|
|
||
|
Pág. 2 |
||
|
A Justificação
Aplicação prática da palavra 'Justificação'
A palavra ‘justificado’ é empregada pelo salmista Davi para dar a conhecer aos seus leitores que Deus é justo (justificado). Como o salmista sabe que Deus é justo, isto motiva o salmista a reconhecer os seus próprios erros. Desta forma verifica-se que a palavra ‘justificado’ (declarar justo) somente se aplica ao que é verdadeiro em essência. Parece ser redundante, porém não é. Davi declara que Deus é justo porque Ele é verdadeiramente justo. O apóstolo Paulo ao declarar que 'Deus é verdadeiro' se fundamenta na declaração do rei Davi. Ou seja, ao declararmos algo que diz respeito ao nosso Deus, temos plena consciência de que é verdadeiro, pois assim a Escritura nos diz. Chegamos a um ponto crucial: se Paulo utiliza a palavra ‘justificado’ (declarar justo) para expressar algo a respeito dos cristãos, tal declaração também deve ser verdadeira. Não há como declarar que alguém está justificado, sem que esta pessoa não seja efetivamente justa. Ou seja, os cristãos haviam morrido “Nós, que estamos mortos para o pecado...”, e foram declarados justos “... porque aquele que está morto está justificado do pecado”. Quando o apóstolo Paulo escreve que os cristãos foram declarados justos, ele não faz referência a uma anistia, ou a uma absolvição, ou a uma concessão, ou a ter em conta ou a um faz de conta. Paulo faz referência a algo que é pleno de todo: aquele que está morto está justificado. Quem não é cristão não faz jus a tal declaração, pois é certo que este não morreu para o pecado. É possível que alguma pessoa que não esteja inclusa no pronome da primeira pessoa do plural de Romanos sies, verso dois ‘Nós...’ Rm 6. 2, receba a declaração de que é justa? Não! Por quê? Porque esta pessoa não esta morta para o pacado! Quem não está morto para o pecado não pode ser justificado (declarado justo), pois tal afirmação não seria verdadeira. Não há como aplicar a palavra ‘justificado’ a quem não morreu, visto que todo aquele que é nascido da carne, não é verdadeiro “... e todo o homem mentiroso como está escrito” Rm 3. 4. Todos os homens nascidos de Adão não são verdadeiros, porém Deus é verdadeiro. A condição daquele que não esta em Cristo é mentira, em contrate com Deus, que é verdadeiro "Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para a sua glória..." Rm 3: 7. Ao citar o salmo 51, verso 4, o apóstolo Paulo estabelece o parâmetro necessário para compreendermos a extensão da palavra ‘justificar’ quando ela é empregada por ele. O apóstolo Paulo só utiliza a palavra ‘justificar’ para algo que é categoricamente verdadeiro. Se houvesse uma sombra de dúvida, ou uma possibilidade daquele que está morto não estar justificado perante Deus, então Paulo não utilizaria a palavra 'justificar'. É certo que ‘justificar’ não se refere a uma conduta divina condescendente em declarar um injusto como sendo alguém justo. É possível a Deus, que é verdadeiro, declarar justa uma pessoa não justa? Concluiremos de outro modo: Deus não justifica aquele que está vivo para o pecado. Já que, através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo Rm 6. 2; 3-7 e 11, e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado. Se Paulo recomenda aos cristãos que assumam efetivamente a condição de mortos para o pecado Rm 6. 11, é porque precisavam estar cônscios de que estavam plenamente justificados perante Deus “Sendo, pois, justificados pela fé...” Rm 5. 1. Os cristãos são justos perante Deus pelos seguintes motivos:
a) É Deus quem nos justifica “É Deus quem os justifica” Rm 8. 32; b) Temos paz com Deus, evidência real de que fomos justificados pela fé “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” Rm 5. 1, e; c) Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois fomos plenamente justificados “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...” Rm 8. 1.
Não está justificado aquele que pesa sobre ele condenação. Não está justificado aquele que ainda está em inimizade com Deus. Não está justificado aquele que não confia em Deus, que pode justificá-lo. Se um pseudo-cristão não crê no que Deus já lhe providenciou gratuitamente, resta que esta pessoa não crê em Cristo Jesus, pois todas estas bênçãos foram providenciada na cruz. O apóstolo demonstra que só é justificado aquele que está efetivamente morto para o pecado, e recomenda aos cristãos que se conscientizassem de tal condição Rm 6: 11. Só aqueles que foram crucificados com Cristo, plantados com Ele, sepultados pelo batismo na morte e que ressurgiram com Ele, é que são justificados.
Os 'mortos' estão justificados
Já vimos quem são os justificados (nós) Rm 6. 2. Também vimos qual a melhor idéia a se traduzir por justificação. Agora veremos qual o 'objetivo' de estarmos mortos em Cristo e 'por'quê' os mortos para o pecado são justificados.
Este versículo contém três afirmações a respeito de nosso Deus:
“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” Rm 3. 26.
Jesus é a justiça de Deus dada aos homens com o evidente propósito de que Deus seja justo e justificador daqueles que crêem em Cristo. O versículo 26 de Romanos 3 aponta os motivos pelos quais Deus revelou Cristo aos homens:
a) Para demonstrar a sua justiça de Deus neste tempo presente; b) Para Ele ser justo, e; c) Para Ele ser justificador.
A primeira afirmação demonstra que Cristo é a Justiça de Deus neste tempo presente! Sem contradição alguma.
Neste tempo presente, ou seja, o agora, Cristo se manifestou aos homens, conforme o que foi dito pelos profetas e pela lei. Ele é a justiça de Deus concedida ou manifesta aos homens. Para tomar posse desta justiça, todos os homens devem crer em Cristo, sem exceção (judeus e gentios) Rm 3. 22. Porém, surge um entrave: como Deus sendo Justo e Verdadeiro justifica o pecador? De acordo com a lei, a justiça e a retidão temos:
A determinação divina é contundente: a alma que pecar, esta deve morrer! O que fazer da realidade seguinte: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3. 23. Como todos pecaram, é certo que todos devem morrer. Deus não tem o culpado por inocente, e de que maneira ele justifica o homem sem ferir a sua própria palavra? Se a pena não pode passar do transgressor, como Jesus morreu no lugar do pecador? Se considerarmos as quatro premissas acima, só é possível declarar alguém justo, quando este alguém nunca tenha cometido pecado. Quem cometeu pecado deve ter certa a sua morte. Quem cometeu pecado não será tido por inocente. A quem cometeu pecado só resta a punição, pois outrem não pode sofrer a pena em seu lugar. Como declarar justo o pecador sem ferir as premissas acima?
Como a justiça de Deus é imputada ao homem, se a justiça do justo ficará sobre o justo e a impiedade do ímpio sobre o ímpio? Como Cristo levou sobre si os pecados da humanidade, se o filho não pode levar a iniqüidade do Pai, e nem o Pai a iniqüidade do filho? Esta pergunta somente será respondida quando entendermos plenamente a doutrina da justificação em Cristo.
Claudio Crispim
continua... |
||
|
Pág. 2 |
||
|
|
||