Qual ‘justiça’ foi alvo do discurso de Jesus
quando anunciou a bem-aventura ao povo de Israel e aos seus discípulos? A
bem-aventurança é proveniente das virtudes humanas ou é dom de Deus? O homem
precisa ser ‘digno’ da bem-aventurança ou é Deus quem os justifica?
Ao ler um artigo
intitulado “Bem-aventuranças não alcançadas”, não consegui esquivar-me desta
análise. Assim diz o artigo: “Percebo
que não alcancei algumas virtudes; não me encaixo na bem-aventurança de Mateus
5.10 (...) Não posso me incluir nessa promessa porque nunca fiz vigília
solitária nas calçadas dos hospitais públicos que desprezam o direito do pobre,
nunca marchei pelos idosos ou me arrisquei por crianças abandonadas; não me
amarrei a uma árvore para não permitir que ela fosse cortada pela gula da
especulação imobiliária; não fiz greve de fome por nenhuma causa (...) Confesso.
Ainda não me vejo digno da felicidade de receber o mesmo galardão dos profetas.
Enquanto eles defenderam os órfãos e as viúvas, eu me contentei em pregar uma
mensagem desencarnada. Por anos, falei do Céu para fugir das injustiças que me
rodeavam; prometi salvação como forma de mitigar o sofrimento dos pobres...”
Bem-aventuranças não alcançadas, Ricardo Gondim,
Revista Enfoque Gospel, Edição 55, Maturidade Cristã.
Lemos nas escrituras que Deus é
um Deus de justiça e que os que nele esperam são bem-aventurados
“Pois o Senhor é um Deus de
justiça. Bem-aventurados todos os que nele esperam”
(Isaias 30: 18b).
Confiar em Deus (esperar) é o
único meio de o homem alcançar a bem-aventurança prometida. Assim sendo, Deus
alerta o povo a esperar na justiça e salvação providenciada por ele.
Deus aponta o seu próprio
braço (destra), Jesus Cristo-homem (o braço do Senhor desnudado perante a humanidade),
como justiça e salvação manifesta ao alcance de todos os homens
"Perto está a minha justiça, vem
saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me
aguardarão, e no meu braço esperarão"
(Isaías 51: 5).
Cristo foi manifesto aos homens
na condição de servo do Senhor, oferta de bem-aventurança para todos os povos
(judeus e gentios) "Eu, o
SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei
por aliança do povo, e para luz dos gentios"
(Isaías 42: 6).
A justiça de Deus manifesta
em Cristo estabeleceu paz entre Deus e os homens. Deus preparou salvação poderosa
a todos "E o efeito da
justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre"
(Isaías 32: 17).
Deus chama todos os homens à
sua justiça, pois todos andavam longe de Deus trilhando o caminho de perdição,
longe da justiça
"Ouvi-me, ó duros de coração, os que estais longe da justiça"
(Isaías 46: 12).
Os apóstolos compreenderam que
Cristo é a justiça de Deus manifesta aos homens. Entenderam que a lei e os
profetas anunciaram a Cristo, o sol nascente das alturas
"Mas agora se manifestou sem a
lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas"
(Romanos 3: 21).
Ora, sabemos que a missão de
Jesus não foi a de promover a justiça dos homens, antes tornou patente aos
homens à justiça de Deus
"Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação
está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar"
(Isaías 56: 1).
Quando interpelado por alguém
na multidão acerca da partilha de uma herdade, Jesus respondeu:
"E disse-lhe um da multidão: Mestre,
dize a meu irmão que reparta comigo a herança.
Mas ele lhe disse: Homem, quem me
pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?"
(Lucas 12: 13- 14). A missão de Jesus não vincula-se as questões judiciais.
Jesus veio conceder vida e vida em abundância (João 10: 10).
Ora, ele veio dar vida em abundancia para ricos e pobres, servos e livres,
judeus e gregos, pois a vida não consiste na abundância de bens (Lucas 12: 15).
Ao recomendar que Filemom recebesse de volta o seu escravo
Onésimo, Paulo não levantou uma bandeira contra o regime de escravidão. Ele
também não incita os cristãos que eram escravos a lutarem contra o sistema
vigente à época "Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda
podes ser livre, aproveita a ocasião" (I Coríntios 7: 21).
Por que Deus
providenciou justiça aos homens? Porque a justiça dos homens é aquém da justiça
de Deus. Porque a bíblia classifica a justiça dos homens como sendo trapos de
imundície
"Mas todos nós somos como o
imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós
murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam"
(Isaías 64: 6).
Isto por si só demonstra que,
apesar dos homens instituírem tribunais e juízes sobre si, fazerem leis que
norteiam os seus comportamentos, seguirem a moral e os bons costumes, serem
redargüidos pela própria consciência e sabendo dar boas dádivas aos seus filhos,
são maus diante de Deus (Mateus 7: 11; 12: 34).
