|
|
||||
|
||||
|
O arrependimento
O que João Batista quis dizer com “Produzi frutos digno de arrependimento” Mt 3: 8? Ele quis dizer que o comportamento dos fariseus e saduceus estavam aquém do exigido por Deus? Que precisavam se esforçar mais para agradar a Deus? Não! Observe que, diante dos homens, eles eram tidos por justos Mt 23: 28, pelo caráter, pela moral e comportamento. Aqueles que acreditam que Deus os terá em condição melhor que os seus semelhantes, simplesmente por não cometerem os mesmos pecados que eles, Jesus responde: “Pensais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus (...) Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” Lc 13. 2 e 3. Tantos os galileus quanto os ouvintes de Jesus necessitavam de arrependimento. A conduta dos galileus podiam ser piores que as dos ouvintes de Jesus, porém, todos eles precisavam abandonar os seus conceitos, se não, todos haveriam de perecer de igual modo. Os ouvintes de Jesus odiavam as condutas em desacordo com a lei, ficavam entristecidos por casa de seus erros e sempre faziam propósitos para não pecarem mais. Porém, eles de igual modo que os pecadores galileus haveriam de perecer, caso não se arrependessem.Isto demonstra que 'arrependimento' não tem relação com ódio ao pecado, tristeza por causa do pecado, propósito em não pecar. Muitos dos ouvintes de Jesus por serem religiosos, descendentes de Abraão, circuncidados, pertencentes a Israel como nação, pertencentes ao ciclo do 'melhor' da religião (saduceus e fariseus), achavam que produziam frutos da melhor qualidade. No entanto, quando convidados, eles não vieram a Cristo para que as suas obras não se manifestassem e fossem reprovadas, porque elas não eram feitas em Deus. Jesus demonstrou através da conversa com Nicodemos que ‘todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas’, ou seja, é o mesmo que dizer que aqueles que são árvores más não podem produzir fruto bom. Segue-se que ‘quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus’, isto porque aqueles que são gerados de Deus são árvores boas, e estes podem produzir frutos bons, pois os seus frutos são produzidos em Deus. Os frutos dignos de arrependimento só surgem quando Deus cria um novo homem, onde habita a justiça!
Para aqueles que produzem maus frutos resta a horrível expectação de estar prestes a ser cortado e lançado no fogo, pois já está posto o machado à raiz das árvores Mt 3. 10. E João Batista enfatiza: “Eu vos batizo com água, para arrependimento...” Mt 3. 11. O arrependimento proclamado por João era uma mensagem que convidava o povo à uma mudança radical e profunda em suas concepções. Para que os ouvintes de João Batista produzissem frutos dignos de arrependimento, havia a necessidade primaria de mudarem os seus conceitos e aceitassem a Cristo, o Messias (o reino de Deus próximo), e seria operada uma obra na própria natureza do ouvinte, visto que o fruto é determinado pela árvore que o produz, e não o contrário. (Leia o artigo sobre a REGENERAÇÃO). O fruto digno de arrependimento não vem enquanto não nascer a árvore que possa produzir-lo, isto porque, é a árvore que produz frutos conforme a sua espécie. João Batista com esta mensagem evidencia um princípio que só é notado se observarmos o versículo dez, e que mais tarde Jesus faz referência: "Necessário vos é nascer de novo" João 3: 7. O fruto digno de arrependimento só é possível após o nascer da semente incorruptível que é a palavra de Deus. Sem antes nascer de Deus, jamais o homem produzirá o fruto do arrependimento.
A bíblia diz que o povo de Jerusalém saía da Judéia e de toda a circunvizinhança do Jordão para serem batizados no rio Jordão, e estes confessavam os seus pecados. Vendo João Batista que muitos religiosos (fariseus e saduceus) vinham ao batismo, ele protestou. Não bastava batizar-se e continuar a dizer: sou filho de Abraão "E não penseis que basta dizer: temos por pai a Abraão" Mt 3: 9. Ser fariseu, saduceu, judeu, religioso, praticante de boas maneiras, batizado, etc, não é o que produz fruto de arrependimento. João Batista estava protestando àqueles que representavam o melhor da nação e da religião a que se arrependessem. Os saduceus e os fariseus produziam as melhores obras, pois eram caridosos, dizimistas e zelosos da lei. Jesus nos dá um parâmetro para medirmos as obras realizadas pelos fariseus ao dizer: "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" (Mateus 5: 20). Ou seja, o povo já tinha em conta que os fariseus eram justos, e Jesus demonstra que deveriam ter uma justiça superior a dos fariseus, o que demonstra a impossibilidade do homem salvar-se por meio de comportamento, moral, religião, guarda de dias, etc. A conduta do homem não contém os elementos que produzem frutos dignos de arrependimento. Se não mudar a árvore o fruto também não muda. O maior problema dos religiosos à época de João Batista era acreditarem que por serem descendentes de Abraão, já eram filhos de Deus. Aqueles que recebem a palavra e a aceitam pela fé, nascem da vontade de Deus, e passam a produzir frutos segundo a sua espécie (natureza), frutos bons, ou seja, frutos dignos de arrependimento. Desta forma segue-se que toda árvore má produz maus frutos, e toda árvore boa produz bons frutos; isto porque não pode a árvore boa dar mau fruto, nem a árvore má dar bom fruto. Àqueles que são nascidas de Deus são participantes da sua natureza. Como Deus é luz, os nascidos dele são luz. Como Deus é bom, os nascidos dele são bons. Quando a semente incorruptível germina no coração do homem, ela produz uma nova criatura (novo homem ou árvore) e os seus frutos são bons.
Claudio Crispim
|
||||
|
|
||||