(I Pedro 2: 8- 10)
Pedro classifica os homens em crentes
e descrentes.
Para os que crêem em Cristo, Ele é a
pedra eleita e preciosa, para os descrentes Ele a pedra de tropeço,
a rocha de escândalo (I Pedro 2: 7).
Ora, quem crer na Escritura que diz:
"Vede, ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem
nela crer não será confundida" (I Pedro 2: 6), é edificado
casa espiritual, onde Deus faz morada eterna.
Quem não crê na palavra que diz:
"Vede, ponho em Sião uma pedra angular", tropeça na palavra, pois
não a compreende. Quem tropeça na palavra é desobediente, pois não
crê no enviado por Deus.
Ora, os homens ímpios foram
destinados à impiedade, do mesmo modo que os justos são destinados à
justiça. Como? Quem são os homens ímpios? Quando e como foram
destinados à impiedade?
Os homens nascidos em Adão são
pecadores, e, portanto, ímpios. Todos são destinados à impiedade,
pois nasceram de Adão. São filhos da ira e da desobediência de Adão,
que desobedeceu a palavra de Deus e comeu do fruto da árvore do
conhecimento do bem e mal.
Em Cristo, o último Adão, os homens
são criados filhos de Deus através da obediência de Cristo, que tudo
suportou, e foi obediente até a morte, e morte de cruz.
Diferente dos ímpios que foram
destituídos da glória de Deus, os cristãos são a geração eleita
(escolhida), isto porque uma é a geração dos ímpios e outra a
geração dos justos. Qual é a geração dos ímpios? É a geração de
Adão. E qual é a geração dos justos? É a geração do último Adão, que
é Cristo.
Diferente dos descrentes, os
cristãos, por terem crido em Cristo receberam poder para serem
feitos filhos de Deus. É por isso que Pedro demonstra que os
cristãos são geração eleita "Mas vós sois a
geração eleita..." (v. 9).
Além de serem a geração eleita, os
cristãos também são sacerdócio real, são nação santa, são povo
adquirido. Mas, para que? Para que proclamem as virtudes de Deus,
que chamou homens que viviam em trevas, para viverem sob a sua
maravilhosa luz.
A geração de Adão não é a escolhida
por Deus, pois ao pecar, Adão e toda a sua geração foi destituída de
Deus. A geração do último Adão é a escolhida (eleita), pois ao
obedecer, Jesus conduziu muitos filhos à glória de Deus.
Observe que as considerações
monergistas não comportam a doutrina de Cristo. Dizer que a
regeneração precede a fé é contrário a doutrina bíblica, pois
primeiro é concedido a esperança proposta (fé), e os homens precisam
descansar nesta esperança (fé), que também é designada fé
"Para que
por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta,
tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em
reter a esperança proposta" (Hebreus 6:
18).
Quem são os cristãos?
São aqueles homens que se refugiem em reter a esperança proposta. A
proposta de salvação é de Deus, e é pertinente ao homem refugiar-se
em aguardar na esperança proposta.
As questões
sinergista ou monergista não são bíblicas, pois a fé e a esperança
são provenientes da fidelidade de Deus
"E por ele credes
em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para
que a vossa fé e esperança estivessem em Deus" (I Pedro 1:
21).
Por que Deus daria o seu Filho como
testemunha ao ressuscitá-lo dentre os mortos, se a regeneração
precede a fé? Por que a fé e a esperança está em Deus, se o homem
coopera com Deus?
Perceba que é impossível o homem
cooperar na regeneração simplesmente por aguardar em Deus, pois é
impossível a quem está sendo gerado de novo segundo a palavra de
Deus participe desta nova criação. É impossível o homem cooperar com
Deus, pois só Ele 'bara' (cria) com base na sua palavra.
Pedro utiliza a mesma fala do
apóstolo Paulo:
"Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora
sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia,
mas agora alcançastes misericórdia" (I Pedro 2: 10);
"Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor"
(Efésios 5: 8).
Pedro fez referência
aos judeus ou aos gentios? Os judeus não eram o povo de Deus? Ao
serem escolhidos como povo, os judeus não alcançaram misericórdia?
Por certo que não! Tanto judeus quanto gregos, antes de crerem em
Cristo não eram o povo eleito de Deus e nem a geração eleita.
Tanto judeus, quanto
gregos, servos, livres, pobres, ricos, todos os cristãos em um outro
tempo não eram povo de Deus. Mas, agora, ao nascerem de novo segundo
a palavra de Deus, aqueles que não eram povo passaram a ser povo,
uma vez que pela fé proposta (evangelho) alcançaram fé e descansaram em Deus.
Crer em Deus é
alcançar misericórdia. Crer em Deus é atender o chamado. Crer em
Deus é ser eleito, pois Deus chamou os homens nascidos de Adão para
serem criados de novo, participantes de sua natureza.
Claudio Crispim