(I Pedro 2: 18- 23)
Aos cristãos que eram escravos
(servos), Pedro recomenda sujeitarem-se aos seus senhores. A
sujeição dos cristãos 'escravos' deveria ser com todo temor.
A sujeição recomendada aos senhores é
proveniente do temor a Cristo, o Senhor, e não por medo dos seus
senhores, pois Cristo declarou o seu cuidado pelos seus seguidores:
"E não temais os que matam o corpo e não podem
matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a
alma e o corpo (...)
Não temais,
pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos"
(Mateus 10: 28).
Os cristãos, escravos ou não, devem
temer a Deus, Aquele que tem poder para lançar os homens no inferno.
Ora, o amor a Deus lança fora o medo, pois quem O teme está livre do
inferno. A paz proveniente dos ensinos de Jesus é que motivaria os
cristãos escravos a serem obedientes aos seu senhores na carne
"Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais
paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o
mundo" (João 16: 33).
Sobre este aspecto do evangelho,
Paulo também disse:
"Vós, servos, obedecei
em tudo a vossos
senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para
agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus,
e tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração,
como
ao Senhor, e não
aos homens" (Colossenses 3 : 22- 23).
Por que 'temer' os homens se eles não tem
poder sobre a alma? Para que os cristãos tivessem uma vida quieta e
sossegada (I Timóteo 2: 2). A temática do evangelho não é incitar as
pessoas a pegar em espadas e saírem em defesa de questões
humanitárias, ou de algum regime político, como ocorre em algumas
concepções religiosas.
Ora, a sujeição aos homens em eminência é
produto do temor a Deus, Àquele que tem poder para lançar o corpo e
a alma no inferno.
Observe que as colocações de Jesus, Pedro e
Paulo não se contradizem. Isto demonstra que todos tinham um mesmo
parecer acerca das questões socioculturais.
A sujeição dos cristãos escravos deveria
estender-se também aos senhores maus, ou seja, eram para
sujeitarem-se não somente aos senhores bons (v. 18).
Alguém pode questionar: Por que o evangelho
não apregoou a insurreição dos escravos contra os seus senhores?
Jesus não veio salvar os pobres e os oprimidos?
Não! Jesus não veio mudar os
reinos e a concepção de sociedade dos homens. Jesus não
veio mudar as relações humanas e implantar uma doutrina com bandeira
semelhante à concepção marxista. A temática: liberdade, igualdade e
fraternidade não foi instituída através do evangelho de Cristo. Tal
concepção de sociedade é produto da concepção de alguns homens,
embora influenciados pelo cristianismo, mas que não lhes deu o
direito a salvação em Cristo.
Jesus veio ao mundo salva-lo de condenação
anterior, a condenação em Adão, e não readequar ou resgatá-lo de
regimes como o autoritarismo, monarquismo, ditadura, comunismo,
socialismo, capitalismo, etc. Ora, todos os regimes políticos foram
impostos através de uma luta constante dos homens pelo poder, sendo
que alguns regimes políticos foram mais e outros menos agressivos.
Mas, por que o apóstolo Pedro recomenda a
sujeição dos cristãos escravos aos seus senhores? Ele responde:
"Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da
consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo
injustamente" (v. 19).
Observe que Pedro aponta a
consciência do cristão para com o seu Deus como motivo suficiente
para sofrer agravos até de um senhor mau. É agradável a Deus que
alguém se sujeite a sofrer afrontas injustamente por causa da
compreensão (consciência) do evangelho.
Deus agrada-se da consciência dos que
crêem, e não da consciência social, política, moral, etc. Não é de
valor para a salvação o sofrimento por causa de questões sociais,
políticas, econômicas, morais, etc., pois a salvação encontra-se
única e exclusivamente em Cristo.
Que glória resultará a Deus se os
cristãos escravos sofressem por estarem comportando-se de modo
desordeiro? De igual modo, que glória resultará a Deus se os
cristãos livres não se submeterem as leis da sociedade?
A palavra pecado do verso 20 não se
refere ao pecado herdado de Adão, antes a palavra grega traduzida
por pecado equivale a idéia do que é mau. Ora, se é agradável os
cristãos fazerem o bem e mesmo assim serem afligidos, não é
agradável quando sofrem por fazerem o mau (pecado) (v. 20).
Para que os cristãos foram chamados?
Para padecerem? Não! Para darem glória a Deus, fazendo o que lhe é
agradável (v. 19- 20).
Pedro demonstra que Cristo sofreu por
todos os cristãos para que seguissem o seu exemplo: não injuriar
quando injuriado; não ameaçar quando padecer, antes é preciso
entregar-se a Deus, Àquele que julga com justiça (v. 23).
O exemplo dado por Cristo é
significativo, pois ele nunca cometeu pecado, e nem em sua boca
houve engano, porém, foi perseguido, injuriado, maltratado, etc.
Pedro para de falar de questões
comportamentais e volta a abordar uma questão doutrinária sobre modo
importante: a morte para o pecado e a vida para justiça (v. 24- 25).
O cristãos não deve prender-se em
questões socioculturais, porém, deve agir conforme disse o apóstolo
Paulo: "Foste
chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes
ser livre, aproveita a ocasião" (I
Coríntios 7: 21).
Claudio Crispim