Os profetas protestavam
contra o povo de que não havia sequer um homem que clamasse por justiça (Isaias 59: 4).
Como? Nunca houve um injustiçado na história da humanidade que não tenha clamado
por justiça? Ora, quando as calamidades sociais subverteram as sociedades do
passado, nunca houve quem saísse às ruas para clamar pelo que é justo? Nunca
houve dentre os homens alguém que tenha protestado veementemente em defesa da
causa alheia?
Nunca houve na história da
humanidade quem buscasse compreender e teorizar a respeito da justiça?
Nunca houve quem buscasse organizar a sociedade através dos ideais de justiça em
busca da felicidade coletiva?
Que se dirá das considerações
gregas acerca da ‘polis’, que surgiu da ‘teia social’ estruturada na política e
na organização sistemática do poder, como sendo o ‘locus’ da racionalidade e da felicidade
humana?
A justiça da bem-aventurança
deriva da concepção aristotélica: 'virtude ética', e nada mais? Jesus alguma vez demonstrou
que o exercício da razão estabelece o que é justo e injusto? Quem
praticar ‘atos justos’ é um homem bom diante de Deus? Basta alguém resignar-se a
sofrer a injustiça do que praticá-la contra outrem que será um bem-aventurado?
Se não há homem justo sobre a
terra, quem dentre os homens herdará o reino dos céus por ter sido perseguido
por causa da justiça? (Eclesiastes 7: 20; Mateus 5: 10).
Quais as virtudes humanas
devem ser cultivadas para se alcançar a bem-aventurança? Para aqueles que querem
alcançar a Deus através de suas obras, boas ações, esmolas, etc., Deus avisa:
“Eu publicarei a tua
justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão”
(Isaías 57: 12).
Mas, como Deus é Deus de
justiça e aqueles que nele esperam são bem-aventurados, temos que a
bem-aventurança prometida por Cristo não tem como ser segmentada. Ou o homem é
bem-aventurado ou não é.
Os pobres de espírito e os
que choram são as mesmas pessoas. Quando Jesus disse que o
reino dos céus pertence aos pobres de espírito, os que choram também são os
pobres de espírito. Quem recebe como herança o reino dos céus é porque foi
consolado por Deus (Mateus 5: 3- 4).
Não há como ser 'manso' sem ter
'sede e fome de justiça'. Não há como 'herdar a terra' sem antes estar 'saciado de
justiça', pois os mansos herdarão uma terra onde habita a justiça
"Mas nós, segundo a sua promessa,
aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (II Pedro 3:
13; Mateus 5: 5-
6;).
Quem são os misericordiosos,
senão aqueles que verão a Deus? Quem são chamados filhos de Deus, senão
aqueles que são perseguidos? (II Timóteo 3: 12).
Ora, somente os pobres de
espírito reconhecem as suas misérias e aceitam o convite para o banquete divino:
“Ó vós, todos os que tendes
sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei!
Vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”
(Isaias 55: 1).
Quem se considera abastado por ter trabalhado (obra),
e que tem recursos para a salvação,
rejeita o pão da vida, rejeita o que é bom e que traz deleite para alma
sedenta. Só o que é oferecido gratuitamente por Deus pode satisfazer o que Ele
exige (Isaias 55: 2).
Os pobres de espírito
choram as suas misérias, mas são consolados mediante a justiça de Deus, que é
Cristo. O resultado é descanso, repouso, paz e segurança! (Isaias 32: 17).
Os mansos são aqueles que
aceitaram o convite de Cristo "Vinde a mim..." (Mateus 11: 28), Aquele que é humilde e manso de coração
(Mateus 11: 29). Ora, não basta ser
humilde e manso na conduta, pois Moisés foi o homem mais manso da terra, porém,
não entrou na terra prometida. Mas, os que vieram a Cristo, o Mestre por
excelência, deles é a terra onde habita a justiça.
Quem come da carne e bebe do
sangue de Cristo mata a fome e a sede de justiça (João 6: 55). Aqueles que estão
de posse da salvação são designados misericordiosos, puros de coração, pois
através da palavra de Deus, a semente incorruptível, foi criado neles um novo
coração puro e um espírito reto (Salmos 51: 10; Efésios 4: 24).
Os pacificadores também são
chamados de filhos de Deus, uma vez que foi lhes confiado o evangelho da
reconciliação que estabelece a paz entre Deus e os homens (II Coríntios 5: 19).
Bem-aventurados os que sofrem
perseguição por causa da justiça. Embora sejam felizes por lhes pertencer
o reino dos céus, sofrem perseguições, pois a Justiça de Deus revelada aos
homens vaticinou:
"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas
tende bom ânimo, eu venci o mundo"
(João 16: 33).
