O Mistério
Como tornar ‘mui sublime’ aquele que já é o Altíssimo?
Não há como comparar o Criador com as suas criaturas. O Criador é
designado o Altíssimo porque esta é uma condição inatingível à todas
as suas criaturas.
Mas, segundo o conselho de sua vontade, o Altíssimo (El Eloim)
soberanamente propôs na eternidade que, além de ser o Inatingível,
tornar-se-ia também o mais ‘elevado’ e ‘mui sublime’.
Como se daria isto?
Nem mesmo os seres angelicais compreendiam como se daria tal
propósito, mas através do corpo de Cristo o mistério é revelado
(Efésios 4: 30)
É assente em meio aos cristãos que os anjos desejaram anunciar o
evangelho, porém, não é isto que o texto apresenta.
Do mesmo modo que os profetas investigaram diligentemente para
compreender a salvação que hoje é concedida aos que crêem (Efésios
3: 5), os anjos também procuraram compreender (I Pedro 1: 12b).
Pedro evidenciou que, do mesmo modo que os profetas desconheciam
como se daria a salvação em Cristo, os anjos também desejaram
atentar (compreender).
Paulo detinha o conhecimento da dimensão desse propósito sendo
possível perceber qual a sua compreensão acerca do mistério que
esteve oculto através de suas cartas (Efésios 3: 4). Ele demonstra
que, através da igreja foi desvendado o mistério de Deus aos homens
(Efésios 3: 6, 9), e também aos principados e potestades (Efésios 3:
10- 11).
Não é possível alguém dissertar acerca do propósito eterno de Deus
se não tem conhecimento das peculiaridades acerca do corpo de
Cristo.
De longa data alguns afirmam que os anjos desejaram anunciar as boas
novas do evangelho, mas não foi essa idéia que o apóstolo Pedro
apresentou em I Pedro 1: 12b.
Muitos cristãos permanecem presos a esta compreensão porque
aceitaram passivamente o que lhes foi divulgado. É imperioso quando
se analisa os textos bíblicos que se investigue, analisando a idéia
geral que o texto apresenta, despido de idéias pré-concebidas.
Não convêm aos estudiosos da bíblia aceitar passivamente as
considerações
acerca dalgum texto bíblico que
homens tidos por ‘doutos’ emitem. Como aceitar
passivamente o que é divulgado há séculos se não conseguiram
interpretar um dos pontos básico das cartas de Pedro?
Como compreender a carta aos Efésios, se até mesmo Pedro deu
testemunho de que as cartas de Paulo têm pontos difíceis de
compreender, e que homens indoutos e inconstantes distorcem para a
própria perdição? (II Pedro 3: 16).
Uma leitura equivocada traz um prejuízo tremendo à compreensão e
acaba fomentando algum tipo de heresia. É por isso que Pedro
recomenda:
“Portanto, cingindo
os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai
inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus
Cristo” (I Pedro 1: 13).
Ora, só é possível cingir o ‘lombo’ do entendimento quando o cristão
limita-se ou restringe-se a aguardar a salvação oferecida na
revelação do mistério que esteve oculto, que é proveniente do
propósito eterno de Deus.
O Propósito
As hostes angélicas nem de longe servem de referência para se
comparar àquele que é Alto e Sublime, que sozinho habita na luz
inacessível (I Timóteo 6: 16). Não há como comparar o Criador com a
criatura.
Na eternidade Deus estabeleceu o seu eterno propósito segundo o
conselho da sua vontade: a preeminência de Cristo
"E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito
dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência"
(Colossenses 1: 18).
Que preeminência Deus propôs estabelecer em Cristo?
Aprouve a Deus estabelecer na eternidade que, entre ‘sublimes’
Jesus haveria de ser ‘mui sublime’.
Ao tornar-se o primogênito dentre os mortos, Cristo foi elevado à
condição de ‘mui sublime’, pois conduziu muitos filhos a Deus
semelhante a Ele (I João 3: 2). Entre os filhos de Deus, que é a
Igreja, Cristo é a cabeça, o Sublime: o primogênito entre muitos
irmãos.
Cristo não é ‘o’ cabeça, ou seja, somente um líder. Antes, Ele é
a cabeça, visto que o seu corpo, que é a Igreja, está intimamente
ligado a Ele.
