreus é claro: "Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram" (Hebreus 2: 3). Note que há uma diferença entre ser inescusável e escapar ao juízo de Deus. Este refere-se a condenação adquirida em Adão, enquanto aquele refere-se ao comportamento reprovável dos que foram condenados em Adão. O juízo de Deus é uma condição muito mais dura diante de Deus, pois afeta a natureza do homem. Do juízo de Deus surgiu a semente corruptível de Adão. Tal semente faz com que os frutos dos homens nascidos de Adão sejam maus Jo 3: 19- 20. A árvore que tem origem na semente de Adão só produz o mal, visto que uma árvore não pode produzir dois tipos de frutos Mt 7: 17. 4 Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? O versículo quatro depende do versículo três. No versículo três Paulo questiona a atitude do homem que pensa ser possível praticar as coisas reprováveis descritas anteriormente e escapar ao juízo de Deus. O homem que julga os que praticam as coisas reprováveis, ou pensa é possível escapar ao juízo de Deus, ou evidencia uma atitude mais grave ainda: desprezar a benignidade de Deus. Paulo demonstra não entender a atitude daqueles que detêm a verdade em injustiça. Ou tal homem acha que é possível escapar ao juízo de Deus estabelecido lá em Adão, ou é uma atitude de desprezo a benignidade, paciência e longanimidade de Deus. O desprezo à benignidade de Deus é por incredulidade, visto que, é a benignidade que leva o homem a arrepender-se de suas concepções errôneas.
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Claudio Crispim
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