Capítulo 2, verso
1 à 5
1
SOBRE a minha guarda estarei, e
sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o
que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for
argüido.
2 Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a
visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa
ler quem passa correndo.
3 Porque a visão é ainda para o tempo determinado,
mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar,
espera-o, porque certamente virá, não tardará.
4 Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta
nele; mas o justo pela sua fé viverá.
5 Tanto mais que, por ser dado ao vinho é desleal;
homem soberbo que não permanecerá; que alarga como o
inferno a sua alma; e é como a morte que não se farta, e
ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os
povos.
A Resposta ao Profeta
O profeta Habacuque recolhe-se e
põe-se em guarda. Fiado em suas considerações, Habacuque põe se em
guarda por ser um dos atalaia em Israel. Ele espera pela resposta
divina e demonstra ansiedade pela resposta que Deus haveria de apresentar as suas queixas. Caso ele
fosse interpelado, queria ter uma resposta (v. 1).
Habacuque obteve resposta de Deus!
Deus ordena que ele a escrevesse sobre tábuas a mensagem, para que as
pessoas pudessem ler, mesmo quando passassem correndo, ou seja, em
letras grandes (v. 2). O efeito da mensagem causa um trocadilho,
visto que, faria quem lesse correr, ou seja: "para que possa correr
aquele que a le".
As tábuas utilizadas eram tijolos
de argila, finos como tabuas ou ardósia. Elas eram utilizadas na
Babilônia.
A primeira resposta de Deus é
sobre o tempo em que Deus haveria de cumprir a visão dada a
Habacuque (Habacuque 1: 2
e 2: 3).
A visão que Deus concedeu a
Habacuque, ou seja, o peso do Senhor acerca de Judá, haveria de ser
no tempo determinado por Deus, e com isso o profeta não precisava
preocupar-se, pois a profecia seria cumprida ao seu tempo.
Ora, se alguém entendesse que a
profecia estava tardando, bastava esperar, pois certamente ela cumprir-se-á
no tempo estabelecido por Deus, ou seja, não tardará. A visão cumprir-se-á no
tempo que Deus estabeleceu pelo seu próprio poder e não compete aos
homens saberem quando os eventos se dará.
Por que a visão deveria ser
transcrita sobre tábuas? Porque precisava ficar registrada sobre
algo duradouro como testemunho vivo para um tempo futuro. Quem lia
sobre a invasão dos caldeus queria correr do evento anunciado. Ora, não
tardou e os caldeus levaram cativo o povo de Israel conforme a
palavra do Senhor (Habacuque 1: 6- 11).
Do mesmo modo que Deus revelou que
o cativeiro de Israel seria para os dias do profeta Habacuque (Habacuque
1: 5), Deus responde o profeta, revelando que a nação incircuncisa
que foi suscitada por Deus também seria punida (Habacuque 2: 4- 19).
Diante da visão divina, resta
àqueles que fazem perguntas vazias calarem-se ante o Senhor de toda
a terra "Mas o Senhor está no seu santo
templo; cale-se diante dele toda a terra" (Habacuque 2: 20).
Após dar ouvido as palavras de Deus, Habacuque temeu ao Senhor, e
compôs um Salmo, profetizando acerca da providência divina aos
homens (Habacuque 3: 1- 19).
A punição de Judá e Israel era
iminente e a punição dos caldeus para um tempo determinado
(Habacuque 1: 5 e 2: 3). Ao ser ordenado que a visão fosse
escrita sobre tábuas com letras grandes, era para ela 'falar' até o
fim "Porque a visão é ainda para o tempo
determinado, e até o fim falará, e não mentirá" (Habacuque 2:
3), mesmo que corressem quem a lesse.
A questão maior do profeta
Habacuque foi apresentada no verso 13 do capítulo 1:
"Por que te calas quando o ímpio devora aquele
que é mais justo do que ele?". Habacuque já estava indignado
porque os ímpios em Judá fomentavam a violência, e esperava que Deus
tomasse providência para impedi-los (Habacuque 1: 2- 4). Agora,
quando Deus lhe dá a visão de que os incircuncisos caldeus (gentios)
haveriam de castigar Judá e Israel, ele não compreende porque Deus
permite que ímpios 'devorem' àqueles que são mais 'justos'.
A resposta de Deus é clara e
precisa: "Eis que a sua alma está orgulhosa,
não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá" (v. 4). O
que Deus disse a Habacuque? O que Habacuque compreendeu que o fez
irromper em um alegre canto?
