(I Pedro 2: 24- 25)
Pedro continua as suas considerações
apontando o servo por excelência: Cristo (Isaias 52: 13).
Cristo, o servo escolhido e
obediente, levou em seu corpo os pecados dos cristãos, e por que não
dizer, do mundo inteiro?
Pedro faz referência a um trecho do
livro do profeta Isaias, sem especificamente citá-lo. Ovelhas
desgarradas, pelas suas feridas fostes sarados e levando ele mesmo
os nossos pecados refere-se ao trecho de Isaias 53, e Pedro faz uma
releitura do texto, parafraseando-o:
"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as
nossas dores levou sobre si (...) Todos nós andávamos desgarrados
como ovelhas (...) como cordeiro foi levado ao matadouro..."
(Isaias 53: 4- 7).
Como Cristo levou os pecados da
humanidade sobre si, se Deus não toma o culpado por inocente, não
trata o justo como injusto e a alma que pecar essa morrerá?
Primeiro é preciso considerar o tipo
de linguagem utilizada, pois a linguagem teológica difere da
linguagem evangelística. Na linguagem evangelística é válido dizer
que Deus salva o pecador, porém, na linguagem teológica é salvo
somente quem nascer de novo, ou seja, somente o novo homem em
Cristo, que outrora era pecador, é salvo por Deus.
Segundo, a oferta do corpo de Cristo
é segundo a vontade de Deus (Hebreus 10: 10).
Ora, Cristo morreu pelo pecadores, e
todos os que crêem na mensagem do evangelho tornam-se participantes
da sua morte, quebrando o vínculo do homem com o seu antigo senhor,
o pecado.
Os homens nascidos em Adão que não
morrerem com Cristo, não tem como ressurgir com Cristo. Só é
possível ressurgir uma nova criatura quando o homem torna-se
participante da morte de Cristo.
Mas, como o homem torna-se
participante da morte de Cristo? Quando come da sua carne e bebe do
seu sangue, ou seja, quando crê na sua palavra, pois ela é espírito
e vida, da qual o homem deve ser participante pela fé
"O espírito é o que vivifica, a carne para
nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida"
(João 6: 63).
Como as palavras de Cristo são
espírito e vida e só é possível ter vida quando se come a carne e
bebe o sangue de Cristo, a fé na promessa contida no evangelho é o
único meio do homem comer do pão vivo enviado do céu (João 6: 35 e
53).
É preciso morrer para depois
ressurgir uma nova criatura, quando passa a existir um novo tempo de
justiça e paz. Antes, os cristãos eram como ovelhas quando
desgarradas, agora, em Cristo, voltaram ao Pastor e Bispo das suas
vidas (v. 25).
É impossível viver para a justiça
quando se está longe do Pastor e Bispo das almas regeneradas. Estar
longe de Deus é o mesmo que estar vivo para o pecado, e morto para a
justiça.
Quando o homem desgarrado como ovelha
sem pastor crê em Cristo, efetivamente morre com Cristo, e ressurge
um novo homem participante da natureza divina.
Observe que Jesus convidou os seus
ouvintes a seguirem-no até a cruz, pois qualquer que quisesse
preservar a sua vida, haveria de perde-la
"Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua
vida, guardá-la-á para a vida eterna" (João 12: 25).
Paulo também reafirma a doutrina de
Cristo: "Pois morrestes, e a vossa vida está
oculta com Cristo em Deus" (Colossenses 3: 3).
Pedro não é diferente:
"... mortos para os pecados..." (v. 24), ou seja, quando os
cristãos morreram, morreram para o pecado, e passaram a viver para
Deus através da ressurreição de Cristo.
Ambos, Pedro e Paulo falam acerca de
um tempo passado:
"Porque éreis como ovelhas desgarradas" (v. 25);
"Porque noutro
tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos
da luz" (Efésios 5: 8).
Agora, Em Cristo, os cristãos estão livres de pecado, pois para isto
Cristo veio, morreu, ressurgiu e assentou-se à destra de Deus nas
altura: "De
outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a
fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se
manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de
si mesmo" (Hebreus 9:
26).
Claudio Crispim