(I Pedro 1: 10- 13)
Pedro apresenta um fato curioso
acerca dos profetas do Antigo Testamento. Eles inquiriram
diligentemente acerca de Cristo, a salvação que seria manifesta aos
homens.
Os profetas perguntavam sobre a
salvação que haveria de ser relevada, e eram diligentes quando
profetizavam acerca de Cristo. Eles queriam saber os tempos que Deus
estabeleceu pelo seu poder.
O Espírito de Cristo concediam aos
profetas mensagens acerca da vinda do Messias e dos seus
sofrimentos, porém, a época em que estes eventos se dariam não lhes
era revelado.
Ora, segundo a presciência de Deus
Pai os eventos futuros eram revelados aos profetas, mas o fato de
Deus conceder de antemão a revelação de eventos futuros não
interfere nas decisões dos homens (v. 11).
É pela presciência de Deus que ele
antecipa aos seus profetas os eventos futuros, porém, a salvação não
é determinada com base na presciência, antes na santificação através
da obediência ao evangelho, que é a fé entregue aos santos (Judas
3).
Os profetas tinham conhecimento que
falavam de coisas grandiosas para outros, e que as suas mensagens
não diziam respeito a eles. Pedro quer que os cristãos tenham na
memória que os profetas não profetizam acerca de bens para eles
mesmos, antes, que eles (profetas) conheciam plenamente que outros
seriam favorecidos pela graça de Deus.
Os profetas testificavam acerca
de Cristo, e os apóstolos agora, pelo Espírito Santo anunciavam o
evangelho. Ou seja, a mensagem anunciada aos cristãos era a mesma
anunciada pelos profetas e que lhes aguçava a curiosidade para saber
a respeito da salvação que hoje é revelada.
Muitos entendem que os anjos
desejaram pregar o evangelho aos homens, porém, Pedro estava
demonstrando que a mesma curiosidade pertinente aos profetas, também
era pertinente aos cristãos. Do mesmo modo que os profetas
inquiriram diligentemente, os anjos também desejaram compreender (v.
12b).
As coisas que os anjos desejaram
atentar não foi desejo de anunciar as boas novas do evangelho, antes
desejaram compreender a multiforme sabedoria de Deus, que até antes
do advento da igreja era um mistério aos principados e potestades
celestiais (Efésios 3: 10).
Ora, se os anjos desejaram
compreender as grandezas do evangelho, e os profetas inquirira
diligentemente acerca da salvação, coisa que não estava reservada a
eles, chega-se a seguinte conclusão:
"Portanto,..." (I Pedro 1: 13).
Se os anjos desejaram compreender e
os profetas inquiriram acerca dos tempos, o que resta aos que estão
sendo beneficiados pela salvação revelada é cingir os lombos do
entendimento. A recomendação de Pedro é para que os cristãos tenham
uma compreensão apurada acerca das riquezas de Deus apresentada no
evangelho.
Quando os cristãos ajustam bem a sua
compreensão acerca do evangelho, deixando de lado as dúvidas e
especulações, ele passa a esperar inteiramente na graça oferecida.
Sobre a compreensão dos cristãos o apóstolo Paulo orou a Deus pelos
cristãos em Éfeso: "Oro para que,
estando arraigados e fundados em amor, possais perfeitamente
compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade" (Efésios 3: 18).
A compreensão acerca das verdades
eternas deve ser a temática da vida cristã, pois o cristão só
consegue crescer na graça e conhecimento de Cristo. Não há
crescimento espiritual, pois o homem espiritual é perfeito diante de
Deus. Muitos apregoam crescimento espiritual, mas os cristãos já são
criados idôneos, ou seja, já pode participar da herança dos santos em
Deus (Colossenses 1: 12).
O que é preciso àqueles que creram na
mensagem do evangelho? Falta somente transformarem-se através da
renovação do entendimento. O que era pertinente a velha natureza, o
cristãos deve lançar fora, para viver segundo o conhecimento de
Cristo (Romanos 12: 2).
Do mesmo modo que Paulo agradece a
Deus pelas bênçãos alcançadas do verso 3 ao 14 da carta aos Efésios,
e ora a Deus para conceder aos cristãos o que lhes faltava
(conhecimento) (Efésios 1: 18), Pedro recomenda os cristãos a
ajustar a compreensão acerca do conhecimento revelado.
Jesus alertou na parábola da semente
que a compreensão é essencial a salvação, pois a ação nefasta do
inimigo do homem é arrancar a semente dos corações que não
compreendem "Ouvindo alguém a palavra do
reino, e não entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado
no coração" (Mateus 13: 19).
É por isso que o escritor aos
Hebreus recomenda os cristãos atentarem diligentemente para as
coisas que já ouviram, para que em tempo algum (bonança ou
perseguição) se desviem (Hebreus 2: 1).
Pedro recomenda a sobriedade, pois
ela é essencial à vigilância, principalmente àqueles que aguardam a
revelação de Cristo Jesus, o Senhor (I Tessalonicenses 5: 6).
Claudio Crispim