(I Pedro 1: 20- 21)
Pedro compara o sangue de Cristo como
sendo o de um cordeiro sem mancha ou mácula, ou seja, perfeito (I
Pedro 1: 19).
Ora, Cristo foi 'conhecido' do Pai
antes da fundação do mundo (na eternidade). Em 'outro tempo', ou
seja, um tempo específico que não é conforme o tempo dos homens.
Mas, o que é ter sido 'conhecido'
antes da fundação do mundo? Que tipo de 'conhecer' é este apontado pelo
apóstolo Pedro?
É 'conhecido' de Deus aquele que o ama
"Mas, se
alguém ama a Deus, esse é conhecido
dele" (I Coríntios 8: 3). Jesus
também falou acerca de ter sido conhecido do Pai, pois o Pai O amou:
"Pai, aqueles que me deste quero que,
onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha
glória que me deste; porque tu me amaste
antes da
fundação do mundo" (João 17:
24).
Compare:
a)
"...
porque tu me amaste antes da
fundação do mundo" (João 17:
24);
b)
"O qual, na verdade, em outro tempo foi
conhecido, ainda antes da fundação do mundo..." (I Pedro
1: 20).
Antes de haver mundo, Cristo e o Pai
estavam unidos em amor, que é o vínculo da perfeição, ou seja,
Cristo é conhecido do Pai antes mesmo de ser introduzido no mundo
como Filho amado.
Ser conhecido de Deus
é estar em Deus e Deus em nós. O homem em Deus é surpreendente,
porém, Deus nos homens é maravilhoso!
Ser 'conhecido' de
Deus é uma forma específica de fazer referência a divindade de
Cristo. É fazer dos homens e as pessoas da divindade um só
"Eu e o Pai somos
um" (João 10: 30),
e "Para que todos
sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti. Que eles também
sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes
dei a glória que tu me deste, para que sejam um, como nós somos um:
Eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade..."
(João 17: 21-
23).
Ora, o mundo não
conheceu a Cristo porque não amou a Deus, mas Cristo conheceu a
Deus, pois sempre estiveram unidos em amor. O 'conhecer' de Deus é
compartilhar da mesma natureza, e os anjos, apesar de maior em poder
e glória, jamais serão conhecidos do mesmo modo que os que crêem
conhecem a Deus, ou antes, são conhecidos dele (Gálatas 4: 8- 9).
Observe que Cristo
foi conhecido de Deus e revelado aos homens. Os anjos não conheceram
a Cristo como o Verbo encarnado na eternidade, mas viram o Unigênito
de Deus que foi revelado
aos homens
"E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se
manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos,
pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória"
(I Timóteo 3: 16).
Os anjos ficaram
maravilhados quando viram que Deus se manifestou aos homens em carne, o
Verbo Eterno encarnado. Foi lhes revelado a multiforme sabedoria
quando viram que todos que crêem tornam-se semelhantes a
Cristo, pois são novamente criados em verdadeira justiça e santidade
segundo o poder contido no evangelho.
A palavra grega 'proginosko'
(conhecer) usada em Atos 26: 5, Romanos 8: 29; 11: 2; I Pedro 1: 20
e II Pedro 3: 17 não é idêntica à palavra grega 'prognosis', usada
em Atos 2: 23 e I Pedro 1: 2, mesmo sendo correlatas. Enquanto
presciência é um dos aspectos da onisciência, atributo de Deus
relacionado ao conhecimento que ele tem de todas as coisas em todos
os tempos (eternidade e o tempo dos homens: passado, presente e
futuro), o conhecimento fala de união em amor.
Ao unirem-se
(conhecer) o homem e a mulher, tornam-se uma só carne, mas o
mistério eterno revela-se na igreja, quando o cristãos torna-se
membro do corpo de Cristo (Efésios 5: 30- 32).
Cristo foi manifesto
aos homens para que eles pudessem crer em Deus. Como? Ora, a
mensagem do evangelho demonstra que Cristo foi ressuscitado dentre
os mortos pelo poder de Deus, e que ele recebeu glória e poder, fato que
dá garantias, àqueles que com medo da morte eram servos do pecado, de que
basta confiar em Deus que será livre do medo e da servidão
"E livrasse todos os que,
com medo
da morte, estavam por toda
a vida
sujeitos à servidão"
(Hebreus 2: 15).
Cristo foi manifesto porque Deus amou
o mundo de tal maneira (v. 20), e deu o seu Filho (que foi morto e
ressurgiu), para que, por intermédio de Cristo, exemplo de fé (autor
e consumador), os homens também passem a crer em Deus (v. 21).
Ora, a fé está em Deus, que zela pela
sua palavra para cumpri-la, e a esperança do homem também, pois
espera inteiramente na salvação que a revelação de Cristo oferece
gratuitamente.
Ora, mediante a fé os cristãos estão
guardados na virtude (fidelidade) de Deus. A palavra do evangelho é
a fé que um dia foi dada aos santos (Judas 3), e por meio dela o
cristãos é preservado, esperando inteiramente na graça oferecida.
Esperar em Deus é fé, porém, a
palavra do evangelho também é designada fé. A fé que o homem
deposita em Deus equivale a esperança, e a fé que foi entregue aos
santos (evangelho) é o mesmo que 'esperança proposta' (I Pedro 1: 5;
13 e 21). Deste modo temos uma esperança proposta, que é designada
evangelho ou fé, e quem tem esta esperança em Deus, exerce 'fé'
(esperança) em Deus.
Os calvinistas e arminisnistas causam
um grande prejuízo à compreensão da verdade do evangelho porque não
conseguem distinguir que o evangelho é o mesmo que a esperança
proposta. Que o evangelho é a fé que uma vez foi dada aos santos.
Caso conseguissem distinguir que o
evangelho, a esperança proposta e a fé dada aos santos são coisas
provenientes de Deus, veriam também que crer na mensagem do
evangelho, ter fé em Deus é o mesmo que esperar inteiramente na
esperança proposta.
Claudio Crispim