(I Pedro 1: 14- 19)
O comportamento dos cristãos deve
ser conforme o comportamento de filhos obedientes. Quando obedeceram
a fora de doutrina que foi entregue no evangelho, crendo, os
cristãos receberam poder para serem feitos (criados) filhos de Deus
(João 1: 12).
Agora, de posse desta nova condição:
filhos do Deus vivo, também devem viver como filhos obedientes. Ora,
não é o comportamento dos cristãos que os faz filhos de Deus, e nem
o comportamento diário que os mantêm na condição de filhos.
Antes, os cristãos são filhos porque
obedeceram ao mandamento que diz: "Ora, o seu
mandamento é este, que creiamos no nome do eu Filho Jesus Cristo, e
nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento" (I João
2: 23). Crer é o mesmo que obedecer
a Deus!
Porém, apesar de não ser o
comportamento que faz o homem filho de Deus, antes o ser de novo
gerado segundo o poder do evangelho, agora que se é filho, os
cristãos não devem se conformar com as concupiscências que antes
tinham na ignorância.
Os desejos são pertinentes ao homem.
Desde o Éden a concupiscência acompanhava o homem (Genesis 3: 6).
Percebe-se que a concupiscência não é o pecado, porém, os desejos do
novo homem não devem ser conforme os desejos dos homens que
ainda vivem na ignorância.
Se o homem foi alcançado pelo
conhecimento do evangelho, que o liberta das trevas da ignorância,
deve agora pensar nas coisas que são de cima, onde Cristo está
assentado a destra de Deus. Deve aguardar inteiramente na graça que
a revelação de Cristo oferece (v. 13).
Os desejos são pertinentes a esta
vida, e todos que se deixam levar pelas concupiscências da carne, dos
olhos e pela soberba da vida é por que não são sóbrios (vigilantes).
Pedro quer demonstrar que a concupiscência gera tentação
"Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria
concupiscência, depois, havendo a concupiscência
concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a
morte" (Tiago 1 : 14- 15).
Os cristãos devem pautar os seus
desejos segundo o amor não fingido, pois os desejos segundo a
concupiscência dos homens não é pertinente àqueles que foram
iluminados pela luz do evangelho "Para que, no
tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as
concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus" (I
Pedro 4: 2).
Mas, como é Santo Àquele que chamou
os cristãos à sua misericórdia, os cristãos também deveriam ser
santos em todo o procedimento.
Observe que o comportamento dos
cristãos é uma recomendação do apóstolo, e não uma imposição de
Deus. Deus é santo porque a ninguém oprime, ou seja, ele não obriga
nenhuma de suas criaturas a servi-lo "Ao
Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a
ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça" (Jó 37: 23).
Ele é santo e por isso chama,
convida, oferece aos homens salvação. A santidade de Deus não impõe
aos homens a sua vontade. Ele não predestina ninguém à salvação ou à
perdição.
O cristão é santo porque foi criado
de novo participante da natureza de Deus. Não é o comportamento do
cristão que o mantém separado dos pecadores, pois há muitos
pecadores que tem uma vida regrada, e não são santos (separado para
uso exclusivo de Deus).
Mas, como Deus é santo e chamou o
homem à santidade, é de bom alvitre que os cristãos mantenham-se
separados também do comportamento dos ímpios pecadores (I Pedro 1:
15).
Ora, Pedro não faz esta recomendação
por acaso, visto que está escrito: "Sede
santos, porque eu sou santo" (I Pedro 1: 16). Ora, o
versículo não recomenda aos homens que se santifiquem, pois isto é
impossível aos homens. Antes o versículo expressa a vontade de Deus,
pois é através da oferta do corpo de Cristo que o homem é
santificado (Hebreus 10: 10).
Ora, quando Deus diz: 'Sede santo',
temos a sua vontade (querer), e o seu efetuar através da sua palavra
(Sede) "Porque Deus é o que opera em vós tanto
o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade"
(Filipenses 2: 13). 'Sede' não é uma ordem, antes expressa a vontade
de um Deus que trabalha para aqueles que nele esperam.
Este verso apresenta a mesma vontade
de Deus a Abraão, 'anda na minha presença e sê perfeito' (Genesis
17: 1). Ora, ser perfeito não é a condição para se andar na presença
de Deus, mas ao andar na presença de Deus, o homem é perfeito, visto
que ele justifica todos os que nele esperam como foi justificado
Abraão pela fé.
Deus não exige perfeição do homem,
antes é na sua vontade que o homem é aperfeiçoado
"Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus" (Deuteronômio 18:
13). O homem só é santo porque Deus o separou dos demais para ser
santos (Levítico 20: 26).
Pedro chama os seus interlocutores ao
raciocínio. Se os cristãos invocam por Pai um Deus que não faz
acepção de pessoas, ou seja, um Deus que julgará e retribuirá a cada
um segundo as suas obras, deve entender que, se Deus punirá os
ímpios pelas suas más ações, também será censurando pelo mal ou bem
que houver feito (II Coríntios 5: 10).
Ora, os seus filhos precisam
compreender que, o comportamento não é para salvação, visto que a
salvação é em Cristo, porém, assim como os ímpios serão julgados
segundo as suas obras, os justos também serão.
Quem cinge os lombos do entendimento
compreendem que Deus não faz acepção de pessoas; que não foi com
coisas corruptíveis que foram salvos; que o sangue de Cristo é
precioso, o cordeiro de Deus sem mácula.
Pedro convoca os cristãos à
sobriedade, para que não andassem segundo a vaidade dos pensamentos,
entenebrecidos no entendimento (Efésios 4: 17- 18), mas que
servissem ao Senhor não fazendo uso do que é pertinente ao velho
homem, que já foi crucificado e sepultado co Cristo (Colossenses 3:
8- 10).
Claudio Crispim