Jesus é o princípio de todas as coisas, porém, teve que se
esvaziar de sua glória, vir a este mundo na condição de servo,
tornou-se o primeiro ser gerado de Deus em contraste com toda a
criação, morreu como maldito, é o primeiro ressurreto dentre os
mortos e assentou-se à destra da Majestade nas alturas.
Através da oferta do seu corpo carnal, que foi gerado por Deus no
ventre de Maria, Cristo estabeleceu um novo e vivo caminho pelo qual
os homens nascidos em Adão, o primeiro homem criado (não gerado), têm
acesso a Deus. Por serem descendentes de Adão os homens eram filhos
da ira e da desobediência, somente criaturas de Deus.
Agora, em Cristo, por terem morrido e ressurgido dentre os mortos
sendo uma nova criatura, os de novo gerados são criados segundo Deus, em
verdadeira justiça e santidade (Efésios 4: 24). Os que crêem deixam
a condição de homem carnal e passam à condição de homem espiritual,
um dos filhos de Deus (João 3: 6).
Os filhos de Deus são sublimes, pois em Cristo
foram de novo criados à imagem e semelhança de Deus. São
participantes da natureza divina (II Pedro 1: 4), plenos da vida que
há em Deus (Colossenses 2: 9- 10).
Na condição de (a) Cabeça do corpo Cristo é preeminente (Efésios
1: 22). O 'mui' Sublime (Cristo) entre os sublimes (irmãos) é o mesmo que o Primogênito
entre muitos irmãos (Romanos 8: 29).
As incontáveis hostes de seres angelicais inquiriram sobre o
mistério que esteve oculto em Deus, mas, somente agora, através da
Igreja, eles conseguiram compreender a multiforme sabedoria de Deus
"Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor"
(Efésios 3: 11).
Entre Deus e as suas criaturas há somente o Inatingível, o
Altíssimo. Agora, como Deus recebeu por filhos os homens que foram
de novo gerados em Cristo, os cristãos são semelhantes ao Sublime
(Cristo).
Entre os seus semelhantes (irmãos), Cristo é ‘mui sublime’, segundo o
propósito eterno estabelecido por Deus.
As Profecias
Todas as predições do Antigo Testamento faziam referência a
Cristo, o Verbo encarnado
"Ouve, pois, Josué, sumo sacerdote, tu e
os teus companheiros que se assentam diante de ti, porque são homens
portentosos; eis que eu farei vir o meu servo, o RENOVO" (Zacarias 3: 8).
Todas as profecias indicavam o propósito eterno de Deus que é segundo a
eleição. Por que o propósito eterno é segundo a eleição, e não
segundo as obras? Para que o propósito de Deus permanecesse firme.
Ou seja, Aquele que chama é quem disse:
"Eis que eu farei vir o meu servo, o Renovo"
(Zacarias 3: 8).
Paulo demonstra que todas as promessas de Deus cumprem-se única e
exclusivamente em Cristo, pois todas quantas promessas
existem, têm nele o
sim, e por Ele o Amém (II Coríntios 1: 20; Apocalipse 3: 14).
Um exemplo claro de eleição
e propósito é possível analisar em Esaú e Jacó.
Qual propósito de Deus permaneceu firme em Esaú e Jacó quando foi
dito:
"O maior servirá o menor"
(Romanos 9: 12). Deus prometeu que haveria de escolher Jacó? Não! O
propósito eterno de Deus estava em promover e assegurar o direito de
primogenitura, sem levar em conta qualquer mérito ou demérito
por parte dos recém-nascidos (não tendo eles ainda nascido e nem
tendo feito bem ou mal).
Para que o seu propósito permanecesse firme, Deus escolheu
(elege) o primogênito, e não alguém em particular. Se Esaú guardasse
o seu direito de primogenitura, seria abençoado com a porção dobrada, mas como
vendeu, foi rejeitado (Hebreus 12: 17).
Qualquer um que busque a salvação em Deus alcançará misericórdia,
porém, com relação à bênção da primogenitura, Deus não perverteu o
que era de direito a Jacó. Jamais Deus transferiria o que foi
concedido a Jacó, pois Esaú não mais fazia 'jus'.
