A Primeira Epístola do
Apóstolo

Pedro

 

 

22 Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro;

23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.

24 Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;

25 Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.


 

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(I Pedro 1: 22- 25)

Os versos 22 e 23 são equivalentes, ou seja, expressam dois eventos provenientes da mensagem do evangelho.

Somente Deus gera de novo e purifica o homem. Somente Deus podia realizar o pedido do salmista Davi: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto" (Salmo 51: 10). Somente Deus (Espírito) pode espargir água limpa (palavra) sobre os homens, concedendo-lhes um novo coração e um novo espírito (Ezequiel 36: 25- 27). O novo Nascimento somente ocorre por intermédio da água (semente incorruptível) e do Espírito (Deus) (João 3: 5).

Pedro demonstra que efetivamente os cristãos foram purificados quando creram na mensagem do evangelho (v. 22). 'Obedecer à verdade' é o mesmo que 'cumprir o mandamento de Deus' que é: "... que creiamos no nome do seu Filho..." (I João 3: 23).

Somente quando se crê (obedece) na mensagem do evangelho o Espírito Eterno digna-se em realizar a sua obra "Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" (João 6: 29).

Deus purifica o homem completamente (livra do jugo) e o fardo que agora deve carregar por estar em Cristo é amar uns aos outros, segundo o seu mandamento (I João 3: 23).

Antes, por ser descendente de Adão, o coração do homem era 'enganoso' e 'incorrigível', agora, por estar em Cristo, foi concedido um novo coração puro, sendo possível amar uns aos outros ardentemente com um coração puro (Jeremias 17: 9; Salmos 51: 10, I Pedro 1: 22).

Observe a semelhança entre o verso 22 e o verso 2:

"...eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus ..." (v. 1);
"Tendo purificado as vossas almas na obediência à verdade..." (v. 22).

Pedro apresenta a doutrina da regeneração ou do novo nascimento.

Por que os cristãos foram de novo gerados? Porque todos os homens são gerados em Adão, de uma semente corruptível (João 1: 13). Após crer na mensagem do evangelho, os homens que foram gerados em Adão, agora são de novo gerados pela palavra de Deus.

A palavra de Deus é viva e permanece para sempre, e todos que são de novo gerados passam a viver para sempre com Deus.

Para demonstrar que todos os homens nascidos em Adão são perecíveis, Pedro cita uma passagem de Isaias: "Diz uma vos: Clama. E eu disse: Que hei de clamar? Todos os homens são como a erva, e toda a sua beleza como as flores co campo. Seca-se a erva, e caem as flores, soprando nelas o hálito do Senhor. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra do nosso Deus subsiste eternamente" (Isaias 40: 6- 8).

Observe que a citação de Pedro não é "ips literis". Ele somente evidência a idéia do texto de Isaias, demonstrando que todos os homens nascidos da carne (toda carne) são comparados a erva. Toda a glória que o homem possui é comparável a flor da erva.

Para demonstra quão fugaz é a existência dos homens, Pedro somente arremata: "Secou-se a erva, e caiu a sua flor". Ele não se ateve ao processo de degradação pertinente a existência do homem que culmina com os eu retorno ao pó da terra.

Já a palavra de Deus é completamente diferente: ela permanece para sempre, e os que por ela são de novo gerados subsistem eternamente.

Sobre esta verdade Jesus disse: "Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada" (Mateus 15: 13).

Ora, a planta que o Pai não plantou são os homens nascido em Adão e todos serão arrancados. Porém, aqueles que nascem da palavra de Deus, são plantação do Senhor, árvores de justiça "A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado" (Isaías 61: 3).

 

Claudio Crispim 

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