Tem razão o
poeta em dizer que quem tem promessa não morre?
A mesma
idéia que invalida a morte por um período de tempo para aqueles que têm
promessa, também invalidaria a volta de Cristo por igual período. Se fosse desta
maneira, muitos que esperam o cumprimento de alguma ‘promessa’ teriam a certeza
de que não seriam surpreendidos pelo dia do Senhor por um determinado período de
tempo (I Tessalonicenses 5: 1).
A bíblia
contraria o argumento do poeta uma vez que quem tem promessa de Deus também
morre!
Ela demonstra que Abraão, Isaque
e Jacó tinham uma promessa de Deus, porém, morreram sem alcançá-las
"Todos estes morreram na fé, sem terem
recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as,
confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra"
(Hebreus 11: 13).
O escritor aos Hebreus também
demonstra que muitos tiveram uma vida vitoriosa. Ex: Moisés, Raabe, Gideão,
Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e alguns profetas são exemplos de fé, pois
venceram as adversidades confiados em Deus e alcançaram livramento conforme as
promessas de Deus ainda em vida (Hebreus 11: 32- 34).
Do mesmo modo, ou seja, pela fé,
muitos outros experimentaram a morte, a tortura, o escárnio, os açoites, as
prisões, o apedrejamento, foram serrados, mortos à espada, outros eram
necessitados, aflitos, maltratados, etc., o que demonstra que, muitos, embora
crendo, não alcançaram livramento das agruras deste mundo.
Dentre estes servos de Deus,
muitos recusaram o livramento de Deus, segundo a sua promessa, visando alcançar
superior ressurreição (Hebreus 11: 35b- 38).
O escritor aos hebreus apresenta
aos seus leitores um contraste, pois pela fé muitos venceram reinos, fecharam a
boca dos leões, apagaram o poder do fogo, e outros pela mesma fé somente
receberam forças para suportar toda sorte de reveses na vida. Isto demonstra que
Deus faz-se presente na vida de seus servos em todas as situações e
circunstâncias.
O amor e a graça de Deus são
concedidos por intermédio do evangelho de igual modo para todos os que crêem,
porém, o livramento de Deus diante das agruras desta vida não alcança a todos.
Embora muitos tenham recebido bom testemunho pela fé, não foram vitoriosos
segundo a concepção humana.
A concepção de alguém vitorioso
hoje é a de uma pessoa bem sucedida financeiramente, empreendedor, cheio de bens
materiais, mas, não é assim a vitória que o crente conquistou em Cristo, visto
que, muitos pela fé viveram maltratados, aflitos e necessitados. Isto demonstra
que a promessa de Deus vai além de questões vinculadas a livramentos com relação
às agruras deste mundo "Porque não queremos, irmãos,
que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira
agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida
desesperamos" (II Coríntios 1: 8).
Quem tem promessa de Deus morre,
pois para Deus vivem todos! (Lucas 20: 38). A morte física não é empecilho para
cumprimento de suas promessas e Abraão verá o cumprimento cabal das promessas de
Deus. Do modo que se expressou o poeta entende-se que a morte põe termo às
promessas de Deus, e NÃO é assim, pois Deus não é Deus de mortos.
Quem foi mais vitorioso: o
evangelista João, que morreu velho e de morte natural (João 21: 22), ou Estevão,
que foi apedrejado no início do seu ministério? (Atos 7: 55- 58). Quem teve
maior fé, Moisés que rejeitou ser chamado filho da filha de Faraó ou Tiago,
irmão de João, que foi morto ao fio da espada? (Atos 12: 2).
Pela fé ‘todos’ os personagens
bíblicos citados anteriormente pelo escritor da carta aos Hebreus morreram sem
alcançar as promessas "E todos estes,
tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa..."
(Hebreus 11: 39).
Há acepção de pessoas em Deus?
Ele é injusto por dar livramento para alguns e outros não? A promessa de Deus
não é para todos os homens?
