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O arrependimento

 

 

“Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só Rm 3. 12.

 

Quando a bíblia diz que ‘não há quem faça o bem’, ela quer dizer que nunca houve sobre a face da terra quem desse um prato de sopa aos pobres? Que nunca houve quem prestasse socorro a um semelhante caído na sarjeta? Que nunca existiu um homem, nenhum se quer, que tenha auxiliado o seu próprio pai ou mãe nalguma dificuldade?

Todos os homens que vêm ao mundo possuem um senso crítico interno que julga os seus atos praticados, o que chamamos de consciência. Mesmo de posse deste juiz natural, a bíblia afirma que todos os homens se fizeram inúteis, o que demonstra que a consciência não torna o homem melhor ou pior diante de Deus.

Através da consciência o homem pratica o bem aos seus semelhantes (boas ações), porém, tais ações não o torna aceitável diante de Deus.

 

Quando a bíblia diz que não há quem faça o bem, ela não está se referindo as boas ações que o homem pode realizar aos seus semelhantes. Não é sobre este ‘bem’ (boas ações) que a bíblia trata. Como ela trata de questões eternas, a bíblia demonstra que perante Deus as ações dos homens é um produto das suas naturezas decaídas.

O bem que a bíblia faz referência só é possível realizar quando se está em Cristo, ou seja, é possível realizá-lo quando se é nascido de Deus por meio de Cristo.

O 'bem' (boas ações) que os homens fazem ao seu próximo decorre do conhecimento que adquiriram da árvore do bem e do mal, fato que se deu em Adão, lá no jardim do Éden. Observe que a árvore era uma só: a árvore é do conhecimento do bem e do mal!

Se o homem faz o bem segundo a sua consciência, faz segundo a árvore do conhecimento do bem e do mal!

Se o homem ignora a sua consciência e pratica o mal, faz aquilo que é pertinente ao conhecimento adquirido da mesma árvore: a árvore do conhecimento do bem e do mal!

 

 

Diante do exposto até aqui, verifica-se que o arrependimento dos fariseus e saduceus diante da pergunta de Cristo sobre a mulher surpreendida em ato de adultério não correspondem ao verdadeiro arrependimento exigido por Cristo.

A pergunta seguinte ilustra bem as diferenças entre 'uma boa ação' e o 'bem', que só é possível realizar em Deus.

Há alguma diferença entre a água que um ímpio e um justo oferecem ao seu semelhante?         

Por exemplo: um ímpio oferece um copo de água a um necessitado. Ele está fazendo o bem? Por outro lado, um justo oferece um copo de água ao mesmo necessitado. Ele está fazendo o bem?

Tanto o ímpio quanto o justo fizeram uma boa ação (o bem)! Deram um copo de água a quem precisava.

Agora, quem realizou uma boa obra? A boa ação em dar um copo de água é uma boa obra? A resposta é complexa.

O ímpio não realizou uma boa obra e sim uma boa ação. O justo, por sua vez, além de realizar uma boa ação, também realiza uma boa obra.

A boa obra não está relacionada às ações dos homens.

O ímpio não faz uma boa obra por não estar em Deus por meio de Cristo. Por outro lado, aquele que crê em Cristo, este realiza uma boa obra, visto que Ele está em Deus e Deus nele. 

O que diferencia a ação do justo e a do ímpio? A água? O necessitado? Nenhum destes elementos! O que deferência o justo e o ímpio é a união com Cristo.

 

As ações dos ímpios podem ser boas ou más. Mesmo que um ímpio pratique boas ações, as suas obras são más.

As ações daqueles que crêem em Cristo também são boas ou más diante da sociedade. Porém, mesmo que pratique uma má ação, perante Deus ele possui boas obras.

Quando um descrente faz uma boa ação, não facilita a salvação dele. Da mesma forma, quando um crente faz uma má ação, ele não perde a salvação em Deus.

Haverá tribunal específico para julgamento de obras, tanto para crentes como para descrentes. Estes receberão a recompensa segundo as suas obras no Tribunal do Trono Branco, e permanecerão condenados, porém aqueles serão julgados quanto as obras no Tribunal de Cristo, e permanecerão salvos. 

Por que esta diferença?

Porque a bíblia demonstra que as boas obras só são possíveis quando feitas em Deus Jo 3. 21!

 

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”

Ef 2. 10.

 

         Sabemos que a nova criatura é feitura de Deus; ou seja, a regeneração é resultado de uma nova criação de Deus por meio de Cristo Jesus, o que possibilita o novo homem praticar boas obras. Tais obras foram preparadas por Deus de antemão para que andássemos nelas.

            As ações dos homens nem sempre são classificadas como sendo más. Muitos homens procuram viver pia e justamente sobre a face da terra, e para isso adotam filosofias de vida, são regrados, religiosos, prestativos, seguem a consciência, mas não praticam boas obras.

            É diferente uma boa ação das boas obras. A última só é realizável em Deus, já a primeira é pertinente à filosofia, a religião, a consciência, etc.

            Jesus ao falar a Nicodemos foi bem específico:

 

“E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” Jo 3. 19- 21.

 

            Jesus demonstrou que a condenação dos homens decorre do fato de Ele ter vindo ao mundo para salvá-los, e eles amaram mais as trevas do que a luz. Ou seja, os homens estavam mais apegados à condição que estavam (trevas), do que a oferta de salvação em Cristo (luz).

            Os fariseus e os escribas por praticarem algumas boas ações achavam que praticavam boas obras, mas na verdade as suas obras eram essencialmente más. Por que as obras deles eram más? Porquê elas não eram feitas em Deus! Para executarem boas obras os fariseus e os escribas precisavam nascer de novo, e só então, produziriam boas obras.

Se as obras deles fossem feitas em Deus, não realizariam as obras do diabo, antes creriam em Cristo, que foi enviado para desfazer as obras do diabo Jo 8. 44.

 Sabemos que aquele que faz o mal odeia a Cristo e não vem para Ele (não aceita o convite de salvação), pois sabem que as suas obras não são aceitas por Cristo.

Quem faz o mal? Todos aqueles que nascem segundo a carne, da vontade do homem e da vontade do sangue, ou seja, os que descendem de Adão Jo 1. 12- 13. Em decorrência desta realidade o apóstolo Paulo cita alguns salmos: “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” Sl 14. 3; “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” Sl 53. 3; Rm 3. 12.

 

Diante destes versículos não podemos confundir o não fazer o ‘bem’ com boas ações. Os escribas e os fariseus procuravam cumprir a lei em seus vários aspectos, mas nunca realizaram o bem.

O jovem rico cumpria a lei em todos os aspectos, mas não fazia o bem “Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe. E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade” Lc 18. 19- 21.

De igual modo os fariseus procuravam cumprir a lei, e chegavam ao cumulo de dizimarem a hortelã, o endro e o cominho. As ações que os escribas e fariseus apresentavam perante os homens faziam com que considerassem eles ‘justos’ “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” Mt 23. 28

Eles lavavam o exterior do copo e do prato “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade” Mt 23. 24. A aparência exterior de um escriba ou de um fariseu impressionava os homens, pois as suas ações eram impecáveis, mas estes também não faziam o bem. Todos! Todos de igual modo se desviaram e se tornaram inúteis.

Desta maneira podemos compreender as figuras e as parábolas utilizadas por Jesus!

 

Claudio Crispim

 

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