Cristo predisse as aflições para
que os seus seguidores permanecerem descansados, pois bem-aventurados seriam
quando fossem injuriados e perseguidos por causa do evangelho
"Basta ao discípulo ser como seu
mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família,
quanto mais aos seus domésticos?"
(Mateus 10: 25).
Ora, basta confiar no Senhor
que o crente torna-se participante da bem-aventurança prometida. O que Jesus
prometeu e concede aos seus não é conforme as coisas deste mundo. Primeiro
porque não somos deste mundo e o mundo nos odeia (João 15: 18). Segundo, a paz
de Deus não é conforme a paz do mundo, e Cristo mesmo disse que não a concede do
mesmo modo que o mundo a dá (João 14: 27).
A promessa de bem-aventurança foi feita antes
dos tempos dos séculos, e todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo
"Porque
todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória
de Deus por nós"
(II Coríntios 1: 20).
Jesus alertou:
"Porque os pobres sempre os
tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes"
(João 12: 8). Este alerta demonstra que Jesus não veio apregoar um evangelho de
cunho social. Ele não veio trazer uma revolução sócio-econômica. Ele não veio
falar contra as injustiças sociais e nem contra o modelo social adotado pelos
homens.
Ora, seria um contra-senso Cristo lutar
contra o governo constituído à época, se todo poder dado aos homens foi
concedido por Deus "Respondeu
Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele
que me entregou a ti maior pecado tem" (João 19: 11).
Jesus é claro:
"Porque qualquer que quiser
salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de
mim e do evangelho, esse a salvará"
(Marcos 8: 35), ele não deu esperança com relação a este mundo, pois o seu reino
não é deste mundo
"Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste
mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas
agora o meu reino não é daqui"
(João 18: 36).
Enquanto os gregos tinham na
sabedoria o meio de estabelecer alegria na ‘polis’, Cristo promete a
bem-aventurança no seu reino através da loucura da pregação. Enquanto os judeus
criam que teriam pão e um reino aqui, Jesus apresentou o escândalo da cruz, dando
a sua carne a comer e o seu sangue a beber.
Ora, Jesus não trouxe paz,
mas espada! Ou seja, ele trouxe justiça através da sua morte. Para o velho homem
gerado em Adão resta a morte (espada) para que na nova criatura seja
estabelecida a justiça de Deus (Mateus 10: 34).
A espada representa morte e
justiça. Como o salário do pecado é a morte, e somente a morte livra o escravo
do pecado de seu senhor, aquele que toma a sua própria cruz e segue após Cristo,
é morto sepultado e ressurge uma nova criatura, onde se estabelece a
justiça de Deus.
Que bem o homem fará para
alcançar a
bem-aventurança? Agarrar-se às suas virtudes? Ser religioso? Virar um mártir?
Levantar uma bandeira ideológica? Doar todos os bens? Dar o seu próprio corpo a ser
queimado?
Eliú disse bem: "Se és
justo, que dás, ou que recebe Ele das suas mãos? A tua impiedade fará mal apenas
a outro homem como tu, e a tua justiça só aproveitará aos filhos dos homens"
(Jó 35: 7- 8; 41: 11).
É possível a quem espera no
Senhor não ter a graça da bem-aventurança prometida? Quem espera no Senhor
precisa de suas virtudes para alcançar a alegria da salvação? Como pode um
soldado alistado para a guerra se embaraçar com negócios desta vida? (II Timóteo
2: 4).
Ora, é válido a um cristão ser
um cidadão ativo em sua comunidade, porém, não pode excluir-se da graça de Deus
por causa de questões humanas e sociais.
Não somos nos que nos incluímos nas promessas de Deus, antes, Ele as prometeu
antes dos tempos dos séculos
"Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes
dos tempos dos séculos" (Tito 1: 2).
A bem-aventurança não é por obra para que ninguém se glorie,
portanto não é fazendo boas ações aos pobres, crianças e velhos que se alcança a alegria
prometida. A bem-aventurança prometida é concedida aos homens através da virtude
daquele que chama, e não daquele que é chamado (II Pe 1: 3).
A bem-aventurança não é
alcançada através de reivindicação, mas por fé, a fé que foi concedida aos
santos (Judas 1: 3). Como reivindicar o que Deus nos oferece gratuitamente? Quem
tiver fome e sede que venha comprar sem dinheiro e sem preço vinho e leite. Quem
trabalha (obra) gastando os seus recursos (dinheiro) com o que não pode satisfazer, não
verá a Deus.
Inúmeros religiosos
dedicaram-se as causas sociais, mas não são participantes da bem-aventurança.