A idéia de que
quem tem promessa não morre surge de uma falta de compreensão sobre o que é a
promessa de Deus e como alcançá-la. Para uma melhor compreensão é preciso
entender estes dois versos:
“Portanto não
lanceis fora a vossa confiança, que tem uma grande recompensa. Necessitais de
perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a
promessa”
(Hebreus 10: 35- 26).
‘Não lançar fora
a confiança’ é o mesmo que ‘perseverar na fé’. Qual fé? Ora, a mesma fé que uma
vez foi dada aos santos: a verdade do evangelho (Judas 3). É necessário a todos
que crêem na mensagem do evangelho perseverar, pois esta é a obra perfeita que a
fé produz no cristão: a perseverança (Tiago 1: 4).
A fé sem
perseverança é morta, pois esta é a obra perfeita que a fé produz no cristão!
Só alcança a
promessa de Deus aqueles que fazem a sua vontade! Qual é a vontade de Deus que o
homem deve fazer (executar)? Sacrifícios, rezas, imprecações, orações, jejuns,
etc.? Não! A vontade de Deus é esta: ‘Que creiais naquele que Ele enviou’ (João
3: 23).
Ora, somente
alcança a promessa de Deus aqueles que crêem no nome do seu Filho Jesus Cristo.
É pela fé que se alcança a promessa de Deus. Ou seja, ‘fazer a vontade de Deus’
é o mesmo que ‘crer em seu Filho’. Através da crença (fé) o homem torna-se
participante de uma promessa, e só é possível alcançá-la perseverando na fé.
Há uma grande
diferença entre a promessa de um homem e a promessa de Deus. Enquanto o homem é
falho, Deus é todo poder para cumprir com a sua palavra. Ora, desta forma temos
que a promessa de Deus vincula-se a sua palavra. A promessa de Deus é firme,
pois ele não pode mentir, jurou pela sua palavra e o seu eterno poder
constitui-se em garantia para aqueles que nele esperam.
A bíblia
apresenta aos homens uma promessa de Deus que é antes dos tempos eternos
"Em esperança da
vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes
dos tempos dos séculos"
(Tito 1: 2).
Paulo demonstrou
que a promessa de Deus é atemporal, visto que foi feita antes dos tempos que se
medem de séculos em séculos, ou seja, na eternidade. No A. T. as promessas de
Deus apontavam para o Messias, a esperança de vida eterna para a humanidade que
jazia em trevas. Ele também demonstrou que todas as promessas de Deus cumprem-se
em Cristo
"Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para
glória de Deus por nós"
(II Coríntios 1: 20).
Observe que todas quantas
promessas que Deus fez cumpre-se em Cristo para a sua própria glória. Como é
isto?
Ora, quando lemos acerca de
Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi, vemos que eles foram vencedores em inúmeras
batalhas. Mas, qual o propósito de Deus em conceder-lhes vitória? Eles eram
melhores que os demais homens? Tiveram uma fé superior? Não! Antes, as vitórias
que conquistaram tinham como foco principal preservar a linhagem de Cristo.
Se considerarmos que Deus
escolhe dentre os homens alguns para satisfazer os seus caprichos pessoais é
porque nos esquecemos do propósito eterno de Deus, que é o de ‘convergir em
Cristo todas às coisas’ (Efésios 1: 10).
Ora, todas as promessas do
Antigo Testamento visavam preservar a linhagem do Messias. Embora muitos não
tenham visto o cumprimento desta promessa, morreram na fé. Estes que morreram na
fé, em alguns momentos de sua vida terrena foram agraciados com livramentos
pontuais, outros, porém, mesmo na fé, não tiveram igual livramento.
Portanto os cristãos não devem
embaraçar-se com negócios desta vida, pois o que importa é a fé que opera pelo
amor de Deus revelado em Cristo, pois em Cristo todas as promessas cumprem-se.
