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O arrependimento
Quando Jesus disse: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” Mt 4. 17, sobre qual arrependimento ele estava falando? A primeira idéia que vem à mente é a de alguém arrependido, com as mãos sobre a cabeça, dizendo: “Estou arrependido do que fiz. Que peso na consciência! Que farei para reparar o meu erro?”. Será que Jesus estava anunciando arrependimento com base nestes parâmetros? O arrependimento anunciado por João Batista se apóia na consciência e nos padrões éticos dos ouvintes? O que a bíblia diz?
“Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio” Jo 8. 9.
Este trecho bíblico é significativo para o estudo em questão.
O erro é um fato na vida de todos. Não há um ser humano que não tenha cometido um erro no decorrer de sua vida. Quando nos damos conta de nossos erros, logo após, vem o arrependimento. Não há um ser humano que nunca tenha se arrependido no decorrer de sua vida. O homem se arrepende de atos já realizados ou daqueles que não conseguiu realizar. A consciência diante dos erros tem uma variação de pesos. Se tomarmos uma decisão errada na vida, a consciência nos acusa de certa maneira. Se cometermos um crime perante a sociedade, a consciência nos acusa com um peso muito maior. Quando a consciência nos intima, resta-nos a pergunta: “Como reparar o meu erro?”. Esta análise é comum no dia-a-dia da humanidade. Porém, voltemos à pregação de João Batista: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” Mt 3. 2. João Batista conclamava aos seus ouvintes que se arrependessem, porém não se deteve em lhes apontar os erros. Por quê? João não recomendou o arrependimento por causa das intrigas que muitos estavam envolvidos. O arrependimento não era por terem deixado de pagar os impostos. O arrependimento proclamado pelo profeta não era por causa de desavenças nas famílias, mentiras, invejas, porfias, inimizades, etc. João dá o motivo pelo qual eles deveriam arrepender-se: porque é chegado o reino dos céus! A mensagem do profeta João em momento algum aponta a conduta dos ouvintes, mas a proximidade do reino dos céus. O arrependimento era proveniente da proximidade do reino dos céus, e não dos erros que os ouvintes haviam cometido no decorrer de suas vidas. Isaias e Mateus deixa bem claro qual foi a missão de João Batista: “Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas” Mt 3. 3. Através da mensagem de João Batista muitos vinham ao Jordão, confessavam os seus pecados e eram batizados para arrependimento. Porém, o profeta observou que muitos dos fariseus e dos saduceus também vinham ao batismo, e ele logo protestou: “Raça de víboras!” Mt 3. 7. Após nomear os fariseus e saduceus, João Batista pergunta: “Quem vos ensinou a fugir da ira futura?”. Quem havia ensinado os fariseus e saduceus estava no mínimo equivocado. João Batista demonstrou que só é possível ser livre da ira futura quando o homem produz os frutos decorrente do arrependimento “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” Mt 3. 8. Os fariseus e saduceus estavam apegados ao entendimento de que estavam livres da condenação eterna pelo simples fato de serem descendente de Abraão. Eles foram ensinados que bastavam terem Abraão por pai que estavam livres da condenação eterna, porém João Batista deixou-lhes o alerta: “E, não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” Mt 3. 9. A mensagem do profeta era clara: “Arrependei-vos...”, e os fariseus e saduceus vinham ao batismo arrependidos do que? Se eles estavam vindo ao batismo, era porque estavam arrependidos de alguma coisa. A maneira que João Batista chama os fariseus e saduceus (raça de víboras) nos faz compreender do que eles estavam arrependidos. Muitos vinham ao batismo de João por não conseguirem mover os fardos pesados e difíceis que a religião os impunha. O que eles diziam para os homens fazerem, acabavam por não fazer. Mesmo tendo a aparência de justos diante dos homens, vinham ao batismo de João para se livrarem do peso na consciência, visto que eram hipócritas e cheios de iniqüidades. Compare com Mt 23. 1-5 e 33. Mas, não era este o arrependimento que João estava apregoando. Eles deveriam se arrepender por estar próximo o reino dos céus, ou seja, da mesma forma que é possível reconhecer a árvore pelos seus frutos, o arrependimento exigido é reconhecido pelos frutos que produz. Como João reconheceu que eles não produziam frutos digno de arrependimento? Por ainda professarem serem salvos em Abraão. O fruto da qual o apóstolo faz referência é o frutos dos lábios. Continuar a dizer que eram filhos de Abraão era a evidência de que os escribas e fariseus não haviam se arrependido. O pensamento de que tinham a Abraão por pai era um fruto claro de que não tinham se arrependido. Esta era uma evidência clara de que o caminho do Senhor naqueles que estavam se batizando não estava preparado. Compare Mt 7. 20- 21 com I Jo 4. 1- 3. O que o homem professa é um fruto palpável do que ocorrem em seu coração. Se este homem professa a Cristo como Senhor e segundo as Escrituras, ele estará produzindo o fruto de uma nova concepção, e nela está a semente incorruptível do qual todos quantos participarem nascerão de novo. Mas, se continuar a professar segundo a sua mente enfatuada, o seu fruto conterá o veneno da serpente. Ele anunciará um caminho tortuoso que não conduz a Deus. Por isso o profeta João disse: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” Mt 3. 11. O batismo de João era para o arrependimento, visto que ele estava preparando ‘... no ermo vereda a nosso Deus’ Is 40. 3. Os fariseus e saduceus, ao persistirem alegando ter por pai a Abraão, não conseguiram aceitar a mensagem de Jesus predita por Isaias: “Aqui está o vosso Deus” Is 40. 9. O arrepender-se dos erros cometidos confere vida eterna? É esta a mensagem de Jesus e João Batista? Ou a proximidade do reino dos céus é o motivo pela qual os homens devem arrepender-se?
“Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fósseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão” Jo 8. 37.
Se os fariseus e os saduceus tivessem se arrependido conforme o alerta de João Batista, não teriam chegado ao ponto de pegarem em pedras para atirar em Jesus. Buscaram o Batismo de João, não pela proximidade do reino dos céus, mas para se verem livres da consciência e dos seus erros do passado. O erro é um fato na vida de todos os homens. Não há um ser humano que não tenha cometido um erro no decorrer de sua vida. Erramos em nossas tomadas de decisões. Erramos em conceitos. Erramos em fazer e ao deixar de fazer. Quando nos damos conta de nossos erros, logo vem o arrependimento. É impossível ao homem evitar o arrependimento, visto que ela é fruto da consciência que está sempre pronta a julgar nossas ações. Não há um ser humano que nunca tenha se arrependido no decorrer de sua vida. Observe que, mesmo os escribas e o fariseus ao serem redargüidos pela consciência se arrependeram do mal que iriam praticar: não apedrejaram a pecadora que trouxeram a Jesus. O homem se arrepende de atos já realizados ou daqueles que não conseguiu realizar. A consciência diante dos erros tem uma variação de pesos e não é este o arrependimento que João Batista propôs aos seus ouvintes. Quando a consciência nos intima, resta-nos reparar os nossos erros. Quando a bíblia nos alerta, ela aponta a nossa condição herdada em Adão: condenados e destituídos da glória de Deus, e demonstra que é impossível restaurarmos a nossa natureza. Somente após desvencilhamos dos nossos conceitos (arrependimento) será possível alcançarmos a Cristo, o verdadeiro caminho que dá acesso a Deus.
Claudio Crispim
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