Inúmeras freiras, padres, monges, rabinos, pastores levantaram o estandarte dos
fracos e oprimidos e são indignos de receberem o reino dos céus.
A teologia da libertação não é o evangelho de
Cristo, pois o evangelho é poder de Deus. Não é uma ideologia, um segmento
político, a bandeira dos necessitados de bens materiais, etc. A concepção de que
Deus está nos pobres, nos miseráveis, nos mendigos, nos desassistidos, etc., não
é conforme o evangelho de Cristo.
Ao anunciar o evangelho, Jesus
ocupou-se com os pobres de espírito, e não dos pobres desprovidos de bens. Há pobres de
espírito que são ricos e pobres de espírito que são paupérrimos, homens e mulheres, grandes e pequenos, pois todos
quantos o receberem, receberão poder para serem feitos (criados) filhos de Deus,
com direito a bem-aventurança prometida.
Há ricos e pobres neste mundo
que rejeitam a graça de Deus por considerarem que estão abastados
espiritualmente. Este foi o caso dos judeus, tanto pobres quanto ricos
financeiramente, acharam que já eram bem-aventurados por serem descendestes
de Abraão.
Porém, a igreja de Deus, o corpo de Cristo é
constituído de judeus, gregos, servos, livres, macho, fêmea, pobres, ricos, pois
todos são um em Cristo (Gálatas 3: 28).
Outros, por serem membros ou
simpatizantes do zelotes, seita e partido político judaico militar e
revolucionário, pensavam estar conquistando a bem-aventurança prometida quando
pegavam em armas. Eles pensavam que já estavam abastados espiritualmente, pois
eram perseguidos pelos romanos por causa da pretensa causa justa.
Que dizer dos Macabeus?
Judas Macabeu foi bem-aventurado por causa da sua resignação e
força? É possível alcançar a bem-aventurança proposta quando se esquece da
determinação divina: não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito!?
Paulo reitera a condição dos que crêem em Cristo:
“Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo”
(Gálatas 3: 26). João alerta:
“E
somos mesmo seus filhos!”
(I João 3: 1b). Os cristãos são casas espirituais, templo e morada de
Deus
"Se pelo nome de Cristo sois
vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória
e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é
glorificado" (I Pedro 4:
14).
Ora, como cristão é dado
padecer ou não por amor a justiça. Pedro alerta: “Se padecerdes...”, ou seja,
padecer não é
condição essencial a bem-aventurança, e sim, um de seus aspectos neste mundo
"Mas também, se
padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo
deles, nem vos turbeis"
(I Pedro 3: 14).
É fato que tivemos grandes
lideres humanitários ao longo da história da humanidade. Devemos a estes homens
inúmeras conquistas nas áreas trabalhistas, sociais, direitos humanos, racial,
étnico, liberdade de culto, expressão, etc. Cada um tem seus méritos e virtudes, e se
tentarmos enumerar, seremos injustos com muitos, pois não é possível listar
todos os grandes homens.
Contudo, quando falamos da
bem-aventurança prometida por Deus antes dos tempos eternos, não é a dignidade,
a humildade, a resignação, a bondade, etc., que fará do homem imbuído destes
valores um dos filhos de Deus (bem-aventurados.
Devemos separar as questões
acerca da perseguição por causa do evangelho, e as perseguições por causa de
questões institucionais, ideológicas, religiosas e sociais. Enquanto esta surge
quando nos intrometemos em questões alheias ou defendemos o que nos é de
direito, aquela só ocorre quando se anuncia o evangelho que é poder para os que
se salvam e escândalo e loucura para os que perecem.
Que bem-aventurança foi destinada aos
profetas do passado, se o menor do reino de Deus é maior que João Batista?
"Em verdade vos digo que, entre os
que de mulher têm nascido, não
apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino
dos céus é maior do que ele"
(Mateus 11: 11).
Não podemos transtornar a
mensagem da cruz, uma vez que é através da loucura da pregação que se alcança a
bem-aventurança "Visto como na
sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus
salvar os crentes pela loucura da pregação" (I Coríntios 1: 21). Não podemos
introduzir questões
humanas na mensagem do evangelho, pois surgirá um outro evangelho inócuo para promover a bem-aventurança
prometida. Se excluirmos o escândalo e a loucura da pregação, não haverá
salvação.
Ora, se alguém ensinar outra doutrina que não
se conforma com as sãs palavras de Cristo, doutrina que é segundo o amor
de Deus, não guarda o mandamento de Cristo imaculado e irrepreensível (I Timóteo
6: 3 e 14). Acabará corrupto de entendimento e privado da verdade! (I Timóteo 3-
8).
A verdade do evangelho demonstra que é
impossível ser um dos filhos de Deus e não ser bem-aventurado. A bem-aventurança
não pode ser segmentada!
Claudio Crispim
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