Observe o que disse o apóstolo
João: "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida
eterna" (I João 2: 25). A promessa de Deus é
específica: a vida eterna. Agregado a promessa de vida eterna àqueles que
permanecem em Cristo, temos a promessa da presença de Cristo em todos os dias
"Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu
vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação
dos séculos. Amém" (Mateus 28: 20).
A ordem para
ensinar a guardar as coisas que Cristo mandou tem como foco a promessa de vida
eterna. A promessa para guardar os mandamentos de Cristo promove a vida eterna,
bem como nunca será abandonado àqueles que nele confiam.
Cristo prometeu estar com os
seus todos os dias até a consumação dos séculos e está é uma promessa válida a
todos os cristãos, e mesmo assim Estevão morreu apedrejado. Ele estava só? Não!
Isto demonstra que a preocupação
dos cristãos não deve se fixar em problemas, promessas pontuais ou com a morte,
visto que: "Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos;
se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos
do Senhor" (Romanos 14: 8).
É de
conhecimento que a promessa que Deus fez é a promessa de vida eterna. Ora, tal
promessa é para que amemos a sua vinda e não estejamos embaraçados com as coisas
desta vida
"Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele
que o alistou para a guerra" (II Timóteo 2: 4).
Paulo recomenda
que aqueles que usam deste mundo, que vivam como se dele não abusassem
“E os que usam
deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa”
(I Coríntios 7: 31).
Agora chegamos à questão
principal: Sobre qual tipo de promessa escreveu o poeta? De onde surgiu à
concepção de que não morre quem tem promessa? De onde pode surgir uma nova
promessa?
Se for por
meio de profecias temos uma ressalva do apóstolo Paulo que diz:
"Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação,
exortação e consolação" (I Coríntios 14:
3). A finalidade da profecia hoje não é estabelecer novas promessas, e sim
exortação, consolação e edificação, pois já temos a promessa: a vida eterna!
Não é da
vontade de Deus que o cristão se fixe nas coisas desta vida, e as suas promessas
não dizem de coisas passageiras, tais como: bens materiais, relacionamentos
humanos, viagens, ministérios, dons, etc., antes é preciso viver hoje como se
Cristo voltasse agora.
Há um grande misticismo no
mundo! Os homens vivem em procura de prognósticos, adivinhações, oráculos,
promessas, etc. Deus não contraria a sua palavra, concedendo uma promessa
pontual para o amanhã, uma vez que o dia de amanhã não nos pertence
"Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã,
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal"
(Mateus 6: 34); "Digo-vos que não sabeis o que
acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um
pouco, e depois se desvanece" (Tiago 4: 14).
Deus não invalida a sua palavra
através de uma promessa pontual. Como conciliar uma promessa tendo em vista
questões deste mundo com o que diz a sua palavra: o homem viverá do suor do seu
rosto (Genesis 3: 19); tudo sucede igualmente a todos os homens (Eclesiastes 9:
2); o tempo e a sorte ocorrem a todos e o homem não sabe a sua hora (Eclesiastes
9: 11- 12); o homem não tem como descobrir o que há de ser (Eclesiastes 7: 14).
Alguém pode
citar Simeão. Dele temos que era homem temente a Deus e que esperava a
consolação de Israel (Lucas 2: 25). Ora, foi lhe revelado pelo Espírito, que
antes de morrer haveria de ver a Salvação de Israel. Temos uma revelação, da
mesma forma que teve José e Maria.
Tal revelação de
Deus a Simeão serviu de sinal e testemunho aos pais do menino Jesus e àqueles
que estavam no templo (Lucas 2: 33). De igual modo serviu de sinal ao povo o
anunciado pela profetiza Ana. Ora, o anunciado pela profetiza Ana e a revelação
que teve Simeão foram a respeito do Cristo, e não de questões particulares.
Perceba que a
revelação de Simeão serviu de sinal e testemunho ao povo de que o menino é a
consolação de Israel (Lucas 2: 34- 35), porém, ele morreu e não viu o seu povo
consolado, pois a promessa ainda se dará no futuro.
