(I Pedro 2: 11- 17)
Pedro pede aos cristãos que se
abstenham dos desejos da carne. Ora, Pedro não utiliza-se da sua
autoridade de apóstolo para estabelecer um mandamento, pois somente
Deus é legislador, e a sua ordem é clara: creiam naquele que Deus
enviou (I João 3: 23).
Do mesmo modo é o tratamento
dispensado por Paulo aos cristãos: "Portanto,
como prisioneiro do Senhor, rogo-vos..." (Efésios 4: 1).
Enquanto Paulo aponta a sua condição de prisioneiro para dar
consistência ao seu pedido, Pedro aponta a condição dos cristãos:
peregrinos e forasteiros.
Ora, que desejo tem um peregrino e um
forasteiro em uma cidade que não lhe pertence? Um peregrino ou
forasteiro pensa nas coisas pertinentes a sua cidade, e almeja as
coisas que são pertinentes a ela.
Neste mesmo diapasão disse Paulo:
"Pensai
nas coisas que são de cima, e não nas
que são da terra" (Colossenses 3: 2).
Como um forasteiro pode ater-se em coisas de uma terra que não lhe
pertence?
Os apóstolos
recomendam os cristãos a não fixarem os seus desejos e interesses
nas coisas deste mundo, uma vez que não pertencem a este mundo
"Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou"
(João 17: 18).
Pedro pede aos cristãos que se
abstenham das concupiscências carnais, pois elas combatem contra a
alma. Por que abster-se das concupiscências carnais?
- Porque as concupiscências da
carne é anterior ao pecado, ou seja, é algo pertinente à
natureza humana (humanidade) "E viu a
mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos
olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu
fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela"
(Gênesis 3: 6);
- A concupiscência não é pecado,
porém, ela pode afastar o homem de Deus (Tiago 1: 15).
É necessário fazer a distinção entre
pecado e concupiscência, pois o pecado é proveniente da semente
corruptível de Adão. Ora, o pecado foi introduzido no mundo através
da desobediência de Adão, e não é dado a nenhum outro homem pecar a
semelhança da condenação de Adão (Romanos 5: 14).
Por que é impossível aos homens
nascidos de Adão pecarem a semelhança de Adão? Pois todos estão
sobre o jugo de Adão, e as suas condutas, por mais perniciosas que
sejam, não pode melhorar ou piorar as suas condições diante de Deus:
estão destituídos da glória de Deus.
A concupiscência é pertinente a
humanidade, independentemente se é homem natural ou espiritual. Adão
foi criado santo e irrepreensível, e os desejos da carne estavam
presentes: ele observava as coisas e as desejava (Genesis 3: 6).
Os desejos dos homens sem Cristo são
variáveis, podendo ser perniciosos ou não. Mas, do mesmo modo, todos
quanto nasceram de novo também tem desejos, porém, não podem deixar
serem dominados por nenhum deles "Todas as
coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as
coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma"
(I Coríntios 6: 12).
Ora, os desejos da carne combatem
contra a alma, e procuram dominá-la. A coisa desejada pode até ser
lícita, porém, mesmo sendo lícita, o cristão não pode deixar as
concupiscências da carne (desejos) dominar a alma.
Sobre a concupiscência Jesus disse:
"E
a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por
diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da
vida, e não dão fruto com perfeição" (Lucas 8: 14).
Cuidar das coisas da vida e buscar uma melhora financeira não é
ilícito, mas qualquer um que for vencido pela concupiscência, e for
dominado por ela, acabará trocando a promessa de vida eterna por um
prato de lentilhas.
Pedro não impôs nenhuma ordenança aos
cristãos, antes pediu aos seus leitores que vivessem de modo honesto
entre os gentios. Observe que os cristãos tem um viver pertinente a
este mundo, porém, por serem nascidos de novo, a vida que adquiriram
pertence única e exclusivamente a Deus.
Por que um viver honesto? Para
alcançar salvação? Não! Antes, o viver honesto é para que os ímpios
possam ver as boas ações dos cristãos e glorifiquem a Deus, embora
agora falem dos cristãos como sendo malfeitores.
Em que aspecto Pedro solicita um bom
comportamento? Nas questões relativo as ordens do rei ou dos
governantes. É por amor do Senhor que os cristãos deviam sujeitar-se
aos reis.
Pedro evidência que os governos
humanos foram estabelecido por Deus quando solicita que se sujeitem
as leis dos homes por amor a Cristo. Ora, os governos humanos são
instituídos sobre a premissa de que eles castigam os malfeitores e
premiam os que fazem boas ações.
Pedro responde uma colocação de
Paulo: "E
não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela
renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a
boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12: 2).
Qual a vontade de Deus que o cristão deve experimentar? Fazer o bem,
para que os ignorantes não tenha o que falar (v. 15).
Os cristãos vivem como livres, visto
que é servo da justiça. Ora, quem é livre no Senhor, não deve ter a
sua liberdade por cobertura da malícia, pois é servo do Senhor.
A exortação é clara para que é livre
no Senhor: Honrar a todos. Amar fraternalmente. Temor a Deus, o
Senhor. Honra a autoridade constituída (v. 17).
Claudio Crispim