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O arrependimento

 

 

 

“Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem” Mt 23. 3.

 

Por que Jesus disse aos seus ouvintes que podiam fazer o que os fariseus lhes diziam?

Porque quando falavam da lei e dos profetas, os fariseus estavam fazendo referencia a Cristo. Mas, quanto a crerem em Cristo, a obra de Deus por excelência, eles não realizavam “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” Jo 6. 29.

Os aspectos externos da lei eram rigorosamente observados, mas quanto à justiça, à misericórdia e à fé, eram negligentes. Negligenciavam a fé, meio pelo qual o homem agrada a Deus; negligenciavam a misericórdia, visto que Deus enviou o seu Filho ao mundo; negligenciavam a justiça, pois Cristo é a Justiça Nossa, e estabeleceram uma justiça própria, segundo a concepção humana.

Por valorizarem os aspectos externos da religião (lavar o exterior do copo e do prato), os fariseus e escribas acabaram rejeitando a Cristo, aquele que tem poder para lavar o interior do homem.

As obras que os fariseus e escribas produziam não podiam cobrir-lhes a nudez, e por isso Cristo os chama de serpentes e raça de víboras!

O profeta Isaias também faz referência à ‘víboras’ e ‘obras’:

 

Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora. As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos”

Is 59. 5-6.

 

O profeta Isaias há muito apontou a condição de pecado do povo de Israel comparando-os a víboras; o alimento que produzem traz morte (ovos) e as suas obras não podiam cobrir a nudez (justificar o homem perante Deus), pois eram verdadeiros trapos de imundície.

O profeta João Batista alardeou: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” Mt 3. 7;  Jesus complementou: “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?” Mt 23. 33.

É certo que as mãos de Deus estão estendidas para salvar o homem Is 59. 1, mas os fariseus e escribas queriam se cobrir com as suas obras (obras de iniqüidade), e rejeitaram a justiça de Deus, que é Cristo “Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão” Is 57. 12.

Mas Jesus dá a receita para que os fariseus e os escribas produzissem frutos dignos de arrependimento: “Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo” Mt 23. 26.

Só através do lavar regenerador da palavra de Deus, o evangelho de Cristo, que é poder de Deus para todo aquele que crê, é que se tornou possível limpar o interior do homem!

Não é a religião, não é a filosofia, não é a ciência, não é o conhecimento, não é a moral, não é o caráter que limpa o interior do homem. Só o sangue de Jesus é que purifica o homem de todo o pecado!

Após o lavar regenerador da palavra o homem é de todo limpo. É limpo no interior e no exterior. “Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo, mas não todos” Jo 13. 10.

Ou seja, quando o homem é limpo no seu interior através da lavagem regeneradora da palavra de Deus, tudo se torna limpo. Ele deixa de praticar ‘más’ obras e passa a produzir ‘boas’ obras em Deus.

 

Ora vós Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre"

I Pe 1. 22- 23.

 

João Batista ao escutar que os seus batizados permaneciam atrelados à concepção errônea de que eram salvos por serem descendentes de Abraão, protesta-lhe dizendo: "E não penseis que basta dizer: Temos por pai a Abraão".

O Povo de Israel evocavam a paternidade divina por meio da descendência de Abraão. No conceito dos fariseus e saduceus, ser filho de Abraão era o mesmo que ser filho de Deus Jo 8: 33 e 41.

João Batista demonstra que os filhos de Deus são gerados em poder, e não por meio da descendência humana: "Eu vos digo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão", ou seja, por intermédio de seu poder, Deus detém as condições (poder) de fazer surgir filhos para si.

O apóstolo João demonstrou que os filhos de Deus são criados em poder: "Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem em seu nome, deu-lhes PODER de serem FEITOS filhos de Deus". Os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que tiveram a mesma fé que o crente Abraão, e não o mesmo sangue.

Deste modo podemos fazer uma releitura do ministério de João Batista e sobre o arrependimento.

 

Muitos que vinham ao batismo de João estavam conscientes de que eram pecadores, e eram por ele batizados.

Mas, quando ele viu os escribas e os fariseus vindo ao batismo e que não haviam mudado as suas concepções acerca de suas condições e da necessidade de salvação, João Batista faz um protesto, desmascarando a intenção e a condição dos fariseus e escribas.

A doutrina deles continha do veneno da serpente do Éden, e por isso, eram raça de víboras. Eles seguiam uma doutrina enfatuada, produto de uma mente carnal.

Eles deviam deixar o conceito de que eram salvos por serem descendentes de Abraão. Deveriam deixar de confiar na carne e na lei. Deveriam esvaziar-se da idéia de que a circuncisão os tornavam melhores e aceitáveis a Deus.

Precisavam reconhecer que eram pecadores da mesma maneira que todos os outros homens são. Deveriam aceitar aquele que viria após João Batista.

Se os ouvintes de João Batista não sentissem as suas misérias, e continuassem em seus caminhos, eles haveriam de ser cortados por não produzirem bons frutos.

Aquele era o momento dos ouvintes de João Batista mudarem as suas concepções e passarem a produzir os frutos do arrependimento.

 

Quando Jesus ouviu que João estava preso, ele deixou a cidade de Nazaré e foi morar em Cafarnaum, e passou a pregar: "Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus" Mt 4: 17.

Porque Jesus continua a apregoar que é necessário o arrependimento? Por que os gentios também precisavam ter o caminho aplainado.

Quando Jesus passou a anunciar o evangelho aos gentios, ele estava cumprindo o que foi predito por Isaias: Cristo, a luz de Deus enviada ao mundo, tem o fito de dar vida àqueles que estão mortos.

Uma evidência clara de que o homem esta na luz, e quando este passa a professar segundo as Escrituras "à lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva (é porque não há luz neles)" Is 8: 20.

Cristo é o reino dos céus entre os homens “Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus” Mt 12. 28. Somente após o arrependimento o homem consegue entender que Cristo é a única maneira do homem se achegar a Deus. A concepção antiga de salvação é descartada e o homem aceita a Cristo como seu único e suficiente salvador. 

 

 

 

Claudio Crispim

 

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