A única profecia
acerca da preservação de uma vida foi feita ao rei Ezequias:
"Vai, e dize a
Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as
tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos"
(Isaías 38: 5), mas tal promessa era factível à época, pois não havia a promessa
da iminente volta de Jesus.
O que muitos
cristãos pensam em nossos dias também subiu ao coração de Ezequias:
“Pois pensava:
Haverá paz e segurança em meus dias”
(Isaias 39: 8).
Não há promessas
condicionais,
visto que todas as promessas de Deus têm em Cristo o cumprimento (o sim)
"Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para
glória de Deus por nós"
(II Coríntios 1: 20).
Quando se estabelece alguma
condição para receber algo, já não é promessa, e sim uma recompensa. Não há
promessas condicionais, pois se assim fosse estabeleceria uma dívida entre o
Criador e a criatura (Romanos 4: 4).
Todos os homens
são falhos e nenhuma promessa de Deus esteve ou estará vinculada a fidelidade do
homem. Abraão, um exemplo de fé, mesmo após receber o testemunho de que creu em
Deus, cometeu várias falhas. Na tentativa de auxiliar Deus a cumprir a sua
promessa apresentou o seu servo damasceno Eliéser (Genesis 15: 3- 4), o seu
filho Ismael (Genesis 17: 18) e riu-se da promessa (Genesis 17: 17).
Os cristãos são
fiéis por estarem em Cristo, ou seja, ninguém é fiel a
Cristo, antes, por estar em Cristo, na condição de nova criatura, é fiel EM
Cristo (Efésios 1: 1). Por andar na presença de Deus Abraão foi declarado
perfeito (justificado) (Genesis 17: 1). Como andar como Abraão? Por fé!
As promessas de
Deus são incondicionais para que o homem possa descansar nele, pois é Ele quem
trabalha para os que nele esperam (crêem) (Isaias 64: 4).
Algumas pessoas
consideram o capítulo 28 de Deuteronômio como promessas condicionais, porém, é
uma expressão da lei. Por
que expressão da lei? Porque só é possível servir a Deus (ou obedecê-lo, ou
cumprir os seus mandamentos) por meio da fé. Se fosse possível aos ouvintes da
lei cumpri-la, não haveria necessidade da vinda do Messias, pois o mandamento de
Deus só é possível cumprir por intermédio de Cristo.
As promessas de Deus são todas
sustentadas pela sua fidelidade e Ele não fica a mercê das realizações pessoais
de homem algum (Hebreus 6: 13; Amós 6: 8).
É factível a promessa da vinda
de Cristo ser protelada pela ‘promessa’ particular de um filho a alguém? A
‘promessa’ de uma vida farta neste mundo, ou como dizem, ‘Deus virará o seu
cativeiro’, mudará os tempos que Deus estabeleceu por seu próprio poder?
O que Jesus realmente prometeu?
“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que
ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou
mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,
Que não receba cem
vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e
campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna”
(Marcos 10: 29- 30).
Enquanto Jesus disse que no
mundo os seus seguidores teriam aflições, muitos cristãos se valem de pretensas
promessas para reclamar de Deus como fez Baruque “Ai
de mim! Acrescentou o Senhor tristeza à minha dor; estou cansado do meu gemido,
e não acho descanso” (Jeremias 45: 3).
Porque fizeram algo, como fez
Baruque ao ser escriba de Jeremias, pensam que Deus lhes deve alguma coisa. O
descanso que procuram é concernente a esta vida, e desprezam o verdadeiro
descanso do Senhor!
Para estes diz o Senhor:
“Procuras grandezas? Não as busques. Pois eu trarei
mal sobre toda a humanidade, diz o Senhor, mas a ti darei a tua alma por
despojo, em todos os lugares para onde fores” (Jeremias 45: 5).
Claudio
Crispim
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