O verso 4 é regida por uma
conjunção adversativa, sendo que: se o justo viverá da fé, resta que
o ímpio é quem tem a alma orgulhosa. Deus apresenta o diferencial
entre o justo e o ímpio. Enquanto o diferencial entre o justo e o
ímpio para Habacuque estava na violência, na iniqüidade, na
contenda, no litígio, na transgressão da lei, etc., Deus demonstra
que o diferencial é a fé que foi dada por Deus.
Através da visão, Habacuque
compreende que tanto os homens de Judá e Israel quanto os caldeus
eram ímpios perante o Senhor. Aqueles que Habacuque considerava mais
justos que os caldeus, diante da visão tornaram-se 'mais' ímpios,
visto que o povo que se chama pelo nome de Deus era dado ao vinho
(v. 5).
Qual o vinho que o povo de Israel
se embriagava? O vinho produto do fruto da vide? Não! O vinho que
os ímpios de Israel eram 'dados' (entregues) é o sono profundo que
falou o profeta Isaias: "Pasmai, e
maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho,
andam titubeando, mas não de bebida forte. O Senhor derramou sobre
vós um espírito de profundo sono. Ele fechou os vossos olhos (os
profetas); ele vendou as vossas cabeças (os videntes)"
(Isaias 29: 9- 10).
Quem não compreende as palavras da
profecia é dado ao vinho, ou seja, é desleal (ímpio). Anda
titubeando. Diferente do
justo que vive pela fé, o ímpio (homem soberbo) não permanecerá
(v. 5).
Habacuque conseguiu ver que o povo
de Israel em nada era diferente dos caldeus, pois os caldeus eram um
povo voraz, insaciável, que alargava como o inferno a sua alma, e os
seus concidadãos também eram opressores, violentos, contentores e
perversos (Habacuque 1: 2- 4 e v. 5).
Habacuque havia questionado o
Senhor por esquecer que:
- O povo de Israel era nação
rebelde (Deuteronômio 9: 6);
- Não foi a justiça de Israel
que os fez habitar a terra prometida (Deuteronômio 9: 4);
- Deus não se afeiçoou de
Israel e os escolheu por eles terem algum mérito, antes porque
o Senhor os amava, ou seja, para fazer cumprir o juramento
que foi feito a Abraão (Deuteronômio 7: 7- 8);
- Somente aqueles que
circuncidarem o coração, ou seja, que não são de dura cerviz, é
que são justos diante de Deus (Deuteronômio 10: 16);
- A circuncisão do prepúcio do
coração só é possível através da fé, e é pertinente a homens e
mulheres, ricos e pobres, judeus e estrangeiros, pois Deus não
faz acepção de pessoas.
Após considerar as palavra do
Senhor (Habacuque 3: 2), Habacuque percebeu que não havia diferença
entre os homens de Judá e os incircuncisos caldeus. Os caldeus ajuntavam
para si as nações através da força e violência, e o povo de Israel
procuravam realizar o mesmo intento através de alianças políticas.
Ambos não confiavam em Deus, e atribuíam as suas conquistas as suas
estratégias. Os caldeus estratégias militares, e os israelenses,
estratégias políticas.
Habacuque 2: 4 é citado três vezes
no Novo Testamento pelos apóstolos, dada a importância desta visão
concedida ao profeta Habacuque (Romanos 1: 17; Gálatas 3: 11 e
Hebreus 10: 38).
Em Romanos Paulo demonstra que
através do evangelho o homem descobre a justiça de Deus, visto que o
evangelho é poder de Deus para a salvação, ou seja, recebem poder
para serem feitos (criados) filhos de Deus pela fé em Cristo (João
1: 12- 13).
Como o evangelho é a palavra da fé,
a fé
que uma vez foi dada aos santos, temos que o justo viverá da palavra
de Deus, ou seja da fé (Deuteronômio 8: 3; Mateus 4: 4). Habacuque
2: 4 apresenta a mesma idéia de Deuteronômio 8: 3.
Como os cristãos da Galácia
queriam viver para Deus se estavam se distanciando da palavra de
Deus? O justo viverá da palavra da fé, e não através das obras da
lei, uma vez que estavam passando do evangelho de Cristo para um
outro evangelho.
O escritor aos Hebreus citou
Habacuque para demonstrar a necessidade de perseverança após o
homem fazer a vontade de Deus. Ora, a vontade de Deus é que o homem
creia naquele que Ele enviou, ou seja, em Cristo, porém, é preciso
perseverar na fé para que o homem possa alcançar a promessa (Hebreus
10: 35- 39).
Claudio Crispim
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