A Primeira Epístola do
Apóstolo

Pedro

 

 

18 Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos Senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus.

19 Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente.

20 Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus.

21 Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.

22 O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.

23 O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente;


 

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(I Pedro 2: 18- 23)

Aos cristãos que eram escravos (servos), Pedro recomenda sujeitarem-se aos seus senhores. A sujeição dos cristãos 'escravos' deveria ser com todo temor.

A sujeição recomendada aos senhores é proveniente do temor a Cristo, o Senhor, e não por medo dos seus senhores, pois Cristo declarou o seu cuidado pelos seus seguidores: "E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo (...) Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos" (Mateus 10: 28).

Os cristãos, escravos ou não, devem temer a Deus, Aquele que tem poder para lançar os homens no inferno. Ora, o amor a Deus lança fora o medo, pois quem O teme está livre do inferno. A paz proveniente dos ensinos de Jesus é que motivaria os cristãos escravos a serem obedientes aos seu senhores na carne "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16: 33).

Sobre este aspecto do evangelho, Paulo também disse: "Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus, e tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens" (Colossenses 3 : 22- 23).

Por que 'temer' os homens se eles não tem poder sobre a alma? Para que os cristãos tivessem uma vida quieta e sossegada (I Timóteo 2: 2). A temática do evangelho não é incitar as pessoas a pegar em espadas e saírem em defesa de questões humanitárias, ou de algum regime político, como ocorre em algumas concepções religiosas.

Ora, a sujeição aos homens em eminência é produto do temor a Deus, Àquele que tem poder para lançar o corpo e a alma no inferno.

Observe que as colocações de Jesus, Pedro e Paulo não se contradizem. Isto demonstra que todos tinham um mesmo parecer acerca das questões socioculturais.

A sujeição dos cristãos escravos deveria estender-se também aos senhores maus, ou seja, eram para sujeitarem-se não somente aos senhores bons (v. 18).

Alguém pode questionar: Por que o evangelho não apregoou a insurreição dos escravos contra os seus senhores? Jesus não veio salvar os pobres e os oprimidos?

Não! Jesus não veio mudar os reinos e a concepção de sociedade dos homens. Jesus não veio mudar as relações humanas e implantar uma doutrina com bandeira semelhante à concepção marxista. A temática: liberdade, igualdade e fraternidade não foi instituída através do evangelho de Cristo. Tal concepção de sociedade é produto da concepção de alguns homens, embora influenciados pelo cristianismo, mas que não lhes deu o direito a salvação em Cristo.

Jesus veio ao mundo salva-lo de condenação anterior, a condenação em Adão, e não readequar ou resgatá-lo de regimes como o autoritarismo, monarquismo, ditadura, comunismo, socialismo, capitalismo, etc. Ora, todos os regimes políticos foram impostos através de uma luta constante dos homens pelo poder, sendo que alguns regimes políticos foram mais e outros menos agressivos.

Mas, por que o apóstolo Pedro recomenda a sujeição dos cristãos escravos aos seus senhores? Ele responde: "Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente" (v. 19).

Observe que Pedro aponta a consciência do cristão para com o seu Deus como motivo suficiente para sofrer agravos até de um senhor mau. É agradável a Deus que alguém se sujeite a sofrer afrontas injustamente por causa da compreensão (consciência) do evangelho.

Deus agrada-se da consciência dos que crêem, e não da consciência social, política, moral, etc. Não é de valor para a salvação o sofrimento por causa de questões sociais, políticas, econômicas, morais, etc., pois a salvação encontra-se única e exclusivamente em Cristo.

Que glória resultará a Deus se os cristãos escravos sofressem por estarem comportando-se de modo desordeiro? De igual modo, que glória resultará a Deus se os cristãos livres não se submeterem as leis da sociedade?

A palavra pecado do verso 20 não se refere ao pecado herdado de Adão, antes a palavra grega traduzida por pecado equivale a idéia do que é mau. Ora, se é agradável os cristãos fazerem o bem e mesmo assim serem afligidos, não é agradável quando sofrem por fazerem o mau (pecado) (v. 20).

Para que os cristãos foram chamados? Para padecerem? Não! Para darem glória a Deus, fazendo o que lhe é agradável (v. 19- 20).

Pedro demonstra que Cristo sofreu por todos os cristãos para que seguissem o seu exemplo: não injuriar quando injuriado; não ameaçar quando padecer, antes é preciso entregar-se a Deus, Àquele que julga com justiça (v. 23).

O exemplo dado por Cristo é significativo, pois ele nunca cometeu pecado, e nem em sua boca houve engano, porém, foi perseguido, injuriado, maltratado, etc.

Pedro para de falar de questões comportamentais e volta a abordar uma questão doutrinária sobre modo importante: a morte para o pecado e a vida para justiça (v. 24- 25).

O cristãos não deve prender-se em questões socioculturais, porém, deve agir conforme disse o apóstolo Paulo: "Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião" (I Coríntios 7: 21).

 

Claudio Crispim 

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