A Carta de Paulo aos
Romanos
  

 

Pág. 14

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 |

 

 

 

 
Introdução

Os Dois Caminhos

"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" Mt 7: 13- 14.

Antes de prosseguirmos, faz-se necessário a abordagem de alguns temas, visto que as abordagens introdutória às páginas do comentários nos auxiliará na exposição do capítulo 7 desta carta.

Após demonstrar no que consiste as leis e os profetas Mt 7: 12, Jesus aponta a necessidade de entrar pela porta estreita. Em seguida Ele dá o motivo porque é necessário entrar pela porta estreita:'Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição..'.

Diante da necessidade exposta, surgem as perguntas: O que é a porta estreita? Como entrar nesta porta? Por que a necessidade de entrar na porta estreita é apresentada como única saída para livrar-se da porta larga e do caminho que conduz a perdição?

O versículo 12 encerra uma exposição que teve início no capítulo 5, verso 17, quando Jesus diz:"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles, pois esta é a lei e os profetas" Mt 7: 12, Ele encerra a exposição que teve início com este versículo: "Não penseis que vim destruir os profetas; não vim para destruí-los, mas para cumpri-los" Mt 5: 17.

Após apresentar as bem-aventuranças aos seus discípulos Mt 5: 1- 12, e demonstrar a condição deles perante os homens Mt 5: 13- 16, Jesus esclarece alguns aspectos importantes para se entender sua missão:

a) Não veio destruir e nem descumprir a lei e os profetas (v. 17);
b) Era impossível aos seus ouvintes entrarem no reino dos céus seguindo o caminho dos escribas e fariseus (v. 20);
c) Demonstra exemplos práticos de como lhes era impossível entrar no reino dos céus através do cumprimento da lei, seguindo o caminho dos escribas e fariseus (Mt 5: 21 à 7: 11);
d) Demonstra também que a lei e os profetas resume-se em um só mandamento: amar o próximo como a si mesmo (v. 12).
 

As exposições de Jesus não são palavras soltas, ou idéias desconexas. Perceba que o verso 13 é a resposta à impossibilidade apresentada por Jesus no verso 20. Somente aquele que entra pela porta estreita é que alcança justiça superior a dos escribas e fariseus.

A mensagem que o Senhor Jesus trás é una, concisa e precisa no que propõe, porém ele a expõe de muitas maneiras, para que, tanto o leigo (sermão do monte), quanto o erudito (Nicodemos), recebam a mesma mensagem de forma que possam entender. Ora, tudo o que foi demonstrado no Sermão do Monte, Jesus também revelou a Nicodemos, conforme o registrado pelo apóstolo João no seu Evangelho:

a)Era impossível a Nicodemos entrar no reino dos céus, embora representasse o melhor da religião, do comportamento, e da moral humana;
b)Jesus demonstra que o caminho seguido por Nicodemos não o conduziria à salvação, antes, era necessário nascer de novo;
c) Da mesma forma que é necessário nascer de novo, também é necessário entrar pela porta estreita, ou seja, a figura do novo nascimento equivale a figura da porta estreita.

Isto demonstra que a entrada pela porta estreita é o novo nascimento. Não há outro meio de acesso à porta estreita, a não ser através do novo nascimento pela fé em Cristo Jo 3: 16.

Por que é preciso nascer de novo? Para escapar do caminho que leva à perdição Jo 3: 16, ou seja, para deixar o espaçoso caminho que leva à perdição Mt 7: 13.

Quando Jesus disse a Nicodemos que era necessário nascer de novo, ele estava demonstrando que era impossível alcançar a vida eterna seguindo o caminho que estava trilhando. O problema maior de Nicodemos não estava na prática da lei, o caminho que ele pensava dar acesso a Deus. O maior problema do mestre em Israel estava na porta que ele havia entrado, quando nasceu.

Ou seja, é o nascimento que faz o homem entrar pelas portas, tanto para a porta larga, quanto para a porta estreita.O homem entra pela porta larga quando vem ao mundo, quando nascem da semente de Adão (semente corruptível). E entra pela porta estreita quando nasce da Palavra de Deus, a semente incorruptível. 

Ou seja, tanto a porta larga quanto a porta estreita são 'acessadas' por meio do nascimento. A porta larga é acessada quando os homens vêem ao mundo, quando nascem da semente de Adão (a semente corruptível). Da mesma forma, a porta estreita só é acessada através do novo nascimento, quando o homem nasce da semente de Deus (a semente incorruptível) I Pe 1: 23.

Nicodemos precisava nascer de novo, uma vez que era nascido segundo Adão, e era, portanto, filho da ira e da desobediência. Por mais que procura-se seguir os quesitos da lei, o seu caminho era de perdição, pois a porta que Nicodemos entrara era larga, e como 'muitos', ele seguia para a perdição.

Porém, após ouvir a mensagem do evangelho, e crer em Cristo (o enviado de Deus), Nicodemos nasceria de novo, da semente incorruptível (que é a palavra de Deus), tendo acesso à porta estreita, e que 'poucos' a encontram.

Verifica-se então que a parábola dos 'dois caminhos' refere-se à necessidade do novo nascimento, e que o cumprimento da lei diz respeito ao amor ao próximo, e não à salvação, como pensavam. Se a lei fosse para a salvação, não seria preciso Moisés clamar ao povo logo após a entrega da lei:"Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz"(Deuteronômio 10: 16).