Somente um deles seria o
primogênito. Como os gêmeos nasceram unidos, foi possível negociarem
o direito de primogenitura. Caso houvesse qualquer interrupção no
parto, não haveria como Esaú desfazer do direito.
Se dependesse de Rebeca, Jacó seria abençoado mesmo não tendo a
primogenitura. Se dependesse de
Isaque, Esaú seria abençoado mesmo após vende-lá a Jacó. Porém, a escolha de Deus foi
estabelecida bem antes dos gêmeos nascerem ou terem feito bem ou mal através da
primogenitura.
Quando Deus disse à Rebeca que 'o maior serviria o menor', a
profecia foi através da presciência de Deus, mas a escolha (eleição)
deu-se segundo a primogenitura. Não foi através da presciência que
Deus estabeleceu a eleição, antes, foi através do direito de
primogenitura.
Isto tudo foi realizado como está escrito:
"Amei a Jacó, e aborreci a Esaú" (Romanos 9: 13). Muitos entendem que
Deus soberanamente ou através da presciência favoreceu Jacó
em detrimento de Esaú, porém, esquecem de interpretar o versículo
segundo o propósito estabelecido na primogenitura. Esquecem de comparar coisas
espirituais com as espirituais.
O amor de Deus não é favoritista, antes se comporta segundo a sua
retidão e justiça. Quando Deus diz: "Amei a Jacó", é o mesmo que:
Dei-lhe o que era de direito. Do mesmo modo, quando Ele diz:
'aborreci a Esaú', Deus demonstrou que, por Deus fazer 'jus' ao que
era de direito a Jacó, Esaú ficou aborrecido com Deus.
Como o propósito de Deus é segundo a eleição, foi ele quem chamou
o seu servo "..., o Renovo" (Zacarias 3: 8). Num
primeiro momento o Renovo do Senhor foi rejeitado, não tinha parecer
nem formosura, era desprezado, etc., (Isaias 53: 2- 4), contudo, do
mesmo modo quando pasmaram em vê-lo desfigurado, pasmarão ao vê-lo
engrandecido, elevado e muito sublime (Isaias 52: 13- 14).
Ora, Cristo não tomou para si a honra de ser muito sublime
(Hebreus 5: 4), mas, segundo Aquele que O escolheu é que Ele disse
"Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os
gentios; serei exaltado sobre a terra"
(Salmos 46: 10); "Agora, pois, me
levantarei, diz o SENHOR; agora me erguerei. Agora serei exaltado"
(Isaías 33: 10).
O Senhor que diz: "Serei exaltado", é o Filho que foi introduzido
no mundo na condição de servo por Deus tê-lo escolhido, e que,
segundo o propósito eterno de Deus conforme a eleição disse:
"Também o farei meu primogênito mais elevado do que os
reis da terra"
(Salmos 89: 27).
Ora, o propósito de Deus foi estabelecido na primogenitura
de Cristo, visto que, ao ser introduzido no mundo tornou-se:
-
o
Unigênito de Deus, e o Primogênito (primeiro gerado, diferente dos
anjos e homens, que são criados) de toda a criação (Colossenses 1:
15);
-
ao morrer e ressurgir, o Primogênito dentre os mortos
(Colossenses 1: 18);
-
Primogênito dentre muitos irmãos (Romanos 8: 29; Hebreus
12: 23), quando os que crêem ressurgem com Ele dentre os mortos.
Por que a escolha de Deus fundamenta-se na primogenitura? Para
que em tudo Cristo tenha a preeminência. Mas, para que Cristo
alcançasse a primogenitura, Deus estabeleceu a salvação em Cristo
através de sua graça, para a salvação não ser segundo as obras (bem
ou mal), e nem por preferência (antes mesmo de terem nascidos), e
sim, através de sua maravilhosa misericórdia.
Deus situa-se em pólo oposto as suas criaturas: Criador e
criatura. Por natureza Deus é sublime.
Mas, foi segundo o conselho de sua vontade que Ele introduziu o
Verbo que se fez carne no mundo à semelhança da carne do pecado
(último Adão, homem gerado de Deus, sem vínculo com o pecado de Adão),
humilhou-se ao sujeitar-se a vontade do Pai morrendo na cruz. Ao
ressurgir dentre os mortos foi elevado sobre todas as coisas, e
acima de todas as coisas foi constitui como a Cabeça da igreja.
