(I Pedro 1: 3- 5)
Após o prefácio e a saudação, Pedro
passou a bendizer a Deus pela sua misericórdia.
A estrutura inicial desta
carta é similar a carta de Paulo aos Efésios e aos Salmos 103 e 104.
Pedro passa a bendizer, ou seja, a
adorar a Deus reconhecendo os atributos de Deus (Salmos 104) e os
benefícios concedidos aos homens (Salmos 103).
O fato de Pedro bendizer ou adorar a
Deus nada acrescenta ao Criador, pois Deus não depende da adoração
de suas criaturas para existir. Diferente são as imagens esculpidas,
que são ícones idolatrados que surgem e são mantidos somente por
serem venerados pelos homens, e que dependem desta veneração para
continuarem sendo ídolos.
No entanto, os ídolos nada são (I
Coríntios 8: 4), pois mesmo quando venerados, a adoração dos seus
adeptos nada acrescenta ou omite as imagens de escultura. Somente
são ídolos por causa de seus veneradores, mas afastando os seus
adeptos, nada representam.
Como o homem adora a Deus?
- Em primeiro lugar, só é possível
adorar a Deus em espírito e em verdade, ou seja, somente aqueles
que creram em Cristo e foram de novo criados é que o adoram
segundo o que Ele estipulou: em espírito e em verdade;
- Após o novo nascimento, cabe ao
cristão reconhecer a grandeza de Deus e todos os seus atributos,
e cantar todos os benefícios concedidos.
Pedro bendiz a Deus pela sua
misericórdia, do mesmo modo que Davi e Paulo bendisseram (Efésios 1:
3; Salmo 103: 10).
Ele aponta a misericórdia de Deus
como sendo a causa de uma nova esperança, ou seja, em primeira
instância a fé e a esperança do crente estão em Deus (I Pedro 1:
21).
Pedro é bem claro ao falar da
regeneração em Cristo: gerar de novo. Ora, nascer de novo é o mesmo
que ser participante de uma nova geração. Em Adão os homens são
gerados segundo a carne, em Cristo, o último Adão, os homens são
gerados de novo. Esta é a geração dos justos e aquela é a geração
dos ímpios.
Mas, como ocorre o novo nascimento?
O 'gerar de novo' é um ato criativo
de Deus (bara), onde Ele concede um novo coração e um novo espírito
(Salmo 51: 10). Deus não reformula ou melhora o velho homem gerado
em Adão, antes, Ele faz tudo novo.
Quando Pedro falou 'nos gerou de
novo', ele se incluiu na narrativa para demonstrar que, tanto ele
quanto os cristãos foram de novo gerados. Este não é um privilégio
restrito, antes todos os que crêem são novamente criados.
É através da ressurreição de Cristo
que Deus concede nova vida aos que crêem. Pela ressurreição de
Cristo, o primogênito dentre os mortos, os homens nascidos sob a
condenação de Adão também ressurgem para a glória de Deus e passam a
condição de filhos de Deus, e Cristo assume a posição sublime de
primogênito entre muitos irmãos.
Assim como Cristo ressurgiu dentre os
mortos e ascendeu aos céus, os cristãos ressurgem com Cristo e
assentam se nas regiões celestiais em Cristo. O mesmo poder que agiu
em Cristo ressuscitando-O dentre os mortos é que opera a
ressurreição dos que são alcançados pela misericórdia de Deus
(Efésios 1: 19- 20).
A viva esperança do crente é uma
herança incorruptível e incontaminável, que não está guardada neste
mundo, antes está guardada nos céus. A herança diz de bênçãos, do
mesmo modo que Paulo agradece a Deus por todas as bênçãos concedidas
por Deus (I Pedro 3: 9; Efésios 1: 3).
Ora, o que guarda o cristão para
salvação é o poder de Deus, da qual o homem torna-se participante
pela fé. Não é a confiança do homem que o salva ou que o sustem
(guarda), antes é o poder de Deus que preserva o homem na salvação
recebida.
Qual a virtude ou, qual o poder de
Deus para salvação?
O poder de Deus para salvação é o
evangelho de Cristo, como lemos em Romanos
"Porque
não me envergonho do evangelho
de Cristo, pois é o
poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu,
e também do grego" (Romanos 1: 16; João
1: 12, I Coríntios 1: 18).
Basta descansar
(crer) em
Deus que os cristãos são escondidos (guardado) através do seu poder para
salvação que será manifesta muito em breve a todos. Revelar, tornar
conhecido a todos os homens o retorno de Cristo (V. 5).
O poder de Deus que
preserva os que crêem da contaminação deste mundo é o evangelho da
graça.
Claudio Crispim