Observe que o cumprimento da lei real somente tem valor após a obediência ao mandamento divino, que é: "Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo..." I jo 3: 23, ou seja, amar o próximo, somente é válido '...segundo o mandamento que nos ordenou' (v. 23)"Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis" (Tiago 2: 8).

O discurso de Jesus e Paulo em momento algum destoam, visto que, 'entrar pela porta estreita' é o mesmo que 'viver em Espírito', ou seja, 'o novo nascimento'. O andar no caminho apertado que conduz à vida é o mesmo que 'andar em Espírito', ou seja, andar como filhos da Luz Gl 5: 25 e Ef 5: 8.

 

Capítulo V

O versículo 6 continua a expor a idéia apresentada nos versículos 1 e 2. Observe que os versículos 3 à 5 somente é um adendo explicativo sobre o que é 'gloriar-se na esperança da glória de Deus': "... e nos gloriamos a esperança da glória de Deus. Não somente isto, mas também (...) que nos foi dado Rm 5: 2- 5.

Ou seja, o contesto dos versículo 3 à 5 é ditado pelo versículo 2, e o versículo 6, continua a exposição do apóstolo referente ao versículo 2.

Durante a análise dos capítulos seguintes haverá vários adendos explicativos sobre uma idéia apresentada, uma das forma do apóstolo não deixar dúvidas sobre o tema abordado. 

 

6 Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

Ora, 'sendo, pois, justificados pela fé (...) por meio de Cristo' (v. 1- 2), Paulo demonstra o motivo pelo qual os homens são justificados pela fé: 'Porque Cristo (...) morreu a seu tempo pelos ímpios' (v. 6).

A morte de Cristo se deu a seu tempo por causa dos ímpios, ou seja, Cristo morreu por causa da impiedade dos homens "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (v. 8).

Mas, por que o apóstolo Paulo diz: "...estando nós ainda fracos..."? Esta idéia é apresentada preliminarmente no capítulo 4: "E não enfraqueceu na fé..." Rm 4: 19. Por meio de Cristo, os cristãos tiveram entrada a esta fé e permaneciam firmes (fortes) Rm 5: 2.

Sem Cristo o homem estava 'fraco', mas em Cristo é fortalecido na força do seu poder Ef 1: 19 "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo" Ef 6: 10- 11, ou seja, '...na qual estamos firmes..." Rm 5: 2.

 

7 Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

Paulo apresenta uma argumentação segundo a concepção humana, ou seja, quem se habilitaria a morrer por um injusto, já que, dificilmente alguém se animaria a morrer por um justo.

 

8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Uma prova do amor de Deus para com a humanidade esta na entrega de Cristo como cordeiro para morrer pelos pecadores Jo 3: 14- 15.

Observe que, desde o versículo 6 o apóstolo Paulo inclui-se na narrativa através do pronome na primeira pessoa do plural: "... estando nós ainda fracos..." (v. 6). Ou seja, Cristo morreu por causa de Paulo e dos cristãos quando eles estavam ainda fracos, ou seja, na condição de ímpios.

E, neste versículo, o apóstolo reitera que a morte de Cristo se constituí em prova para os cristãos, em que Cristo morreu por todos os cristãos (Paulo e os cristãos do mundo todo), sendo todos ainda pecadores, ou seja, fracos.

O ponto que mais chama a atenção para este versículo é o advérbio 'ainda'. Não obstante os cristãos serem ainda pecadores, Cristo morreu pelos 'fracos'.

Qual a idéia que o advérbio 'ainda' introduz nos versículo 6 e 8?

"... Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores..." (v. 8);
"... estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios..."
(v. 6).

Antes de serem justificados (Paulo e os cristãos) todos eram pecadores. Eram fracos, inimigos de Deus (v. 10) e pecadores. Agora, '... sendo, pois, justificados pela fé...', os cristãos deixaram a condição de pecadores (e não mais são designados pecadores), e foram criados segundo Deus santos e justos e declarados filhos de Deus Ef 4: 24; Rm 1: 7; 8: 14.

Cristo morreu em prol dos cristãos sendo estes ainda pecadores (ainda fracos), ou seja, os cristãos em Cristo já não amargam a condição de pecadores. Não são mais inimigos de Deus.

 

9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

Paulo demonstra qual é a confiança que o crente deve depositar em Deus: se Deus propôs Cristo como propiciação pelo pecado da humanidade, quanto mais agora, depois que os cristãos foram justificados pelo sangue de Cristo: seremos por ele salvos da ira.

 

10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

Paulo demonstra que é por Cristo que temos tal confiança em Deus.

O comportamento do cristão não deve ser de medo, antes de ousadia. Não podemos ter o mesmo comportamento do povo de Israel, que, após serem resgatados do Egito, tiveram medo de Deus. Pensaram que Deus haveria de matá-los Ex 20: 19.

A confiança que devemos ter em Deus é descrita pelo escritor aos Hebreus: Hb 10: 19; 12: 18- 25

11 E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

Observe que o apóstolo volta a argumentação apresenta no versículo 2.

Paulo demonstra que, por mais que se fale da graça de Deus revelada aos homens, é impossível descrever todas as bênçãos concedidas "Não somente isto,...".

Os cristãos se gloriam na esperança da glória de Deus. Gloriam-se nas tribulações, e por fim, gloriam-se em Deus por intermédio de Cristo. Por que? Porque os cristãos já foram reconciliados com Deus. Todos já alcançaram a reconciliação com Deus por meio de Cristo (v. 10 e 11).

 

   

| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 |

 

Claudio Crispim

 

 

www.ibiblia.net