Conscientização
Após falar do propósito eterno de Deus, Paulo procurou conscientizar
os cristãos:
"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da
verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido,
fostes selados com o Espírito Santo da promessa"
(Efésios 1: 13).
Deus prometeu ao Filho, o Escolhido (eleito), antes da fundação do
mundo que Ele seria primogênito, e o mais elevado dentre os
poderosos da terra
"Também o farei meu primogênito mais elevado do que os
reis da terra"
(Salmos 89: 27). Na promessa feita a
Cristo, que é Aquele que invocou a filiação divina entre os homens,
surgiu um grande mistério!
Como Cristo seria primogênito se era Filho Unigênito?
Como constituir o Filho na posição de primogênito sem conceder-lhe
irmãos? Como Deus constituiria dentre os homens filhos para si? Este
mistério pairou sobre os profetas e os anjos, até que, através da
igreja, o mistério foi revelado.
Do mesmo modo que Adão trouxe semelhantes à existência segundo a
palavra de Deus, participantes da mesma natureza, compartilhando do
mesmo julgamento e condenação
"E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e
enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra"
(Gênesis 1: 22), Cristo foi introduzido no mundo na posição de
último Adão, por quem os homens recebem poder para serem feitos,
gerados de novo, na condição de filhos de Deus.
Para ser de novo gerado participante da natureza de Deus é preciso o
homem tornar-se participante da carne e do sangue de Jesus (João 6:
53-56). Mas, como tornar-se participante da carne e do sangue de
Cristo? Basta crer na palavra de Cristo
"Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha
palavra, nunca verá a morte"
(João 8: 51).
Adão foi destituído da glória de Deus por não crer na palavra de
Deus, agora, para tornar-se participante de Cristo é necessário que
os homens gerados de Adão creiam
no Verbo encarnado, a palavra de Deus que concede vida aos homens
"O espírito é o que vivifica, a
carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são
espírito e vida"
(João 6: 63).
Ora, Isaias demonstrou que a salvação de Deus (braço do Senhor) é
concedida na pregação. Ou seja, a pregação é o meio de Deus borrifar
entre as nações água limpa. Somente a palavra de Deus é apta para
limpar o homem de toda imundícia, concedendo um novo coração e um
novo espírito (Isaias 52: 15; 53: 1; Ezequiel 36:
25- 27 e Romanos 8: 11).
A palavra de Deus anunciada por Cristo é o único meio pela qual o
homem ficará limpo da imundície do pecado herdado de Adão (Efésios
5: 25- 26). Através da palavra de Deus é criado (bara) um novo
coração e um novo espírito, e o Espírito Eterno passa a habitar no
interior do novo homem (Salmos 51: 10- 11).
É impossível o homem se
salvar ou participar da sua salvação, pois somente Deus cria (bara).
O homem é de novo criado e não tem como participar deste ato
criativo.
Como Cristo é o eleito antes da fundação do mundo, àqueles que crêem
e que são de novo criados, passam a estar em Cristo, o último Adão.
Eles passam a condição de eleitos, pois esta é uma das bênçãos que
recebem os co-herdeiros com Cristo: são santos e irrepreensíveis
(Efésios 1: 4). Paulo e os cristãos foram todos predestinados a
serem filhos, pois esta é uma bênção pertinente aos que crêem
(Efésios 1: 5).
Os descendentes de Adão herdaram a maldição do pecado, os
descendentes do último Adão herdaram a eleição (santos e
irrepreensíveis) e a predestinação (filiação divina), bênçãos
espirituais.
É por isso que Pedro diz que os cristãos foram chamados através da
mensagem do evangelho para receberem bênçãos por herança (I Pedro 3:
9). Quais bênçãos? As elencadas por Paulo no capítulo 1 da carta aos
Efésios:
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual
nos abençoou com todas as bênçãos espirituais
nas regiões celestiais em Cristo..."
(Efésios 1: 3).
Para estar em Cristo é preciso ser participante da carne e do
sangue, ou seja, ser salvo pela loucura da pregação. A
salvação não é através da eleição ou predestinação, antes através da
loucura da pregação. Após estar em
Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, torna-se possível receber
todas as bênçãos espirituais: eleição, predestinação, redenção,
remissão, herança...
Do mesmo modo que Isaque abençoou os seus filhos, embora ao
primogênito coubesse a maior parte, Deus somente abençoa com bênçãos
espirituais os seus filhos, e a Cristo coube a excelência.
Porém, muitos não crêem na pregação
"Mas nem todos têm obedecido ao evangelho;
pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação?"
(Romanos 10: 16). Ora, obedecer ao
evangelho é o mesmo que crer. Crer é o mesmo que descansar na
salvação providenciada por Deus. Quem crê assenta-se nas regiões
celestiais.
Hoje é o dia sobre modo oportuno, visto que a salvação não foi
determinada na eternidade, e sim a eleição e predestinação. Deus
salva hoje através da mensagem do evangelho para que os que crêem
sejam participantes do propósito eterno estabelecido antes do mundo
vir à existência.
Antes de ser participante da
carne e do sangue não há como o homem sem Cristo ser participante de
suas bênçãos. Ora, os que atendem o chamado do evangelho recebem
bênção por herança (I Pedro 3: 9)
O propósito de Deus visa à preeminência de Cristo: a cabeça da
igreja, o mui sublime entre os sublimes
"...porque, qual ele é, somos nós também neste mundo"
(I João 4: 17b);
"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que
havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos
semelhantes a ele..."
(I João 3: 2).
Até lá toda a criação geme na expectativa da manifestação dos filhos
de Deus, e todos os que são salvos e perseveram nesta esperança
também gemem, aguardando a redenção do corpo para ser revestido da
imortalidade (Romanos 8: 19- 24).
A Igreja
A multiforme sabedoria de Deus foi revelada aos principados e
potestades nas regiões celestiais através da Igreja (Efésios 3: 10).
A igreja surgiu do amor de Cristo, que se entregou por ela, para
santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, ou
seja, tornando-a santa e irrepreensível (eleição) (Efésios 1: 4).
Ora, primeiro é aspergido água limpa (palavra) segundo o Espírito
Eterno (Ezequiel 36: 25- 27), para depois ocorrer à eleição.
Paulo demonstra: somos membros deste corpo (Efésios 6: 30).
Quando Paulo fala da salvação que é comum a todos que crêem, ele
demonstra que no passado os cristãos estavam mortos em delitos e
pecados. Todas as vezes que ele fala do homem no pecado, ele
distingue bem: antes éreis trevas, agora sois luz! (Efésios 2: 1-
3).
Quando ele escreveu o Capítulo 1 da carta, ele não estava se
referindo aos cristãos quando eram trevas, antes, tudo se refere
àqueles que já estavam em Cristo. Perceba que Paulo
inclui-se na narrativa do capítulo 1 para demonstrar que eram
cristãos (Efésios 1: 3- 12), em contrate com a
condição de pecado que todos outrora estiveram (Efésios 2: 1- 2).
Ora, o capítulo 1 foi escrito para conscientizar os cristãos de que
eles já estavam em Cristo, ou seja, de que já eram novas criaturas.
Os cristãos já eram heranças de Deus, propriedade de Deus, a fim de
serem para louvor da sua glória. Todos que estão em Cristo (Nele),
foram feitos herança (propriedade de uso exclusivo), sem outro
destino, conforme o propósito de Deus, que é a primogenitura de
Cristo: filhos de Adoção (Efésios 1: 5).
Os homens não nascem predestinados à salvação ou perdição, pois a
salvação é ofertada a todos que abandonarem os seus conceitos de
como se salvarem (arrependimento). Porém, qualquer que crer em
Cristo e torna-se participante do seu corpo, que é a Igreja, não
terá outro destino: serão filhos!
Quem está em Cristo, além da salvação será inevitavelmente filhos
por Adoção. Através da igreja é possível compreender que a
preeminência está em ser a cabeça da igreja. O mais sublime entre os
sublimes. Incomparável, apesar de ser concedido aos filhos de Deus a
sua semelhança!
Claudio Crispim
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